

O grafite contemporâneo, considerado em alguns momentos como uma arte marginal, tem sido comparado às pinturas murais de várias épocas e às escritas pré-históricas. Observando as imagens apresentadas, é possível reconhecer elementos comuns entre os tipos de pinturas murais, tais como
A) a preferência por tintas naturais, em razão de seu efeito estético.
B) a inovação na técnica de pintura, rompendo com modelos estabelecidos.
C) o registro do pensamento e das crenças das sociedades em várias épocas.
D) a repetição dos temas e a restrição de uso pelas classes dominantes.
E) o uso exclusivista da arte para atender aos interesses da elite.

✍ Resolução Em Texto
- Matérias Necessárias para a Solução da Questão: Interpretação de Linguagem Visual e Verbal, História da Arte (Arte Rupestre e Arte Contemporânea/Urbana), Cultura e Sociedade.
- Tema/Objetivo Geral: Identificar a função social comum entre formas de arte de épocas e contextos radicalmente diferentes.
- Nível da Questão: Médio. A questão exige um salto conceitual para conectar duas realidades muito distantes. Não se trata de uma análise puramente estética, mas funcional. É preciso entender o “porquê” por trás de cada pintura, e não apenas o “o quê”.
- Gabarito: C. Esta alternativa é a única que captura a função social fundamental e atemporal que une as duas formas de arte: a de servir como um registro visual do modo de pensar, viver e crer de uma determinada sociedade em seu tempo.
Resolução Passo a Passo
🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
- Transcrição Essencial: “…é possível reconhecer elementos comuns entre os tipos de pinturas murais, tais como…”
- O que está sendo pedido? A questão pede para encontrarmos um ponto em comum entre a pintura rupestre (pré-histórica) e o grafite (contemporâneo).
- Objetivo Cristalino: Nosso objetivo é comparar as duas imagens e o contexto de cada uma para identificar uma característica ou, mais provavelmente, uma função que elas compartilhem, apesar de todas as suas diferenças óbvias.
- Pergunta de Atenção: Você já pensou que a parede de uma caverna e o muro de um viaduto podem ser, para o artista, a mesma coisa: uma tela para deixar sua marca e dizer algo sobre o seu mundo?
📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
| Termo | Explicação Simples | Exemplo do Cotidiano |
| Arte Rupestre | São os desenhos e pinturas feitos por humanos pré-históricos em paredes de cavernas e rochas. Geralmente representavam animais, caçadas e rituais, funcionando como um registro da vida e das crenças daquela comunidade. | A imagem do Texto I, da Toca do Salitre, é um exemplo clássico. Outro famoso é o das Cavernas de Lascaux, na França. |
| Grafite (Arte Urbana) | É uma forma de arte contemporânea realizada em espaços públicos, como muros e paredes de cidades. Pode ser uma forma de expressão pessoal, protesto social, comentário político ou simplesmente uma intervenção estética no ambiente urbano. | A imagem do Texto II é um exemplo de grafite. As obras de artistas como Banksy ou os brasileiros Os Gêmeos são exemplos mundialmente conhecidos. |
| Arte Marginal | É a arte produzida fora dos circuitos oficiais e comerciais (museus, galerias, academias). Tanto a arte rupestre (feita por comunidades sem um “sistema de arte” formal) quanto o grafite (muitas vezes feito de forma não autorizada) podem ser considerados marginais nesse sentido. | Um artista de rua que pinta um mural em um beco está criando arte marginal, fora do sistema tradicional. |
📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
- Contextualização Simplificada: Imagine que a questão coloca um homem das cavernas e um grafiteiro moderno lado a lado e pergunta: “Apesar de vocês usarem ‘tintas’ diferentes e desenharem coisas diferentes, o que vocês dois estão, no fundo, fazendo?”. A resposta não está no material ou no estilo, mas no propósito. Ambos estão usando uma parede para “imprimir” uma mensagem, uma história, uma visão de seu próprio tempo para quem quiser ver.
- Estratégia Geral: Nossa estratégia será analisar a função de cada pintura em sua respectiva sociedade. Vamos nos perguntar: “Por que o homem pré-histórico pintou isso?” e “Por que o artista urbano pintou isso?”. Ao encontrarmos a resposta comum a essas duas perguntas, teremos resolvido a questão.
🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
- Passo a Passo Detalhado:
- Análise da Pintura Rupestre (Texto I): Vemos figuras estilizadas, que podem ser humanas ou de animais. Sabemos, pela História da Arte, que essas pinturas serviam como rituais (para garantir uma boa caçada, por exemplo), como narrativas (contando histórias) ou como um registro simbólico do mundo. Em suma, era um registro do pensamento e das crenças daquela sociedade.
- Análise do Grafite (Texto II): Vemos figuras humanas em posições que podem sugerir angústia, opressão ou resistência, inseridas em um contexto urbano de letras e símbolos. É uma clara expressão sobre a condição humana na cidade contemporânea. Também é um registro do pensamento e das crenças (ou críticas) de um grupo dentro da sociedade atual.
- O Ponto em Comum: A técnica é diferente, o estilo é diferente, a época é diferente. Mas a função essencial é a mesma: usar uma superfície mural para deixar uma marca duradoura que documenta a visão de mundo, as preocupações e a cultura de uma comunidade.
- Possível armadilha: A armadilha mais óbvia é a alternativa A, que fala de “tintas naturais”. É uma pegadinha clássica. A pintura rupestre de fato usava pigmentos naturais (carvão, argila). O grafite, no entanto, usa tinta spray, um produto industrial e sintético. Portanto, este é um ponto de diferença, e não um elemento comum.
- Fechamento e expectativa: O raciocínio nos mostra que a conexão entre as duas artes é de natureza funcional e social, não material ou técnica. Esperamos, portanto, que a alternativa correta foque nessa função de registro cultural.
✅ Passo 5: Análise das Alternativas
- Justificativa Individual:
- 🔴 A: Incorreta. Como visto na “armadilha”, o tipo de tinta é um fator de distinção, não de semelhança.
- 🔴 B: Incorreta. Embora ambas as formas de arte possam ser vistas como inovadoras em seus contextos, essa afirmação é muito genérica e não aponta para um “elemento comum” específico entre as duas.
- 🟢 C: Correta. Esta alternativa descreve com precisão a função social compartilhada pelas duas manifestações: ambas servem como um documento visual, um registro do universo simbólico (pensamento e crenças) de suas respectivas sociedades e épocas.
- 🔴 D: Incorreta. Os temas são vastamente diferentes (caça vs. questões urbanas). Além disso, por serem artes marginais, elas frequentemente operam fora (ou até contra) as “classes dominantes”, não sendo restringidas por elas.
- 🔴 E: Incorreta. É o exato oposto. Ambas são formas de arte públicas e acessíveis, muitas vezes associadas a grupos não elitizados.
🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
- Resumo do Raciocínio: Apesar das enormes diferenças de tempo, técnica e estilo, a pintura rupestre e o grafite contemporâneo compartilham uma função social primordial: a de registrar em um suporte durável (a parede) as ideias, os valores e a visão de mundo de seus criadores.
- Gabarito Reafirmado: A alternativa C é a única que captura essa profunda conexão funcional entre as duas formas de arte mural.
- Resumo Final para Revisão 🔍: Para comparar artes de épocas diferentes, olhe além da tinta e da técnica. Pergunte-se: qual era a função dessa arte para o povo que a criou? Frequentemente, a resposta está na necessidade humana de registrar sua própria existência.

