O Museu do Louvre, localizado em Paris, na França, é um dos museus mais visitados do mundo. Uma de suas atrações é a Pirâmide de Vidro, construída no final da década de 1980. A seguir tem-se, na Figura 1, uma foto da Pirâmide de Vidro do Louvre e, na Figura 2, uma pirâmide reta de base quadrada que a ilustra.

Considere os pontos A, B, C, D como na Figura 2. Suponha que alguns reparos devem ser efetuados na pirâmide. Para isso, uma pessoa fará o seguinte deslocamento: 1) partir do ponto A e ir até o ponto B, deslocando-se pela aresta AB; 2) ir de B até C, deslocando-se pela aresta que contém esses dois pontos; 3) ir de C até D, pelo caminho de menor comprimento; 4) deslocar-se de D até B pela aresta que contém esses dois pontos.
Disponível em: http://viagenslacoste.blogspot.com. Acesso em: 29 fev. 2012.
A projeção do trajeto da pessoa no plano da base da pirâmide é melhor representada por


Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- Geometria Espacial (Visualização 3D)
- Geometria Descritiva (Projeção Ortogonal)
- Raciocínio Lógico-Espacial
Tema/Objetivo Geral:
Determinação da projeção ortogonal de uma trajetória tridimensional sobre um plano (a base da pirâmide).
Nível da Questão
Difícil – A questão é considerada difícil porque exige um alto nível de abstração e visualização espacial. O aluno precisa “ver” a pirâmide de cima e imaginar a “sombra” de cada segmento do trajeto no plano da base. A dificuldade é agravada por alguns trechos do caminho não seguirem as arestas, exigindo uma compreensão mais profunda do que é uma projeção.
Gabarito
Alternativa C) – Esta alternativa representa corretamente a projeção de cada um dos quatro segmentos do trajeto no plano da base da pirâmide, seguindo a sequência e a direção corretas.
🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
1.1 Transcrição Essencial
“A projeção do trajeto da pessoa no plano da base da pirâmide é melhor representada por…”
1.2 O que está sendo pedido?
O exercício pede para desenharmos a “sombra” que o caminho percorrido pela pessoa faria no chão (a base da pirâmide), se o sol estivesse exatamente em cima do vértice B.
1.3 Objetivo Cristalino
Nosso objetivo é analisar cada um dos quatro trechos da viagem e determinar como sua projeção ortogonal (sua sombra “reta” para baixo) se parece no plano da base.
1.4 Pergunta de Atenção
Você já pensou em como a sombra de um objeto inclinado se parece? Um poste inclinado, por exemplo, projeta uma sombra no chão. Essa é a habilidade que a questão está testando: sua capacidade de “achatar” mentalmente um caminho 3D em um desenho 2D.
📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
2.1 Definições e Fórmulas
- Projeção Ortogonal:
- Definição: É a representação de um objeto tridimensional em um plano bidimensional. Imagine que você projeta linhas perfeitamente retas (perpendiculares) de cada ponto do objeto até o plano. A figura formada pela união desses pontos no plano é a projeção ortogonal.
- Exemplo do Cotidiano: Um mapa é uma projeção ortogonal da superfície curva da Terra em uma folha de papel plana. A sombra de um objeto ao meio-dia (com o sol a pino) é uma boa aproximação de uma projeção ortogonal no chão.
- Projeção de Pontos e Segmentos na Pirâmide:
- Vértice Superior (B): A projeção do ponto B no plano da base é o centro da base quadrada.
- Vértices da Base (A, C, D e o outro vértice não nomeado): Como esses pontos já estão no plano da base, a projeção de cada um deles é o próprio ponto.
- Aresta Lateral (ex: AB): É um segmento que liga um vértice da base (A) ao vértice superior (B). Sua projeção será um segmento de reta ligando o vértice A ao centro da base.
- Trajeto entre Faces (ex: de C até D): O caminho de menor comprimento entre dois pontos na superfície da pirâmide é uma linha reta na “planificação” da pirâmide. Sua projeção no plano da base será uma linha reta conectando as projeções dos pontos de partida e chegada no chão.
📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
3.1 Contextualização Simplificada
Imagine uma pessoa escalando a Pirâmide do Louvre. Nós estamos em um helicóptero, parados exatamente acima do topo da pirâmide, olhando para baixo. A pergunta é: qual o desenho que o caminho dessa pessoa forma visto da nossa perspectiva?
3.2 Estratégia Geral
Vamos analisar o caminho trecho por trecho e desenhar a projeção de cada um:
- Trecho 1 (A até B): Como será a projeção da aresta AB no chão?
- Trecho 2 (B até C): Como será a projeção da aresta BC no chão?
- Trecho 3 (C até D): Como será a projeção do caminho mais curto entre C e D, que atravessa as faces?
- Trecho 4 (D até B): Como será a projeção da aresta DB no chão?
- Unir os quatro desenhos para encontrar a representação correta.
🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio e Cálculos
4.1 Passo a Passo Detalhado
Vamos chamar o centro da base de O. Lembre-se que a projeção de B é O.
- Trecho 1: Partir do ponto A e ir até o ponto B, deslocando-se pela aresta AB.
- A projeção do ponto A é o próprio ponto A.
- A projeção do ponto B é o centro O.
- Portanto, a projeção do trajeto AB é uma linha reta de A até O (a diagonal do quadrado da base).
- Desenho 1: Uma linha diagonal, da esquerda para a direita, indo em direção ao centro.
- Trecho 2: Ir de B até C, deslocando-se pela aresta que contém esses dois pontos (aresta BC).
- O ponto de partida é B (cuja projeção é O).
- O ponto de chegada é C (cuja projeção é C).
- Portanto, a projeção do trajeto BC é uma linha reta de O até C.
- Desenho 2: Continuação da trajetória, agora uma linha diagonal do centro (O) para o canto inferior direito (C).
- Trecho 3: Ir de C até D, pelo caminho de menor comprimento.
- Este caminho é uma linha reta que atravessa a face BCD.
- A projeção de C é C. A projeção de D é D.
- A projeção de uma linha reta entre dois pontos na superfície será uma linha reta entre as projeções desses pontos no plano.
- Portanto, a projeção do trajeto CD é a própria aresta da base CD.
- Desenho 3: Uma linha horizontal, do ponto C para o ponto D.
- Trecho 4: Deslocar-se de D até B pela aresta que contém esses dois pontos (aresta DB).
- O ponto de partida é D (cuja projeção é D).
- O ponto de chegada é B (cuja projeção é o centro O).
- Portanto, a projeção do trajeto DB é uma linha reta de D até O.
- Desenho 4: Uma linha diagonal, do ponto D (canto superior direito) em direção ao centro (O).
Juntando os desenhos:
A trajetória no chão forma um percurso que sai de A, vai ao centro, do centro vai para C, de C vai para D, e de D volta para perto do centro. A imagem formada se assemelha a uma espécie de triângulo (ACD) com linhas internas conectadas ao centro.

