
No trecho da canção, composta na década de 1960, retrata-se a insatisfação do trabalhador rural com
A) a distribuição desigual da produção.
B) os financiamentos feitos ao produtor rural.
C) a ausência de escolas técnicas no campo.
D) os empecilhos advindos das secas prolongadas.
E) a precariedade de insumos no trabalho do campo.

Resolução em texto
Matérias Necessárias: História do Brasil Rural; Relações de Produção Agrária; Cultura Popular (Música de Protesto).
Nível da Questão: Médio.
Gabarito: A.
Objetivo Geral: Mostrar que o trabalhador rural expressa insatisfação com a divisão desigual dos frutos de seu trabalho.
Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
1.1 📌 Transcrição Essencial
“Mas plantar pra dividir / Não faço mais isso, não. / Eu sou um pobre caboclo, / Ganho a vida na enxada. / O que eu colho é dividido / Com quem não planta nada.”
1.2 📌 O que está sendo pedido?
Explicar qual aspecto da vida do trabalhador rural é criticado no trecho da canção.
1.3 📌 Objetivo Cristalino
Identificar que a queixa do caboclo recai sobre o fato de ter que repartir sua colheita (produção) com o proprietário da terra, embora ele faça todo o serviço braçal.
1.4 ✔ Pergunta de Atenção
Você percebe que o “pobre caboclo” reclama porque colhe sozinho e, depois, precisa dividir os frutos com quem não sujou as mãos de terra?
Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
2.1 📌 Definições e Fórmulas
- Sistema de parceria agrária (meação): Régime em que o trabalhador cultiva a terra de outrem e divide a safra (normalmente em partes iguais ou em proporções desfavoráveis ao trabalhador).
- Caboclo/pobre caboclo: Trabalhador rural sem terra, que ganha a vida com trabalho manual (na enxada).
- Latifúndio/grande proprietário: Quem detém a terra, mas não trabalha nela. Espera receber parte da produção sem despender esforço físico.
2.2 ❓✔ Dúvida Comum e Resposta
Dúvida Comum: “Será que o trabalhador se queixa de falta de recursos (insumos) ou de seca?”
Resposta: Não. O foco é exatamente a divisão injusta do produto (“o que eu colho é dividido com quem não planta nada”), não a falta de sementes ou água.
Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
3.1 📌 Contextualização Simplificada
O cantor descreve sua condição: trabalha duro com “enxada” no campo, mas quem não planta (“quem não planta nada”) leva parte da colheita. Essa situação é típica de um esquema de parceria, no qual o trabalhador muitas vezes sai prejudicado na distribuição do que produz.
3.2 📌 Estratégia Geral
- Reconhecer que a letra faz referência ao trabalhador rural que “planta para dividir”.
- Identificar a queixa principal: divisão desigual da produção.
- Confrontar com as alternativas para apontar a insatisfação correta: a distribuição desigual dos frutos do trabalho.
Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
4.1 📌 Passo a Passo Detalhado
- “Eu sou um pobre caboclo, ganho a vida na enxada”
- O narrador é um trabalhador braçal, dependente do trabalho manual para sobreviver.
- “O que eu colho é dividido com quem não planta nada”
- Ele trabalha sozinho (ou com sua família), mas, ao final da safra, precisa repartir a colheita com o proprietário da terra, que não arou ou semeou.
- “Mas plantar pra dividir, não faço mais isso”
- Demonstra canso e revolta: não quer mais cultivar sob esse regime que lhe rouba parte do fruto de seu próprio trabalho.
- Contexto histórico-cultural:
- No Brasil agrário, especialmente no Norte e Nordeste, o sistema de parceria era comum, mas frequentemente desfavorecia o parceiro menor (o trabalhador), que ficava com uma parte reduzida do total.
4.2 📌 Verificação Intermediária
- Em nenhuma estrofe o caboclo menciona falta de sementes, atraso de pagamento do governo ou ausência de escolas no campo.
- O cerne da queixa é a partilha da produção, e não financiamento, seca ou insumos.
Passo 5: Análise das Alternativas
5.1 Listagem das Alternativas
A) a distribuição desigual da produção.
B) os financiamentos feitos ao produtor rural.
C) a ausência de escolas técnicas no campo.
D) os empecilhos advindos das secas prolongadas.
E) a precariedade de insumos no trabalho do campo.
5.2 Justificativa Individual
- A) ✅
- Corresponde exatamente ao tema: o trabalhador reclama de ter de dividir sua colheita com quem não trabalhou, ou seja, distribuição desigual.
- B) ❌
- Nada na letra fala sobre empréstimos, crédito ou financiamento; a queixa é sobre divisão de produção.
- C) ❌
- Não se menciona falta de escolas ou qualificação; o foco é na repartição da colheita.
- D) ❌
- Embora “vai deixar o meu sertão” e “mesmo os olhos cheios d’água” possam remeter a contexto de seca, a mensagem central é a divisão incompatível dos frutos, não a própria falta de chuva.
- E) ❌
- Não há menção a falta de ferramentas ou fertilizantes: o caboclo se queixa de dividir o que plantou, não de não ter insumos.
Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
6.1 📌 Resumo do Raciocínio
A letra critica o sistema de parceria agrária em que o trabalhador braçal divide a colheita com o proprietário, que não contribui com trabalho, revelando insatisfação com a distribuição injusta da produção.
6.2 📌 Gabarito Reafirmado
A alternativa correta é A) a distribuição desigual da produção.
6.3 🔍 Resumo Final para Revisão
Em canções de protesto rural, procure sempre identificar se a crítica recai sobre divisão de lucros, exploração da mão de obra ou condições naturais; aqui, o foco é a divisão injusta da colheita entre quem planta e quem não planta.