Revistas terão de informar uso de editor de imagens
Todos os anúncios veiculados em jornais e revistas terão de informar ao leitor se houve uso de software para manipular imagens de pessoas. É isso o que diz uma lei recém-aprovada em Israel. O objetivo é evitar que a publicidade divulgue imagens de modelos magras demais, que supostamente estimulam transtornos alimentares em jovens. O parlamento francês está discutindo uma medida similar, porém mais dura — até embalagens de produtos e imagens de campanhas políticas teriam de revelar o uso de um software de edição de imagens.
Disponível em: http://super.abril.com.br. Acesso em: 10 jul. 2012 (adaptado).
A expressão “medida similar” auxilia a progressão das ideias no texto, pois foi empregada com a finalidade de
A) apresentar uma observação crítica em relação ao conteúdo da lei que está sendo aprovada no parlamento francês.
B) impor erudição ao texto, objetivando atender às especificidades do público leitor a que se destina a notícia veiculada.
C) incluir no texto a informação de que a lei aprovada pelo parlamento francês, por ser mais rigorosa, retifica a lei israelense.
D) estabelecer relação entre uma lei que está sendo discutida no parlamento francês e outra aprovada recentemente em Israel.
E) antecipar a informação de que embalagens de produtos e imagens de campanhas políticas deveriam informar o uso de editor de imagens.

✍ Resolução Em Texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- Coesão e Coerência Textual
- Função dos Conectivos e Expressões de Referência
- Interpretação de Texto
Tema/Objetivo Geral:
Identificar a função de um elemento coesivo (“medida similar”) na articulação e progressão das ideias de um texto informativo.
Nível da Questão:
- Médio. A questão não testa apenas a compreensão do conteúdo, mas a percepção da arquitetura do texto. O candidato precisa entender o papel funcional de uma expressão, ou seja, como o texto é construído, e não apenas o que ele diz. Isso exige uma leitura mais analítica e um conhecimento sobre mecanismos de coesão.
Gabarito: D
- A expressão “medida similar” funciona como uma ponte, conectando a informação já apresentada sobre a lei em Israel com a nova informação sobre a discussão na França.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo: A pergunta é direta e funcional: qual é o trabalho da expressão “medida similar” dentro do texto? Para que o autor a colocou ali?
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que um texto é uma viagem entre duas ilhas. A primeira ilha é a “Ilha da Lei de Israel”. A segunda é a “Ilha da Lei da França”. O autor precisa construir uma ponte para nos levar de uma à outra de forma segura e lógica. A expressão “medida similar” é essa ponte. Nossa missão de detetive não é descrever as ilhas, mas sim entender para que serve a ponte que as conecta.
Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
- Analisar o Mapa: No Passo 2, vamos desvendar nossa principal ferramenta: um diagrama que visualiza essa viagem entre as ilhas e a função da ponte.
- Seguir o Caminho: No Passo 3, usaremos o mapa (nossa imagem) para percorrer o texto, identificando cada parte da viagem.
- Definir a Função da Ponte: Com base na nossa jornada visual, concluiremos qual é o trabalho exato da expressão “medida similar”.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Função Pedagógica Ampliada: Detetive, a ferramenta que temos em mãos não é apenas uma dica, é a planta baixa, o mapa do tesouro, o dossiê completo que revela a estratégia do autor. Antes de ler o texto, vamos nos tornar peritos neste diagrama. A imagem que nos foi dada é a chave mestra, e nossa primeira missão é dissecar cada detalhe dela. Ao entender perfeitamente o mapa, encontrar o tesouro no texto se tornará uma simples consequência.
Uma imagem poderosa pode transformar um conceito abstrato em uma memória inquestionável. A ilustração a seguir é a materialização da tese que investigamos.

(A Ponte da Coesão Textual)
Vamos conduzir uma análise forense, passo a passo, de cada componente do nosso mapa visual:
- Dissecando a Evidência 1: A Ilha de Partida (A Margem Esquerda)
- O que vemos? Vemos uma base, uma plataforma que representa um bloco de informação consolidado.
- O Ícone Geográfico: A bandeira de Israel nos diz onde a história começa. Ela estabelece o contexto inicial.
