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Questão 110, caderno azul do ENEM 2014

O exercício da crônica

Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não à prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com as suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo. Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida emocionalmente despertados pela concentração. Ou então, em última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado.

MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. São Paulo: Cia. das Letras, 1991.

Predomina nesse texto a função da linguagem que se constitui 

A) nas diferenças entre o cronista e o ficcionista

B) nos elementos que servem de inspiração ao cronista

C) nos assuntos que podem ser tratados em uma crônica.

D) no papel da vida do cronista no processo de escrita da crônica.

E) nas dificuldades de se escrever uma crônica por meio de uma crônica

Resolução em texto

Matérias Necessárias: Interpretação de Texto, Gêneros Textuais, Funções da Linguagem.

Nível da Questão: Médio.

Gabarito: E

Objetivo Geral: Identificar a função da linguagem predominante em um texto em que o cronista escreve sobre o próprio ato de escrever crônicas.


Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

📌 1.1 Transcrição Essencial:
“Predomina nesse texto a função da linguagem que se constitui…”

📌 1.2 O que está sendo pedido?
A questão quer que você perceba qual é o foco principal do texto: ele fala sobre o quê? Sobre o conteúdo das crônicas ou sobre o próprio processo de criá-las?

📌 1.3 Objetivo Cristalino:
Reconhecer que o texto é uma crônica sobre o próprio exercício de escrever crônicas, ou seja, uma crônica que fala do “fazer crônica”.

1.4 Pergunta de Atenção:
Você percebeu que o autor está escrevendo sobre o próprio processo de escrever? É como se ele fizesse uma autoanálise enquanto escreve!


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

📌 2.1 Definições e Conceitos:

  • Função metalinguística: Quando a linguagem fala dela mesma, como um dicionário explicando palavras ou um texto que fala do próprio ato de escrever.
  • Crônica: Gênero textual que trata do cotidiano, geralmente com um tom leve, mas que aqui vira “tema” dela mesma.

❓✔ 2.2 Possível armadilha:
Não confunda o tema (cotidiano, inspiração, diferenças entre gêneros) com a função predominante do texto, que é refletir sobre o processo de criação da crônica — ou seja, é a crônica sobre a dificuldade de escrever crônica.


Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

📌 3.1 Contextualização Simplificada:
O texto traz um cronista descrevendo as dificuldades de “fazer prosa fiada” e o que passa em sua cabeça quando precisa criar uma crônica. Ele não está apenas contando um caso ou descrevendo um fato, mas analisando e expondo o próprio ato de escrever crônica.

📌 3.2 Estratégia Geral:
Busque a alternativa que mostra o texto como um exemplo de “meta-crônica”, ou seja, um texto que fala sobre ele mesmo — isso é função metalinguística!


Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio

📌 4.1 Passo a Passo Detalhado:

  • O cronista fala da própria arte de escrever (“escrever prosa é uma arte ingrata…”).
  • Ele expõe sua rotina de inspiração, suas dificuldades e até a famosa saída de escrever sobre a falta de assunto — tudo isso é falar do próprio fazer da crônica.
  • O texto é uma crônica sobre as dificuldades de escrever crônica — ou seja, é metalinguagem.

📌 4.2 Verificação Intermediária:
Repare como o texto faz referência a si mesmo o tempo todo. Isso caracteriza a função metalinguística!


Passo 5: Análise das Alternativas

  • A) nas diferenças entre o cronista e o ficcionista
    ❌ Não é esse o ponto central, isso aparece só como comparação inicial.
  • B) nos elementos que servem de inspiração ao cronista
    ❌ O texto cita, mas o foco é maior: o próprio fazer da crônica.
  • C) nos assuntos que podem ser tratados em uma crônica
    ❌ É mencionado, mas não é o principal.
  • D) no papel da vida do cronista no processo de escrita da crônica.
    ❌ A vida aparece, mas o texto vai além disso.
  • E) nas dificuldades de se escrever uma crônica por meio de uma crônica
    ✅ Aqui está o ponto! O texto é um exemplo de crônica que fala sobre a própria dificuldade de escrever crônica — ou seja, metalinguagem.

Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

📌 6.1 Resumo do Raciocínio:
O texto é metalinguístico, pois fala sobre si mesmo: é uma crônica analisando o próprio exercício de escrever crônica.

📌 6.2 Gabarito Reafirmado:
Alternativa correta: E) nas dificuldades de se escrever uma crônica por meio de uma crônica

🔍 6.3 Resumo Final para Revisão:
Sempre que o texto falar sobre o próprio fazer (escrever, criar, construir), pense na função metalinguística! Fica mais fácil identificar quando você olha para o “espelho” do texto.

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