Questão 104 do Enem 2017 Libras: circuito paralelo – resolução comentada (caderno verde)

A questão 104 do Enem 2017 Libras (caderno verde, Dia 2) é de Ciências da Natureza (Física) e cobra o circuito com dois interruptores em um quarto. O gabarito é a alternativa B. Abaixo você confere o enunciado, a resolução passo a passo e por que cada alternativa errada engana tantos candidatos.

Enunciado da questão 104 do Enem 2017 Libras

  Durante a reforma da sua residência, um casal decidiu que seria prático poder acender a luz do quarto acionando um interruptor ao lado da porta e apagá-la com outro interruptor próximo à cama. Um eletrotécnico explicou que esse sistema usado para controlar uma lâmpada a partir de dois pontos é conhecido como circuito de interruptores paralelos.

Figura do enunciado da questão 104 do Enem 2017 Libras

Como deve ser feita a montagem do circuito da lâmpada no quarto desse casal?

Figura do enunciado da questão 104 do Enem 2017 Libras
Resolução da questão 104 do Enem 2017 Libras

Resolução comentada da questão 104

Matérias necessárias para resolver a questão

  • Circuitos Elétricos Simples
  • Tipos de Interruptores (Simples e Paralelo/Three-Way)
  • Análise de Corrente Elétrica em Circuitos

Tema e objetivo geral

Tema/Objetivo Geral: Identificar a correta montagem de um circuito elétrico com interruptores paralelos, que permite o controle de um ponto de luz a partir de dois locais distintos.

Nível da questão

Nível da Questão: Médio.

  • Detalhe: A questão não envolve cálculos, mas exige um raciocínio lógico e visual sobre o fluxo da corrente elétrica. O nível é médio porque os diagramas de interruptores paralelos não são intuitivos para quem não tem familiaridade, e as alternativas incorretas exploram erros conceituais comuns, como curto-circuito e ligações em série que não cumprem o objetivo.

Gabarito da questão 104: alternativa B

Gabarito:B

  • Explicação Resumida: Esta é a única configuração que cria dois caminhos alternativos para a corrente, permitindo que a mudança de estado de qualquer interruptor inverta o estado da lâmpada (ligado/desligado), independentemente da posição do outro.
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Passo 1: o que a questão pede (o mapa da mina)

Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é encontrar o único mapa (diagrama) que permite que o casal ligue a luz perto da porta e apague perto da cama, ou vice-versa. Qualquer um dos interruptores deve ter o poder de mudar o estado atual da lâmpada.

Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense nos interruptores como dois guardas de uma ponte levadiça que tem duas rampas (rampa A e rampa B). A lâmpada só acende se um carro (a eletricidade) conseguir atravessar a ponte. O primeiro guarda escolhe se vai baixar a rampa A ou a B do seu lado. O segundo guarda faz o mesmo do outro lado. O carro só atravessa se ambos os guardas baixarem a mesma rampa (ambos na rampa A ou ambos na rampa B). O verdadeiro desafio aqui é encontrar o esquema que permite a qualquer um dos guardas, com um único movimento, conectar ou desconectar a travessia.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:

  • Compreender a “mágica” por trás de um interruptor paralelo: como ele não apenas liga/desliga, mas alterna caminhos.
  • Executar uma simulação detalhada para cada alternativa, em ordem, seguindo o caminho da corrente elétrica para verificar se o controle independente funciona.
  • Identificar as armadilhas e os erros de lógica em cada circuito falho.
  • Confirmar o culpado (alternativa correta) e emitir o laudo para os inocentes (alternativas incorretas).

Passo 2: circuito paralelo

Para decifrar este caso, precisamos entender a principal ferramenta: o Interruptor Paralelo (também conhecido como three-way). Ele é diferente de um interruptor comum. Vamos usar um diálogo para desvendá-lo.

  • Diálogo Mentor-Aluno (🕵️‍♂️ & 🧠):
    • 🧠 Mentor, um interruptor normal é simples: ele abre ou fecha um único caminho. É como uma porteira. Fechou, a energia passa. Abriu, não passa. Certo?
    • 🕵️‍♂️ Exato. Mas agora, imagine que você acendeu a luz com a porteira 1. Como você a apagaria com uma porteira 2, que está em outro lugar do circuito? Se a porteira 1 está fechada, não adianta a 2 abrir, a energia já foi bloqueada antes.
    • 🧠 É verdade… Então o interruptor paralelo não funciona como uma simples porteira?
    • 🕵️‍♂️ Precisamente! Ele não é uma porteira, ele é uma bifurcação. Pense nele como um trilho de trem com uma alavanca. Ele tem uma entrada de energia e duas saídas possíveis (vamos chamá-las de Caminho A e Caminho B). Ele nunca interrompe a energia, ele a desvia. Ou a corrente vai pelo Caminho A, ou vai pelo Caminho B.
    • 🧠 Entendi! Então, se temos dois desses interruptores…
    • 🕵️‍♂️ Aí está a genialidade! O primeiro interruptor joga a energia no Caminho A ou no B. O segundo interruptor está do outro lado, também conectado aos caminhos A e B. Ele decide de qual dos dois caminhos ele vai “puxar” a energia para levar até a lâmpada. A luz só acende se os dois estiverem sintonizados no mesmo caminho! Se você mudar a posição de qualquer um deles, a sintonia se quebra e a luz apaga. Se mudar de novo, a sintonia volta e a luz acende.

