Questão 014 caderno azul ENEM 2008

Assinale o trecho do diálogo que apresenta um registro informal, ou coloquial, da linguagem.

A) “Tá legal, espertinho! Onde é que você esteve?!”

B) “E lembre-se: se você disser uma mentira, os seus chifres cairão!”

C) “Estou atrasado porque ajudei uma velhinha a atravessar a rua…”

D) “…e ela me deu um anel mágico que me levou a um tesouro”

E) “mas bandidos o roubaram e os persegui até a Etiópia, onde um dragão…”

✍ Resolução Em Texto

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Variação Linguística (Níveis de Fala)
    • Linguagem Formal vs. Linguagem Informal (Coloquial)
    • Interpretação de Gênero Textual (Tirinha/HQ)
  • Tema/Objetivo Geral: Identificar marcas de coloquialismo (linguagem informal) em um diálogo.
  • Nível da Questão: Fácil.
    • A questão é direta e apresenta exemplos clássicos de informalidade na língua portuguesa (“tá”, “espertinho”) que são facilmente reconhecíveis por um falante nativo. O próprio formato de tirinha de humor já sugere um registro de linguagem mais próximo da fala cotidiana.
  • Gabarito: A
    • Explicação Resumida: Esta é a única alternativa que contém marcas explícitas de informalidade, como a contração do verbo “está” para “tá” e o uso de um vocativo com tom irônico e familiar.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é: “Leia as falas dos personagens e aponte qual delas soa mais como uma conversa de verdade, em casa, e menos como um texto de livro ou de jornal.”

Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense nos níveis de linguagem como roupas. Existe a “roupa de gala” (linguagem formal), que usamos em ocasiões sérias como discursos ou documentos. E existe a “roupa de casa” (linguagem informal/coloquial), que é confortável e usamos com amigos e família. A questão nos pede para encontrar qual personagem está “vestindo” a linguagem mais casual e despojada.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):

  • Definir o Perfil do Suspeito: Primeiro, vamos criar um dossiê sobre a “Linguagem Coloquial” para saber quais pistas procurar.
  • Analisar a Cena do Crime: Vamos “passar um pente fino” em cada fala da tirinha, procurando pelas pistas listadas em nosso dossiê.
  • Comparar as Evidências: Colocaremos as falas lado a lado para ver qual delas tem a maior concentração de “marcas de informalidade”.
  • Confirmar a Identidade: Identificaremos a alternativa que, sem sombra de dúvida, corresponde ao nosso perfil.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para este caso, nossa principal ferramenta é o conhecimento sobre o que torna uma linguagem “informal”. Vamos montar um dossiê.

🕵️‍♂️ DOSSIÊ: O Linguajar Coloquial

  • Missão: Facilitar a comunicação do dia a dia de forma rápida e expressiva.
  • Pistas Comuns (Modus Operandi):
    • Contrações: “Comer” partes de palavras para falar mais rápido. A principal suspeita é a palavra “tá” no lugar de “está”.
    • Vocativos Familiares: Usar apelidos ou termos específicos para chamar alguém, muitas vezes com ironia ou afeto. Ex: “espertinho”, “querida”, “cara”.
    • Gírias: Palavras ou expressões da moda, usadas por grupos específicos.
    • Sintaxe Simplificada: Construir frases de forma mais direta, como na fala, e não como na escrita formal.

Armados com este dossiê, agora somos peritos em detectar a informalidade.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos agora investigar cada uma das falas apresentadas nas alternativas.

Investigando a Alternativa (A): “Tá legal, espertinho! Onde é que você esteve?!”

  • Análise: Vamos checar nosso dossiê.
  • Contração? SIM! A palavra “Tá” é a forma contraída de “Está”. É a impressão digital do coloquialismo.
  • Vocativo familiar? SIM! O termo “espertinho”, usado com clara ironia, é um chamado totalmente informal.
  • Veredito: Esta fala é um flagrante de informalidade. Contém duas pistas fortíssimas.

