Questão 14, caderno verde do ENEM 2017 LIBRAS

A origem da capoeira está ligada à escravidão brasileira, pois nasceu como elemento de resistência à opressão do negro escravo naquela época. Considerados como mercadorias, os negros eram submetidos à vontade e aos desmandos de seus senhores. O castigo, a humilhação e o medo foram formas de manutenção e controle desse sistema. A forma mais importante de resistência a essas condições de vida foram as fugas. A capoeira surge nessecontexto como elemento de resistência física, diante da necessidade de autodefesa à opressão, utilizando seu corpo para confrontar seus opressores; e resistência cultural, proveniente da necessidade do negro escravo de se fazer humano, reconstruindo sua identidade.

Disponível em: http://ebookbrowsee.net. Acesso em: 28 jan. 2014 (adaptado).

O contexto do surgimento da prática da capoeira no Brasil marca física, histórica e culturalmente essa manifestação corporal, caracterizando-a como uma:

A) prática corporal de controle das ações humanas.

B) forma de reconstrução identitária como defesa do negro.

C) atividade física esportiva de cunho competitivo entre negros.

D) maneira de adaptação da cultura negra à sociedade escravocrata.

E) manifestação cultural das relações simétricas entre escravos e senhores.

Resolução em Texto

📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Interpretação de Texto
  • História do Brasil (Escravidão e Resistência Negra)
  • Educação Física (História das Práticas Corporais Afro-brasileiras)
  • Sociologia (Cultura, Identidade e Resistência)

🎯 Tema/Objetivo Geral: Compreender a capoeira, a partir de sua origem histórica, como uma manifestação de dupla resistência (física e cultural) dos negros escravizados no Brasil.

📊 Nível da Questão: Fácil.
Por quê? A resposta correta é uma paráfrase quase literal da última frase do texto. A questão exige uma leitura atenta, mas a informação-chave para a resolução está explicitamente declarada, tornando a identificação da alternativa correta bastante direta.

✅ Gabarito: Alternativa B.
Resumo: O texto define a capoeira como uma forma de resistência que ia além da autodefesa física, servindo como um instrumento para que o negro escravizado reafirmasse sua humanidade e reconstruísse sua identidade cultural diante de um sistema que buscava desumanizá-lo.


Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

Transcrição Essencial 📌
“O contexto do surgimento da prática da capoeira no Brasil marca física, histórica e culturalmente essa manifestação corporal, caracterizando-a como uma”

O que está sendo pedido?
A questão pede para definirmos o que é a capoeira com base na sua origem e função, conforme descrito no texto.

Objetivo Cristalino 💎
Nosso objetivo é analisar a descrição do texto sobre a capoeira e encontrar a alternativa que melhor resume seu papel como forma de resistência física e, principalmente, cultural.

🧠 A capoeira era só uma luta para se defender fisicamente ou ela tinha um significado mais profundo, ligado à manutenção da humanidade e da cultura em meio à opressão da escravidão?


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdo Necessários

Definição de Termos 🔖

  • Resistência Física: Ação de se opor à violência e ao controle físico. No contexto da escravidão, era a autodefesa contra os castigos e a opressão dos senhores e feitores.
  • Resistência Cultural: O conjunto de práticas que um grupo oprimido utiliza para preservar suas tradições, valores, religião e senso de identidade, em oposição a uma cultura dominante que tenta apagá-los. É uma luta pela preservação da alma e da memória coletiva.
  • Reconstrução Identitária: O processo pelo qual um indivíduo ou grupo, submetido a uma tentativa de apagamento de sua identidade (desumanização), busca reafirmar quem é, resgatando e recriando seus laços culturais e seu senso de valor próprio. É uma forma de dizer: “Eu sou humano, eu tenho uma história, eu não sou uma mercadoria”.

Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

Contextualização Simplificada 💬
Imagine viver em um sistema que te trata como um objeto, uma “mercadoria”. Você precisa de duas coisas para sobreviver: uma forma de se defender fisicamente (um “escudo”) e uma forma de se lembrar de quem você é, de sua cultura, para não perder sua humanidade (uma “âncora”). O texto nos diz que a capoeira era exatamente essas duas coisas para o negro escravizado. Era o escudo para a autodefesa e a âncora para a identidade. A questão nos pede para identificar qual alternativa melhor descreve essa função de “âncora”.

Estratégia Geral 🗺️
Nossa estratégia será focar na última parte do texto, onde o autor diferencia os dois tipos de resistência (física e cultural) e explica o propósito mais profundo da capoeira, que vai além da simples luta.


Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio

Passo a Passo Detalhado 👣

  1. O Contexto: O texto estabelece o cenário: a escravidão no Brasil, marcada por opressão, castigos e desumanização (“considerados como mercadorias”).
  2. A Dupla Função da Capoeira: O autor divide a função da capoeira em duas formas de resistência:
    • Resistência Física: Explicitamente ligada à “necessidade de autodefesa” e a “confrontar seus opressores”.
    • Resistência Cultural: Esta é a parte mais importante para a questão. O texto a define como “proveniente da necessidade do negro escravo de se fazer humano, reconstruindo sua identidade“.
  3. A Frase-Chave: A expressão “reconstruindo sua identidade” é o núcleo do argumento sobre a resistência cultural. Em um sistema que negava sua humanidade, a capoeira era um espaço para reafirmá-la.
  4. Conclusão: A capoeira não era apenas uma técnica de luta, mas um complexo cultural que funcionava como uma ferramenta de defesa da própria identidade e humanidade do negro escravizado.

A Armadilha Comum 🚨
A principal armadilha é a alternativa D, que fala em “adaptação”. “Adaptação” sugere conformidade, aceitação passiva das regras do sistema. O texto, no entanto, usa repetidamente a palavra “resistência”, que é o exato oposto de adaptação. Outra armadilha seria focar apenas no aspecto da luta física e ignorar a dimensão cultural, que é o ponto central da conclusão do texto.

Fechamento e Expectativa
A análise nos leva a procurar a alternativa que melhor capture essa ideia de luta pela preservação da identidade e da humanidade.


Passo 5: Análise das Alternativas

🔴 A) prática corporal de controle das ações humanas.
Incorreta. A capoeira era uma forma de resistência ao controle imposto pelos senhores, não um instrumento de controle.

🟢 B) forma de reconstrução identitária como defesa do negro.
Correta. Esta alternativa é uma paráfrase direta da parte final do texto, que afirma que a capoeira servia para o negro “se fazer humano, reconstruindo sua identidade”. A defesa aqui é tanto física quanto cultural/identitária.

🔴 C) atividade física esportiva de cunho competitivo entre negros.
Incorreta. O texto descreve a origem da capoeira como um instrumento de resistência e sobrevivência, não como um esporte com regras competitivas. A esportivização da capoeira é um processo muito posterior.

🔴 D) maneira de adaptação da cultura negra à sociedade escravocrata.
Incorreta. Esta alternativa contradiz a ideia central do texto. A capoeira não era uma forma de se adaptar, mas de resistir à opressão da sociedade escravocrata.

🔴 E) manifestação cultural das relações simétricas entre escravos e senhores.
Incorreta. “Relações simétricas” significam relações de igualdade. A relação entre escravos e senhores era a mais assimétrica e desigual possível, baseada na dominação e na violência.


Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

Resumo do Raciocínio 📝
O texto apresenta a capoeira como uma manifestação que transcende a luta corporal. Em seu contexto de origem, ela funcionava como um elemento de dupla resistência: a física, para a autodefesa, e a cultural, como uma ferramenta crucial para a reafirmação da humanidade e a reconstrução da identidade do negro em um sistema que tentava reduzi-lo a uma mercadoria.

Gabarito Reafirmado 🏅
A alternativa correta é a B.

Resumo Final para Revisão 🔍
Lembre-se: a capoeira nasceu como uma luta pela vida e pela alma. Não era apenas para defender o corpo, mas, sobretudo, para defender a identidade e a dignidade humana.

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