Questão 71 caderno verde ENEM 2017 Libras 1° Dia

 O desenvolvimento científico digital-molecular de certa forma des-territorializou as localizações produtivas; os novos métodos de organização do trabalho industrial também vão na mesma direção: just in time, kanban, organização flexível.

OLIVEIRA, F. As contradições do ão: globalização, nação, região, metropolização. Belo Horizonte: Cedeplar UFMG, 2004.

As mudanças descritas no texto referentes aos processos produtivos são favorecidas pela

A) ampliação da intervenção do Estado.

B) adoção de barreiras alfandegárias.

C) expansão das redes informacionais.

D) predominância de empresas locais.

E) concentração dos polos de fabricação.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Globalização e suas Fases
  • Modelos de Produção (Toyotismo)
  • Geografia Industrial e Redes Geográficas

Tema/Objetivo Geral: Compreender a relação entre a revolução informacional e as novas configurações da produção industrial no contexto da globalização.

Nível da Questão: Fácil.

  • Detalhe: A questão é considerada fácil porque o texto-base é direto e as alternativas incorretas apresentam um contraste claro com o conceito central de “des-territorialização” e produção flexível, facilitando a eliminação por lógica de oposição.

Gabarito: Alternativa C.

  • A produção “des-territorializada” e os métodos como just in time são inteiramente dependentes de uma comunicação global instantânea, que é viabilizada pela expansão das redes informacionais.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: A questão quer que a gente identifique qual é o motor, a tecnologia fundamental, que permite que as fábricas se espalhem pelo mundo e ainda assim funcionem de forma coordenada e eficiente, como descrito no texto.

Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense em uma orquestra sinfônica. Antigamente, todos os músicos precisavam estar no mesmo teatro, olhando para o mesmo maestro. Hoje, o texto descreve uma “orquestra global”, com músicos (fábricas, fornecedores) espalhados por diferentes continentes. O desafio é entender: o que funciona como o “maestro invisível” que permite que todos toquem a mesma música, no tempo exato, sem estarem no mesmo lugar?

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:

  1. Analisar as pistas do texto: Vamos decifrar os termos “des-territorializou”, “just in time” e “kanban”.
  2. Visualizar o conceito: Vamos usar um esquema visual para entender como essa produção global funciona na prática.
  3. Conectar os pontos: Vamos entender como esses conceitos se ligam para formar o novo modelo de produção.
  4. Identificar o facilitador: Com base nessa conexão, vamos deduzir qual é a infraestrutura essencial que torna tudo isso possível.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para entender o cenário descrito, precisamos abrir um dossiê sobre esse novo modo de operar da indústria: o Toyotismo ou Produção Flexível. Antes de detalhar seus métodos, vamos visualizar como essa “des-territorialização” funciona.

Uma imagem poderosa pode transformar um conceito abstrato em uma memória inesquecível. A ilustração a seguir foi criada para visualizar a essência da nossa análise, tornando a ideia central clara e impactante:

(A Dualidade da Cadeia de Suprimentos Global)
O esquema acima ilustra a espinha dorsal da indústria global moderna. Analise os dois sistemas que operam ao mesmo tempo:

  • A Cadeia Física (Linhas Brancas e Sólidas): Representa o movimento físico de peças e produtos. Note que é um caminho linear e sequencial: o design (lâmpada) leva à fabricação de componentes (chip), que leva à produção de outras partes (engrenagem) e, finalmente, à montagem (fábrica). Esse processo leva tempo (dias, semanas).
  • A Rede de Informação (Linhas Azuis e Brilhantes): Representa o fluxo de dados — ordens de produção, controle de estoque, comunicação, ajustes de design. Observe que ela conecta os pontos, formando uma teia. Ela é instantânea e permite que a fábrica de montagem final “converse” em tempo real com o centro de design ou com o fornecedor de microchips.

Este infográfico é a chave: ele mostra que, embora os produtos se movam lentamente, a coordenação que os comanda se move na velocidade da luz. Agora, vamos aos conceitos.

🕵️‍♂️ Dossiê do Caso: “A Produção Des-territorializada” 🕵️‍♂️

  • CONCEITO-CHAVE: Des-territorialização
    • O que é? É exatamente o que o nosso mapa ilustra. A produção não precisa mais estar concentrada em um único local. As etapas de fabricação (design, componentes, montagem) são espalhadas por diversos países para aproveitar vantagens locais (mão de obra, matéria-prima, impostos).
  • EVIDÊNCIA 1: Just in time (JIT)
    • Tradução: “Na hora certa”.
    • Modus Operandi: Produzir apenas o necessário, na quantidade necessária e no momento exato. O objetivo é eliminar estoques. Uma fábrica não produz um carro para depois tentar vendê-lo; ela espera a venda para então acionar toda a cadeia.
    • Requisito Fundamental: Como a rede de informação (linhas azuis) do nosso mapa permite, é preciso uma comunicação perfeita e instantânea com todos os fornecedores.
  • EVIDÊNCIA 2: Kanban
    • Tradução: “Cartão” ou “sinalização visual”.
    • Modus Operandi: É um sistema de “sinais” (hoje digitais) que autoriza a produção ou o movimento de peças. Quando uma peça é usada na linha de montagem final, um sinal digital é enviado instantaneamente pela rede azul ao fornecedor para que ele reponha aquela peça.
    • Requisito Fundamental: Um sistema de sinalização ágil e confiável.[4]

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos executar nosso plano.

