Yaô
Aqui có no terreiro
Pelú adié
Faz inveja pra gente
Que não tem mulher
No jacutá de preto velho
Há uma festa de yaô
Ôi tem nêga de Ogum
De Oxalá, de Iemanjá
Mucama de Oxossi é caçador
Ora viva Nanã
Nanã Buruku
Yô yôo
Yô yôoo
No terreiro de preto velho iaiá
Vamos saravá (a quem meu pai?)
Xangô!
VIANA, G. Agô, Pixinguinha! 100 Anos. Som Livre, 1997.
A canção Yaô foi composta na década de 1930 por Pixinguinha, em parceria com Gastão Viana, que escreveu a letra. O texto mistura o português com o iorubá, língua usada por africanos escravizados trazidos para o Brasil.
Ao fazer uso do iorubá nessa composição, o autor
a) promove uma crítica bem-humorada às religiões afrobrasileiras, destacando diversos orixás.
b) ressalta uma mostra da marca da cultura africana, que se mantém viva na produção musical brasileira.
c) evidencia a superioridade da cultura africana e seu caráter de resistência à dominação do branco.
d) deixa à mostra a separação racial e cultural que caracteriza a constituição do povo brasileiro.
e) expressa os rituais africanos com maior autenticidade, respeitando as referências originais.

Resolução em texto
📘 Matérias Necessárias: Música Popular Brasileira, Estudos Afro-Brasileiros, Sociolinguística.
📔 Nível da Questão: Médio (ENEM).
✅ Gabarito: B) ressalta uma mostra da marca da cultura africana, que se mantém viva na produção musical brasileira.
🎯 Tema/Objetivo Geral: Compreender como o uso de iorubá em uma canção brasileira valoriza e evidencia a continuidade da influência africana na cultura nacional.
🔹 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
1.1 Retomar o Comando da Questão
📌 “Ao fazer uso do iorubá nessa composição, o autor ____.”
1.2 O que está sendo pedido?
📌 Precisamos identificar qual efeito cultural e simbólico o emprego deliberado de palavras iorubás provoca no contexto da música.
1.3 Objetivo Cristalino
📌 Mostrar que Pixinguinha e Gastão Viana, ao costurar versos em iorubá junto ao português, celebram e preservam a herança africana no Brasil, reafirmando sua presença viva na música popular.
1.4 Identificação de Palavras-Chave
📌 “mistura o português com o iorubá”, “terreiro”, “preto velho”, “orixás” (Ogum, Oxalá, Iemanjá, Oxossi, Nanã, Xangô).
1.5 ✔ Pergunta de Atenção
Você notou que os nomes dos orixás e termos litúrgicos são entoados com orgulho, não como ridículo ou mera exotificação?
🔹 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
2.1 Sincretismo e Continuidade Afro-Brasileira
📌 A incorporação de iorubá em letras musicais reflete o sincretismo e a sobrevivência das tradições afro-brasileiras, especialmente no choro e na Bossa Nova.
2.2 Função Sociocultural da Língua
📌 Usar termos/refrões em língua de origem africana constitui um ato de memória histórica, reafirmando laços com a ancestralidade e mostrando que a cultura africana permanece ativa.
❓ Dúvida Única
“Isso seria um sinal de segregação cultural ou de crítica?”
✔ Não: aqui o bom-humor e a reverência não expõem separação, mas integração e respeito pelas raízes africanas na cultura brasileira.
✔ Pergunta de Atenção
Repare que, longe de distanciar, o refrão iorubá convida o ouvinte (tanto de terreiro como de sala de estar) a partilhar dessa marca cultural.
🔹 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto
- Iorubá na letra: “Ôi tem nêga de Ogum / De Oxalá, de Iemanjá…”
- Contexto: referências a ritos de candomblé, “saravá Xangô”, “terreiro de preto velho” — espaço de culto e celebração afro-brasileira.
- Interseção: português e iorubá coexistem, evidenciando herança viva, não apenas mímica.
🔹 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
- Citação de orixás em iorubá mostra conhecimento e respeito à religião afro-brasileira.
- A canção reafirma na música popular o legado africano, tornando-o parte intrínseca da identidade nacional.
- O resultado é um fortalecimento da memória cultural, não uma crítica satírica nem um chamado à segregação.
🔹 Passo 5: Resolução e Análise das Alternativas
A) Promove uma crítica bem-humorada às religiões afro-brasileiras, destacando diversos orixás.
- Quando estaria correta? Se a letra zombasse ou parodiasse os ritos, usando humor depreciativo.
- Por que aqui é incorreta? O tom é de exaltação e celebração, não de crítica sarcástica.
B) Ressalta uma mostra da marca da cultura africana, que se mantém viva na produção musical brasileira.
- Cenário de coerência: Ao usar iorubá e citar orixás, a canção afirma a presença contínua da herança africana.
- Conclusão: Correta.
C) Evidencia a superioridade da cultura africana e seu caráter de resistência à dominação do branco.
- Quando estaria correta? Se a letra explicitamente posicionasse a cultura africana como “melhor” ou “superior” à europeia.
- Por que é incorreta? Não há menção de confronto hierárquico; trata-se de afirmação de identidade, não de suposta “superioridade”.
D) Deixa à mostra a separação racial e cultural que caracteriza a constituição do povo brasileiro.
- Quando estaria correta? Se reforçasse divisões “nós vs. eles” e sublinhasse fragmentação social.
- Por que é incorreta? A canção integra as tradições africanas ao repertório nacional, sem enfatizar exclusão.
E) Expressa os rituais africanos com maior autenticidade, respeitando as referências originais.
- Quando estaria correta? Se o autor dominasse perfeitamente o iorubá e descriptografiasse ritos passo a passo.
- Por que é incorreta? Embora haja respeito, a letra não detalha rituais minuciosamente; recria liricamente termos e nomes para musicalizar, não para etnografar.
🔹 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
6.1 Resumo do Raciocínio
📌 A inclusão de iorubá e referências a orixás é um ato de memória cultural que demonstra como a cultura africana permanece viva e influente na música brasileira.
6.2 Alternativa Correta
✅ B) ressalta uma mostra da marca da cultura africana, que se mantém viva na produção musical brasileira.
6.3 🔍 Resumo Final para Revisão
No diálogo entre português e iorubá, a canção “Yaô” celebra o sincretismo afro-brasileiro, reforçando sua presença e continuidade na identidade nacional.