Questão 138, caderno azul do ENEM 2009

A luta pela terra no Brasil é marcada por diversos aspectos que chamam a atenção. Entre os aspectos positivos, destaca-se a perseverança dos movimentos do campesinato e, entre os aspectos negativos, a violência que manchou de sangue essa história. Os movimentos pela reforma agrária articularam-se por todo o território nacional, principalmente entre 1985 e 1996, e conseguiram de maneira expressiva a inserção desse tema nas discussões pelo acesso à terra. O mapa seguinte apresenta a distribuição dos conflitos agrários em todas as regiões do Brasil nesse período, e o número de mortes ocorridas nessas lutas.

Mapa dos conflitos agrários no Brasil entre 1985 e 1996

Com base nas informações do mapa acerca dos conflitos pela posse de terra no Brasil, a região

  • (A) conhecida historicamente como das Missões Jesuíticas é a de maior violência.
  • (B) do Bico do Papagaio apresenta os números mais expressivos.
  • (C) conhecida como oeste baiano tem o maior número de mortes.
  • (D) do norte do Mato Grosso, área de expansão da agricultura mecanizada, é a mais violenta do país.
  • (E) da Zona da Mata mineira teve o maior registro de mortes.

Resolução

Interpretação do Enunciado

O mapa usa símbolos proporcionais: círculos de tamanhos diferentes, em que o maior representa 83 mortes e o menor representa 1. A questão pede que você identifique, com base nisso, qual região concentrou a maior violência no campo entre 1985 e 1996. Não é preciso calcular nada. É uma leitura visual, mas exige que você saiba localizar geograficamente o que o mapa está mostrando.

Cuidado: algumas alternativas citam regiões relevantes no contexto do agronegócio atual, como o norte do Mato Grosso e o oeste baiano. O erro está em confundir a fronteira agrícola moderna com o epicentro da violência agrária naquele período específico. O mapa é o árbitro, não a memória de noticiários recentes.

Lógica de Resolução

O caminho é simples: localizar onde os círculos maiores se concentram no mapa e depois nomear essa região com o vocabulário geográfico correto.

Ao percorrer o mapa de sul a norte, o sul e o sudeste aparecem com pontos diminutos e dispersos. À medida que os olhos sobem em direção ao norte, algo muda completamente na tríplice fronteira entre o leste do Pará, o norte do Tocantins e o oeste do Maranhão: ali os círculos são grandes, sobrepostos e numerosos. É visualmente impossível ignorar essa concentração.

Essa área, que forma geograficamente uma ponta ou “bico” voltado para o interior, é conhecida como Bico do Papagaio. A região foi durante décadas um dos territórios mais tensos do país, marcado pelo confronto violento entre posseiros, grileiros, fazendeiros e agentes do Estado. O mapa confirma exatamente isso.

Região citada nas alternativas O que o mapa mostra
Missões Jesuíticas (Rio Grande do Sul) Círculos pequenos e esparsos no extremo sul
Bico do Papagaio (PA/TO/MA) Maior concentração de círculos grandes do mapa
Oeste baiano Alguns conflitos, mas de intensidade muito inferior
Norte do Mato Grosso Conflitos presentes, mas diluídos e sem protagonismo visual
Zona da Mata mineira Praticamente ausente de registros expressivos
Análise das Alternativas

(A) conhecida historicamente como das Missões Jesuíticas é a de maior violência.
Incorreta. As Missões Jesuíticas localizam-se no extremo sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul. No mapa, essa faixa apresenta apenas círculos pequenos e isolados, sem nenhuma concentração que justifique o título de maior violência.

(B) do Bico do Papagaio apresenta os números mais expressivos.
Correta. O Bico do Papagaio, na tríplice fronteira entre Pará, Tocantins e Maranhão, é exatamente onde o mapa registra a maior aglomeração de círculos grandes. A região foi historicamente marcada pelo avanço violento de frentes agropecuárias sobre terras de posseiros e camponeses, o que os dados visuais do mapa confirmam com clareza.

(C) conhecida como oeste baiano tem o maior número de mortes.
Incorreta. O oeste baiano registra conflitos no mapa, mas com círculos de tamanho muito inferior ao do Bico do Papagaio. Associar essa região ao maior número de mortes confunde a relevância agrícola atual da área com o cenário histórico retratado no período 1985-1996.

(D) do norte do Mato Grosso, área de expansão da agricultura mecanizada, é a mais violenta do país.
Incorreta. O norte do Mato Grosso aparece com conflitos no mapa, mas de forma muito mais diluída. A concentração visual de mortes nessa área não se aproxima da intensidade registrada na fronteira PA-TO-MA.

(E) da Zona da Mata mineira teve o maior registro de mortes.
Incorreta. A Zona da Mata de Minas Gerais está praticamente ausente de registros expressivos no mapa. Não há nenhuma concentração de círculos grandes nessa porção do território que sustente essa afirmação.

Encontrou algum erro?

Clique no botão abaixo e reporte para os nossos corretores.