  1. Analisando as pistas: O texto fala em “des-territorializar” e em métodos como “just in time”.
  2. Conectando os pontos: Como vimos no infográfico e nos conceitos, essa dança logística global, perfeitamente sincronizada, é a essência da produção flexível. Para produzir “na hora certa”, a montadora no Brasil precisa enviar um sinal digital (kanban) para um fornecedor no Japão no instante em que uma peça é utilizada.
  3. Identificando o facilitador: O que permite essa comunicação instantânea, global e confiável que vimos na rede azul do nosso esquema? A única resposta possível são as redes de informação (internet, satélites, fibra óptica).

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! O erro mais comum é focar apenas na cadeia física (as linhas brancas do nosso mapa). Sim, navios e aviões são importantes para mover as peças. Mas o que comanda e coordena todo esse movimento? É o fluxo de informação (as linhas azuis). Sem a capacidade de rastrear, comunicar e gerenciar dados em tempo real, o just in time em escala global seria impossível. O cérebro da operação é digital.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: A produção industrial moderna, flexível e des-territorializada, depende de uma coordenação que é, em sua essência, um problema de comunicação e gerenciamento de dados em escala planetária.
  • Expectativa: A alternativa correta deve apontar para a tecnologia que funciona como o sistema nervoso (a rede azul) para essa produção global.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

A) ampliação da intervenção do Estado.

  • Análise de Correspondência: Nossa Bússola procura por algo que facilite a flexibilidade. A intervenção estatal geralmente implica em mais regulação, o que pode dificultar, e não facilitar, esse fluxo global ágil.
  • A “Narrativa do Erro”: O candidato pode associar a complexidade da produção global à necessidade de um forte controle governamental, confundindo gestão empresarial com política estatal.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

B) adoção de barreiras alfandegárias.

  • Análise de Correspondência: Barreiras alfandegárias são taxas que encarecem e atrasam a circulação de peças entre países. Isso é o veneno para um sistema just in time, que depende de um fluxo rápido e de baixo custo.
  • A “Narrativa do Erro”: Fazer uma associação automática e antiquada entre “indústria nacional” e “protecionismo”, ignorando o contexto de globalização do texto.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

C) expansão das redes informacionais.

  • Análise de Correspondência: Encaixa-se perfeitamente na nossa “Expectativa”. A internet e as redes de comunicação são o “maestro invisível”, o “sistema nervoso” que permite coordenar a produção descentralizada em tempo real.
  • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

D) predominância de empresas locais.

  • Análise de Correspondência: O texto e nosso mapa descrevem o exato oposto: um processo “des-territorializado”, ou seja, globalizado, que envolve corporações transnacionais e uma cadeia de fornecedores espalhada pelo mundo.
  • A “Narrativa do Erro”: Não compreender o significado do termo “des-territorializou”.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

E) concentração dos polos de fabricação.

  • Análise de Correspondência: A palavra-chave do texto é “des-territorializou”, que significa espalhar, o oposto de concentrar.
  • A “Narrativa do Erro”: Confundir o modelo de produção atual (Toyotismo, flexível) com o modelo anterior (Fordismo), que era baseado em grandes polos industriais concentrados.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: A resposta correta é a alternativa C, pois a expansão das redes informacionais é a espinha dorsal tecnológica que sustenta a complexa coreografia da produção globalizada e flexível do século XXI.

Resumo-flash (A Imagem Mental): A indústria global é um corpo; as fábricas e fornecedores são seus membros. As redes de transporte são o sistema circulatório que move a matéria, mas as redes de informação são seu sistema nervoso, enviando comandos instantâneos para cada parte, não importa o quão distante.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio se aplica à Neurociência. O cérebro humano consegue coordenar ações complexas (correr, olhar e ouvir) porque possui uma rede neural de altíssima velocidade para transmitir informações entre áreas especializadas. Assim como a indústria des-territorializada depende das redes informacionais para funcionar, o cérebro depende da sua “rede neural” para integrar percepção e ação. Em ambos os casos, a capacidade de processar e transmitir informação é o que permite a existência de um sistema complexo e descentralizado.

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