Passo 3: resolução passo a passo (mão na massa)

Vamos agora ser o detetive no local do crime. Nossa missão é seguir o rastro da corrente elétrica em cada um dos circuitos suspeitos, em ordem, para ver se eles cumprem a missão.

🕵️‍♂️ Análise do Suspeito A: A Armadilha da Série

  • Descrição do Circuito: Aqui, a fonte, a lâmpada e os dois interruptores estão todos em um único laço (em série).
  • Simulação: Para a lâmpada acender, a corrente precisa de um caminho fechado. Imagine que ambos os interruptores estão na posição “aberta”. A luz está apagada. Se a pessoa na porta “fecha” o interruptor dela, a corrente ainda está bloqueada pelo segundo interruptor. A luz continua apagada. Somente quando a segunda pessoa “fecha” o interruptor dela é que o circuito se completa e a luz acende.
  • Teste de Controle Independente: A luz está acesa (ambos os interruptores “fechados”). A pessoa na porta quer apagar. Ela “abre” o interruptor dela. A luz apaga. Agora, a pessoa na cama quer acender. Ela mexe no interruptor dela, mas não adianta, pois o circuito já foi cortado pelo interruptor da porta.
  • Veredito: Falhou. O controle não é independente. Este circuito exige a cooperação dos dois interruptores.

🕵️‍♂️ Análise do Suspeito B: O Circuito Investigado

  • Descrição do Circuito: A fonte se conecta ao pino central do primeiro interruptor. Os dois pinos de saída deste são conectados por dois fios aos dois pinos de entrada do segundo interruptor. O pino central do segundo interruptor se conecta à lâmpada, que retorna à fonte.
  • Simulação (Cenário 1 – Luz Apagada): Vamos supor que o interruptor da porta (esquerda) está na posição “cima” e o da cama (direita) está na posição “baixo”. A corrente entra, é desviada para o fio de cima, chega ao segundo interruptor, mas encontra um beco sem saída, pois ele está conectado ao fio de baixo. O circuito está aberto. Luz apagada.
  • Teste de Controle Independente (Acendendo pela cama): A pessoa na cama muda seu interruptor para “cima”. Agora ambos estão na mesma sintonia (“cima”). A corrente entra, passa pelo fio de cima, é coletada pelo segundo interruptor e flui para a lâmpada. Luz acesa! Sucesso.
  • Teste de Controle Independente (Apagando pela porta): Com a luz acesa, a outra pessoa na porta muda seu interruptor para “baixo”. A corrente agora é desviada para o fio de baixo, mas o interruptor da cama ainda está em “cima”. O caminho é quebrado. Luz apagada! Sucesso.
  • Veredito: Passou em todos os testes. Qualquer mudança em qualquer um dos interruptores inverte o estado da lâmpada (de acesa para apagada, ou de apagada para acesa). Este é o comportamento desejado.

🕵️‍♂️ Análise do Suspeito C: O Falso Paralelo

  • Descrição do Circuito: Os dois interruptores estão em paralelo um com o outro. Este conjunto está em série com a lâmpada.
  • Simulação: Se ambos os interruptores estiverem “abertos”, não há caminho para a corrente. A luz está apagada. Se a pessoa na porta “fecha” seu interruptor, ela cria um caminho. A corrente passa por ele e acende a lâmpada.
  • Teste de Controle Independente: A luz está acesa pelo interruptor da porta. A pessoa na cama quer apagá-la. O que ela pode fazer? O interruptor dela está “aberto”. Se ela o “fechar”, apenas criará um segundo caminho para a corrente. A luz continuará acesa. Ela não tem como cortar o caminho que a primeira pessoa criou.
  • Veredito: Falhou. Permite que qualquer um acenda a luz, mas não que apague a luz acesa pelo outro.

🕵️‍♂️ Análise do Suspeito D: O Risco do Curto-Circuito

  • Descrição do Circuito: A lâmpada e os dois interruptores estão todos em ramos paralelos, diretamente conectados à fonte de 110 V.
  • Simulação: A lâmpada está em seu próprio ramo, então ela ficaria sempre acesa, a menos que os interruptores fizessem algo. Vamos analisar os interruptores: eles criam um caminho do lado positivo ao negativo da fonte.
  • Teste de Perigo: Se um dos interruptores for movido para a posição que conecta o fio de cima diretamente ao de baixo, ele cria um “atalho” perfeito para a corrente. Este atalho não tem nenhuma lâmpada, nenhum resistor, nada para limitar a passagem da eletricidade. A corrente elétrica, por natureza, busca o caminho de menor resistência. Uma quantidade imensa de corrente fluirá por este atalho.
  • Veredito: Falhou e é perigoso. Isso é um curto-circuito, que pode causar superaquecimento dos fios, derretimento e até incêndio.

