A luta pela terra no Brasil é marcada por diversos aspectos que chamam a atenção. Entre os aspectos positivos, destaca-se a perseverança dos movimentos do campesinato e, entre os aspectos negativos, a violência que manchou de sangue essa história. Os movimentos pela reforma agrária articularam-se por todo o território nacional, principalmente entre 1985 e 1996, e conseguiram de maneira expressiva a inserção desse tema nas discussões pelo acesso à terra. O mapa seguinte apresenta a distribuição dos conflitos agrários em todas as regiões do Brasil nesse período, e o número de mortes ocorridas nessas lutas.

Com base nas informações do mapa acerca dos conflitos pela posse de terra no Brasil, a região
- (A) conhecida historicamente como das Missões Jesuíticas é a de maior violência.
- (B) do Bico do Papagaio apresenta os números mais expressivos.
- (C) conhecida como oeste baiano tem o maior número de mortes.
- (D) do norte do Mato Grosso, área de expansão da agricultura mecanizada, é a mais violenta do país.
- (E) da Zona da Mata mineira teve o maior registro de mortes.
Resolução
O mapa usa símbolos proporcionais: círculos de tamanhos diferentes, em que o maior representa 83 mortes e o menor representa 1. A questão pede que você identifique, com base nisso, qual região concentrou a maior violência no campo entre 1985 e 1996. Não é preciso calcular nada. É uma leitura visual, mas exige que você saiba localizar geograficamente o que o mapa está mostrando.
Cuidado: algumas alternativas citam regiões relevantes no contexto do agronegócio atual, como o norte do Mato Grosso e o oeste baiano. O erro está em confundir a fronteira agrícola moderna com o epicentro da violência agrária naquele período específico. O mapa é o árbitro, não a memória de noticiários recentes.
O caminho é simples: localizar onde os círculos maiores se concentram no mapa e depois nomear essa região com o vocabulário geográfico correto.
Ao percorrer o mapa de sul a norte, o sul e o sudeste aparecem com pontos diminutos e dispersos. À medida que os olhos sobem em direção ao norte, algo muda completamente na tríplice fronteira entre o leste do Pará, o norte do Tocantins e o oeste do Maranhão: ali os círculos são grandes, sobrepostos e numerosos. É visualmente impossível ignorar essa concentração.
Essa área, que forma geograficamente uma ponta ou “bico” voltado para o interior, é conhecida como Bico do Papagaio. A região foi durante décadas um dos territórios mais tensos do país, marcado pelo confronto violento entre posseiros, grileiros, fazendeiros e agentes do Estado. O mapa confirma exatamente isso.
| Região citada nas alternativas | O que o mapa mostra |
|---|---|
| Missões Jesuíticas (Rio Grande do Sul) | Círculos pequenos e esparsos no extremo sul |
| Bico do Papagaio (PA/TO/MA) | Maior concentração de círculos grandes do mapa |
| Oeste baiano | Alguns conflitos, mas de intensidade muito inferior |
| Norte do Mato Grosso | Conflitos presentes, mas diluídos e sem protagonismo visual |
| Zona da Mata mineira | Praticamente ausente de registros expressivos |

