Após o retorno de uma viagem a Minas Gerais, onde Pedro I fora recebido com grande frieza, seus partidários prepararam uma série de manifestações a favor do imperador no Rio de Janeiro, armando fogueiras e luminárias na cidade. Contudo, na noite de 11 de março, tiveram início os conflitos que ficaram conhecidos como a Noite das Garrafadas, durante os quais os “brasileiros” apagavam as fogueiras “portuguesas” e atacavam as casas iluminadas, sendo respondidos com cacos de garrafas jogadas das janelas.
VAINFAS, R. (Org.). Dicionário do Brasil Imperial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008 (adaptado).
Os anos finais do I Reinado (1822-1831) se caracterizaram pelo aumento da tensão política. Nesse sentido, a análise dos episódios descritos em Minas Gerais e no Rio de Janeiro revela
A) estímulos ao racismo.
B) apoio ao xenofobismo.
C) críticas ao federalismo.
D) repúdio ao republicanismo.
E) questionamentos ao autoritarismo.

✍ Resolução Em Texto
📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- História do Brasil (Crise do Primeiro Reinado)
- Interpretação de Fonte Histórica
🎯 Tema/Objetivo Geral: Análise das causas da crise política que levou à abdicação de D. Pedro I.
🎯 Nível da Questão: Médio. A questão é de nível médio porque, embora o texto descreva um conflito, é preciso ter o conhecimento do contexto histórico para entender a raiz do problema. A alternativa B (xenofobismo) é um distrator forte, e o aluno precisa diferenciá-lo da causa política fundamental, que é a crítica ao autoritarismo do imperador.
✅ Gabarito: E. A alternativa está correta, pois a hostilidade popular contra D. Pedro I, manifestada tanto na frieza em Minas Gerais quanto na violência no Rio de Janeiro, era um reflexo direto do descontentamento com seu estilo de governo centralizador e autoritário.
📖 Resolução Passo a Passo
🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
📌 Transcrição Essencial
“Nesse sentido, a análise dos episódios descritos em Minas Gerais e no Rio de Janeiro revela”
📌 O que está sendo pedido?
A questão pede para identificarmos qual era a causa política fundamental por trás da tensão e dos conflitos que marcaram os últimos anos do governo de D. Pedro I.
📌 Objetivo Cristalino
Nosso objetivo é conectar os eventos descritos (a recepção fria e a “Noite das Garrafadas”) ao principal motivo de insatisfação da população e das elites brasileiras contra o imperador.
✔ Pergunta de Atenção
Você reparou que a briga era entre “brasileiros” e “portugueses”, mas o texto deixa claro que os “portugueses” eram os “partidários do imperador”? Isso significa que a questão ia além da nacionalidade e chegava no centro do poder: a figura do próprio D. Pedro I.
📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
📌 Definições e Explicações
| Termo/Conceito | Explicação Simples | Exemplo do Cotidiano Histórico |
| Noite das Garrafadas (1831) | Foi uma briga de rua generalizada no Rio de Janeiro entre os apoiadores de D. Pedro I (apelidados de “portugueses”) e seus opositores (as elites e populares “brasileiros”). O evento foi o estopim que acelerou a abdicação do imperador. | Os apoiadores de D. Pedro I acendiam fogueiras em sua homenagem; os opositores as apagavam. A tensão escalou para agressões físicas com cacos de garrafa, paus e pedras. |
| Autoritarismo de D. Pedro I | Refere-se ao estilo de governo centralizador e impositivo de D. Pedro I, que frequentemente ignorava os interesses das elites brasileiras e tomava decisões unilaterais. | O ato mais famoso de seu autoritarismo foi a dissolução da Assembleia Constituinte de 1823 e a imposição (outorga) da Constituição de 1824, que criou o Poder Moderador, dando poderes quase absolutos ao imperador. |
| Partido Português vs. Partido Brasileiro | Não eram partidos formais, mas grupos políticos. O “Partido Português” era formado por comerciantes portugueses e burocratas que defendiam o poder centralizado e absoluto de D. Pedro I. O “Partido Brasileiro” era composto por grandes proprietários de terra e liberais que defendiam mais autonomia para as províncias e a limitação do poder do imperador. |
📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
📌 Contextualização Simplificada
Imagine a cena: o imperador chega em uma cidade importante (Minas Gerais) e é recebido com um silêncio gelado, um verdadeiro “climão”. Para tentar reverter a imagem ruim, seus apoiadores organizam uma festa no Rio de Janeiro. Só que os opositores, furiosos, vão para a rua, apagam as fogueiras da festa e começam uma briga generalizada que termina com garrafas voando. A questão é: por que tanta raiva? O que o imperador tinha feito para ser tão impopular? A resposta está no seu jeito de governar.
