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Questão 114 caderno verde ENEM 2017 Libras 2° Dia

Os manguezais são considerados um ecossistema costeiro de transição, pois são terrestres e estão localizados no encontro das águas dos rios com o mar. Estão sujeitos ao regime das marés e são dominados por espécies vegetais típicas, que conseguem se desenvolver nesse ambiente de elevada salinidade. Nos manguezais, é comum observar raízes suporte, que ajudam na sustentação em função do solo lodoso, bem como raízes que crescem verticalmente do solo (geotropismo negativo).

Disponível em: http://vivimarc.sites.uol.com.br. Acesso em: 20 fev. 2012 (adaptado).

Essas últimas raízes citadas desenvolvem estruturas em sua porção aérea relacionadas à

A) flutuação.

B) transpiração.

C) troca gasosa.

D) excreção de sal.

E) absorção de nutrientes.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Ecologia (Características do Ecossistema Manguezal)
  • Botânica (Adaptações de Plantas, Morfologia e Fisiologia de Raízes)

Tema/Objetivo Geral: Identificar a função de uma adaptação radicular específica (pneumatóforos com geotropismo negativo) em resposta a uma condição ambiental adversa do manguezal (solo anóxico).

Nível da Questão

  • Médio. Embora o texto forneça a pista crucial (“raízes que crescem verticalmente”), a questão exige que o candidato saiba a função biológica dessa estrutura. O nível é elevado pela presença de um distrator muito forte (alternativa D), que se conecta a outra característica real do mangue mencionada no texto (alta salinidade), testando a precisão do conhecimento do candidato.

Gabarito

  • C) troca gasosa. As raízes que crescem verticalmente para fora do solo lodoso o fazem para capturar oxigênio do ar, já que o solo encharcado é pobre nesse gás.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: Em bom português, a questão nos mostra um texto sobre o manguezal e destaca um tipo de raiz que “cresce verticalmente para fora do solo”. A nossa missão é descobrir: para que serve essa raiz esquisita que cresce para cima?

Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense no solo do manguezal como uma piscina de lama densa e sem bolhas de ar. Agora, imagine que as raízes da planta precisam respirar para sobreviver, assim como nós. Se você estivesse debaixo d’água, o que usaria para respirar o ar da superfície? Um snorkel. O verdadeiro desafio aqui é entender que essas raízes que crescem para cima são os “snorkels” da planta. Elas são uma adaptação para resolver um problema de sufocamento.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:

  • Investigar a “Cena do Crime”: Faremos um dossiê sobre o ambiente do manguezal.
  • Analisar a “Evidência Visual”: Usaremos nossa ilustração para visualizar o problema e a solução.
  • Conectar a Evidência ao Motivo: Juntaremos as informações para entender por que uma planta precisaria desenvolver “raízes-snorkel”.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para decifrar este enigma, precisamos organizar nossas pistas em dossiês claros e ultra-detalhados.

🕵️‍♂️ DOSSIÊ DO ECOSSISTEMA MANGUEZAL 🕵️‍♀️

  • Localização: Zona de transição entre o rio (água doce) e o mar (água salgada).
  • Solo: Lodoso, lamacento, formado por sedimentos finos.
  • 🚨 Ponto Crítico (O Perigo Oculto): O solo é pobre em oxigênio (anóxico). Permanentemente encharcado, a água expulsa o ar que ficaria entre os grãos de terra. Isso torna a respiração das raízes — um processo vital que consome oxigênio — praticamente impossível debaixo do solo.

Uma imagem poderosa pode transformar um conceito abstrato em uma memória inesquecível. A ilustração a seguir foi criada para visualizar a essência da nossa análise, tornando a ideia central clara e impactante:

(A Estratégia do Snorkel: Visualizando o Problema e a Solução)

Descrição Didática: Esta imagem é a nossa “cena do crime” e a “arma do crime” em um só lugar. Ela é o centro da nossa investigação.

  1. O Problema (A Zona Anóxica): Observe os símbolos de alerta (❌) espalhados pelo solo. Eles marcam visualmente o perigo que nosso dossiê apontou: um ambiente subterrâneo hostil, sufocante e sem oxigênio disponível para as raízes principais.
  2. A Solução (O Pneumatóforo): Agora, veja a solução engenhosa que a evolução criou: a estrutura vertical que emerge do solo. Este é o pneumatóforo, nossa raiz-snorkel. Sua forma não é acidental. Ela cresce contra a gravidade (geotropismo negativo) com um único propósito: escapar da zona anóxica.
  3. O Mecanismo (A Conexão com o Ar): A ponta do pneumatóforo, que fica exposta ao ar, é coberta por poros (lenticelas). É através desses poros que o oxigênio (O₂) do ar é capturado e transportado para todo o sistema radicular que está “sufocando” na lama, permitindo que a respiração celular aconteça e a planta sobreviva.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Com nossa ilustração como mapa e nosso dossiê como guia, a investigação se torna uma dedução lógica e implacável. Vamos conectar as evidências.

PONTO DE PARTIDA (A Necessidade Universal da Planta):
Primeiro, um princípio básico da Biologia: as raízes de uma planta são órgãos vivos. Como qualquer tecido vivo (incluindo os nossos), as células das raízes precisam de energia para se manterem vivas, crescerem e absorverem nutrientes. A principal maneira de obter essa energia é através da respiração celular. Este processo é fundamental: ele consome oxigênio (O₂) e libera gás carbônico (CO₂).

A CENA DO CRIME (O Dilema Implacável do Manguezal):
Como nosso dossiê e a ilustração (a “Zona Anóxica” ❌) revelam, o solo encharcado do mangue não tem oxigênio. Isso cria um paradoxo mortal: as raízes estão cercadas de água e nutrientes, mas estão se sufocando por falta de ar. Como sobreviver?

