Na madrugada de 11 de março de 1978, partes de um foguete soviético reentraram na atmosfera acima da cidade do Rio de Janeiro e caíram no Oceano Atlântico. Foi um belo espetáculo, os inúmeros fragmentos entrando em ignição devido ao atrito com a atmosfera brilharam intensamente, enquanto “cortavam o céu”. Mas se a reentrada tivesse acontecido alguns minutos depois, teríamos uma tragédia, pois a queda seria na área urbana do Rio de Janeiro e não no oceano.

De acordo com os fatos relatados, a velocidade angular do foguete em relação à Terra no ponto de reentrada era
A) igual à da Terra e no mesmo sentido.
B) superior à da Terra e no mesmo sentido.
C) inferior à da Terra e no sentido oposto.
D) igual à da Terra e no sentido oposto.
E) superior à da Terra e no sentido oposto.

✍ Resolução Em Texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- Mecânica (Cinemática Rotacional)
- Movimento Relativo e Referenciais
- Geografia Física (Rotação da Terra e Pontos Cardeais)
Tema/Objetivo Geral:
A questão exige a análise do movimento relativo entre um objeto em órbita (foguete) e a superfície do planeta (Terra) em rotação. O objetivo é deduzir a velocidade angular do foguete comparada à da Terra, baseando-se no local de queda dos destroços em relação a um ponto de referência urbano.
Nível da Questão: Difícil
- Classificada como difícil porque exige um raciocínio espacial apurado. O aluno precisa saber que a Terra gira de Oeste para Leste e visualizar a cena: o foguete passou “na frente” da cidade (caindo no mar a leste) antes de a cidade chegar lá. A interpretação errada do “atraso” ou “adianto” leva ao erro.
Gabarito: B
- Esta alternativa está correta pois, para cair no Oceano Atlântico (a Leste do Rio de Janeiro) tendo passado “acima” do Rio, o foguete precisou percorrer um ângulo maior que a Terra no mesmo intervalo de tempo. Isso significa que ele tinha uma velocidade angular maior e no mesmo sentido da rotação terrestre.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo:
O enunciado descreve uma quase tragédia: destroços de um foguete passaram sobre o Rio de Janeiro e caíram no mar (Oceano Atlântico). A questão quer saber: O foguete estava girando mais rápido, mais devagar ou igual à Terra? E para que lado ele girava?
Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine uma pista de corrida circular (a linha do Equador).
Corredor A (Cidade do Rio de Janeiro): Corre numa velocidade constante.
Corredor B (Foguete): Está na mesma pista, voando baixo.
O texto diz que o Foguete (B) passou pela cidade e caiu no mar na frente dela. Ou seja, o foguete “ganhou a corrida” naquele trecho, chegando ao mar antes que a cidade girasse até lá.
Se o foguete ganhou a corrida, ele é mais rápido ou mais devagar que a cidade?
Nosso Plano de Ataque será o seguinte:
- Mapear o Cenário: Desenhar mentalmente o mapa (Rio de Janeiro fica a Oeste, Oceano Atlântico fica a Leste).
- Definir a Rotação: Lembrar para onde a Terra gira (de Oeste para Leste).
- Comparar as Velocidades: Analisar quem percorreu maior distância no mesmo tempo.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Função Pedagógica: Organizar os dados geográficos e físicos em um Dossiê Comparativo para facilitar a visualização do “vencedor da corrida”.
FERRAMENTA: DOSSIÊ DA CORRIDA ESPACIAL
| Parâmetro | A Pista (Geografia) | O Corredor 1 (Terra) | O Corredor 2 (Foguete) |
| Direção do Movimento | Oeste -> Leste (Sentido da rotação) | Gira para Leste (levando o Rio de Janeiro junto). | Entrou sobre o Rio e foi para o Mar (Leste). Mesmo Sentido. |
| Posição Inicial (T0) | Acima do Rio de Janeiro. | Rio de Janeiro. | Acima do Rio de Janeiro. |
| Posição Final (T1) | Oceano Atlântico (Fica à frente/Leste do Rio). | O Rio girou um pouco para Leste. | Caiu no Mar (Bem mais a Leste que o Rio). |
| Conclusão | Quem chega mais longe no mapa? | Chegou apenas um pouco à frente. | Chegou mais longe (no mar). |
Conceito Chave (Velocidade Angular):
- Velocidade Angular é a rapidez com que se percorre um ângulo.
