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Questão 101, caderno azul do ENEM 2014

Há qualquer coisa de especial nisso de botar a cara na janela em crônica de jornal — eu não fazia isso há muitos anos, enquanto me escondia em poesia e ficção. Crônica algumas vezes também é feita, intencionalmente, para provocar. Além do mais, em certos dias mesmo o escritor mais escolado não está lá grande coisa. Tem os que mostram sua cara escrevendo para reclamar:moderna demais, antiquada demais. Alguns discorrem sobre o assunto, e é gostoso compartilhar ideias. Há os textos que parecem passar despercebidos, outros rendem um montão de recados: “Você escreveu exatamente o que eu sinto”, “Isso é exatamente o que falo com meus pacientes”, “É isso que digo para meus pais”, “Comentei com minha namorada”. Os estímulos são valiosos pra quem nesses tempos andava meio assim: é como me botarem no colo — também eu preciso. Na verdade, nunca fui tão posta no colo por leitores como na janela do jornal. De modo que está sendo ótima, essa brincadeira séria, com alguns textos que iam acabar neste livro, outros espalhados por aí. Porque eu levo a sério ser sério… mesmo quando parece que estou brincando: essa é uma das maravilhas de escrever. Como escrevi há muitos anos e continua sendo a minha verdade: palavras são meu jeito mais secreto de calar.

LUFT, L. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2004

Os textos fazem uso constante de recursos que permitem a articulação entre suas partes. Quanto à construção do fragmento, o elemento:

A) “nisso” introduz o fragmento “botar a cara na janela em crônica de jornal”.

B) “assim” é uma paráfrase de “é como me botarem no colo”.

C) “isso”  remete a “escondia em poesia e ficção”

D) “alguns” antecipa a informação “É isso que digo para meus pais”.

E) “essa” recupera a informação anterior “janela do jornal”

Resolução em texto

Matérias Necessárias: Interpretação de Texto, Coesão e Coerência Textual, Análise de Referentes

Nível da Questão: Médio

Gabarito: A

Objetivo Geral: Reconhecer como os elementos coesivos (“nisso”, “assim”, “isso”, “alguns”, “essa”) conectam ideias dentro de um texto.


Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

📌 1.1 Transcrição Essencial:
“Quanto à construção do fragmento, o elemento:”

📌 1.2 O que está sendo pedido?
Você deve identificar para qual trecho anterior do texto o termo destacado faz referência (ou seja, qual é o seu referente no texto).

📌 1.3 Objetivo Cristalino:
Vamos identificar a palavra do enunciado (“nisso”, “assim”, etc.) que está corretamente ligada ao trecho indicado.

1.4 Pergunta de Atenção:
Você costuma perceber a que exatamente os termos como “nisso”, “essa”, “isso” estão se referindo quando lê um texto? Eles sempre apontam para uma ideia já apresentada antes!


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

📌 2.1 Definições e Conceitos:

  • Coesão Referencial: Elementos como “isso”, “nisso”, “essa” são chamados de pronomes demonstrativos e servem para retomar ou antecipar ideias dentro do texto.
  • Referente: É a palavra ou ideia à qual um pronome ou expressão faz referência.

❓✔ 2.2 Possível armadilha:
Às vezes, a referência não está logo antes do pronome — pode estar em outra frase, ou envolver uma ideia maior (e não só uma palavra!).


Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

📌 3.1 Contextualização Simplificada:
O texto fala sobre a experiência da autora ao voltar a escrever crônicas e os sentimentos envolvidos. Vários elementos referem-se a partes anteriores do texto.

📌 3.2 Estratégia Geral:
Vamos analisar cada termo destacado na alternativa, identificando seu verdadeiro referente.


Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio

📌 4.1 Passo a Passo Detalhado:

  • “nisso”: Aparece na frase “Há qualquer coisa de especial nisso de botar a cara na janela em crônica de jornal”. O “nisso” faz referência direta ao ato de “botar a cara na janela em crônica de jornal”, que vem logo em seguida, funcionando como uma introdução explicativa.
  • “assim”: Surge em “pra quem nesses tempos andava meio assim: é como me botarem no colo”. Aqui, “assim” indica um estado anterior (desanimado, carente), que será ilustrado na frase seguinte, não é paráfrase do que vem depois.
  • “isso”: “Eu não fazia isso há muitos anos, enquanto me escondia em poesia e ficção”. O “isso” remete ao ato de “botar a cara na janela em crônica de jornal”, não ao “escondia em poesia e ficção”.
  • “alguns”: “Alguns discorrem sobre o assunto, e é gostoso compartilhar ideias.” Esse “alguns” retoma pessoas que escrevem crônicas, não antecipa uma fala de pais.
  • “essa”: “essa brincadeira séria” – refere-se à experiência de escrever crônicas, não necessariamente à “janela do jornal”.

📌 4.2 Verificação Intermediária:
Está percebendo como cada termo está conectado a uma ideia específica e não necessariamente à palavra que está logo antes ou depois?


Passo 5: Análise das Alternativas

A) “nisso” introduz o fragmento “botar a cara na janela em crônica de jornal”.
✅ Correto! “Nisso” está antecipando a explicação “botar a cara na janela em crônica de jornal”.

B) “assim” é uma paráfrase de “é como me botarem no colo”.
❌ Errado. “Assim” é explicado depois, mas não é uma paráfrase.

C) “isso” remete a “escondia em poesia e ficção”.
❌ Errado. “Isso” é o ato de botar a cara na janela, ou seja, escrever crônica.

D) “alguns” antecipa a informação “É isso que digo para meus pais”.
❌ Errado. “Alguns” refere-se a pessoas que escrevem crônica.

E) “essa” recupera a informação anterior “janela do jornal”.
❌ Errado. “Essa” diz respeito à “brincadeira séria” de escrever crônica.


Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

📌 6.1 Resumo do Raciocínio:
A análise dos pronomes demonstra que “nisso” funciona como introdução para explicar o ato de “botar a cara na janela em crônica de jornal”.

📌 6.2 Gabarito Reafirmado:
Alternativa correta: A) “nisso” introduz o fragmento “botar a cara na janela em crônica de jornal”.

🔍 6.3 Resumo Final para Revisão:
Sempre que encontrar pronomes como “nisso”, “isso”, “essa”, veja se estão retomando ou antecipando uma ideia – essa atenção faz toda a diferença na interpretação de textos!

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