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Questão 66 caderno azul ENEM 2009 1° Dia

Colhe o Brasil, após esforço contínuo dilatado no tempo, o que plantou no esforço da construção de sua inserção internacional. Há dois séculos formularam-se os pilares da política externa. Teve o país inteligência de longo prazo e cálculo de oportunidade no mundo difuso da transição da hegemonia britânica para o século americano. Engendrou concepções, conceitos e teoria própria no século XIX, de José Bonifácio ao Visconde do Rio Branco. Buscou autonomia decisória no século XX. As elites se interessaram, por meio de calorosos debates, pelo destino do Brasil. O país emergiu, de Vargas aos militares, como ator responsável e previsível nas ações externas do Estado. A mudança de regime político para a democracia não alterou o pragmatismo externo, mas o aperfeiçoou.

SARAIVA, J. F. S. O lugar do Brasil e o silêncio do parlamento. Correio Braziliense, Brasília, 28 maio 2009 (adaptado).

Sob o ponto de vista da política externa brasileira no século XX, conclui-se que

A) o Brasil é um país periférico na ordem mundial, devido às diferentes conjunturas de inserção internacional.

B) as possibilidades de fazer prevalecer ideias e conceitos próprios, no que tange aos temas do comércio internacional e dos países em desenvolvimento, são mínimas.

C) as brechas do sistema internacional não foram bem aproveitadas para avançar posições voltadas para a criação de uma área de cooperação e associação integrada a seu entorno geográfico.

D) os grandes debates nacionais acerca da inserção internacional do Brasil foram embasados pelas elites do Império e da República por meio de consultas aos diversos setores da população.

E) a atuação do Brasil em termos de política externa evidencia que o país tem capacidade decisória própria, mesmo diante dos constrangimentos internacionais.

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Política Externa Brasileira
  • História do Brasil (Império e República)
  • Interpretação de Texto Argumentativo

Tema/Objetivo Geral: Interpretar um texto opinativo sobre a trajetória e as características da política externa brasileira ao longo dos séculos XIX e XX.

Nível da Questão
Médio – A questão exige a interpretação de um texto com vocabulário formal (“engendrou concepções”, “mundo difuso”, “pragmatismo externo”). O desafio é captar a tese central do autor – que é extremamente positiva sobre a diplomacia brasileira – e não se deixar levar por visões críticas ou fatos externos ao texto que possam contradizer essa perspectiva.

Gabarito
E) a atuação do Brasil em termos de política externa evidencia que o país tem capacidade decisória própria, mesmo diante dos constrangimentos internacionais. – Esta alternativa resume perfeitamente a tese do autor, que enaltece a “autonomia decisória” e a “inteligência de longo prazo” do Brasil no cenário mundial.


🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

1.1 Transcrição Essencial
“Sob o ponto de vista da política externa brasileira no século XX, conclui-se que […]”

1.2 O que está sendo pedido?
A questão pede para que a gente leia o texto e encontre a alternativa que melhor representa a conclusão do autor sobre como a política externa do Brasil se comportou.

1.3 Objetivo Cristalino
Nosso objetivo é identificar a opinião central do autor sobre a diplomacia brasileira, focando nas características que ele atribui a ela (continuidade, inteligência, autonomia) e encontrar a alternativa que espelhe essa visão.

1.4 Pergunta de Atenção
Você percebeu que o texto é um grande elogio à política externa brasileira? Reconhecer o tom positivo do autor é o primeiro passo para não cair em alternativas que descrevem o Brasil de forma negativa ou como um país que fracassou em seus objetivos.


📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

2.1 Definições e explicação de termos
Para entender o argumento, vamos decifrar alguns termos-chave:

  • Política Externa: É como um país se comporta no “palco” mundial. Envolve as decisões sobre alianças, comércio, guerras e negociações com outras nações. É a “personalidade” internacional de um país.
  • Pragmatismo: Agir de forma prática, buscando o melhor resultado para o país, independentemente de ideologias.
    • Exemplo do cotidiano: Você não gosta do seu vizinho, mas faz um acordo com ele para dividirem o custo de um muro porque é a solução mais prática e barata para ambos. A política externa pragmática funciona assim.
  • Autonomia Decisória: É a capacidade de tomar as próprias decisões, de dizer “sim” ou “não” com base nos seus próprios interesses, sem ser obrigado por potências mais fortes (como os EUA ou a antiga Grã-Bretanha). É o oposto de ser uma “marionete” no cenário global.
  • Hegemonia: É a supremacia ou domínio de um país sobre os outros. O texto menciona a transição da hegemonia britânica (no século XIX) para a americana (no século XX), e afirma que o Brasil soube navegar bem nesse período.

📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

3.1 Contextualização Simplificada
Vamos “traduzir” o que o autor, José Flávio Sombra Saraiva, está dizendo:
“A política externa do Brasil não é algo de momento, é um projeto de longo prazo que vem sendo construído há 200 anos. Desde o Império (com José Bonifácio e Rio Branco), o país foi inteligente, criou suas próprias ideias e soube se virar na transição do poder mundial da Inglaterra para os EUA. Mesmo com a troca de governos – de Vargas aos militares e depois à democracia – o Brasil manteve uma linha coerente, agindo com responsabilidade, autonomia e pragmatismo. Foi um sucesso.”

3.2 Estratégia Geral
Nossa estratégia será sublinhar todas as qualidades que o autor atribui à política externa brasileira e, em seguida, procurar a alternativa que melhor sintetiza esse conjunto de elogios.


🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio e Análise

4.1 Passo a Passo Detalhado
Vamos listar as características positivas que o texto aponta:

  • Continuidade: “esforço contínuo dilatado no tempo”, “há dois séculos formularam-se os pilares”.
  • Inteligência Estratégica: “inteligência de longo prazo”, “cálculo de oportunidade”.
  • Originalidade: “Engendrou concepções, conceitos e teoria própria”.
  • Independência: “Buscou autonomia decisória”.
  • Responsabilidade: “ator responsável e previsível”.
  • Coerência: “A mudança de regime político para a democracia não alterou o pragmatismo externo”.

4.2 Verificação Intermediária
Somando todas essas qualidades, a imagem que emerge é a de uma diplomacia madura, consistente e dona do próprio nariz, que sabe o que quer e como buscar seus objetivos no cenário internacional.

4.3 Possível armadilha
A armadilha aqui é deixar o conhecimento prévio ou uma visão crítica sobre a história do Brasil interferir na interpretação. Você pode pensar: “Mas o Brasil não é uma potência, é um país periférico!”. Isso pode ser um argumento válido em outro debate, mas o autor deste texto está argumentando o contrário. A questão é sobre a visão dele, não sobre a realidade objetiva. Cuidado com a alternativa A, que expressa essa visão crítica que o texto combate.

4.4 Fechamento e expectativa
O raciocínio nos leva a procurar uma alternativa que celebre a capacidade do Brasil de agir de forma independente e estratégica no cenário mundial, exatamente como o autor fez ao longo de todo o parágrafo.


✅ Passo 5: Análise das Alternativas

5.1 Listagem das Alternativas
A) O Brasil é um país periférico na ordem mundial.
B) As possibilidades de fazer prevalecer ideias próprias são mínimas.
C) As brechas do sistema internacional não foram bem aproveitadas.
D) Os grandes debates nacionais foram embasados por consultas à população.
E) A atuação do Brasil evidencia capacidade decisória própria.

5.2 Justificativa Individual

  • 🔴 A) o Brasil é um país periférico na ordem mundial, devido às diferentes conjunturas de inserção internacional. Incorreta. O texto argumenta exatamente o oposto, descrevendo o Brasil como um “ator responsável e previsível” com “autonomia”. Ser “periférico” vai contra a tese do autor.
  • 🔴 B) as possibilidades de fazer prevalecer ideias e conceitos próprios […] são mínimas. Incorreta. O texto afirma que o Brasil “engendrou concepções, conceitos e teoria própria”, contradizendo diretamente a ideia de que as possibilidades são “mínimas”.
  • 🔴 C) as brechas do sistema internacional não foram bem aproveitadas […]. Incorreta. O autor elogia o “cálculo de oportunidade” do Brasil, que é justamente a habilidade de aproveitar as brechas e oportunidades do cenário global.
  • 🔴 D) os grandes debates nacionais acerca da inserção internacional do Brasil foram embasados pelas elites […] por meio de consultas aos diversos setores da população. Incorreta. O texto menciona “calorosos debates” entre as “elites”, mas não faz nenhuma menção a “consultas à população”, o que historicamente não ocorreu na formulação da política externa.
  • 🟢 E) a atuação do Brasil em termos de política externa evidencia que o país tem capacidade decisória própria, mesmo diante dos constrangimentos internacionais. Correta. Esta alternativa é a síntese perfeita do argumento do autor. “Capacidade decisória própria” é sinônimo de “autonomia decisória”, e os “constrangimentos internacionais” são o cenário de hegemonias que o Brasil soube navegar com “inteligência” e “cálculo de oportunidade”.

🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

6.1 Resumo do Raciocínio
O texto constrói um argumento histórico para exaltar a política externa brasileira, caracterizando-a como consistente, pragmática e autônoma desde o Império até a democracia recente. A alternativa correta é aquela que reflete essa visão positiva e resume sua característica principal: a autonomia.

6.2 Gabarito Reafirmado
A alternativa correta é a E) a atuação do Brasil em termos de política externa evidencia que o país tem capacidade decisória própria, mesmo diante dos constrangimentos internacionais.

6.3 Resumo Final para Revisão 🔍
Em questões de interpretação, sempre identifique a tese central do autor. A resposta correta será, muitas vezes, uma paráfrase dessa tese. Pergunte-se: “Qual é a principal mensagem que o autor quer passar?”.

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