
Você abre a inscrição do Sisu, escolhe Medicina e trava numa tela: modalidade de concorrência. Ampla concorrência, escola pública, renda, pretos, pardos e indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência. Cada opção tem uma nota de corte diferente, e uma escolha errada pode custar a vaga ou a matrícula.
As cotas no Sisu são vagas reservadas por lei nas universidades e institutos federais para quem fez todo o ensino médio em escola pública. O problema é que essas regras mudaram em 2023, e muita coisa que circula por aí ainda descreve o modelo antigo.
Neste artigo, você entenderá como a Lei de Cotas funciona hoje e quais são as modalidades de concorrência do Sisu. Também vai ver quem pode usar cada uma, que documentos comprovam a escolha e quanto a nota de corte de Medicina muda de uma modalidade para outra. Continue a leitura!
Confira a seguir:
ToggleComo funciona a Lei de Cotas no Sisu?
As cotas no Sisu seguem a Lei nº 12.711/2012, conhecida como Lei de Cotas. Ela obriga universidades e institutos federais a reservar, em cada curso e turno, no mínimo 50% das vagas para estudantes que fizeram todo o ensino médio em escola pública.
Dentro dessa reserva existe uma divisão. Das vagas reservadas, metade é para candidatos com renda familiar de até 1 salário mínimo por pessoa. A outra metade não tem limite de renda.
Nos dois grupos, uma parte das vagas é destinada a pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência. Essa parte segue a proporção desses grupos na população de cada estado, segundo o IBGE.
Em novembro de 2023, a Lei nº 14.723 atualizou o sistema. Segundo a Agência Senado, as principais mudanças foram essas:
- o limite de renda caiu de 1,5 para 1 salário mínimo por pessoa da família;
- quilombolas passaram a ter reserva própria;
- o cotista passou a disputar primeiro as vagas de ampla concorrência;
- a política deve ser avaliada a cada dez anos.
Essas regras valem desde o Sisu 2024.
Quem escolhe cota concorre primeiro na ampla
Essa terceira mudança é a que mais pesa na sua estratégia. Hoje, quem escolhe uma modalidade de cota entra primeiro na classificação da ampla concorrência. Se a nota for suficiente para passar ali, a vaga sai pela ampla, e a vaga de cota fica livre para o próximo cotista.
Só quem não alcança o corte da ampla passa a disputar dentro da própria modalidade. Na prática, optar pela cota a que você tem direito não tira nenhuma chance. Só soma.
Um detalhe importante: a Lei de Cotas vale para instituições federais. Universidades estaduais seguem políticas próprias, definidas por lei estadual ou pelo conselho da universidade. Quando uma estadual oferece vagas no Sisu, as regras de reserva dela estão no edital da própria instituição.
Quais são as modalidades de concorrência do Sisu?
Na inscrição, você tem três caminhos possíveis: a ampla concorrência, as modalidades da Lei de Cotas e as ações afirmativas próprias de cada instituição.
A ampla concorrência é aberta a qualquer candidato, sem nenhum requisito além da nota do Enem. Já as modalidades de concorrência do Sisu ligadas à Lei de Cotas são oito, e todas exigem o ensino médio completo em escola pública.
A Universidade Federal do Ceará, no guia do Sisu 2026, explica a lógica dos códigos: L vem de Lei de Cotas, B indica baixa renda e I indica que a renda não é critério.
| Código | Renda familiar por pessoa | Quem pode concorrer |
| LB_PPI | Até 1 salário mínimo | Pretos, pardos ou indígenas de escola pública |
| LB_Q | Até 1 salário mínimo | Quilombolas de escola pública |
| LB_PCD | Até 1 salário mínimo | Pessoas com deficiência de escola pública |
| LB_EP | Até 1 salário mínimo | Qualquer estudante de escola pública |
| LI_PPI | Qualquer renda | Pretos, pardos ou indígenas de escola pública |
| LI_Q | Qualquer renda | Quilombolas de escola pública |
| LI_PCD | Qualquer renda | Pessoas com deficiência de escola pública |
| LI_EP | Qualquer renda | Qualquer estudante de escola pública |
Se você já viu siglas como L1, L2 ou L5, saiba que elas são a nomenclatura antiga, anterior a 2024. Algumas universidades ainda usam numeração própria nos editais, então vale conferir a tabela de equivalência da instituição que você escolher.
No sistema, as modalidades aparecem para cada opção de curso. Você pode escolher uma modalidade diferente para a primeira e a segunda opção, desde que tenha direito às duas.
Quem pode concorrer por cotas no Sisu?
