Questão 53 do Enem 2017 Libras: irrigação na Antiguidade – resolução comentada (caderno verde)

A questão 53 do Enem 2017 Libras (caderno verde, Dia 1) é de Ciências Humanas (História) e cobra a irrigação no Egito e na Mesopotâmia. O gabarito é a alternativa C. Abaixo você confere o enunciado, a resolução passo a passo e por que cada alternativa errada engana tantos candidatos.

Enunciado da questão 53 do Enem 2017 Libras

O sistema de irrigação egípcio era muito diferente do complexo sistema mesopotâmico, porque as condições naturais eram muito diversas nos dois casos. A cheia do Nilo também fertiliza as terras com aluviões, mas é muito mais regular e favorável em seu processo e em suas datas do que a do Tigre e Eufrates, além de ser menos destruidora.

CARDOSO, C. F. Sociedades do antigo Oriente Próximo. São Paulo: Ática, 1986.


A comparação entre as disposições do recurso natural em questão revela sua importância para a

A) desagregação das redes comerciais.

B) supressão da mão de obra escrava

C) expansão da atividade agrícola.

D) multiplicação de religiões monoteístas.

E)fragmentação do poder político.

Resolução da questão 53 do Enem 2017 Libras

Resolução comentada da questão 53

Matérias necessárias para resolver a questão

  • História Antiga (Civilizações Egípcia e Mesopotâmica)
  • Geografia (Influência de rios no desenvolvimento de sociedades – Civilizações Fluviais)
  • Interpretação de Texto Comparativo

Tema e objetivo geral

Tema/Objetivo Geral: Compreender a relação fundamental entre os recursos hídricos (rios) e o desenvolvimento da principal atividade econômica das primeiras civilizações.

Nível da questão

Nível da Questão: Fácil.

  • Detalhe: A questão é considerada fácil pois aborda um dos conhecimentos mais basilares da História Antiga: a importância dos rios Nilo, Tigre e Eufrates para a agricultura, um conceito conhecido como “Crescente Fértil”. O texto é extremamente direto e utiliza palavras-chave (“irrigação”, “fertiliza”) que apontam para uma única direção, tornando as alternativas incorretas meros ruídos na investigação.

Gabarito da questão 53: alternativa C

Gabarito:C) expansão da atividade agrícola.

  • Esta alternativa está correta pois sintetiza a função primordial dos rios descrita no texto: tanto o sistema de irrigação quanto a fertilização do solo são processos diretamente ligados à prática e ao sucesso da agricultura.
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Passo 1: o que a questão pede (o mapa da mina)

🕵️‍♂️ Decodificação do Objetivo: A questão nos apresenta um pequeno laudo comparando os “métodos de operação” dos rios no Egito e na Mesopotâmia. Nossa missão é identificar qual área da sociedade foi diretamente e mais profundamente impactada por esses rios.

🧠 Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense no Egito e na Mesopotâmia como dois fazendeiros. Ambos receberam uma ferramenta poderosa e essencial: um rio. A ferramenta de um (Nilo) era mais previsível e fácil de usar. A do outro (Tigre e Eufrates) era mais temperamental e perigosa. O verdadeiro desafio aqui não é focar nas diferenças entre as ferramentas, mas entender para qual trabalho fundamental ambos os fazendeiros usavam suas ferramentas.

📋 Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:

  1. Isolar as Palavras-Chave: Vamos “escanear” o texto e sublinhar os termos que descrevem a função dos rios.
  2. Identificar o Campo Semântico: Veremos a qual “universo” de atividades essas palavras pertencem.
  3. Construir o Perfil da Resposta: Com base nesse universo, vamos prever como deve ser a alternativa correta.

Passo 2: irrigação na Antiguidade

Para este caso, a melhor ferramenta é uma Tabela Comparativa de Evidências. Ela nos ajudará a organizar as pistas do texto e a visualizar o padrão.

CRITÉRIO DE ANÁLISE🇪🇬 EGITO (RIO NILO)🇮🇶 MESOPOTÂMIA (TIGRE E EUFRATES)🎯 CONCLUSÃO CENTRAL
Recurso NaturalRio NiloRios Tigre e EufratesAmbos dependem de rios.
Uso PrincipalSistema de irrigaçãoSistema de irrigação complexoO objetivo comum é IRRIGAR.
Efeito da CheiaFertiliza as terras com aluviõesCheia menos favorável, destruidoraApesar das diferenças, o efeito desejado é a FERTILIZAÇÃO.
RegularidadeMuito mais regular e favorávelIrregular e menos favorávelA previsibilidade muda, mas a função não.

