Questão 93 caderno verde ENEM 2017 Libras 2° Dia

  Surgidos há 370 milhões de anos, os anfíbios apresentam inovações evolutivas que permitiram a eles tornarem-se os primeiros vertebrados a colonizar o ambiente terrestre, passando apenas parte da vida no meio aquático. Apesar disso, alguns aspectos fisiológicos limitam a sua distribuição; por exemplo, no Brasil existe uma diversidade menor de espécies na Região Sul.

A característica adaptativa que limita a distribuição geográfica desses organismos é a

A) presença de embriões protegidos por ovos.

B) ocorrência de metamorfose na fase de girino.

C) incapacidade de controle interno da temperatura.

D) excreção de resíduos nitrogenados na forma de ureia.

E) realização de trocas gasosas por pulmões e tegumento.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

  • Fisiologia Animal Comparada (Termorregulação: Ectotermia vs. Endotermia)
  • Biologia dos Vertebrados (Características Gerais dos Anfíbios)
  • Ecologia (Fatores Abióticos, Nicho Ecológico e Resistência do Meio)

Tema/Objetivo Geral: Relação entre a fisiologia de um grupo animal e sua distribuição geográfica.

Nível da Questão: Fácil.

  • Detalhe: A questão é direta e cobra um conhecimento fundamental e amplamente conhecido sobre a biologia dos anfíbios (sua ectotermia) e uma característica climática básica do Brasil, sem exigir raciocínios complexos ou a comparação entre alternativas muito sutis.

Gabarito:C – incapacidade de controle interno da temperatura.

  • Explicação Resumida: Esta alternativa está correta porque os anfíbios são ectotérmicos (“sangue frio”), dependendo do calor do ambiente para regular seu metabolismo, o que limita sua sobrevivência e diversidade em regiões de clima frio como o Sul do Brasil.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: Em bom português, a questão nos pergunta: “Das características listadas, qual delas funciona como um ‘calcanhar de Aquiles’ para os anfíbios, impedindo que eles dominem regiões de clima mais frio, como o Sul do Brasil?”

Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense em um motor de carro que só funciona perfeitamente em dias quentes. Ele é potente, mas se a temperatura cair muito, ele “engasga” e perde a força. O verdadeiro desafio aqui é descobrir qual é a peça fundamental no “motor” biológico dos anfíbios que é tão dependente do calor do ambiente.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:

  • Interrogar os suspeitos: Vamos entender os dois tipos básicos de “motores” térmicos no mundo animal.
  • Analisar a força opositora: Compreender o conceito de “Resistência do Meio” e como ele limita os seres vivos.
  • Conectar as Pistas: Cruzar a fisiologia do anfíbio com a Resistência do Meio específica da Região Sul para resolver o caso.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para este caso, a melhor ferramenta é um diálogo socrático, onde mentor e aprendiz constroem juntos o conhecimento crucial.

Diálogo Mentor-Aluno (🕵️‍♂️ & 🧠)

