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Questão 014, caderno azul do ENEM 2011

Questão 014 – ENEM 2011 -

O espaço mundial sob a “nova des-ordem” é um emaranhado de zonas, redes e “aglomerados”, espaços hegemônicos e contra-hegemônicos que se cruzam de forma complexa na face da Terra. Fica clara, de saída, a polêmica que envolve uma nova regionalização mundial. Como regionalizar um espaço tão heterogêneo e, em parte, fluido, como é o espaço mundial contemporâneo?

HAESBAERT, R.; PORTO-GONÇALVES, C.W. A nova des-ordem mundial. São Paulo: UNESP, 2006.

O mapa procura representar a lógica espacial do mundo contemporâneo pós-União Soviética, no contexto de avanço da globalização e do neoliberalismo, quando a divisão entre países socialistas e capitalistas se desfez e as categorias de “primeiro” e “terceiro” mundo perderam sua validade explicativa.

Considerando esse objetivo interpretativo, tal distribuição espacial aponta para

A) a estagnação dos Estados com forte identidade cultural.

B) o alcance da racionalidade anticapitalista.

C) a influência das grandes potências econômicas.

D) a dissolução de blocos políticos regionais.

E) o alargamento da força econômica dos países islâmicos.

Resolução em texto

📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Geopolítica (Nova Ordem Mundial, Pós-Guerra Fria)
  • Globalização e Redes Geográficas
  • Interpretação de Mapas Temáticos e Cartografia
  • Teoria do Sistema-Mundo (Centro, Periferia e Semiperiferia)

🎯 Tema/Objetivo Geral: Interpretação de uma regionalização do mundo contemporâneo baseada em redes e fluxos de poder.

🎯 Nível da Questão: Difícil.

  • Detalhe: A questão é considerada difícil porque exige a interpretação de um mapa altamente conceitual e abstrato, que não representa fronteiras políticas, mas sim fluxos, redes e hierarquias de poder. É necessário mobilizar conhecimentos de geopolítica e globalização para decodificar a simbologia e entender a lógica por trás da representação, que foge dos modelos de regionalização mais comuns.

Gabarito: C

  • A alternativa está correta porque o mapa destaca visualmente a centralidade e a influência de “potências mundiais” (EUA, Europa Ocidental, Japão/China) que organizam a economia-mundo através de “redes mundiais”, relegando outras áreas a papéis secundários.

📖 Resolução Passo a Passo


🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

1.1 Transcrição Essencial 📌
“Considerando esse objetivo interpretativo, tal distribuição espacial aponta para”

1.2 O que está sendo pedido? 📌
A questão pede para que a gente olhe para o mapa e para os textos de apoio e conclua qual é a principal lógica que organiza o espaço mundial nos dias de hoje, segundo essa representação.

1.3 Objetivo Cristalino 📌
Nossa missão é decifrar os símbolos e a estrutura do mapa para entender qual é o princípio fundamental que está organizando o mundo nesta “nova des-ordem”.

1.4 Pergunta de Atenção ✔
Você já reparou que o mundo pode ser desenhado de várias formas, não só com países e capitais? Este mapa nos mostra um mundo de conexões e poder. Quem será que está no centro dessas conexões?


📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

2.1 Definições e Fórmulas / explicação de termos 📌
Para entender este mapa, precisamos de alguns conceitos-chave da geografia contemporânea:

  • 1. Nova Ordem Mundial: Refere-se à organização geopolítica do mundo após o fim da Guerra Fria (1991). O mundo deixou de ser bipolar (EUA vs. URSS) e passou a ser multipolar, onde o poder é definido mais pela economia e tecnologia do que pelo poderio militar.
  • 2. Globalização e Redes: A globalização não conecta todos os lugares do mundo da mesma forma. Ela cria redes de fluxos intensos (de dinheiro, informação, mercadorias) que conectam principalmente as grandes metrópoles globais (os “nós” da rede), enquanto outras áreas ficam mais à margem.
  • 3. Territórios vs. Redes:
    • Territórios: São os espaços físicos, delimitados por fronteiras, como os países (representados pelas áreas coloridas no mapa).
    • Redes: São os fluxos e conexões que atravessam os territórios (representadas pelas linhas e círculos no mapa). O mapa sugere que as redes são tão ou mais importantes que os territórios para entender o mundo hoje.
  • 4. Hierarquia Mundial (Centro, Semiperiferia, Periferia):
    • Potências Mundiais (Centro): São os polos que comandam a economia global. No mapa, são os círculos pontilhados com um “hub” central.
    • Semiperiferia: São os países que estão integrados à economia global, mas de forma subordinada, como fornecedores de matérias-primas ou mão de obra barata.

📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

3.1 Contextualização Simplificada 📌
Imagine que este não é um mapa de países, mas um mapa do poder econômico e da influência global. Ele mostra os “chefes” do mundo (as potências), as “estradas principais” por onde circulam o dinheiro e a informação (as redes) e as “regiões subordinadas” que dependem dessas estradas. A questão quer saber: qual é a regra principal que organiza esse mapa do poder?

3.2 Estratégia Geral 📌
Nossa estratégia será uma leitura atenta do mapa e da legenda:

  1. Decodificar a legenda: Entender o que cada símbolo significa (“Potência mundial”, “Semiperiferia”, “Rede mundial”).
  2. Identificar os polos de poder: Localizar no mapa onde estão as “Potências mundiais”.
  3. Analisar as conexões: Observar como as “Redes mundiais” ligam essas potências entre si e como elas se estendem para as outras áreas.
  4. Conectar essa estrutura visual com as afirmações das alternativas.

🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio e Análise do Mapa

4.1 Passo a Passo Detalhado 📌
Vamos aplicar a estratégia, lendo o mapa com a ajuda da legenda.

  • Identificando as Potências: A legenda mostra o símbolo de “Potência mundial”. No mapa, vemos esses centros localizados na América do Norte (EUA/Canadá), na Europa Ocidental e no Leste Asiático (Japão). Esses são os três grandes polos da economia capitalista global.
  • Analisando as Redes: A “Rede mundial” (linha contínua com círculos) conecta intensamente esses três polos, formando o coração do sistema global. A partir desses centros, as linhas se espalham para outras regiões.
  • Identificando as Áreas Subordinadas: As áreas hachuradas como “Semiperiferia” incluem a América Latina, a África, a Rússia e partes da Ásia. Elas estão conectadas à rede, mas não são os nós centrais de comando. Elas recebem a influência das grandes potências.
  • Conclusão da Análise: O mapa desenha um mundo hierárquico, organizado não por ideologias (capitalismo vs. socialismo), mas pela influência econômica irradiada por um pequeno número de potências que controlam os principais fluxos globais.

4.2 Verificação Intermediária 📌
A estrutura visual do mapa (hubs centrais com redes que se espalham) apoia fortemente a ideia de um mundo dominado pela influência de poucos centros de poder econômico.

4.3 Possível armadilha ❓/ ✔
A principal armadilha é se focar em um detalhe do mapa e ignorar a estrutura geral. Por exemplo, focar apenas nos “Estados com forte identidade cultural” poderia levar a uma conclusão errada sobre estagnação (Alternativa A). A chave é entender a lógica do conjunto, que é a hierarquia de poder.

4.4 Fechamento e expectativa
Nossa análise nos leva a concluir que a principal mensagem do mapa é a dominação do cenário global por grandes potências econômicas. Esperamos encontrar essa ideia nas alternativas.


✅ Passo 5: Análise das Alternativas

5.1 Listagem das Alternativas
A) a estagnação dos Estados com forte identidade cultural.
B) o alcance da racionalidade anticapitalista.
C) a influência das grandes potências econômicas.
D) a dissolução de blocos políticos regionais.
E) o alargamento da força econômica dos países islâmicos.

5.2 Justificativa Individual

  • A) (🔴) Incorreta. O mapa mostra a existência desses Estados, mas não fornece informações para concluir que eles estão “estagnados”.
  • B) (🔴) Incorreta. O mapa ilustra a lógica da expansão do capitalismo global em redes, exatamente o oposto de uma racionalidade anticapitalista.
  • C) (🟢) Correta. Esta alternativa descreve perfeitamente a lógica do mapa: o mundo é organizado em torno de “Potências mundiais” (grandes potências econômicas) que exercem sua “influência” através de “Redes mundiais”.
  • D) (🔴) Incorreta. O mapa não sugere a dissolução de blocos. As “Áreas de influência” e a forte conexão entre os polos poderiam até ser vistas como a representação de blocos econômicos (como a UE ou o antigo NAFTA).
  • E) (🔴) Incorreta. O mapa representa a maior parte do mundo islâmico como “Semiperiferia” ou “Estado com forte identidade cultural”, não como um dos polos centrais de poder econômico mundial.

🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

6.1 Resumo do Raciocínio 📌
O mapa propõe uma nova forma de regionalizar o mundo pós-Guerra Fria, baseada não em fronteiras políticas rígidas, mas em redes de fluxos. A análise da legenda e da estrutura do mapa revela uma organização hierárquica, onde poucos centros de poder (as potências econômicas da América do Norte, Europa Ocidental e Leste Asiático) comandam as redes globais e exercem forte influência sobre as demais áreas do planeta.

6.2 Gabarito Reafirmado 📌
A resposta correta é a alternativa C.

6.3 Resumo Final para Revisão 🔍
Para entender a geografia da globalização, não olhe só para as fronteiras, olhe para os fluxos e para quem os controla. O poder no mundo contemporâneo está concentrado nos “nós” da rede global.

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