A tabela deixa claro: embora a forma como os rios operam seja diferente, o propósito para o qual foram aproveitados é idêntico: sustentar a produção de alimentos.


Passo 3: resolução passo a passo (mão na massa)

Vamos executar nosso plano.

Passo 1 e 2: Ao escanear o texto, as palavras que saltam aos olhos são: “irrigação“, “fertiliza” e “aluviões” (sedimentos ricos em nutrientes trazidos pelo rio). Todas essas palavras pertencem a um único campo semântico, a um mesmo universo de ideias: o da agricultura.

ARMADILHA CLÁSSICA!
CUIDADO! A armadilha mais sedutora aqui é se perder na comparação “melhor vs. pior”. O texto gasta um tempo detalhando como o Nilo era “mais regular e favorável” e o Tigre/Eufrates “mais destruidor”. Um detetive apressado poderia concluir que a questão é sobre estabilidade política ou desastres naturais. Mas o comando é claro: ele pede a importância do recurso, ou seja, sua função principal, que é a mesma nos dois lugares, independentemente do nível de dificuldade.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O texto descreve como duas civilizações diferentes usavam seus rios. As palavras-chave utilizadas (irrigação, fertilização) apontam inequivocamente para o mesmo setor fundamental da economia e sobrevivência.
  • Expectativa: A alternativa correta deve, obrigatoriamente, mencionar a agricultura ou uma atividade sinônima, como a produção de alimentos ou o cultivo da terra.

Passo 4: alternativas comentadas (a autópsia)

Confrontando os suspeitos com nosso perfil:

A) desagregação das redes comerciais.

  • A “Narrativa do Erro”: O aluno pensa que um rio “destruidor” (Tigre/Eufrates) poderia destruir rotas comerciais.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Histórica e Fuga ao Tema. Historicamente, os rios foram as primeiras grandes vias de comércio, não obstáculos. Além disso, o foco do texto não é comércio, mas sim produção.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

B) supressão da mão de obra escrava.

  • A “Narrativa do Erro”: Uma lógica falha de que um rio “favorável” (Nilo) diminuiria a necessidade de trabalho forçado.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. O texto não fornece nenhuma informação sobre a organização do trabalho ou sistemas sociais, como a escravidão. É uma inferência sem base no material fornecido.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

C) expansão da atividade agrícola.

  • Análise de Correspondência: Encaixe perfeito. “Irrigação” e “fertilização” são os dois pilares que permitem a expansão da atividade agrícola. O texto descreve exatamente os mecanismos que tornaram a agricultura de larga escala possível nessas regiões.
  • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

D) multiplicação de religiões monoteístas.

  • A “Narrativa do Erro”: O aluno lembra que o monoteísmo surgiu no Oriente Próximo e faz uma associação geográfica aleatória.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Anacronismo e Fuga ao Tema. As religiões dessas civilizações na Antiguidade eram politeístas. Mais importante, o texto trata de geografia e economia, não de teologia.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

E) fragmentação do poder político.

  • A “Narrativa do Erro”: A ideia de que um rio irregular e destruidor levaria à instabilidade e divisão do poder.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Histórica (parcial). No caso do Egito, a regularidade do Nilo foi um fator que ajudou a centralizar o poder. Na Mesopotâmia, a situação era mais complexa, mas a necessidade de grandes obras de irrigação também impulsionou a formação de Estados centralizados. De qualquer forma, o foco do texto não é a política.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

Passo 5: resumo e aprendizagem expandida

🕵️‍♂️ Frase de Fechamento: Confirmamos, sem sombra de dúvida, que a resposta correta é a letra C, pois o texto demonstra que, apesar de suas personalidades distintas, os rios do Egito e da Mesopotâmia tinham a mesma vocação: ser o motor da expansão agrícola.

💡 Resumo-flash (A Imagem Mental): Para Egito e Mesopotâmia, o rio não era paisagem, era a ferramenta e o adubo da grande fazenda que alimentava o império.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de que “uma infraestrutura essencial, mesmo que imperfeita, molda a principal atividade econômica” se aplica hoje ao Vale do Silício. A “infraestrutura” inicial não era um rio, mas sim a concentração de universidades de ponta (como Stanford), laboratórios de pesquisa militar e capital de risco. Essa “cheia” de conhecimento e investimento, embora às vezes “destruidora” e “irregular” (com bolhas especulativas e falências), “fertilizou” o terreno para a expansão da atividade de tecnologia. Assim como ninguém imagina o Egito Antigo sem a agricultura do Nilo, é impossível pensar no Vale do Silício sem a “irrigação” de ideias e capital que alimenta a inovação.


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