Questão 92 do Enem 2017 Libras: aquaplanagem – resolução comentada (caderno verde)

A questão 92 do Enem 2017 Libras (caderno verde, Dia 2) é de Ciências da Natureza (Física) e cobra a aquaplanagem em dias de chuva. O gabarito é a alternativa A (Atrito). Abaixo você confere o enunciado, a resolução passo a passo e por que cada alternativa errada engana tantos candidatos.

Enunciado da questão 92 do Enem 2017 Libras

  Em dias de chuva ocorrem muitos acidentes no trânsito, e uma das causas é a aquaplanagem, ou seja, a perda de contato do veículo com o solo pela existência de uma camada de água entre o pneu e o solo, deixando o veículo incontrolável.
 
 Nesta situação, a perda do controle do carro está relacionada com a redução de qual força?

A) Atrito.

B) Tração.

C) Normal.

D) Centrípeta.

E) Gravitacional.

Resolução da questão 92 do Enem 2017 Libras

Resolução comentada da questão 92

Matérias necessárias para resolver a questão

  • Leis de Newton
  • Força de Atrito (conceitos de Estático e Dinâmico)
  • Forças de Contato (Força Normal)

Tema e objetivo geral

Tema/Objetivo Geral: Aplicação de um conceito prático e fundamental da Dinâmica para explicar um fenômeno do cotidiano.

Nível da questão

Nível da Questão: Fácil.

  • Detalhe: A questão aborda diretamente um dos conceitos mais fundamentais e intuitivos da Dinâmica — a força de atrito. Ela pede a identificação da força que é perdida em uma situação prática, não exigindo cálculos ou diferenciações complexas entre os tipos de atrito nas alternativas.

Gabarito da questão 92: alternativa A

Gabarito:A) Atrito.

  • Explicação Resumida: A aquaplanagem é causada pela camada de água que impede o contato pneu-solo, reduzindo drasticamente a força de atrito, que é essencial para o controle e movimento do veículo.
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Passo 1: o que a questão pede (o mapa da mina)

Decodificação do Objetivo: A questão nos coloca na cena de um carro perdendo o controle na chuva (aquaplanagem) e nos pergunta, de forma direta: qual é a força física que foi drasticamente reduzida para causar essa situação?

Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense no controle de um carro como se fosse escrever com um lápis em um papel. A força de atrito é a “pegada” do grafite no papel, que permite que você crie traços controlados. A aquaplanagem é como tentar escrever sobre uma folha de papel completamente molhada: o grafite desliza sem controle, pois a “pegada” (atrito) desapareceu.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:

  • Investigar o Movimento: Entender o mecanismo fundamental de como um carro usa o atrito para se mover para frente.
  • Analisar a Causa do Crime: Aprofundar como a camada de água interfere nesse mecanismo preciso.
  • Identificar o Culpado: Conectar a ação da água à redução da força correta, que leva à perda de controle.

Passo 2: aquaplanagem

Para este caso, precisamos de um dossiê preciso sobre os “suspeitos” listados nas alternativas, agora com exemplos práticos para cada um.

🕵️‍♂️ Dossiê das Forças Suspeitas

  • NOME: Força de Atrito
    • Função: Força de contato que se opõe ao movimento relativo (ou à tendência de movimento) entre superfícies. É o “agarre” essencial para acelerar, frear e fazer curvas.
    • Exemplo Prático: A sola do seu sapato “agarrando” o chão para você conseguir andar; esfregar as mãos uma na outra para gerar calor.
    • Status no Crime: Principal Suspeito. Sua existência depende do contato direto entre o pneu e o solo. A água, como lubrificante, é sua inimiga natural.
  • NOME: Força de Tração
    • Função: Na Física, a “força de tração” é sinônimo de Força de Tensão. É a força transmitida através de um meio físico como uma corda, um cabo ou um fio quando ele é esticado (tracionado).
    • Exemplo Prático: A força em uma corda durante um cabo de guerra; a força no cabo de aço de um guindaste levantando uma carga.
    • Status no Crime: Inocente (Álibi Irrefutável). Esta força não tem relação com a interação entre o pneu de um carro e o solo.
  • NOME: Força Normal
    • Função: É a força de contato que uma superfície exerce sobre um objeto, atuando perpendicularmente a essa superfície. Ela surge para impedir que o objeto atravesse a superfície.
    • Exemplo Prático: A força que a mesa exerce para cima sobre um livro, impedindo que ele caia através dela.
    • Status no Crime: Inocente. A chuva não altera significativamente a Força Normal a ponto de causar a perda de controle.
  • NOME: Força Centrípeta
    • Função: É a força resultante que aponta para o centro de uma trajetória curva. Não é uma força fundamental, mas um papel que uma ou mais forças (como o atrito) desempenham para manter um objeto em movimento circular.
    • Exemplo Prático: A tensão na corda que te permite girar uma pedra amarrada a ela acima da sua cabeça, impedindo que a pedra escape em linha reta.
    • Status no Crime: Vítima Indireta. O carro perde a capacidade de fazer curvas porque a força que desempenharia este papel (o atrito) desapareceu.
  • NOME: Força Gravitacional (Peso)
    • Função: A força de atração da Terra sobre o carro.
    • Exemplo Prático: Um objeto caindo no chão quando você o solta.
    • Status no Crime: Inocente. A gravidade não muda com a chuva.

Passo 3: resolução passo a passo (mão na massa)

Com os suspeitos devidamente fichados, vamos aprofundar a análise da cena do crime.