O requisito comum a todas as cotas no Sisu é ter cursado todo o ensino médio em escola pública. Todos os anos, sem exceção. Se você fez um ano em escola particular, mesmo com bolsa integral, perde o direito à reserva.
Segundo a UFC, escolas comunitárias do campo conveniadas com o poder público também contam. Casos como EJA e certificação pelo Encceja têm regras específicas, então confira o edital da instituição.
A partir desse requisito, cada modalidade acrescenta um critério.
Baixa renda (modalidades LB)
Aqui, a renda familiar bruta mensal precisa ser de até 1 salário mínimo por pessoa. Em 2026, pelo decreto do governo federal, o salário mínimo é de R$ 1.621. O valor de referência é o vigente na data definida em cada edital.
O cálculo é simples: some a renda bruta de todas as pessoas que moram na sua casa e divida pelo número de moradores. Numa família de quatro pessoas com renda total de R$ 5.600, a renda por pessoa é de R$ 1.400. Dentro do limite.
Cada universidade define quais meses de renda entram na conta e quais rendimentos são considerados. Por isso, faça a conta com o edital aberto, e não de cabeça.
Pretos, pardos e indígenas (modalidades PPI)
A entrada é por autodeclaração. Para pretos e pardos, muitas federais fazem uma banca de heteroidentificação, que avalia as características físicas do candidato e confirma (ou não) a autodeclaração.
Para indígenas, as universidades costumam pedir um documento de pertencimento étnico, conforme o edital.
Quilombolas (modalidades Q)
Em geral, é preciso apresentar uma declaração da comunidade quilombola, assinada pela liderança ou associação local.
Pessoas com deficiência (modalidades PCD)
A comprovação é feita com laudo médico recente, que indique o tipo de deficiência e o código da CID. Depois, uma comissão da universidade avalia o laudo.
Como funcionam as ações afirmativas e bônus de cada universidade?
Além das cotas da lei, cada instituição pode criar as próprias ações afirmativas. Elas não substituem a Lei de Cotas, só somam a ela. O edital do Sisu permite essa adesão, e cada universidade decide se vai usar, para quem e com quais critérios.
Como explica o portal Quero Bolsa, com base nas regras do Sisu 2026, elas aparecem em dois formatos:
- bônus na nota: a universidade acrescenta uma porcentagem à sua média, e você disputa a vaga com a nota bonificada. É comum em políticas de inclusão regional, voltadas a estudantes de determinada região;
- vagas adicionais: a instituição cria vagas extras para grupos definidos por ela, como refugiados ou indígenas. Essas vagas não entram na conta dos 50% da Lei de Cotas.
Para você ter uma ideia do peso de um bônus, faça uma conta hipotética: 10% sobre uma média de 740 pontos levaria a nota para 814.
Ainda segundo o Quero Bolsa, o candidato pode combinar a ampla concorrência ou uma cota com uma ação do tipo bônus e uma do tipo reserva de vagas. Os critérios mudam muito entre universidades, então leia o termo de adesão de cada instituição no portal do Sisu antes de montar suas opções.
Que documentos comprovam a modalidade na matrícula?
No Sisu, você declara a modalidade na inscrição, mas a comprovação só acontece depois da aprovação, na matrícula. É aí que muita gente perde a vaga. Os documentos mais pedidos são esses:
- escola pública: histórico escolar de todo o ensino médio e certificado (ou declaração) de conclusão;
- baixa renda: comprovantes de renda de todos os moradores da casa, como contracheques, carteira de trabalho, extratos e declaração de Imposto de Renda, além de documentos que comprovem quem mora com você;
- pretos e pardos: autodeclaração assinada e participação na banca de heteroidentificação, quando houver;
- indígenas: autodeclaração e documento de pertencimento étnico;
- quilombolas: autodeclaração e declaração da comunidade;
- pessoas com deficiência: laudo médico com CID e, em alguns casos, exames e relatórios complementares.
A lista exata está no edital de matrícula de cada universidade. Se algum documento faltar ou a comissão não validar a modalidade, a matrícula é indeferida, mesmo com nota suficiente.
O prazo entre o resultado e a matrícula costuma ser curto. Por isso, a dica é juntar a papelada antes de sair a lista de aprovados. Se você pediu a isenção da taxa do Enem por renda, parte desses comprovantes já deve estar em mãos.
A nota de corte de Medicina muda muito entre as modalidades?
