
Os recursos usados nesse pôster de divulgação de uma campanha levam o leitor a refletir sobre a necessidade de
A) criticar o tipo de tratamento dado à mulher.
B) rever o desempenho da mulher no trabalho.
C) questionar a sobrecarga de atribuições da mulher.
D) analisar as pesquisas acerca dos direitos da mulher.
E) censurar a mulher pelo uso de determinadas palavras.

✍ Resolução Em Texto
- Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- Interpretação de Linguagem Verbal e Não Verbal (Inglês Básico)
- Análise de Gênero Textual (Pôster de Campanha Social)
- Funções da Linguagem (Função Apelativa)
- Tema/Objetivo Geral: Analisar os recursos retóricos e visuais de uma peça publicitária para compreender sua mensagem principal de crítica social.
- Nível da Questão: Fácil.
- Embora a questão envolva inglês, as frases são curtas e de vocabulário relativamente comum. O principal recurso, o contraste entre a barra de busca e a frase final, é visualmente explícito e de fácil compreensão, tornando a mensagem central inequívoca.
- Gabarito: A
- A alternativa está correta porque o pôster, ao contrastar sugestões de busca misóginas com a frase “mulheres não deveriam mais sofrer discriminação”, constrói uma crítica direta ao tratamento preconceituoso dado às mulheres.
PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é: “Esta campanha publicitária usa uma imagem forte e um truque com a barra de busca do Google. Qual é a principal reflexão ou mensagem que essa combinação de recursos quer provocar em nós?”
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que o pôster é um espelho. Primeiro, ele nos mostra um reflexo feio e distorcido da realidade: as frases preconceituosas que o algoritmo de busca sugere, revelando o que muitas pessoas pensam ou pesquisam (a “barra de busca”). Em seguida, ele nos mostra como a realidade deveria ser (a frase “mulheres não deveriam mais sofrer discriminação”). A campanha nos força a olhar para esses dois reflexos — o real e o ideal — e a sentir o incômodo da diferença. A questão nos pede para entender o porquê desse incômodo.
Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
- Analisar a Cena do Crime: Vamos decodificar os dois elementos principais do pôster: a barra de busca e a frase final.
- Identificar a “Arma do Crime”: Qual é a principal técnica retórica que o pôster usa para criar impacto?
- Construir o Perfil da Mensagem: Com base na análise, vamos definir qual é a mensagem central que o pôster está tentando comunicar.
- Realizar a Autópsia: Vamos confrontar cada alternativa com o perfil da mensagem que construímos.
PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para este caso, a melhor ferramenta é uma Análise de Contraste Retórico. Vamos dissecar como o pôster usa a oposição de ideias para construir sua crítica.
DOSSIÊ: A ESTRATÉGIA DO CONTRASTE
- ELEMENTO 1: A BARRA DE BUSCA (O Reflexo da Realidade Preconceituosa)
- O que ela mostra? Sugestões de autopreenchimento baseadas em buscas reais (em 2013, quando a campanha foi criada pela ONU Mulheres).
- Frases:
- “women shouldn’t have rights” (mulheres não deveriam ter direitos)
- “women shouldn’t vote” (mulheres não deveriam votar)
- “women shouldn’t work” (mulheres não deveriam trabalhar)
- Impacto no Leitor: CHOQUE. Revela que ideias extremamente retrógradas ainda são pesquisadas e prevalecem na sociedade. A barra de busca tapa a boca da mulher, simbolizando como esse preconceito a silencia.
- ELEMENTO 2: A FRASE FINAL (A Proposta de um Ideal)
- O que ela diz? “women shouldn’t suffer from discrimination anymore” (mulheres não deveriam mais sofrer discriminação).
- Impacto no Leitor: RESOLUÇÃO E CHAMADO À AÇÃO. Oferece a conclusão correta e moralmente justa para a frase iniciada, funcionando como a tese da campanha.