- O Ícone Temático: O símbolo do documento nos diz o que é o assunto: uma lei, um registro formal.
- O Ícone de Status: O grande carimbo verde com o símbolo de “correto” (✔️) é a informação crucial aqui. Ele nos informa a condição dessa lei: ela está aprovada, finalizada, concluída. Portanto, a Ilha da Esquerda representa uma ideia-base, um fato já estabelecido.
- Dissecando a Evidência 2: A Ponte (O Conector Central)
- O que vemos? Vemos a estrutura de uma ponte de arco, um objeto cuja única e exclusiva função no mundo é conectar dois pontos separados. Ela não é o ponto de partida nem o de chegada; ela é o caminho.
- O Ícone de Função: Sobre a ponte, vemos o símbolo mais importante de todos: o elo de corrente (🔗). Este ícone é a representação universal de link, conexão, relação. Ele não deixa dúvidas: o trabalho desta peça é estabelecer uma relação.
- O Fluxo de Leitura: A grande seta cinza que passa sobre a ponte indica a direção da viagem intelectual que o autor quer que façamos: da informação já conhecida (Ilha da Esquerda) para a nova informação (Ilha da Direita).
- Dissecando a Evidência 3: A Ilha de Chegada (A Margem Direita)
- O que vemos? Vemos outra base, outro bloco de informação, para onde a ponte nos leva.
- O Ícone Geográfico: A bandeira da França nos diz para onde fomos. É o novo contexto.
- O Ícone Temático: O símbolo do documento é o mesmo, nos dizendo que o assunto continua sendo uma lei.
- O Ícone de Status: Aqui está a diferença crucial. Em vez do carimbo de “aprovado”, temos um balão de diálogo azul (💬). Este ícone representa conversa, debate, algo que está em andamento, em discussão. Portanto, a Ilha da Direita representa uma ideia nova, um fato ainda não consolidado.
Conclusão da Ferramenta: Nosso mapa visual é claríssimo. Ele nos mostra duas ideias separadas e uma ferramenta central cuja única função é criar uma relação entre elas, permitindo que o leitor saia de um fato consumado para um fato em discussão. A expressão “medida similar” tem que ser a ponte.
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Função Pedagógica Ampliada: Agora, com nosso domínio completo do mapa, vamos à fase de “Perícia Cruzada”. Iremos confrontar cada trecho do texto (as pistas) com os componentes do nosso diagrama (as provas visuais). A imagem não será mais uma referência; ela será o nosso gabarito visual, validando cada passo do nosso raciocínio.
Fluxograma Metódico da Investigação:
ETAPA 1: LOCALIZANDO A PRIMEIRA ILHA NO TEXTO
- Pista no Texto: O autor escreve: “Todos os anúncios […] terão de informar […] É isso o que diz uma lei recém-aprovada em Israel.”
- Prova na Imagem: Isso é, literalmente, a nossa “Ilha da Esquerda”. A correspondência é perfeita e passo a passo:
- A menção a “Israel” corresponde à bandeira de Israel (🇮🇱) em nosso mapa.
- A menção a “lei” corresponde ao ícone do documento (📄).
- A menção a “aprovada” corresponde ao carimbo verde de “correto” (✔️).
- Conclusão da Etapa 1: O autor estabeleceu solidamente a nossa base de partida. Estamos firmemente posicionados na primeira ilha.
ETAPA 2: IDENTIFICANDO A CONSTRUÇÃO DA PONTE
- Pista no Texto: Imediatamente a seguir, o autor usa a expressão: “…discutindo uma medida similar…”.
- Prova na Imagem: Esta é a construção da nossa Ponte. Vamos analisar a engenharia dessa conexão, sempre olhando para o nosso mapa:
- A palavra “medida” retoma a ideia de “lei” que estava na primeira ilha, funcionando como a rampa de acesso à ponte.
- A palavra “similar” é a estrutura principal da ponte. É ela que executa a função indicada pelo ícone do elo de corrente (🔗): criar um paralelo, uma relação, uma conexão entre a ilha de onde saímos e a ilha para onde vamos. Sem essa palavra, a frase seguinte ficaria solta, e a travessia seria impossível. A ponte é a “medida similar”.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! Olhe para o nosso mapa. A função da ponte é conectar, ponto. O que acontece depois (“porém mais dura”) é uma descrição da outra ilha, algo que só descobrimos ao chegar lá. O erro fatal é achar que a função da ponte é descrever o destino. Não, a função da ponte é apenas nos levar até lá.
