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Questão 14 caderno azul do ENEM 2020 PPL – Dia 1

Estória de um gibi da Turma da Mônica, intitulada Brincadeira de menino

Mônica, conhecida personagem de Maurício de Sousa, passa na casa da sua melhor amiga, Magali, Para convidá-la para brincar. A mãe da Magali diz que a menina está com gripe e precisa de repouso, e por isso não vai poder sair de casa. Mônica sai triste e pensativa, quando cruza com o Cebolinha e convida-o para brincar com ela de “casinha”. Ele se recusa e diz: “— Homem não blinca de casinha”, e Mônica retruca: “— Ah, Cebolinha! Que preconceito!”. Cebolinha responde: “— Pleconceito uma ova! Casinha é coisa de menina! Vou te mostlar o que é blincadeila de menino!”. Enquanto ele sai de cena, Mônica fica debaixo de uma árvore brincando sozinha e Cebolinha faz várias aparições com brinquedos e brincadeiras supostamente só de meninos: aparece “voando” num skate, mas cai na frente dela. Depois aparece numa bicicleta, mas bate numa pedra e cai. Aparece de patins, tropeça e cai. Reaparece chutando uma bola, mas a bola bate na árvore e volta acertando sua cabeça. Desanimado e desistindo das “suas” brincadeiras, Cebolinha aparece no último quadro, ao lado da Mônica, brincando de “casinha”.

OLIVEIRA, A. B.; PERIM, G. L. (Org.). Fundamentos pedagógicos para o programa Segundo Tempo. Brasília: Ministério do Esporte, 2008 (adaptado).

Refletindo sobre as relações de gênero nas brincadeiras infantis, a estória mostra que

A) meninos podem se envolver com os mesmos brinquedos e brincadeiras que meninas.

B) meninas são mais frágeis e por isso devem se envolver em brincadeiras mais passivas.

C) meninos são mais habilidosos do que meninas e por isso se envolvem em atividades diferentes.

D) meninas tendem a reproduzir mais os estereótipos de gênero em suas práticas corporais do que os meninos.

E) meninos e meninas devem se envolver em atividades distintas, como, respectivamente, o futebol e a “casinha”.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
Interpretação de Texto (Narrativa Visual/Quadrinhos), Sociologia (Estudos de Gênero e Socialização), Educação Física (Cultura Corporal de Movimento).

Tema/Objetivo Geral:
A desconstrução de estereótipos de gênero nas brincadeiras. O objetivo é compreender que a narrativa critica a divisão rígida entre “brincadeira de menino” e “brincadeira de menina”, propondo a ludicidade como um território livre e universal.

Nível da Questão:
Fácil/Médio.
Por que? A narrativa é linear e o desfecho é claro. O desafio é não trazer preconceitos externos para a prova. O aluno precisa ler o que a estória mostra (o final feliz com a quebra da barreira), e não o que o senso comum dita.

Gabarito:
Letra A.
A alternativa está correta porque sintetiza o desfecho da narrativa: Cebolinha abandona o preconceito inicial e se permite participar de uma atividade culturalmente associada ao feminino (“casinha”), provando que o gênero não deve limitar o brincar.


🏗 Resolução Passo a Passo

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA) 🗺️

Decodificação do Objetivo:
A questão pergunta: “Qual é a moral da história?”. O texto começa com um conflito (menino não brinca de casinha) e termina com uma resolução (menino brincando de casinha). O que essa mudança de atitude ensina sobre as relações entre meninos e meninas?

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine uma loja de brinquedos com um muro gigante no meio: Lado Azul e Lado Rosa.
Cebolinha começa a história defendendo esse muro. Ele tenta ficar só no lado azul (skate, bola) e se dá mal (se machuca).
No final, ele pula o muro e vai brincar no lado rosa. E descobre que não tem problema nenhum.
A história serve para derrubar o muro.

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  1. Identificar o preconceito inicial de Cebolinha (“Homem não blinca de casinha”).
  2. Analisar o fracasso da performance de masculinidade (ele cai de skate, bicicleta, etc.).
  3. Interpretar o quadro final (a união na brincadeira).

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS) 🧰

Precisamos diferenciar Biologia de Cultura.

Dossiê: O Brincar e o Gênero 🚻

Visão Estereotipada (O Início da História) Visão Crítica/Inclusiva (O Final da História)
Menino: Ativo, agressivo, rua, esportes radicais. Criança: Pode ser ativa ou passiva, dependendo da vontade.
Menina: Passiva, doméstica, casinha, cuidado. Brinquedo: Não tem gênero. É um objeto lúdico.
Regra: “Isso é coisa de menino/menina”. Regra: A diversão é para todos.