- Se o foguete varreu um ângulo maior (foi mais longe para Leste) no mesmo tempo que a Terra, sua velocidade angular é MAIOR.
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Execução Sequencial:
- O Fato: O foguete reentrou “acima do Rio” e caiu no “Oceano”.
- A Trajetória: Para ir do céu do Rio até o mar, o foguete se deslocou para Leste.
- O Sentido: Se ele foi para Leste, ele estava viajando no mesmo sentido de rotação da Terra (que também vai para Leste).
- (Nota: Se ele estivesse no sentido contrário, a velocidade do choque seria absurdamente maior e ele teria caído para o lado Oeste/Interior).
- A Velocidade (Quem ganhou a corrida?):
- Imagine o momento inicial. O foguete está em cima do Rio.
- No momento final (queda), a Terra girou um pouquinho para Leste. O Rio de Janeiro andou um pouco.
- Mas o foguete caiu no mar, ou seja, mais a Leste do que o Rio de Janeiro conseguiu chegar.
- Isso significa que o foguete “ultrapassou” a rotação da Terra. Ele andou mais graus que a cidade no mesmo tempo.
- Conclusão: A velocidade angular do Foguete era maior que a da Terra.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
A frase “se a reentrada tivesse acontecido alguns minutos depois, cairia na área urbana” confunde muito!
O aluno pensa: “Se fosse depois, o foguete estaria atrasado, então ele é mais lento”.
Correção de Raciocínio: Pense no foguete como um objeto independente. Se ele demorasse mais para cair, a Terra teria girado mais. O Rio de Janeiro (que vem de trás, do Oeste) teria tempo de alcançar o ponto de queda. Como o foguete caiu antes do Rio chegar lá (no mar), o foguete estava “fugindo” para frente, mais rápido que a rotação.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: O foguete se moveu para Leste (sentido da Terra) e caiu à frente da cidade (no mar). Logo, ele girava mais rápido que a Terra.
- Expectativa: Velocidade angular superior e mesmo sentido.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) igual à da Terra e no mesmo sentido.
- Diagnóstico do Erro: Conceito de Estacionário. Se a velocidade angular fosse igual, o foguete seria “geoestacionário” em relação ao Rio. Ele cairia exatamente verticalmente, sobre a cabeça dos observadores no Rio, e não no oceano à frente.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
B) superior à da Terra e no mesmo sentido.
- Análise de Correspondência: Perfeito. O foguete viaja para Leste (mesmo sentido) e “ganha” da Terra, caindo no mar (que está à frente do Rio na rotação). Ele varreu um ângulo maior que a cidade no mesmo intervalo de tempo.
- Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
C) inferior à da Terra e no sentido oposto.
- Diagnóstico do Erro: Erro de Direção. Se fosse sentido oposto, a queda seria em um local completamente diferente (a Oeste), e a velocidade relativa seria a soma das duas velocidades.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
D) igual à da Terra e no sentido oposto.
- Diagnóstico do Erro: Erro de Direção. Se girasse igual mas ao contrário, ele cruzaria o céu muito rápido para Oeste (interior), não para o mar.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
E) superior à da Terra e no sentido oposto.
- Diagnóstico do Erro: Erro de Direção. Mesmo caso da anterior. Sentido oposto jogaria os destroços para o interior do continente, pois a Terra gira para Leste e o foguete iria para Oeste.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
O foguete venceu a corrida contra a cidade: girando no mesmo sentido mas com maior velocidade angular, ele ultrapassou o Rio de Janeiro e mergulhou no mar à frente.
Resumo-flash (A Imagem Mental):
🚀 O foguete é o coelho, a Terra é a tartaruga: ambos correm para Leste, mas o coelho chega no mar primeiro.
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Esse conceito é vital para o lançamento de satélites! A maioria dos foguetes é lançada em direção ao Leste (o mesmo sentido de rotação da Terra) e próximo à Linha do Equador. Por quê? Para aproveitar a velocidade de rotação da Terra (cerca de 1.600 km/h no Equador) como um “empurrãozinho” inicial. É como pular de um trem em movimento para ganhar impulso. Se lançássemos contra a rotação (para Oeste), gastaríamos muito mais combustível para vencer a inércia da Terra. Além disso, a “Limpeza de Órbita” (desorbitar lixo espacial) exige cálculos precisos como este da questão para garantir que os detritos caiam no “Ponto Nemo” (o local mais isolado do oceano Pacífico), evitando tragédias urbanas.