ETAPA 3: CHEGANDO NA SEGUNDA ILHA
- Pista no Texto: O autor completa a ideia: “O parlamento francês está discutindo uma medida similar, porém mais dura…”
- Prova na Imagem: Atravessamos a ponte e chegamos em segurança à “Ilha da Direita”. A correspondência continua perfeita:
- A menção a “francês” corresponde à bandeira da França (🇫🇷).
- A menção a “medida” (lei) corresponde novamente ao ícone do documento (📄).
- A menção a “discutindo” corresponde perfeitamente ao nosso ícone do balão de diálogo (💬).
- Conclusão da Etapa 3: A viagem está completa. O autor nos guiou de uma ideia à outra usando uma ferramenta de coesão, e nosso mapa visual previu cada passo dessa jornada.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: A nossa perícia, guiada a todo momento pela imagem, prova sem sombra de dúvidas que o trabalho da expressão “medida similar” é puramente estrutural. É uma peça de engenharia textual, uma ponte, cuja única função é estabelecer uma relação entre a informação A (já conhecida) e a informação B (que será apresentada).
- Expectativa: A alternativa correta precisa descrever a função da PONTE, e não das ILHAS. Ela deve, portanto, falar sobre conectar, relacionar, ou estabelecer um paralelo.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) apresentar uma observação crítica em relação ao conteúdo da lei que está sendo aprovada no parlamento francês.
- Análise de Correspondência: Não corresponde. A ponte não julga a ilha de chegada; ela apenas leva até lá. A expressão “similar” é comparativa, não crítica.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
B) impor erudição ao texto, objetivando atender às especificidades do público leitor a que se destina a notícia veiculada.
- Análise de Correspondência: Não corresponde. A ponte é uma necessidade estrutural para o texto não desmoronar, não um enfeite para parecer mais inteligente.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
C) incluir no texto a informação de que a lei aprovada pelo parlamento francês, por ser mais rigorosa, retifica a lei israelense.
- Análise de Correspondência: Não corresponde. “Retificar” é corrigir. A ponte não diz que a primeira ilha estava errada. Além disso, a segunda ilha ainda está “em discussão” (💬), não foi aprovada.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
D) estabelecer relação entre uma lei que está sendo discutida no parlamento francês e outra aprovada recentemente em Israel.
- Análise de Correspondência: Perfeito. Esta alternativa descreve exatamente a função da nossa ponte: “estabelecer relação” entre a Ilha da Direita (lei discutida na França) e a Ilha da Esquerda (lei aprovada em Israel). É a descrição verbal exata do nosso diagrama.
- Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
E) antecipar a informação de que embalagens de produtos e imagens de campanhas políticas deveriam informar o uso de editor de imagens.
- Análise de Correspondência: Não corresponde. A ponte (“medida similar”) te diz que você está indo para uma ilha parecida, mas não te conta os detalhes do que você vai encontrar lá. Ela antecipa a relação, não o conteúdo.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
- Frase de Fechamento: A alternativa (D) é a correta porque a expressão “medida similar” é uma ferramenta de coesão textual, uma ponte construída pelo autor para conectar duas ideias de forma lógica e garantir que a viagem do leitor pelo texto seja fluida e coerente.
- Resumo-flash (A Imagem Mental): A expressão não é a ilha (a notícia); é a ponte que te leva até ela.
- 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O princípio de usar uma informação conhecida para ancorar uma nova é fundamental na Programação de Computadores. Em programação, o conceito de “herança” funciona de modo parecido. Uma nova “classe” (nossa lei francesa) pode ser declarada como uma extensão de uma classe existente (a lei israelense). Ao fazer isso, ela automaticamente “herda” as características da anterior, e o programador só precisa especificar o que há de novo ou diferente. A palavra-chave que cria essa “ponte” no código funciona exatamente como a nossa “medida similar”, estabelecendo uma relação fundamental para a progressão lógica do programa.

