Diego Rosales viste y habla como gaucho. Para poder sobrevivir, dice, sus antepasados resignaron la cultura mapuche. Hubo entonces mestizaje y se acriollaron. “Con la ayuda de la Confederación Mapuche de Neuquén retomamos la cultura y la lengua mapuche. Tomamos cursos para recuperar una identidad que habíamos perdido. También, para pelear por nuestros derechos ante los órganos públicos”, se sincera Rosales. A su lado, Inocencia, de 80 años, que conserva la lengua de su etnia, cuenta que cuando era joven todo era campo fértil. Vendían cuero, lana, pieles de zorro y nutrias que transportaban en burros, y subsistían con las cosechas de quinta y la venta de animales. “He visto mi vida arrinconarse; el campo se va terminando y los animales no tienen qué comer. La vida debería ser más pareja”, dice. Inocencia reclama personería jurídica para pedir tierras. Ella aspira a una fracción de 1 600 hectáreas; su nieto Rosales quiere un predio similar cerca del río. Adquirir personería les permitiría iniciar juicio contra los privados titulares de las tierras que ellos ocupan desde hace décadas a través del pastoreo. La provincia no se las da, dicen, porque los dueños especulan con las reservas de gas de estas tierras y con el monopolio del agua.
Disponível em: www.lanacion.com.ar. Acesso em: 8 dez. 2017 (adaptado).
Segundo o texto, a reivindicação de membros do povo mapuche na Argentina tem o propósito de
A) retomar a posse da terra.
B) cuidar da fauna autóctone.
C) empoderar as novas gerações.
D) vetar a exploração de gás no território.
E) ensinar a língua indígena aos gaúchos.

✍ Resolução Em Texto
- Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- Língua Espanhola (Interpretação de Texto e Vocabulário Jurídico/Social)
- Sociologia/Geopolítica (Questão Agrária e Direitos Indígenas)
- Tema/Objetivo Geral: Identificar a reivindicação central de um grupo social (mapuches) em meio a um contexto de disputa territorial e resgate cultural.
- Nível da Questão: Médio.
- O texto apresenta várias camadas: perda cultural, retomada da língua, problemas econômicos e a disputa de terras. O aluno precisa filtrar as informações secundárias (gás, animais, língua) para encontrar o objetivo final da ação jurídica: a terra.
- Gabarito: A
- A alternativa está correta. O texto diz explicitamente: “Inocencia reclama personería jurídica para pedir tierras“ e “iniciar juicio contra los privados titulares de las tierras”. O objetivo final do reconhecimento jurídico é a retomada do território.
PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é: “O texto conta a história de Diego e Inocencia. Eles estão brigando com o governo e com donos de terras. O que eles querem conseguir no final das contas? Qual é o prêmio dessa luta?”
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que você mora em uma casa há 50 anos, mas o documento da casa está no nome de outra pessoa. Essa pessoa quer te expulsar para vender o quintal. Você vai ao tribunal pedir um documento que prove que você existe como grupo para, então, brigar pela chave da casa.
A “chave da casa” é a Terra. O “documento” (personería jurídica) é apenas o meio para conseguir a chave.
Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
- Localizar a Ação: Procurar verbos de desejo ou exigência (reclama, aspira, quiere, pedir).
- Diferenciar Meio e Fim: Distinguir o que é ferramenta (curso, lei) do que é o objetivo final (terra).
- Conectar com a Alternativa: Traduzir “pedir tierras” para “retomar a posse”.
PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para organizar os conceitos-chave e não se perder na tradução, vamos usar uma Tabela Comparativa de Termos.
TABELA: DICIONÁRIO DO CONFLITO
| Termo no Texto | Significado no Contexto | Função na História |
| Mestizaje / Acriollarse | Mistura racial e cultural; adotar o modo de vida “criollo” (local/branco) e abandonar costumes indígenas. | Foi a estratégia de sobrevivência no passado (perda de identidade). |
| Personería Jurídica | Reconhecimento legal do grupo como uma “Pessoa Jurídica” (entidade oficial) perante o Estado. | É a ferramenta legal necessária para poder processar alguém. |
| Pedir Tierras / Iniciar Juicio | Ação de processar os atuais donos legais para recuperar o território ocupado historicamente. | É o objetivo final (o fim) de toda a mobilização. |
Conclusão da Tabela: A Personería é o meio; a Terra é o fim. O Mestizaje é o passado que eles querem superar.
PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos rastrear as pistas no texto.
- O Resgate Cultural: O início fala de “retomamos la cultura y la lengua”. Isso é importante, mas é o contexto, não a reivindicação material principal descrita no final.
- O Clímax da Demanda:
“Inocencia reclama personería jurídica para pedir tierras.”
(Inocencia exige personalidade jurídica para pedir terras).
Aqui está a resposta. O “para” indica a finalidade. - O Detalhe da Posse:
“Ella aspira a una fracción de 1 600 hectáreas.”
(Ela aspira/deseja uma fração de 1.600 hectares).
Isso confirma que o foco é territorial. - O Conflito: Eles querem processar os “privados titulares” (donos no papel) para garantir a posse das terras que eles já ocupam (“ocupan desde hace décadas”).
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha é focar nos obstáculos ou nos meios. O texto fala de “reservas de gas”. O aluno pode achar que o objetivo é proibir o gás (Alternativa D). Mas o gás é o motivo pelo qual o governo não quer dar a terra. É o interesse do inimigo, não a reivindicação do índio. O texto fala de “retomamos la cultura”. Isso leva à Alternativa C ou E. Mas a pergunta foca na reivindicação (o que eles estão pedindo às autoridades), e o que eles pedem juridicamente é a terra.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: Os personagens buscam reconhecimento legal como meio para um fim maior: a disputa judicial pela propriedade das terras ancestrais que estão sob ameaça.
- Expectativa: Uma alternativa que contenha “terra”, “território”, “propriedade” ou “posse”.
PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) retomar a posse da terra.
- Análise de Correspondência: Perfeita. Traduz diretamente os trechos “pedir tierras” e “aspira a una fracción de 1 600 hectáreas”. Eles querem transformar a ocupação histórica em posse reconhecida.
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
B) cuidar da fauna autóctone.
- O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. O texto menciona animais (pieles de zorro, nutrias) como meio de subsistência no passado, ou que os animais atuais “no tienen qué comer”. O objetivo é ter pasto para o gado, não um programa de preservação ambiental da fauna selvagem.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
C) empoderar as novas gerações.
- O “Diagnóstico do Erro”: Generalização Abstrata. Embora recuperar a cultura empodere o grupo, a reivindicação específica citada (personería jurídica) tem um fim material e jurídico (terras), não apenas educacional ou simbólico.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
D) vetar a exploração de gás no território.
- O “Diagnóstico do Erro”: Confusão entre Causa e Consequência. A exploração de gás é o motivo pelo qual a província nega a terra (“La provincia no se las da… porque los dueños especulan con las reservas de gas”). Os mapuches querem a terra; se vão vetar o gás depois, isso é consequência da posse, não a reivindicação inicial descrita.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
E) ensinar a língua indígena aos gaúchos.
- O “Diagnóstico do Erro”: Invenção/Interpretação Torta. O texto diz que eles (os mapuches) estão retomando a língua que haviam perdido. Não diz que querem ensinar isso aos gaúchos (que, no texto, é um termo usado para descrever como Diego se veste, indicando aculturação, não o público-alvo de um curso).
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa A é a correta. A luta descrita é o clássico conflito agrário latino-americano: direitos ancestrais versus propriedade privada e interesses extrativistas.
Resumo-flash (A Imagem Mental): O documento (lei) é a espada para conquistar o reino (terra).
Para ir Além (A Ponte para o Futuro): Essa questão dialoga diretamente com a Constituição Brasileira de 1988 e o conceito de Demarcação de Terras Indígenas. No Brasil, assim como na Argentina, a Constituição garante aos índios os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam. A “personería jurídica” citada no texto equivale, em parte, ao reconhecimento oficial de uma comunidade indígena pela FUNAI para iniciar o processo de demarcação.