Conceito Chave:
Estereótipo de Gênero: Ideias pré-concebidas sobre como cada sexo deve agir. A história mostra que tentar seguir esses estereótipos à risca pode ser doloroso (Cebolinha caindo) e limitante.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA) 🕵️‍♂️

Vamos seguir a jornada do herói (ou anti-herói) Cebolinha:

O Conflito:

  • Mônica convida. Cebolinha recusa com base no gênero: “Homem não blinca de casinha”.
  • Diagnóstico: Ele está reproduzindo o machismo estrutural.

A Prova de Fogo (e o Fracasso):

  • Cebolinha tenta provar sua masculinidade com skate, bicicleta e futebol.
  • Resultado: Queda, tropeço, bolada na cabeça.
  • Interpretação: O texto está ridicularizando a obrigação de ser “radical”. Ser menino não garante habilidade nos esportes.

A Redenção:

  • “Desanimado… Cebolinha aparece… brincando de ‘casinha’.”
  • Ele percebe que é melhor brincar tranquilo de casinha do que se machucar tentando provar que é “macho”. A barreira do gênero foi quebrada pela necessidade de acolhimento e diversão.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO com a alternativa E (“atividades distintas”).
Muitos alunos marcam essa porque é o que eles veem na sociedade (“menino joga bola, menina brinca de boneca”).
O Erro: A questão pergunta o que a estória mostra, não o que a sociedade faz. A estória mostra justamente a quebra dessa regra. Se você marcar a E, você está concordando com o Cebolinha do começo da tirinha, e ignorando o aprendizado dele no final.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: A narrativa desmoraliza a rigidez dos papéis de gênero ao mostrar o fracasso do menino nas atividades “masculinas” e sua eventual aceitação e integração na atividade dita “feminina”, provando que brincar é universal.
  • Expectativa: Devemos buscar a alternativa que fala de “igualdade”, “compartilhamento”, “mesmos brinquedos” ou “quebra de barreira”.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA) 💀

Vamos interrogar os suspeitos:

  • A) meninos podem se envolver com os mesmos brinquedos e brincadeiras que meninas.
    • Análise: Perfeita. O final da história (Cebolinha e Mônica juntos na casinha) é a prova visual dessa afirmação. O texto legitima a união e a partilha do espaço lúdico.
    • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

  • B) meninas são mais frágeis e por isso devem se envolver em brincadeiras mais passivas.
    • Diagnóstico do Erro: Estereótipo não validado.
    • Análise: O texto não mostra Mônica sendo frágil (ela está apenas brincando). Além disso, a Turma da Mônica é famosa justamente porque a Mônica é a personagem mais forte (“Dona da Rua”), subvertendo a ideia de fragilidade feminina.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

  • C) meninos são mais habilidosos do que meninas e por isso se envolvem em atividades diferentes.
    • Diagnóstico do Erro: Contradição com o Texto.
    • Análise: O texto mostra Cebolinha caindo, tropeçando e levando bolada. Ele é desastrado, não habilidoso. A narrativa serve justamente para mostrar que ser menino não garante habilidade esportiva.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

  • D) meninas tendem a reproduzir mais os estereótipos de gênero em suas práticas corporais do que os meninos.
    • Diagnóstico do Erro: Inversão de Papéis.
    • Análise: Quem reproduz o estereótipo verbalmente é o Cebolinha (“Homem não brinca de casinha”). Mônica o chama de preconceituoso. Logo, foi o menino quem tentou reforçar o estereótipo, não a menina.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

  • E) meninos e meninas devem se envolver em atividades distintas, como, respectivamente, o futebol e a “casinha”.
    • Diagnóstico do Erro: Leitura do Senso Comum (Oposto da Crítica).
    • Análise: Esta alternativa descreve a visão inicial do Cebolinha, que foi desconstruída ao longo da história. O desfecho prova que eles podem e devem compartilhar atividades.
    • Conclusão: 🟡 PARCIALMENTE CORRETA (Distrator Perigoso: É o que o Cebolinha diz no começo, mas a reflexão final da obra é oposta a isso).

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA) 🎭

Frase de Fechamento:
A resposta é a Letra A, pois a narrativa conduz o leitor à conclusão de que a segregação de brinquedos por gênero é um preconceito infundado (como aponta a personagem Mônica), demonstrando no desfecho que a ludicidade deve ser um terreno comum de interação e prazer para ambos os sexos.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
🛹➡️🏠 Do Skate para o Chá: O menino largou o skate (que machuca) para tomar chá imaginário (que acolhe). E viu que ser feliz não tem gênero.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Este tema conecta-se com a discussão contemporânea sobre Marketing Infantil e Neutralidade de Gênero. Hoje, muitos países e lojas estão abolindo as seções “de menino” e “de menina”, organizando brinquedos por tipo (jogos, bonecos, construção), reconhecendo que limitar o brincar é limitar o desenvolvimento de habilidades (como a empatia na casinha ou a coordenação motora no futebol) para ambos.

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