Nos estados, entretanto, se instalavam as oligarquias, de cujo perigo já nos advertia Saint-Hilaire, e sob o disfarce do que se chamou “a política dos governadores”. Em círculos concêntricos esse sistema vem cumular no próprio poder central que é o sol do nosso sistema.
PRADO, P. Retrato do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1972.
A crítica presente no texto remete ao acordo que fundamentou o regime republicano brasileiro durante as três primeiras décadas do século XX e fortaleceu o(a):
A) poder militar, enquanto fiador da ordem econômica.
B) presidencialismo, com o objetivo de limitar o poder dos coronéis.
C) domínio de grupos regionais sobre a ordem federativa.
D) intervenção nos estados, autorizada pelas normas constitucionais.
E) isonomia do governo federal no tratamento das disputas locais.

✍️ Resolução Em Texto
🎯 Tema/Objetivo Geral:
Analisar a crítica política à Primeira República brasileira, compreendendo a estrutura de poder descentralizada e suas implicações no funcionamento da federação.
📚 Necessárias para a Solução da Questão:
Interpretação de texto histórico, estrutura política da Primeira República, conceito de “política dos governadores”, federalismo e oligarquias regionais.
🎯 Nível da Questão:
Médio
✅ Gabarito:
C) domínio de grupos regionais sobre a ordem federativa
Resolução Passo a Passo
🔎 Passo 1: Análise do Comando e Objetivo
O comando da questão afirma:
“A crítica presente no texto remete ao acordo que fundamentou o regime republicano brasileiro durante as três primeiras décadas do século XX e fortaleceu o(a):”
➡️ O que o comando quer?
Quer saber qual foi a consequência política do acordo mencionado no texto (política dos governadores), identificando a estrutura de poder que foi fortalecida nesse contexto.
➡️ Objetivo Cristalino da questão:
Avaliar a capacidade do aluno de relacionar um trecho de crítica histórica à estrutura de poder da Primeira República, especificamente ao papel das oligarquias regionais no federalismo brasileiro.
❓ Armadilha Comum:
Muitos estudantes confundem o papel do governo central com o dos estados, pensando que o presidencialismo era forte nesse período, quando na verdade o poder estava descentralizado.
📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e conteúdos Necessários
Política dos Governadores:
Foi um acordo informal durante a Primeira República (1889–1930), entre o governo federal e as oligarquias estaduais, principalmente de São Paulo e Minas Gerais, no qual o presidente não intervinha nos estados e, em troca, recebia apoio político desses governadores no Congresso.
Coronelismo:
Prática típica do interior do Brasil, em que os “coronéis” (grandes proprietários de terra) controlavam o voto dos eleitores locais, garantindo a manutenção de sua influência e de seus aliados.
Federalismo Oligárquico:
Sistema no qual o poder é descentralizado e concentrado em elites locais, dificultando a atuação uniforme e equitativa do governo federal.
📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto
Trecho:
“Nos estados, entretanto, se instalavam as oligarquias […] sob o disfarce do que se chamou ‘a política dos governadores’. Em círculos concêntricos esse sistema vem cumular no próprio poder central que é o sol do nosso sistema.”
🟡 Frases-chave:
- “se instalavam as oligarquias” → revela o poder regional.
- “política dos governadores” → acordo que dava autonomia às elites estaduais.
- “vem cumular no próprio poder central” → sugere que esse sistema alimenta o poder central, mas indiretamente, com base nas forças locais.
📌 O texto denuncia que o poder central era, na verdade, uma consequência da articulação dos poderes estaduais e de suas oligarquias, e não um poder autônomo forte. Isso evidencia o domínio dos grupos regionais sobre a ordem federativa.
✅ Passo 4: Análise das Alternativas (ou Argumentos) e Resolução
A) poder militar, enquanto fiador da ordem econômica. 🔴
Essa alternativa trata da influência das Forças Armadas, mas o texto não menciona esse aspecto. A crítica está centrada nas oligarquias civis estaduais, não na tutela militar.
✔️ Como estaria certa: Se o texto abordasse o papel das Forças Armadas na repressão de movimentos sociais e manutenção da economia cafeeira.
B) presidencialismo, com o objetivo de limitar o poder dos coronéis. 🔴
Errada, pois o presidencialismo da época não limitava os coronéis — pelo contrário, era refém deles. A política dos governadores dependia do apoio das oligarquias.
✔️ Como estaria certa: Se a questão fosse sobre reformas institucionais que tentaram conter o coronelismo, como na Era Vargas.
C) domínio de grupos regionais sobre a ordem federativa. 🟢
Correta. O texto expõe a crítica à política dos governadores e à atuação das oligarquias estaduais. O federalismo era frágil e assimétrico, pois os estados (principalmente os mais ricos) detinham o poder real.
🟢 Essa alternativa traduz com exatidão a crítica do autor.
D) intervenção nos estados, autorizada pelas normas constitucionais. 🔴
A Primeira República ficou marcada pela não intervenção federal, justamente como parte do acordo político. O texto critica a autonomia excessiva dos estados.
✔️ Como estaria certa: Se estivesse tratando da Era Vargas, quando a União passou a intervir diretamente nos estados.
E) isonomia do governo federal no tratamento das disputas locais. 🔴
O governo federal não era isonômico. Ele privilegiava estados mais influentes (SP e MG), e o texto critica esse desequilíbrio.
✔️ Como estaria certa: Se fosse um texto elogioso ao federalismo equilibrado, o que não é o caso.
🏆 Passo 5: Conclusão e Justificativa Final
O texto de Prado revela uma crítica à estrutura política da Primeira República, onde o poder se organizava em torno das oligarquias estaduais. A chamada política dos governadores consolidava esse domínio regional, enfraquecendo a coesão federativa e o equilíbrio entre os poderes. Por isso, a alternativa C é a única que traduz fielmente esse diagnóstico crítico: o fortalecimento do domínio de grupos regionais sobre a ordem federativa.