Questão 03 caderno azul ENEM 2022 PPL – Inglês

We walked on, the stranger walking with us. Taylor Franklin Bankole. Our last names an instant bond between us. We’re both descended from men who assumed African surnames back during the 1960s. His father and my grandfather had had their names legally changed, and both had chosen Yoruba replacement names.

“Most people chose Swahili names in the ’60s”, Bankole told me. He wanted to be called Bankole. “My father had to do something different. All his life he had to be different”.

“I don’t know my grandfather’s reasons”, I said. “His last name was Broome before he changed it, and that was no loss’. But why he chose Olamina…? Even my father didn’t know. He made the change before my father was born, so my father was always Olamina, and so were we.

BUTLER, O. E. Parable of the Sower. New York: Hachette, 2019 (adaptado).

Nesse trecho do romance Parable of the Sower, os nomes “Bankole” e “Olamina” representam o(a)

A) priorização do uso do inglês.

B) resgate da identidade africana.

C) existência de conflitos de gerações.

D) afastamento da convivência familiar

E) desconhecimento de origens genealógicas.

✍ Resolução Em Texto

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Língua Inglesa (Interpretação Textual e Vocabulário)
    • História/Sociologia (Movimentos Negros dos anos 1960 e Identidade Cultural)
  • Tema/Objetivo Geral: Compreender a motivação política e cultural por trás da troca de nomes em comunidades afro-diaspóricas como forma de afirmação identitária.
  • Nível da Questão: Médio.
    • Exige vocabulário específico (descended, assumed, surnames) e conhecimento de mundo. O aluno precisa conectar “1960s” e “African surnames” com o conceito de resgate de identidade, não apenas traduzir frases soltas.
  • Gabarito: B
    • A alternativa está correta. O texto afirma explicitamente que os ancestrais dos personagens mudaram legalmente seus nomes para sobrenomes iorubás (africanos) nos anos 60, criando um laço (bond) entre eles baseado nessa busca compartilhada pelas origens.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é: “Os avôs desses personagens jogaram fora seus sobrenomes antigos e escolheram nomes africanos (Bankole e Olamina). Por que eles fizeram isso nos anos 60? O que esse ato simboliza?”

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que você descobrisse que seu sobrenome atual foi dado pelo “dono” do seu tataravô. Para se sentir livre de verdade, você vai ao cartório e troca esse nome por um que pertencia à tribo original da sua família antes de tudo acontecer. Os nomes “Bankole” e “Olamina” não são apenas etiquetas; são bandeiras fincadas no chão para dizer: “Eu sei de onde eu vim”.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):

  • Rastrear a Origem: Identificar no texto de onde vêm os nomes (Yoruba/African).
  • Contextualizar o Tempo: Analisar o peso da expressão “during the 1960s” (Luta pelos Direitos Civis).
  • Conectar com a Intenção: Ligar a troca de “nomes impostos” (como Broome) por “nomes escolhidos” ao conceito de identidade.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para resolver este caso, precisamos do Dossiê da Identidade Afro-Americana.

DOSSIÊ: A TROCA DE NOMES NOS ANOS 60

1. O Contexto Histórico:
Nos anos 1960 (EUA), o movimento Black Power incentivou o orgulho da herança africana. Muitos negros rejeitaram seus “slave names” (sobrenomes europeus dados pelos escravizadores aos seus antepassados) e adotaram nomes africanos (Iorubá, Swahili) ou muçulmanos.

2. As Palavras-Chave do Texto:

  • Assumed African surnames: Assumiram/Adotaram sobrenomes africanos.
  • Bond: Laço/Vínculo (entre os personagens).
  • Yoruba replacement names: Nomes substitutos da cultura Iorubá.
  • That was no loss: “Isso não foi uma perda” (referindo-se ao descarte do sobrenome antigo, Broome).

PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos analisar as pistas deixadas pela autora Octavia Butler.