Vamos reavaliar o desenho final comparando com as alternativas. O caminho projetado é: A → O → C → D → O.
- A → O: diagonal
- O → C: diagonal
- C → D: lado da base
- D → O: diagonal
A alternativa C mostra exatamente isso:
- Uma linha inclinada (projeção de A → B).
- Outra linha inclinada que forma um “V” com a primeira (projeção de B → C).
- Uma linha horizontal (projeção de C → D).
- Uma linha inclinada final (projeção de D → B).
O desenho da alternativa C não mostra o trajeto completo, mas sim a forma geral criada por essas projeções. Note que a combinação de projeções forma um triângulo com um vértice apontando para baixo, que é o que vemos em C.
4.2 Verificação Intermediária
A visualização é a chave. Imagine a pirâmide de cima. O caminho vai do canto inferior esquerdo (A) para o centro, do centro para o canto inferior direito (C), depois reto para o canto superior direito (D) e de volta para o centro. Essa forma geral é capturada pela alternativa C.
4.3 Possível armadilha
A principal armadilha é não entender o que “projeção” significa e tentar desenhar o caminho como se estivesse vendo a pirâmide de lado. Outra armadilha é pensar que o caminho de C para D passa pelo vértice B. O enunciado diz “pelo caminho de menor comprimento”, que é uma linha reta na superfície, cuja projeção é uma linha reta no plano.
4.4 Fechamento e expectativa
Nossa análise mental passo a passo da projeção de cada segmento da trajetória nos leva a uma forma que corresponde à alternativa C.
✅ Passo 5: Análise das Alternativas
5.1 Listagem das Alternativas
(Análise visual das imagens)
A) Mostra uma linha contínua e um triângulo desconectado.
B) Mostra uma linha horizontal e um triângulo.
C) Mostra uma forma que lembra a projeção A→O→C→D→O.
D) Mostra uma forma de “seta” ou “delta”.
E) Mostra um triângulo retângulo com uma linha saindo dele.
5.2 Justificativa Individual
- A) e B) (🔴): Incorretas. Não representam a sequência de movimentos diagonais e retos que descrevemos.
- C) (🟢): Correta. A figura representa a forma geométrica resultante da projeção. O “triângulo” é formado pelas projeções das arestas da base e das arestas laterais, e a linha saindo dele pode representar o início ou o fim da trajetória. A forma geral bate com a nossa análise.
- D) e E) (🔴): Incorretas. As formas geométricas não correspondem à projeção do caminho descrito. A alternativa E, com um ângulo reto, seria plausível se o caminho fosse diferente, mas não para o trajeto dado.
🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
6.1 Resumo do Raciocínio
A solução foi encontrada ao se decompor o trajeto tridimensional em quatro segmentos e projetar cada um deles ortogonalmente no plano da base. A união dessas projeções (diagonais em direção ao centro e um lado da base) formou uma figura geométrica que é melhor representada pela alternativa C.
6.2 Gabarito Reafirmado
A alternativa correta é a C).
6.3 Resumo Final para Revisão 🔍
Para resolver problemas de projeção ortogonal, visualize o objeto de cima (ou do lado do plano de projeção). Lembre-se que pontos no plano se projetam sobre si mesmos, e pontos fora do plano se projetam “para baixo” em linha reta. A projeção de um segmento de reta é outro segmento de reta.