- A TÉCNICA (O Veredito):
- O pôster cria uma tensão dramática ao apresentar as sugestões misóginas e depois a resolve com a frase final. Essa justaposição força o leitor a confrontar o preconceito existente e a concordar com a necessidade de mudança. A mensagem principal é uma crítica contundente ao tratamento discriminatório dado às mulheres.
PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Nossa análise da estratégia de contraste já nos deu a solução. O pôster não é sobre o desempenho das mulheres, suas atribuições ou pesquisas acadêmicas. É um grito contra uma injustiça.
- A imagem da barra de busca sobre a boca da mulher é uma metáfora visual poderosa para o silenciamento e a desumanização causados pelo preconceito.
- A campanha usa uma ferramenta moderna (o buscador da internet) para expor um problema antigo (a misoginia).
- A mensagem final não é um pedido, é uma afirmação: essa discriminação precisa acabar.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha aqui é a alternativa (D), “analisar as pesquisas acerca dos direitos da mulher”. O candidato vê a “barra de pesquisa” e pode pensar que o pôster é um convite para pesquisar mais sobre o assunto. O erro é interpretar a barra de busca literalmente. Ela não é uma ferramenta para o leitor usar, mas sim uma evidência do crime, um espelho do preconceito que a campanha quer denunciar.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: A investigação mostra que o pôster utiliza o contraste entre sugestões de busca preconceituosas e uma frase de empoderamento para expor e denunciar a discriminação sistêmica contra as mulheres.
- Expectativa: A alternativa correta deve refletir essa função de crítica ao tratamento social dado às mulheres.
PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
Vamos agora interrogar cada um dos suspeitos.
- A) criticar o tipo de tratamento dado à mulher.
- Análise de Correspondência: Esta alternativa é o retrato falado da nossa Bússola. O pôster expõe frases que representam um “tratamento” social (negação de direitos, de voto, de trabalho) e o critica abertamente.
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
- B) rever o desempenho da mulher no trabalho.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato foca na frase “women shouldn’t work” e a interpreta como uma discussão sobre a qualidade do trabalho feminino.
- O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. O pôster não discute o desempenho no trabalho, mas sim o direito de trabalhar. A crítica é sobre o preconceito que nega esse direito, não sobre a performance.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
- C) questionar a sobrecarga de atribuições da mulher.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato pensa em outra pauta feminista comum (a jornada dupla/tripla) e a projeta na imagem.
- O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. O pôster fala sobre a negação de direitos básicos, e não sobre o excesso de tarefas domésticas ou profissionais.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
- D) analisar as pesquisas acerca dos direitos da mulher.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato cai na “Armadilha Clássica”, interpretando a barra de busca de forma literal.
- O “Diagnóstico do Erro”: Interpretação Literal de um Recurso Retórico. A barra de busca não é um convite à pesquisa, mas uma forma de expor o preconceito existente.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
- E) censurar a mulher pelo uso de determinadas palavras.
- A “Narrativa do Erro”: Uma leitura completamente invertida da mensagem.
- O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta. O pôster não censura a mulher; ele denuncia a censura e o silenciamento que ela sofre, simbolizados pela barra de busca sobre sua boca.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa A é a correta. Este caso demonstra o poder da publicidade social em usar elementos do cotidiano, como uma barra de busca, para revelar verdades incômodas e provocar uma reflexão crítica sobre o estado da sociedade.
Resumo-flash (A Imagem Mental): O Google não pensa, ele reflete. O pôster usou esse reflexo para nos mostrar o quão suja a nossa “mente coletiva” ainda pode ser.
Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de usar dados de busca para revelar preconceitos sociais ocultos é uma ferramenta poderosa na Sociologia Digital. Pesquisadores analisam dados anônimos de busca do Google para estudar racismo, misoginia, homofobia e outras formas de preconceito que as pessoas talvez não admitam em pesquisas de opinião tradicionais. Por exemplo, estudos já mostraram picos de buscas por piadas racistas durante certos eventos políticos. Essa análise de dados de busca funciona como um “raio-X” da sociedade, revelando “fraturas” sociais que não são visíveis na superfície. A campanha da ONU foi uma precursora artística dessa metodologia científica.