Muda, e bastante. A nota de corte depende de quantas vagas cada modalidade tem e de quantas pessoas disputam por elas. Veja o exemplo de Medicina na UFMG no Sisu 2026, segundo a tabela de máximos e mínimos da universidade, divulgada pelo jornal O Tempo:
| Modalidade | Nota de corte |
| Ampla concorrência | 818,50 |
| Escola pública, qualquer renda | 808,46 |
| Escola pública, renda até 1 salário mínimo | 781,44 |
| Pretos, pardos e indígenas, qualquer renda | 764,12 |
| Pretos, pardos e indígenas, renda até 1 salário mínimo | 744,10 |
Entre a ampla concorrência e a modalidade LB_PPI, a diferença passa de 74 pontos. Mesmo assim, nenhuma dessas notas é baixa. Passar em Medicina por cotas no Sisu continua exigindo uma nota de alto nível, porque a disputa dentro de cada modalidade também é forte.
Como escolher a sua modalidade
A regra prática tem três passos:
- liste todas as modalidades a que você tem direito — escola pública, renda, autodeclaração, deficiência;
- elimine as que você não consegue comprovar — se falta histórico, se a renda está no limite ou se você não tem a declaração da comunidade, a vaga corre risco na matrícula;
- escolha a mais específica entre as que sobraram — como você disputa a ampla primeiro, a modalidade de cota só entra em jogo se a nota não bastar ali.
Lembre-se também de que o Sisu 2026 passou a aceitar a melhor nota das três últimas edições do Enem. Isso deixou as notas de corte mais altas para todo mundo. E a sua média no Sisu é ponderada pelos pesos que cada curso define, a partir das notas da TRI do Enem.
Use a nota de corte para definir uma meta, e não como motivo para desanimar. Se você está se sentindo perdido com tantos números, olhe para a nota da sua modalidade e calcule quantos pontos faltam por área. Esse é o plano de estudo que importa.
Para transformar a nota de corte em uma meta concreta, leia o artigo “Nota de corte para Medicina: o que é, como consultar e qual meta estabelecer”. E siga o professor Pedro Assaad no Instagram para acompanhar cada atualização do nicho Enem.
Perguntas frequentes sobre cotas no Sisu
O que são as cotas no Sisu?
As cotas no Sisu são vagas reservadas pela Lei nº 12.711/2012 nas universidades e institutos federais. Pelo menos 50% das vagas de cada curso e turno vão para quem fez todo o ensino médio em escola pública. Dentro dessa reserva, há divisões por renda familiar, para pretos, pardos e indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência. São oito modalidades de concorrência no total.
Quem estudou em escola particular com bolsa pode usar cotas no Sisu?
Não. As cotas no Sisu exigem que todo o ensino médio tenha sido cursado em escola pública. Um único ano em escola particular, mesmo com bolsa integral, tira o direito à reserva. Escolas comunitárias do campo conveniadas com o poder público costumam ser aceitas. Para casos como EJA e certificação pelo Encceja, confira as regras no edital da instituição.
Qual é o limite de renda para as cotas no Sisu?
Nas modalidades de baixa renda, a renda familiar bruta mensal precisa ser de até 1 salário mínimo por pessoa. Esse limite vale desde a Lei nº 14.723/2023, que reduziu o teto anterior de 1,5 salário mínimo. Para calcular, some a renda bruta de todos os moradores da casa e divida pelo número de pessoas. Cada edital define os meses considerados.
Se eu escolher cota, deixo de concorrer na ampla concorrência?
Não. Desde 2024, quem escolhe uma modalidade de cota disputa primeiro as vagas de ampla concorrência. Se a nota for suficiente, a aprovação sai pela ampla, e a vaga reservada fica para outro cotista. Só quem não alcança o corte da ampla concorre dentro da própria modalidade. Por isso, escolher a cota a que você tem direito só aumenta suas chances.
Posso mudar a modalidade de concorrência durante a inscrição do Sisu?
Sim. Durante o período de inscrição, você pode alterar cursos e modalidades de concorrência quantas vezes quiser. Vale a última escolha confirmada antes do fim do prazo. Use as parciais de nota de corte com cautela e não troque para uma modalidade que você não consegue comprovar com documentos na matrícula.
O que acontece se eu não comprovar a cota na matrícula?
A matrícula é indeferida e você perde a vaga, mesmo com nota suficiente. Cada universidade publica a lista de documentos exigidos para cada modalidade, como histórico escolar, comprovantes de renda, autodeclaração ou laudo médico. Por isso, antes de escolher uma modalidade nas cotas no Sisu, confirme que você consegue reunir toda a documentação pedida no edital.
Artigo escrito por
Plataforma Assaad


