Questão 005 caderno branco ENEM 2014 3ª Aplicação 1° Dia

Disponível em: http://noticias.uol.com.br. Acesso em: 28 fev. 2012.

A charge ironiza um problema recorrente nas áreas urbanas nos períodos da maior precipitação, cujas causas são intensificadas pela

a) ocorrência do fenômeno da chuva frontal, típica das áreas urbanas localizadas no litoral brasileiro.

b) ampliação do efeito estufa provocado pela onda de calor, aumentando a evaporação nas metrópoles.

c) construção de canais concretados e submersos em função da ocupação das margens dos rios urbanos.

d) formação de ilhas de calor nos centros urbanos e maior precipitação devido ao aumento da temperatura.

e) impermeabilização do solo e no acúmulo de lixo nas áreas de grande circulação das cidades.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Geografia Urbana
  • Problemas Ambientais Urbanos
  • Interpretação de Charge

Tema/Objetivo Geral:
Identificar os fatores antrópicos (causados pelo homem) que intensificam as enchentes nas cidades.

Nível da Questão
Fácil – A questão aborda um tema muito presente no cotidiano e nos noticiários (enchentes urbanas) e a alternativa correta aponta para as causas mais conhecidas e diretas do problema, que são frequentemente ensinadas no ensino fundamental e médio. A charge é de interpretação direta e os distratores (alternativas erradas) tratam de fenômenos correlatos, mas não centrais ao problema do escoamento da água.

Gabarito
Alternativa E – Esta é a resposta correta porque aponta para os dois principais motivos pelos quais a água da chuva não escoa adequadamente nas cidades: o solo “selado” pelo asfalto e concreto e o lixo que entope os sistemas de drenagem.


⚖️ Resolução Passo a Passo

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: A missão aqui é olhar para a cena da enchente na charge e descobrir, entre as opções, quais ações humanas são as principais culpadas por transformar uma chuva forte nesse caos alagado.

Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense no solo de uma floresta como uma esponja gigante. Quando chove, ela absorve uma quantidade enorme de água lentamente. Agora, imagine que cobrimos 90% dessa esponja com uma lona de plástico (o asfalto e o concreto) e ainda entupimos os poucos furos que sobraram na lona (os bueiros com lixo). O que acontece quando jogamos um balde de água? Ela não tem para onde ir, acumula na superfície e causa o desastre que vemos na charge. O verdadeiro desafio aqui é diferenciar o que causa a chuva do que causa o acúmulo da água da chuva.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:

  • Analisar as pistas visuais da charge para entender o cenário e a crítica.
  • Revisar os dois principais fatores que agravam as enchentes urbanas, usando nosso “dossiê” sobre o tema.
  • Construir um “retrato falado” da resposta ideal, ou seja, o que esperamos encontrar na alternativa correta.
  • Confrontar este retrato falado com cada uma das alternativas, eliminando as “suspeitas” incorretas e confirmando a identidade da “culpada”.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para resolver este mistério, precisamos abrir o dossiê sobre nosso principal suspeito: a enchente urbana.

📂 Dossiê do Problema: Enchentes Urbanas

  • Fenômeno Investigado: Acúmulo de água pluvial (da chuva) em áreas urbanizadas.
  • Causa Natural Primária: Precipitação elevada (chuva forte em curto período).
  • Cúmplices (Agravantes Humanos): A chuva sozinha não é a vilã. Ela tem cúmplices que intensificam seus efeitos.
    • 🕵️‍♂️ Cúmplice #1: O Chão de Concreto (Impermeabilização do Solo)
      • Modus Operandi: Cobre o solo, que naturalmente absorveria a água, com materiais impermeáveis como asfalto, concreto e calçadas.
      • Crime: Impede a infiltração da água no solo.
      • Consequência: Aumenta drasticamente o volume e a velocidade da água que escorre pela superfície (o chamado escoamento superficial ou run-off), sobrecarregando os sistemas de drenagem.
    • 🕵️‍♂️ Cúmplice #2: O Entulho Inimigo (Acúmulo de Lixo)
      • Modus Operandi: Descarte inadequado de resíduos sólidos em ruas, córregos e rios.
      • Crime: Obstrui “as veias” da cidade: bueiros, galerias pluviais e canais.
      • Consequência: A água, mesmo que houvesse para onde ir, encontra o caminho bloqueado. Ela então retorna para as ruas e se acumula, causando o alagamento.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos executar nosso plano de ataque.

