
A figura representada por Charles Chaplin critica o modelo de produção do início do século XX, nos Estados Unidos da América, que se espalhou por diversos países e setores da economia e teve como resultado:
A) a subordinação do trabalhador à máquina, levando o homem a desenvolver um trabalho repetitivo.
B) a ampliação da capacidade criativa e da polivalência funcional para cada homem em seu posto de trabalho.
C) a organização do trabalho que possibilitou ao trabalhador o controle sobre a mecanização do processo de produção.
D) o rápido declínio do absenteísmo, o grande aumento da produção conjugado com a diminuição das áreas de estoque.
E) as novas técnicas de produção que provocaram ganhos de produtividade, repassados aos trabalhadores como forma de eliminar as greves.

Resolução em texto
✍ Resolução Em Texto
Olá! Vamos decifrar juntos essa questão clássica do ENEM que usa o genial filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, para discutir as transformações no mundo do trabalho. É uma ótima oportunidade para conectar cinema, história e sociologia.
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- Sociologia do Trabalho (Fordismo, Alienação)
- História (Segunda Revolução Industrial, Linha de Montagem)
- Interpretação de Linguagem Visual (Cenas de Filme)
Tema/Objetivo Geral: A crítica à alienação e à exploração do trabalhador no modelo de produção fordista.
Nível da Questão: Fácil.
- Detalhe: A questão é considerada fácil porque a imagem de Chaplin sendo “engolido” pelas engrenagens ou realizando movimentos repetitivos na linha de montagem é um dos ícones culturais mais conhecidos da crítica ao trabalho industrial. A alternativa correta descreve de forma direta e precisa a mensagem central do filme.
Gabarito: A
- A alternativa está correta porque as cenas do filme “Tempos Modernos” satirizam de forma brilhante o modelo fordista de produção, no qual o trabalhador perde sua autonomia e se torna uma mera extensão da máquina, executando tarefas simples e repetitivas em um ritmo ditado pela linha de montagem.
Resolução Passo a Passo
🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
1.1 Transcrição Essencial
“A figura representada por Charles Chaplin critica o modelo de produção […] e teve como resultado:”
1.2 O que está sendo pedido?
A questão pede para identificarmos qual foi a principal consequência para o trabalhador do modelo de produção industrial criticado por Chaplin.
1.3 Objetivo Cristalino
Nossa missão é analisar as duas cenas do filme, entender qual é a crítica que Chaplin está fazendo e encontrar a alternativa que melhor descreve o resultado dessa crítica para o ser humano no trabalho.
1.4 Pergunta de Atenção
Na primeira imagem, Chaplin está literalmente sendo “engolido” pelas engrenagens. O que essa imagem tão forte simboliza sobre a relação entre o homem e a máquina naquele modelo de trabalho?
📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
2.1 Definições e explicação de termos
Para entender a fundo a crítica de Chaplin, precisamos conhecer o modelo que ele está satirizando: o Fordismo.
- Fordismo: É o modelo de produção em massa desenvolvido por Henry Ford no início do século XX. Suas principais características são:
- Linha de Montagem: Uma esteira rolante leva o produto de um trabalhador ao outro. Cada operário fica parado, realizando uma única tarefa, pequena e específica, de forma repetitiva.
- Ritmo Controlado pela Máquina: A velocidade da esteira dita o ritmo do trabalho, e não mais a habilidade ou a vontade do trabalhador.
- Especialização Extrema: O trabalhador não precisa conhecer todo o processo de produção, apenas a sua minúscula etapa.
- Padronização: Todos os produtos são idênticos para baratear o custo e aumentar a velocidade da produção.
- Alienação (Conceito de Karl Marx): A consequência humana desse processo. O trabalhador se torna “alienado” porque:
- Perde o controle sobre o ritmo do trabalho: Ele é controlado pela máquina.
- Perde o conhecimento do processo total: Ele só conhece sua pequena parte e não se vê como o criador do produto final.
- O trabalho se torna mecânico e sem sentido: A repetição exaustiva de uma única tarefa tira a criatividade e o prazer do trabalho. O trabalhador se sente apenas uma peça na engrenagem.
📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
3.1 Contextualização Simplificada
Imagine uma fábrica onde sua única função é apertar o mesmo parafuso o dia inteiro, o mais rápido que a esteira permitir. Chaplin, em seu filme, mostra de forma cômica e trágica o que isso faz com uma pessoa: ela se torna quase um robô, repetindo o movimento mesmo depois de sair da fábrica. A primeira imagem, com ele dentro das engrenagens, é a metáfora perfeita: o homem não controla mais a máquina; a máquina o controla e o “devora”.
3.2 Estratégia Geral
A estratégia é conectar a linguagem visual das cenas com os conceitos sociológicos:
- Analisar a Imagem 1: O que significa ser “engolido” pelas engrenagens?