ARMADILHA CLÁSSICA!
CUIDADO! Como nossa investigação dos suspeitos C e D revelou, o erro mais comum é ler o nome popular “interruptores paralelos” e procurar um diagrama que mostre uma associação em paralelo da física (como a alternativa C) ou que coloque tudo em paralelo (como a alternativa D). O nome se refere à função de criar caminhos paralelos que são alternados, não à topologia do circuito em si.


🕵️‍♂️ Análise do Suspeito E: A Série Disfarçada

  • Descrição do Circuito: Embora o desenho seja ligeiramente diferente do A, a lógica é idêntica. A corrente deve passar pela fonte, pelo primeiro interruptor, pela lâmpada e pelo segundo interruptor em um único caminho.
  • Simulação: A análise é exatamente a mesma do suspeito A. Para a luz acender, ambos os interruptores devem estar “fechados”.
  • Teste de Controle Independente: Assim como no caso A, se um interruptor estiver “aberto”, o outro não tem poder algum sobre o circuito.
  • Veredito: Falhou. É o mesmo erro da alternativa A, apenas com um layout diferente.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: Nossa investigação sequencial e detalhada de cada suspeito confirmou que apenas um deles, o Circuito B, possui a estrutura lógica que permite o controle independente da lâmpada a partir de dois pontos. Ele cria dois caminhos alternativos (os “fios de retorno”) e permite que cada interruptor escolha por qual caminho a corrente deve seguir ou ser recebida.
    • Expectativa: O retrato falado do circuito correto é um em que os interruptores se comunicam por dois fios, agindo como seletores de rota para a corrente elétrica, e não como simples portões de abrir/fechar. O circuito B corresponde perfeitamente a essa descrição.

Passo 4: alternativas comentadas (a autópsia)

Agora, vamos formalizar o laudo final individual para cada suspeito, com base na investigação aprofundada do Passo 3.

  • (A)
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato raciocina que para controlar a luz, basta colocar todos os componentes em um único caminho, em série.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta. Conforme nossa simulação, esta ligação em série exige que ambos os interruptores estejam “fechados” para a luz funcionar, o que anula a possibilidade de controle independente.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • (B)
    • Análise de Correspondência: Passou em todos os testes de simulação no Passo 3, demonstrando perfeito controle independente. Corresponde exatamente à expectativa de um circuito de interruptores paralelos funcional.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • (C)
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato lê “interruptores paralelos” e escolhe a alternativa que mostra uma associação em paralelo literal dos interruptores.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema / Descrever o Meio, não o Fim. Nossa simulação provou que, neste arranjo, um interruptor não pode apagar a luz se o outro estiver ligado. O controle independente é perdido.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • (D)
    • A “Narrativa do Erro”: Uma interpretação equivocada de como montar um circuito, talvez pensando que todos os componentes devem ser ligados diretamente à fonte em ramos separados.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Causa Curto-Circuito. A investigação no Passo 3 revelou que esta configuração é perigosa e não funcional, pois permite a criação de um atalho de resistência quase nula para a corrente.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • (E)
    • A “Narrativa do Erro”: Similar ao caso (A), o raciocínio é que os interruptores devem estar no mesmo caminho da corrente. A posição diferente da lâmpada pode confundir, mas a lógica do circuito é a mesma.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta. Apesar do layout visualmente diferente de (A), o circuito é funcionalmente o mesmo: uma ligação em série. Sofre do mesmo problema fatal de exigir que ambos os interruptores estejam na posição “fechada” para funcionar.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

Passo 5: resumo e aprendizagem expandida

  • Frase de Fechamento: Portanto, a alternativa B é a correta, pois é a única que representa a topologia de um circuito de interruptores paralelos (three-way), garantindo que a mudança de posição de qualquer interruptor sempre alterne o estado da lâmpada.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): “Interruptor paralelo não abre e fecha um portão; ele alterna a ponte. A luz só acende quando os dois lados estão na mesma ponte.”
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): A lógica por trás do interruptor paralelo é exatamente a mesma de uma porta lógica XOR (OU Exclusivo) na ciência da computação. Pense em “interruptor para cima” como 1 e “para baixo” como 0. A lâmpada (saída) só acende (1) se as entradas forem diferentes (1 e 0, ou 0 e 1). Se as entradas forem iguais (0 e 0, ou 1 e 1), a lâmpada apaga (0). Esse mesmo princípio que ilumina um quarto é fundamental para realizar cálculos em processadores de computador.

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