📌 Estratégia Geral
Nossa estratégia será: 1) Entender que os conflitos descritos são sintomas de uma doença maior. 2) Identificar qual era essa “doença política” que causava tanta impopularidade a D. Pedro I. 3) Procurar a alternativa que nomeia corretamente essa causa fundamental.
🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
📌 Passo a Passo Detalhado
Vamos analisar a cadeia de eventos e suas causas:
- Sintoma 1: Frieza em Minas Gerais. Isso mostra que a insatisfação com D. Pedro I não era um problema isolado do Rio de Janeiro, mas já havia se espalhado por províncias importantes.
- Sintoma 2: A “Noite das Garrafadas”. Esse evento mostra que a tensão política transbordou para a violência física. A divisão entre “brasileiros” e “portugueses” era a face visível de uma briga mais profunda: liberais contra absolutistas.
- A Causa Raiz: Por que essa oposição existia? Por causa do histórico de D. Pedro I. Sua recusa em aceitar uma Constituição que limitasse seu poder (dissolvendo a Assembleia em 1823), a criação do Poder Moderador na Constituição de 1824, seu envolvimento na política de Portugal e seu estilo centralizador eram vistos como uma continuação do absolutismo colonial. O povo e as elites questionavam seu autoritarismo.
❓/ ✔ Possível armadilha
A armadilha mais forte é a alternativa B (xenofobismo). É inegável que havia um sentimento anti-português no conflito. No entanto, a xenofobia não era a causa principal, mas sim um instrumento e um sintoma da crise política. A raiva contra os “portugueses” era, em grande parte, uma raiva contra o grupo que apoiava o imperador autoritário. A causa fundamental da crise política era a forma como D. Pedro I governava, ou seja, seu autoritarismo.
Fechamento e expectativa
O raciocínio nos leva a concluir que a tensão descrita era a manifestação de uma profunda crise de legitimidade do governo de D. Pedro I, baseada na percepção de que ele era um líder autoritário. Portanto, a alternativa correta deve apontar para essa crítica ao seu poder.
✅ Passo 5: Análise das Alternativas
Listagem das Alternativas
- A) estímulos ao racismo.
- B) apoio ao xenofobismo.
- C) críticas ao federalismo.
- D) repúdio ao republicanismo.
- E) questionamentos ao autoritarismo.
Justificativa Individual
🔴 Alternativa A: Incorreta. O conflito descrito no texto tem um caráter político e social, mas não há elementos que o caracterizem como uma questão racial.
🟡 Alternativa B: Parcialmente correta, mas incompleta e superficial. O xenofobismo (sentimento anti-português) estava presente, mas era a forma como a crise política se expressava, e não sua causa principal. A raiz do problema era o autoritarismo de Pedro I, que era apoiado pelo “partido português”.
🔴 Alternativa C: Incorreta. A crítica não era “ao federalismo”, mas sim “pelo federalismo”. Os opositores de D. Pedro I (o Partido Brasileiro) muitas vezes defendiam ideias federalistas (mais autonomia para as províncias) como uma forma de combater a centralização autoritária do imperador.
🔴 Alternativa D: Incorreta. Embora existissem republicanos, a principal oposição a D. Pedro I nesse momento era formada por monarquistas liberais, que queriam limitar o poder do imperador, e não necessariamente derrubar a monarquia.
🟢 Alternativa E: Correta. Esta alternativa vai ao cerne da questão. A impopularidade e os conflitos eram resultado direto dos “questionamentos ao autoritarismo” de D. Pedro I, manifestado na Constituição de 1824 e no seu estilo de governo.
🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
📌 Resumo do Raciocínio
A análise dos eventos mostra que a “Noite das Garrafadas” foi o ápice de uma crise política crescente, alimentada pela percepção de que D. Pedro I governava de forma autoritária e centralizadora, contrariando os interesses das elites liberais brasileiras.
📌 Gabarito Reafirmado
A alternativa correta é a E, pois identifica com precisão a causa fundamental da tensão política do final do Primeiro Reinado.
🔍 Resumo Final para Revisão
Lembre-se: a briga entre “brasileiros” e “portugueses” no Primeiro Reinado era, na verdade, uma luta política. De um lado, os que queriam limitar o poder do rei; do outro, os que apoiavam seu poder centralizado. O autoritarismo de D. Pedro I era o grande combustível desse conflito