  1. Análise das Pistas Visuais: A charge mostra um carro quase submerso, uma placa de trânsito (“E” de Estacionamento), e um casal no teto do carro ironizando a situação ao imitar a famosa cena do filme “Titanic”. A ironia critica a transformação de um problema grave e recorrente (a enchente) em algo quase “normal” no cenário urbano. A água está parada e alta, o que indica claramente que ela não conseguiu escoar.
  2. Conectando as Pistas às Ferramentas: A cena é o resultado direto da ação dos nossos “cúmplices”. A rua asfaltada (impermeabilização) fez com que toda a água da chuva escorresse para ali, e o provável entupimento dos bueiros com lixo impediu que essa água fosse drenada. A charge não mostra a chuva caindo, mas sim a sua consequência intensificada pela má infraestrutura urbana.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! O erro mais comum aqui é confundir a causa da chuva com a causa da enchente. Fenômenos como “ilhas de calor” (alternativa D) podem até aumentar a quantidade de chuva em uma cidade, mas a pergunta é sobre o que intensifica o alagamento – ou seja, por que a água que já caiu não vai embora. Focar na meteorologia é cair na armadilha; o foco deve ser na infraestrutura e no escoamento.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: A charge retrata uma enchente, que é o acúmulo de água da chuva. Este acúmulo é intensificado por fatores que impedem a água de infiltrar no solo ou de ser escoada pelos sistemas de drenagem.
    • Expectativa: Portanto, a alternativa correta precisa, necessariamente, falar sobre esses obstáculos: a cobertura do solo (impermeabilização) e/ou o bloqueio dos sistemas de drenagem (lixo).

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Agora, vamos confrontar nossa “Expectativa” com as suspeitas.

  • a) ocorrência do fenômeno da chuva frontal…
    • A “Narrativa do Erro”: O aluno lê “chuva” e associa a um termo técnico de meteorologia que parece correto.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. A questão não pergunta sobre o tipo de chuva, mas sim por que a água da chuva causa alagamentos. O tipo de chuva (frontal, convectiva, etc.) é a causa primária, não o fator que intensifica o problema do acúmulo de água.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • b) ampliação do efeito estufa provocado pela onda de calor…
    • A “Narrativa do Erro”: O aluno conecta “problema urbano” e “calor” a um tema ambiental famoso, o efeito estufa.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Generalização Excessiva / Causa Indireta. O efeito estufa é um fenômeno global e de escala de tempo muito mais longa. Embora possa influenciar regimes de chuva no futuro, ele não é a causa direta e intensificadora do alagamento mostrado na charge.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • c) construção de canais concretados e submersos…
    • A “Narrativa do Erro”: O aluno pensa que qualquer obra com concreto em rios é ruim, logo, causa enchente.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta. A canalização de rios, embora ecologicamente controversa, é uma técnica que visa acelerar o escoamento da água para, teoricamente, evitar enchentes. O problema que agrava a enchente é o assoreamento desses canais (muitas vezes por lixo e esgoto) e a ocupação de suas margens, não a canalização em si.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • d) formação de ilhas de calor nos centros urbanos e maior precipitação…
    • A “Narrativa do Erro”: O aluno se lembra que ilhas de calor podem intensificar chuvas nas cidades e acha que essa é a resposta.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Causa com Consequência (ou Causa da Chuva com Causa do Alagamento). Esta é a armadilha clássica que previmos. A ilha de calor pode aumentar a quantidade de chuva, mas não explica por que essa água não escoa e fica acumulada nas ruas.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • e) impermeabilização do solo e no acúmulo de lixo nas áreas de grande circulação das cidades.
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa é um encaixe perfeito com a nossa “Expectativa”. Ela menciona diretamente os dois “cúmplices” do nosso dossiê: a cobertura do solo que impede a absorção da água (“impermeabilização do solo”) e o entupimento dos sistemas de drenagem (“acúmulo de lixo”). São os fatores que transformam a chuva em enchente.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

  • Frase de Fechamento: Portanto, a alternativa correta é a (E), pois a combinação de um solo que não absorve água com bueiros entupidos é a receita exata para o desastre das enchentes urbanas ironizado na charge.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): A cidade moderna age como uma “bacia de plástico entupida”: a chuva cai, não tem para onde infiltrar e os ralos estão bloqueados.
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de “bloqueio de fluxo” que causa enchentes urbanas se aplica diretamente à Medicina e à Fisiologia Humana. Pense no sistema circulatório: a impermeabilização do solo é análoga ao endurecimento das artérias (arteriosclerose), que perdem sua capacidade de se dilatar e acomodar o fluxo. O acúmulo de lixo nos bueiros é como um coágulo de sangue (trombo) que obstrui um vaso. Em ambos os casos, um sistema projetado para ter fluidez entra em colapso por obstrução, causando uma crise grave: uma enchente na cidade, um infarto ou um AVC no corpo. A solução, em ambos os cenários, passa por garantir a desobstrução e a capacidade de absorção do sistema.

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