  • 🧠 Aluno: Mentor, o enunciado fala em “aspectos fisiológicos”. Quando se trata de temperatura, como os animais se viram? Todos nós produzimos nosso próprio calor como os humanos?
  • 🕵️‍♂️ Mentor: Excelente pergunta! Você tocou no coração do mistério. Não, nem todos. Imagine que existem duas estratégias principais de “controle de temperatura” no reino animal. Vamos chamá-las de “Fogo Interno” e “Fogo Externo”.
  • 🧠 Aluno: “Fogo Interno” e “Fogo Externo”? Como assim?
  • 🕵️‍♂️ Mentor: Os animais de “Fogo Interno”, ou endotérmicos, são como uma casa com aquecimento central. Eles queimam combustível (comida) para gerar seu próprio calor e manter a temperatura interna estável, não importa o frio lá fora. Aves e mamíferos, como nós, são mestres nisso.
  • 🧠 Aluno: Entendi! Por isso sentimos fome mais rápido no frio, nosso corpo está queimando mais combustível. E os de “Fogo Externo”?
  • 🕵️‍♂️ Mentor: Exato! Já os de “Fogo Externo”, ou ectotérmicos, são como uma casa que depende da luz do sol para se aquecer. Eles não têm um aquecedor interno eficiente. Sua temperatura corporal depende quase que totalmente da temperatura do ambiente. Pense num lagarto tomando sol numa rocha para “recarregar as baterias”.
  • 🧠 Aluno: Faz sentido! Então peixes, répteis e insetos são ectotérmicos. E os anfíbios, onde eles se encaixam?
  • 🕵️‍♂️ Mentor: Bingo. Os anfíbios são um exemplo clássico de animais ectotérmicos. Eles dependem do calor do sol, da água ou do solo para ativar seu metabolismo.
  • 🧠 Aluno: Ah! Então um anfíbio é como essa casa que depende do sol… Se vier um inverno longo e rigoroso, a casa fica gelada e tudo lá dentro funciona mais devagar? Isso parece uma grande desvantagem!
  • 🕵️‍♂️ Mentor: Exatamente! Você acaba de identificar a pista-chave. A estratégia deles é ótima para economizar energia, mas os torna reféns do clima. Guarde essa informação, ela é a peça central do nosso quebra-cabeça.

3️⃣ PASSO 3 – AMPLIANDO O CAMPO DE VISÃO (A RESISTÊNCIA DO MEIO)

Toda população tem um potencial teórico para crescer infinitamente. Mas o mundo real impõe limites. A esse conjunto de forças que freiam o crescimento, a ecologia dá o nome de Resistência do Meio.

Pense nela como uma espécie de “checklist de sobrevivência” que cada ambiente exige. Para viver ali, uma espécie precisa “ticar” todos os itens. Se falhar em um item crucial, sua população não prospera.

Dossiê do Conceito: A Resistência do Meio

  • Apelido: O Porteiro do Ecossistema.
  • Função: Limitar o crescimento das populações, funcionando como um filtro que define quem pode (ou não) viver em um local.
  • Ferramentas (Fatores Limitantes):
    • Bióticas (os desafios vivos): Predadores (uma onça caçando uma capivara), competição por recursos (duas espécies de plantas disputando a luz do sol), doenças e parasitas.
    • Abióticas (os desafios não-vivos): Temperatura (o calor do deserto ou o frio da Antártida), umidade (a secura de uma caatinga), luz solar, pH do solo, barreiras geográficas (uma montanha que impede a passagem).
  • O Filtro da Região Sul em Ação:
    No nosso caso, o “Porteiro do Ecossistema” da Região Sul é particularmente rigoroso com um item da checklist: a temperatura. Enquanto a umidade (essencial para anfíbios) é abundante em muitas partes do Sul com Mata Atlântica, o que realmente diferencia essa região da Amazônia ou do Sudeste é a ocorrência de invernos frios, com geadas frequentes e até neve ocasional. Este frio intenso é a principal ferramenta de Resistência do Meio que irá filtrar quais espécies de anfíbios podem sobreviver ali. Um anfíbio que chega nessa região precisa responder à pergunta do “Porteiro”: “Você tem o que é preciso para aguentar o frio?”.

4️⃣ PASSO 4 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Agora, o confronto final: vamos colocar o “currículo” fisiológico do anfíbio cara a cara com a “vaga de emprego” oferecida pela Região Sul.