Investigando as outras alternativas (B, C, D, E):

  • (B) “E lembre-se: se você disser uma mentira, os seus chifres cairão!” – A estrutura é gramaticalmente padrão. Sem contrações ou gírias.
  • (C) “Estou atrasado porque ajudei uma velhinha a atravessar a rua…” – Usa o verbo “Estou” na sua forma completa. Linguagem padrão.
  • (D) “…e ela me deu um anel mágico que me levou a um tesouro” – Narrativa direta, sem marcas de informalidade.
  • (E) “mas bandidos o roubaram e os persegui até a Etiópia, onde um dragão…” – A gramática está correta (uso do pronome “o”). Sem coloquialismos.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨

CUIDADO! O erro mais comum aqui é confundir o conteúdo da fala com a forma da fala. A história que Hagar conta (alternativas D e E) é fantástica e absurda, mas a maneira como ele a conta (a gramática, o vocabulário) é relativamente padrão. A pergunta é sobre a “roupa” da linguagem, não sobre a loucura da história que ela conta.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: A investigação provou que a fala da alternativa (A) é a única que apresenta provas materiais e inconfundíveis de coloquialismo, conforme nosso dossiê. As outras falas, apesar de estarem em um diálogo, usam uma linguagem mais neutra ou padrão.
  • Expectativa: A alternativa correta deve ser a que contém as palavras “Tá” e “espertinho”.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos agora realizar a autópsia final de cada alternativa.

  • Alternativa A: “Tá legal, espertinho! Onde é que você esteve?!”
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa é o “culpado” perfeito. Ela corresponde a todas as pistas que procurávamos: a contração “tá” e o vocativo informal “espertinho” são as provas do crime de informalidade. Caso encerrado.
    • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
  • Alternativa B: “E lembre-se: se você disser uma mentira, os seus chifres cairão!”
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pode pensar que, por ser uma ameaça fantasiosa, a linguagem é informal.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Conteúdo com Forma. A frase está em linguagem padrão. O verbo no imperativo (“Lembre-se”) e a estrutura condicional (“se você disser…”) são gramaticalmente neutras.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • Alternativa C: “Estou atrasado porque ajudei uma velhinha a atravessar a rua…”
    • A “Narrativa do Erro”: É a fala de um personagem de tirinha, então deve ser informal.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Generalização Excessiva. Embora o contexto seja informal, esta frase específica usa a forma verbal completa (“Estou”) e uma estrutura padrão. Falta a “impressão digital” do coloquialismo.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • Alternativa D: “…e ela me deu um anel mágico que me levou a um tesouro”
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato foca na história de “faz de conta” e a associa com informalidade.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Conteúdo com Forma. A história é fantástica, mas a linguagem é uma narrativa simples e padrão, sem marcas de oralidade ou coloquialismo.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • Alternativa E: “mas bandidos o roubaram e os persegui até a Etiópia, onde um dragão…”
    • A “Narrativa do Erro”: O mesmo da alternativa D, focar na história e não na linguagem.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Conteúdo com Forma. Inclusive, o uso do pronome oblíquo “o” (“o roubaram”) é uma marca de um registro mais monitorado da língua, afastando-se do coloquialismo mais popular (que talvez usasse “roubaram ele”).
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa A é a correta, pois a informalidade da língua não é apenas uma questão de contexto, mas se revela em escolhas linguísticas concretas, como a contração “tá” e o vocativo “espertinho”.

Resumo-flash (A Imagem Mental): A língua formal usa o verbo “está” de terno e gravata; a língua informal o deixa de camiseta, chamando-o apenas de “tá”.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de adequação da linguagem (formal vs. informal) é crucial no campo do Direito. Um advogado, ao redigir uma petição para um juiz, usará a linguagem mais formal e técnica possível para demonstrar respeito e precisão. No entanto, ao conversar com seu cliente para explicar o caso, ele precisará “traduzir” o “juridiquês” para uma linguagem mais coloquial e acessível, para garantir que seja compreendido. A habilidade de transitar entre esses registros não é apenas uma questão de gramática, mas uma ferramenta estratégica de comunicação.

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