A PISTA DECISIVA (A Adaptação que Desafia a Lógica):
A solução, como a imagem mostra claramente, é crescer para o único lugar onde o oxigênio é abundante: a atmosfera. A raiz não cresce para cima por acaso; ela cresce para cima para alcançar o oxigênio. Ao emergir da lama, essa raiz especializada (o pneumatóforo) expõe sua superfície ao ar e, através de seus poros (lenticelas), permite que o oxigênio entre e seja transportado para as partes subterrâneas que estão sufocando. Ela funciona exatamente como um snorkel.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A alternativa (D) excreção de sal é a armadilha mais poderosa e bem elaborada da questão. Vamos desconstruí-la peça por peça.

  • A “Narrativa do Erro”: O candidato lê “elevada salinidade” no texto. Em seguida, lê “excreção de sal” na alternativa D. O cérebro, buscando atalhos, cria uma conexão imediata e aparentemente lógica: “Ambiente salgado → a planta precisa se livrar do sal → essa raiz que sai da água deve servir para isso”. Parece fazer sentido, mas é uma dedução falha.
  • Por que essa Lógica é Falha? (Análise de Forma vs. Função): A forma da estrutura na nossa ilustração é a chave para expor o erro. Ela cresce PARA CIMA, para FORA do solo e da água salgada, em direção ao ar. Pense nisso: qual seria a lógica de gastar uma energia imensa para criar uma estrutura que emerge da água salgada apenas para… jogar sal de volta nela? É como tirar um copo de água do oceano e despejá-lo de volta para tentar esvaziá-lo. A forma de “snorkel” é, no entanto, perfeitamente otimizada para buscar algo que falta no solo mas é abundante fora dele: o ar.
  • Então, Como a Planta Lida com o Sal de Verdade? A planta do mangue é uma especialista. Para o problema do sal, ela usa outras ferramentas: filtros nas raízes subterrâneas (que barram a entrada da maior parte do sal) e glândulas de sal nas folhas (que excretam o sal que consegue entrar, como o nosso suor). Para o problema do sufocamento, ela usa uma ferramenta completamente diferente: os pneumatóforos. A questão é sobre a função desta ferramenta específica, o “snorkel”.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O solo anóxico (❌) cria um problema de asfixia radicular. A planta soluciona isso com os pneumatóforos, raízes com geotropismo negativo que emergem do solo. O propósito inequívoco dessa estrutura é furar o bloqueio da lama e acessar o oxigênio atmosférico.
  • Expectativa: Portanto, a alternativa correta deve obrigatoriamente descrever a função de respiração, captação de oxigênio ou, no termo técnico mais preciso, troca gasosa.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

A) flutuação.

  • A “Narrativa do Erro”: O aluno pode pensar que, por estar em um ambiente aquático, a planta desenvolveria algo para flutuar, como um aguapé.
  • Diagnóstico do Erro: “Fuga ao Tema.” Raízes, especialmente as de suporte (também citadas no texto) e os pneumatóforos, servem para ancorar e respirar, o oposto de flutuar.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

B) transpiração.

  • A “Narrativa do Erro”: O aluno lembra que plantas realizam trocas gasosas e transpiração, e pode confundir os processos ou os locais onde ocorrem.
  • Diagnóstico do Erro: “Confundir Órgãos e Funções.” A transpiração (liberação de vapor d’água) é um processo que ocorre majoritariamente nos estômatos das folhas.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

C) troca gasosa.

  • Análise de Correspondência: Encaixe perfeito com nossa Bússola e com a função do “snorkel” que deduzimos a partir da ilustração. Esta é a função primária e especializada dos pneumatóforos, uma adaptação direta ao solo anóxico do mangue.
  • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

D) excreção de sal.

  • A “Narrativa do Erro”: O candidato lê “elevada salinidade” no texto e vê “excreção de sal” na alternativa. Ele faz uma conexão temática direta, sem analisar a função da estrutura específica (a raiz que cresce para cima).
  • Diagnóstico do Erro: “Distrator por Associação Parcial.” Esta é a armadilha mais forte. O candidato associa corretamente uma característica do mangue (salinidade) a uma necessidade da planta (lidar com o sal), mas atribui a função à adaptação errada.
  • Conclusão: ⚠️ Alternativa da armadilha clássica.

E) absorção de nutrientes.

  • A “Narrativa do Erro”: O aluno pensa: “Toda raiz serve para absorver nutrientes”.
  • Diagnóstico do Erro: “Generalização Excessiva.” Embora todas as raízes tenham alguma capacidade de absorção, a razão específica e adaptativa para esta estrutura crescer para cima, para fora do solo, não é buscar nutrientes (que estão no solo), mas sim buscar oxigênio (que está no ar).
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

  • Frase de Fechamento: A resposta correta é a C. Em um solo onde não se pode respirar, a planta do mangue evoluiu de forma engenhosa, desenvolvendo raízes que funcionam como snorkels para realizar a troca gasosa com a atmosfera.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): Solo sem ar, raiz vira snorkel.
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de “a forma segue a função para superar um desafio ambiental” é central na Engenharia Aeroespacial. Um foguete não tem o formato que tem por estética. Sua estrutura afilada e seus múltiplos estágios são soluções de design que respondem a desafios extremos: o arrasto atmosférico e a força da gravidade. Assim como o pneumatóforo é uma solução biológica para a falta de oxigênio, um foguete é uma solução de engenharia para a “falta de ausência de gravidade”.

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