  • A Fisiologia do Anfíbio: Como vimos no Passo 2, ele é ectotérmico. Seu “motor” metabólico não tem um termostato interno. A velocidade de suas reações químicas, sua capacidade de digerir alimentos, de se mover para caçar ou fugir, tudo isso é ditado pela temperatura externa.
  • O Confronto Final – Dois Cenários:
    • Cenário 1: Um sapo na Amazônia. A temperatura é alta e estável o ano todo. Para ele, é como viver em uma estufa perfeita. Seu motor está sempre “quente”, funcionando no pico de performance. Ele pode ser ativo, caçar insetos, fugir de predadores e se reproduzir com eficiência. O ambiente não impõe uma Resistência do Meio forte no quesito temperatura.
    • Cenário 2: O mesmo sapo na Serra Gaúcha em julho. A temperatura cai para perto de 0°C durante a noite. O que acontece? Seu “motor” ectotérmico desacelera drasticamente. Ele se torna letárgico, quase imóvel. Sua digestão para, seus músculos respondem lentamente. Ele não consegue caçar e, pior, torna-se uma presa extremamente fácil para um predador de “sangue quente” (endotérmico), como uma ave, que continua ativo e alerta no frio.
  • O Veredito do Confronto: A característica de depender do calor externo (ectotermia) é uma falha fatal na “entrevista de emprego” para a vaga de “morador da Região Sul”. A Resistência do Meio imposta pelo frio intenso “reprova” a maioria das espécies de anfíbios, permitindo que apenas algumas, mais adaptadas a hibernar ou a buscar microclimas mais quentes, consigam sobreviver. É por isso que a diversidade lá é menor.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! O erro mais comum aqui é focar na dependência da água (alternativas A e E). Sim, anfíbios precisam de água para a pele e para a reprodução. Mas a questão nos dá uma pista geográfica crucial: a Região Sul. Tanto a Amazônia quanto a Mata Atlântica (presente no Sul) são ecossistemas úmidos. A principal ferramenta de “Resistência do Meio” que diferencia o Sul do resto do Brasil e limita a diversidade não é a falta de umidade, mas sim a temperatura baixa.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: A investigação conectou a vulnerabilidade fisiológica da ectotermia dos anfíbios com o principal fator abiótico restritivo da Região Sul: o frio. A conclusão é que a incapacidade de gerar calor interno é a barreira decisiva que explica a menor diversidade.
    • Expectativa: A alternativa correta deve descrever, de forma clara, essa característica: a falta de um controle de temperatura interno.

5️⃣ PASSO 5 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

  • A) presença de embriões protegidos por ovos.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema Específico. A necessidade de água para os ovos é uma limitação geral, mas não é o fator principal da Resistência do Meio da Região Sul em comparação com outras regiões úmidas do Brasil.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • B) ocorrência de metamorfose na fase de girino.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. A metamorfose ocorre onde quer que os anfíbios vivam. Não é um fator que explique a maior ou menor Resistência do Meio em diferentes climas.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) incapacidade de controle interno da temperatura.
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa é o “retrato falado” da nossa expectativa. Descreve perfeitamente a ectotermia, a característica que torna os anfíbios vulneráveis à principal Resistência do Meio da Região Sul: o frio.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • D) excreção de resíduos nitrogenados na forma de ureia.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta. Excretar ureia (menos tóxica e que exige menos água que a amônia) é uma adaptação positiva que diminui a Resistência do Meio em ambientes terrestres. Não é uma limitação neste contexto.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • E) realização de trocas gasosas por pulmões e tegumento.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Reducionismo. A necessidade de pele úmida para a respiração cutânea é uma limitação geral, mas, novamente, o fator distintivo e mais restritivo da Resistência do Meio na Região Sul é a temperatura, não a umidade.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

6️⃣ PASSO 6 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

  • Frase de Fechamento: A resposta correta é a alternativa C, pois a incapacidade dos anfíbios de gerar seu próprio calor corporal (ectotermia) os torna vulneráveis à forte Resistência do Meio imposta pelo clima frio da Região Sul.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): Um anfíbio é como um robô movido a energia solar: poderoso sob o sol, mas quase inerte durante uma longa noite de inverno.
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio da Resistência do Meio se aplica na Economia. Uma pequena empresa (uma “espécie”) tem um potencial de crescimento. No entanto, o mercado (o “ambiente”) impõe uma forte Resistência do Meio: altos impostos, concorrentes consolidados (os “predadores”), burocracia e crises econômicas (os “fatores abióticos”). Apenas as empresas com as “adaptações” corretas (inovação, capital, boa gestão) conseguem superar essa resistência e prosperar.

Encontrou algum erro?

Clique no botão abaixo e reporte para os nossos corretores.