- Analisar a Imagem 2: O que a linha de montagem e o movimento repetitivo de Chaplin representam?
- Sintetizar a crítica: a desumanização do trabalho.
- Procurar a alternativa que descreve essa desumanização.
🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio e Análise das Imagens
4.1 Passo a Passo Detalhado
- Análise da Imagem 1 (As Engrenagens): Esta imagem é uma metáfora poderosa. Ela mostra a subordinação do homem à máquina. O trabalhador, Carlitos, não está no comando; ele é apenas mais uma peça, pequena e frágil, dentro de um sistema mecânico gigante e impessoal que o domina.
- Análise da Imagem 2 (A Linha de Montagem): Esta cena mostra a prática do fordismo. Carlitos realiza uma tarefa específica (apertar porcas) de forma frenética e repetitiva, tentando acompanhar o ritmo da esteira. Seus movimentos são mecânicos, quase como os de um autômato.
- Síntese da Crítica: Juntas, as imagens criticam um sistema de produção que transforma o ser humano em um apêndice da máquina, tirando sua autonomia, criatividade e humanidade, forçando-o a um trabalho repetitivo e alienante.
4.2 Verificação Intermediária
A alternativa A fala exatamente sobre a “subordinação do trabalhador à máquina” e o “trabalho repetitivo”, o que se encaixa perfeitamente na nossa análise.
4.3 Possível armadilha ❓
A principal armadilha seria a alternativa E. Ela menciona “ganhos de produtividade”, o que é verdade no fordismo, mas a segunda parte, “repassados aos trabalhadores como forma de eliminar as greves”, é uma visão incompleta e otimista. Embora Ford tenha aumentado os salários (o “Five-Dollar Day”), o objetivo principal era diminuir a altíssima rotatividade de funcionários e criar um mercado consumidor para seus próprios carros, e não “eliminar as greves” de forma harmoniosa. Além disso, o foco da crítica de Chaplin não é o salário, mas a condição do trabalho.
4.4 Fechamento e expectativa
Concluímos que a crítica de Chaplin é focada na desumanização do trabalho fordista. Esperamos encontrar uma alternativa que descreva a subordinação do homem à máquina e a natureza repetitiva das tarefas.
✅ Passo 5: Análise das Alternativas
5.1 Listagem das Alternativas
A) a subordinação do trabalhador à máquina, levando o homem a desenvolver um trabalho repetitivo.
B) a ampliação da capacidade criativa e da polivalência funcional para cada homem em seu posto de trabalho.
C) a organização do trabalho que possibilitou ao trabalhador o controle sobre a mecanização do processo de produção.
D) o rápido declínio do absenteísmo, o grande aumento da produção conjugado com a diminuição das áreas de estoque.
E) as novas técnicas de produção que provocaram ganhos de produtividade, repassados aos trabalhadores como forma de eliminar as greves.
5.2 Justificativa Individual
- A) (🟢) Correta. Descreve com precisão a essência da crítica de Chaplin e do modelo fordista: o trabalhador perde o controle e é submetido ao ritmo da máquina, realizando uma tarefa repetitiva e alienante.
- B) (🔴) Incorreta. Esta alternativa descreve características do Toyotismo (pós-fordismo), um modelo de produção posterior que valoriza a polivalência e a criatividade. O fordismo fazia o exato oposto.
- C) (🔴) Incorreta. O fordismo tirou o controle do trabalhador sobre o processo, que passou a ser ditado pela gerência científica e pela velocidade da linha de montagem.
- D) (🔴) Incorreta. A “diminuição das áreas de estoque” é uma característica do Toyotismo (“just-in-time”), não do Fordismo, que produzia em massa para estocar.
- E) (🔴) Incorreta. Como visto na armadilha, o foco da crítica de Chaplin é a alienação no trabalho, e não as questões salariais.
🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
6.1 Resumo do Raciocínio
As cenas do filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, são uma sátira contundente ao modelo de produção fordista, predominante no início do século XX. A crítica central é a forma como esse sistema desumaniza o trabalhador, submetendo-o ao ritmo incessante da linha de montagem e reduzindo sua atividade a uma tarefa mecânica e repetitiva, o que leva a um profundo processo de alienação.
6.2 Gabarito Reafirmado
A resposta correta é a alternativa A.
6.3 Resumo Final para Revisão 🔍
Lembre-se da diferença fundamental entre os modelos de produção:
- Fordismo: Linha de montagem, tarefas repetitivas, grandes estoques, trabalhador especializado em uma única coisa. Crítica: Alienação.
- Toyotismo: Células de produção, “just-in-time”, zero estoque, trabalhador polivalente (sabe fazer várias coisas).