  • A Evidência Principal:
    “We’re both descended from men who assumed African surnames back during the 1960s.”
    (Ambos descendemos de homens que assumiram sobrenomes africanos lá nos anos 1960).
    • Isso elimina qualquer dúvida sobre a origem (África) e a intenção (assumir/escolher).
  • A Comparação Cultural:
    “Most people chose Swahili names… My father had to do something different.”
    (A maioria escolhia nomes suaíles… Meu pai teve que fazer algo diferente [escolheu Iorubá]).
    • Isso mostra que havia um movimento coletivo de busca pela África (seja via cultura Suaíli ou Iorubá).
  • O Descarte do Passado:
    “His last name was Broome before he changed it, and that was no loss.”
    (O sobrenome era Broome antes… e isso não foi perda nenhuma).
    • O narrador deixa claro que o nome inglês não tinha valor sentimental; pelo contrário, livrar-se dele foi positivo.

Síntese do Detetive: Se eles jogaram fora nomes ingleses para pegar nomes africanos, o objetivo é o resgate da identidade africana.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨

CUIDADO! A armadilha aqui é a alternativa E (desconhecimento de origens). O texto diz: “But why he chose Olamina…? Even my father didn’t know.” (Mas por que ele escolheu Olamina? Nem meu pai sabia). O aluno lê “didn’t know” e pensa: “Ah, eles não sabem a origem!”. Eles não sabem o motivo da escolha específica daquele nome (Olamina), mas sabem perfeitamente a origem geral (África/Iorubá). O desconhecimento é do detalhe, não da genealogia cultural.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: A troca deliberada de nomes ocidentais por nomes africanos (Yoruba) em um contexto político (anos 60) é a definição de reafirmação de identidade.
  • Expectativa: Uma alternativa que fale sobre “identidade”, “cultura africana” ou “raízes”.

PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

A) priorização do uso do inglês.

  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta. O texto mostra o oposto: o abandono de nomes ingleses (Broome) em favor de nomes africanos.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

B) resgate da identidade africana.

  • Análise de Correspondência: Perfeita. A escolha de “African surnames” e “Yoruba replacement names” reflete o desejo de se reconectar com a ancestralidade perdida ou apagada, resgatando a identidade original.
  • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

C) existência de conflitos de gerações.

  • O “Diagnóstico do Erro”: Extrapolação. O texto menciona que o pai queria ser “diferente” da maioria (que escolhia nomes Suaíli), mas não relata brigas ou conflitos entre pai e filho ou avô. Pelo contrário, o nome criou um laço (bond) entre os desconhecidos.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

D) afastamento da convivência familiar

  • O “Diagnóstico do Erro”: Invenção de fatos. Não há nada no texto que sugira que a família se separou. O texto foca na herança do nome, que foi passada de avô para pai e para filho (“so my father was always Olamina, and so were we”).
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

E) desconhecimento de origens genealógicas.

  • O “Diagnóstico do Erro”: Interpretação Superficial. Como vimos na “Armadilha Clássica”, o narrador desconhece o motivo da escolha da palavra “Olamina”, mas sabe exatamente que é um nome Iorubá e que seu avô o escolheu conscientemente. Eles sabem de onde vêm, só não sabem o porquê daquele nome específico.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa B é a correta. Nomes carregam história; trocá-los é uma forma poderosa de reescrever a própria narrativa e honrar a ancestralidade.

Resumo-flash (A Imagem Mental): Trocar “Silva” por “Olamina” não é mudar a etiqueta, é mudar a alma de endereço.

Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O exemplo mais famoso desse fenômeno na vida real é o lutador Cassius Clay, que mudou seu nome para Muhammad Ali nos anos 60, declarando que “Cassius Clay” era seu “nome de escravo”. Outro exemplo é o ativista Malcolm Little, que virou Malcolm X (o “X” representava o sobrenome africano desconhecido/roubado). A literatura de Octavia Butler reflete essa realidade histórica vibrante.

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