  • O Segredo do Movimento (O Herói Invisível):
    Como um carro se move para frente? Parece simples, mas a física por trás é elegante. O motor faz a roda girar no sentido horário (para ir para a frente). No ponto exato em que o pneu toca o asfalto, ele empurra o chão para trás. Pela Terceira Lei de Newton (Ação e Reação), o asfalto reage com uma força de mesma intensidade e sentido oposto, empurrando o pneu (e o carro) para a frente. Essa interação de “empurra-empurra” entre a borracha e o solo só é possível graças ao nosso herói invisível: a Força de Atrito.
    A analogia com o nosso caminhar é perfeita: para andar, você firma o pé no chão e empurra o planeta para trás. O planeta, por sua vez, te empurra para frente. Se você tentar fazer isso em um piso de gelo extremamente liso (atrito quase zero), seu pé desliza sem conseguir “agarrar” o chão, e você não sai do lugar. O pneu do carro precisa desse “agarre” tanto quanto o seu pé.
  • A Ação da Água (O Sabotador):
    Aqui entra o vilão da história. Os sulcos (os desenhos) no pneu não são estéticos; eles funcionam como canais para escoar a água da pista, mantendo o contato da borracha com o asfalto. A aquaplanagem ocorre quando a velocidade do carro é alta demais para o volume de água na pista. O pneu não consegue expulsar a água a tempo e, em vez disso, “sobe” nela, criando uma fina camada de água que o separa completamente do solo.
    Essa camada de água atua como um lubrificante sabotador. Ela elimina o contato direto. O pneu, agora, não consegue mais “empurrar” o asfalto para trás. Ele simplesmente gira em falso sobre a água, como seu pé no gelo. Sem contato, não há atrito. Sem atrito, não há controle. O carro se torna um projétil deslizando sobre uma superfície sem aderência, incapaz de acelerar, frear ou obedecer à direção.

ARMADILHA CLÁSSICA!
Uma armadilha comum é confundir atrito estático com atrito dinâmico. A mente pensa: “O carro está em movimento, logo o atrito é dinâmico”. ERRADO! Para a propulsão eficiente, o ponto exato do pneu que toca o chão está, naquele milissegundo, parado em relação ao solo. Por isso, a força que impulsiona o carro é o atrito estático, que é o “agarre” máximo, mais forte. Quando o pneu derrapa (como numa freada brusca ou na aquaplanagem), o atrito passa a ser dinâmico (de deslizamento), que é mais fraco e resulta na perda de controle. A aquaplanagem é um caso extremo onde até mesmo o atrito dinâmico é reduzido a quase zero.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: O movimento controlado de um carro é sustentado pela força de atrito estático entre o pneu e o solo. A aquaplanagem introduz uma camada de água que elimina essa força, fazendo o carro perder a capacidade de acelerar, frear e virar.
    • Expectativa: A alternativa correta deve ser a força de atrito, pois é ela que é diretamente atacada e reduzida pela água.

Passo 4: alternativas comentadas (a autópsia)

  • A) Atrito.
    • Análise de Correspondência: Corresponde perfeitamente à nossa expectativa. É a força de interação entre pneu e solo responsável pelo controle, e é a que a água elimina.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • B) Tração.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pode associar a palavra “tração” ao jargão automotivo de “ter aderência”.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. A questão pede uma força da Física. A “Força de Tração” é a tensão em cabos ou cordas, algo que não existe na situação descrita.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) Normal.
    • A “Narrativa do Erro”: Uma confusão sobre qual força de contato é relevante para o movimento horizontal.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta. A força normal atua na vertical e não é a principal afetada pela água a ponto de causar a perda de controle horizontal.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • D) Centrípeta.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato visualiza o carro derrapando em uma curva e faz uma conexão direta: “se o carro derrapa na curva, ele perdeu a força centrípeta”. Essa afirmação não é falsa, e é isso que a torna a distratora mais perigosa de todas.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Consequência com Causa Raiz. Dizer que o carro perdeu a força centrípeta é descrever o sintoma (o que acontece), não a doença (o porquê acontece). A força centrípeta não é uma força fundamental; ela é uma função, um papel que outra força desempenha. No caso do carro, a força que “veste a fantasia” de força centrípeta é o atrito. Quando o atrito desaparece por causa da água, ele não pode mais desempenhar seu papel de manter o carro na curva. Portanto, a perda da força centrípeta é a consequência direta da perda do atrito. A questão pergunta sobre a causa raiz da perda de controle, que é a redução do atrito.
    • Conclusão: ⚠️ Alternativa parcialmente certa (descreve uma consequência verdadeira, mas não a causa fundamental).
  • E) Gravitacional.
    • A “Narrativa do Erro”: Um erro conceitual básico.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. A gravidade não tem relação com a perda de controle horizontal causada pela chuva.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

Passo 5: resumo e aprendizagem expandida

  • Frase de Fechamento: Fica provado que a perda de controle na aquaplanagem é um caso claro de redução da força de atrito, a interação que conecta o carro ao solo e permite que seja guiado.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): Dirigir sem atrito é como tentar velejar sem vento: o leme pode até virar, mas o barco não obedece.
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de manipulação do atrito é a chave para o funcionamento dos freios ABS em carros. Um sistema de freio antigo simplesmente travava a roda. Ao travar, o atrito se tornava dinâmico (deslizamento), que é mais fraco e leva à perda de controle. O sistema ABS é um “detetive eletrônico”: ele detecta o instante em que a roda está prestes a travar e alivia a pressão do freio por milissegundos, mantendo a roda girando e o atrito estático (o de maior “pegada”) atuando. Essencialmente, o ABS luta para evitar o mesmo problema da aquaplanagem: a transição indesejada do útil atrito estático para o perigoso atrito dinâmico.

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