
De acordo com o G1, o Inep anulou três questões do Enem 2025 após identificar similaridade com itens publicados online antes da aplicação do exame. A autarquia também acionou a Polícia Federal para investigar o possível vazamento.
A decisão repercutiu entre candidatos e especialistas, sobretudo pela gravidade do ocorrido e pelo impacto estatístico que a retirada desses itens gera no cálculo das notas — especialmente em cursos de alto desempenho, como Medicina.
Neste artigo, você entenderá por que as questões foram anuladas, o que diz o Inep, como funciona a classificação de um “vazamento”, quais foram as análises feitas pelo professor Pedro Assaad e como isso afeta a disputa pelas vagas. Continue a leitura!
Confira a seguir:
TogglePor que o Inep anulou três questões do Enem 2025?
A anulação ocorreu após o Inep confirmar que três itens exibiam “similaridade substancial” com questões que circulavam na internet antes da aplicação da prova.
Segundo o órgão, esse material não deveria ter sido utilizado, já que os itens do Banco Nacional de Itens possuem caráter sigiloso.
O Inep classificou o episódio como potencial fraude e abriu investigação junto à Polícia Federal para identificar a origem do problema e se houve intenção deliberada de vazamento. Mesmo sem conclusão oficial, a anulação busca preservar a isonomia do exame.
Porém, o que chama atenção é que o número de questões vazadas é muito maior do que as anuladas oficialmente.
Estima-se que pelo menos 8 a 10 questões foram comprometidas, entre elas temos problemas de matemática, probabilidade, ecologia e física, que apareceram idênticos ou quase idênticos no Exame Nacional do Ensino Médio.
O que caracteriza um vazamento de prova no Enem?
Para o professor Pedro Assaad, especialista em conteúdo para ENEM na Plataforma Assaad, há distinções importantes entre erros de prova, coincidências e um vazamento real. Segundo ele:
- um erro de impressão não é vazamento;
- uma questão parecida com um item já existente também não configura fraude;
- vazamento ocorre quando um conteúdo sigiloso é divulgado antes da aplicação — e afeta diretamente a disputa.
No caso de 2025, tudo indica que os itens anulados tinham “grau de semelhança incompatível com coincidência”, reforçando o critério adotado pelo Inep.
As três questões anuladas: o que se sabe até agora
Com base no documento de referência e na análise feita pelo Mestre Assaad, os itens anulados pertenciam às áreas:
- Ciências da Natureza;
- e Matemática.
Embora o conteúdo completo das questões não tenha sido divulgado, Pedro explica que o Inep não costuma expor detalhes para evitar reforçar vulnerabilidades do Banco de Itens. O importante é entender que:
- itens anulados não compõem a TRI, o que altera a calibragem estatística;
- estudantes que acertaram perdem a chance de subir a nota;
- erros conceituais ou dificuldades reais não são mensurados nesses itens, o que reduz a capacidade discriminativa da prova.
Por que a anulação aprofunda a sensação de injustiça?
A anulação das questões vazadas, embora pareça uma medida justa à primeira vista, acaba criando um cenário ainda mais injusto para os candidatos que não tiveram acesso ao conteúdo vazado e mesmo assim acertaram as questões. Veja!
Perda de itens fáceis e médios prejudica o candidato dedicado
Segundo Pedro, “boa parte da prova é feita para separar quem estudou de quem não estudou”. Quando questões de dificuldade baixa ou média são retiradas, o estudante que realmente dominava o conteúdo deixa de ser recompensado por isso.
Os candidatos que tiveram acesso às questões vazadas continuam com vantagem, pois acertaram outras perguntas comprometidas que não foram anuladas, mantendo o benefício da fraude.
A TRI perde precisão na faixa que define aprovação em Medicina
Medicina em federais costumam exigir notas acima de 760–800 pontos. Itens anulados reduzem a diversidade estatística necessária para estimar a nota com precisão. O resultado são pequenas variações que podem derrubar candidatos bem preparados.
A anulação beneficia quem errou
Aqueles que não conseguiram responder corretamente as questões anuladas passam a ser beneficiados, pois essas perguntas são descartadas da correção. Em um exame onde cada ponto conta, isso modifica a dinâmica competitiva.
A frase usada por Assaad descreve bem o tamanho da distorção:
“Quando o Inep anula, ninguém erra — e isso é profundamente injusto com quem acertou.”
Esse desequilíbrio cria uma situação na qual a anulação aprofunda a injustiça, ao invés de corrigi-la.
O impacto do vazamento no desempenho dos candidatos
O vazamento não foi um incidente isolado, mas possivelmente parte de uma ação articulada. Segundo relatos, grupos organizados prepararam pré-testes com centenas ou milhares de questões prováveis, memorizando-as para garantir vantagem no exame oficial.
Isso caracteriza uma ilegalidade grave que precisa ser investigada e punida. Além disso, a anulação de questões não afeta todos os perfis de estudantes da mesma forma. Veja os efeitos principais!
1. Redução das chances de subir pela curva da TRI
A TRI depende de um conjunto diversificado de itens para medir o padrão de acertos do aluno. Com a retirada de três itens:
- há menos pontos possíveis;
- o modelo estatístico “confia” menos no desempenho;
- a sensibilidade da correção diminui.
Para quem busca Medicina, essa perda é muito significativa.
2. Mudança no peso estatístico das questões restantes
Quando itens saem da prova:
- questões difíceis podem ganhar influência desproporcional;
- erros inesperados passam a custar mais;
- a prova fica menos estável.
É por isso que consideramos esse episódio a maior injustiça do ENEM nos últimos anos.
3. Aumento do efeito aleatório (sorte)
Com menos itens na composição final, o fator variabilidade sobe. Isso faz com que:
- estudantes com desempenho intermediário possam ser favorecidos;
- alunos muito preparados tenham menor margem para mostrar domínio real.
Por que esse caso de 2025 é considerado tão grave?
Esse episódio tem três agravantes que devem ser considerados:
- envolve múltiplas áreas da prova: não foi um erro localizado. Foi um problema distribuído entre áreas diferentes, o que aumenta a suspeita de falha sistêmica;
- as questões eram de temas recorrentes: diferente de itens muito específicos, essas questões anuladas eram de assuntos previsíveis — o que prejudica ainda mais quem dominou o conteúdo;
- o Inep confirmou similaridade com materiais públicos: a autarquia reconheceu oficialmente que os itens se assemelhavam a materiais divulgados na internet antes da prova — algo raro de ser admitido publicamente.
O ENEM é uma das principais portas de entrada para o ensino superior no Brasil. Vazamentos e fraudes comprometem a confiança dos estudantes, instituições e da sociedade.
Esse episódio evidencia um possível sucateamento da prova, que pode resultar na perda de sua relevância e prestígio.
O que esperar a partir de agora?
Apontamos que nesse momento, algumas mudanças devem ser tomadas para aumentar a confiança e transparência na prova. Entre elas:
- o Inep pode rever protocolos de segurança;
- o Banco Nacional de Itens provavelmente passará por auditoria;
- a investigação da PF deve levar semanas;
- cursinhos e professores devem orientar alunos a guardar registros de estudo, caso surjam novos episódios.
Enquanto isso, os estudantes precisam acompanhar as atualizações oficiais — sem cair em especulações.
Quer acompanhar análises completas, técnicas de prova, atualizações do Inep e orientações estratégicas de um dos maiores especialistas do Brasil? Acesse agora o canal do YouTube do Pedro Assaad e fique por dentro de tudo!
Em resumo
Por que o Inep anulou apenas três questões se mais foram vazadas?
O INEP optou por anular apenas as questões com vazamento comprovado e identificado. No entanto, isso não cobre todo o conjunto de perguntas comprometidas, criando uma situação injusta para quem acertou as outras questões vazadas.
Como a anulação prejudica os candidatos honestos?
Candidatos que acertaram as questões anuladas perdem esses pontos, enquanto aqueles que erraram são beneficiados, já que as perguntas deixam de contar na nota final. Aqueles que fraudaram, puderam acertar mais de três questões.
O que pode ser feito para evitar fraudes no Enem?
É necessária uma revisão dos protocolos de segurança, investigações rigorosas e punições exemplares para quem comete ou se beneficia das fraudes.
Quais alternativas os estudantes têm diante dessa situação?
Focar em estudos sólidos, cursos preparatórios confiáveis e métodos legítimos de preparação é a melhor forma de garantir sucesso, independentemente dos problemas na prova.
Como fazer uma preparação inteligente para o ENEM?
- invista em cursos confiáveis;
- pratique com provas anteriores e exercícios diversificados;
- desenvolva o raciocínio lógico e a resolução de problemas complexos;
- mantenha uma rotina de estudos equilibrada, com foco e disciplina.
Artigo escrito por
Plataforma Assaad