15% off para você conhecer a Plataforma Assaad

Didática mágica, resultados garantidos. Aproveite mais de 15% de desconto na Plataforma Assaad e garanta sua aprovação em Medicina ainda em 2025.

Questão 103, caderno azul do ENEM 2010 PPL

No Brasil colonial, os portugueses procuravam ocupar e explorar os territórios descobertos, nos quais viviam índios, que eles queriam cristianizar e usar como força de trabalho. Os missionários aprendiam os idiomas dos nativos para catequizá-los nas suas próprias línguas. Ao longo do tempo, as línguas se influenciaram. O resultado desse processo foi a formação de uma língua geral, desdobrada em duas variedades: o abanheenga, ao sul, e o nheengatu, ao norte. Quase todos se comunicavam na língua geral, sendo poucos aqueles que falavam apenas o português.

De acordo com o texto, a língua geral formou-se e consolidou-se no contexto histórico do Brasil-Colônia. Portanto, a formação desse idioma e suas variedades foi condicionada

A) pelo interesse dos indígenas em aprender a religião dos portugueses.

B) pelo interesse dos portugueses em aprimorar o saber linguístico dos índios.

C) pela percepção dos indígenas de que as suas línguas precisavam aperfeiçoar-se.

D) pelo interesse unilateral dos indígenas em aprender uma nova língua com os portugueses.

E) pela distribuição espacial das línguas indígenas, que era anterior à chegada dos portugueses.

Matérias Necessárias para a Solução da Questão
História do Brasil (Período Colonial), Linguística (Contato Linguístico, Formação de Línguas), Interpretação de Texto, Geografia (Distribuição Espacial).

Tema/Objetivo Geral:
Compreensão dos fatores históricos e geográficos que condicionaram a formação e a regionalização da Língua Geral no Brasil colonial, a partir da interação linguística entre portugueses e indígenas.

Nível da Questão
Médio. Esta questão exige uma leitura atenta do texto para identificar não apenas a causa da formação da Língua Geral, mas, principalmente, o que condicionou o seu desdobramento em variedades regionais. Isso demanda a capacidade de inferir a partir de pistas textuais específicas sobre a localização geográfica.

Gabarito
A alternativa correta é a E. Ela está correta porque o texto, ao mencionar as variedades “ao sul” (abanheenga) e “ao norte” (nheengatu), indica que a distribuição geográfica pré-existente das línguas indígenas foi o fator determinante para a formação regionalizada da Língua Geral.


Resolução Passo a Passo

🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

Transcrição Essencial
“a língua geral formou-se e consolidou-se no contexto histórico do Brasil-Colônia. Portanto, a formação desse idioma e suas variedades foi condicionada”

O que está sendo pedido?
O exercício pede para identificarmos qual fator, com base no texto, condicionou a formação da Língua Geral e, especificamente, o surgimento de suas variedades regionais no Brasil Colonial.

Objetivo Cristalino
Nosso objetivo é analisar as informações do texto para compreender a causa raiz da diversificação geográfica da Língua Geral, buscando o elemento que influenciou seu desdobramento regional.

Pergunta de Atenção
Você se lembra que, na história colonial, a geografia e a distribuição dos povos indígenas muitas vezes moldavam as interações e os desenvolvimentos culturais? Fique atento ao que o texto sugere sobre as regiões geográficas!


📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

Para resolver a questão, vamos entender alguns termos e conceitos importantes:

ConceitoExplicação Simples e FácilExemplo do Cotidiano
Língua GeralUma língua franca desenvolvida no Brasil colonial, que servia como meio de comunicação entre portugueses e diferentes grupos indígenas, e também entre os próprios indígenas de diferentes etnias. Ela surgiu da mistura e simplificação de línguas nativas com o português.Imagine uma “língua universal” para comunicação em uma feira com pessoas de vários países.
Abanheenga e NheengatuSão as duas principais variedades regionais da Língua Geral. O abanheenga era falado mais ao sul (principalmente nas bandeiras) e o nheengatu mais ao norte (na Amazônia). Elas mostram que a Língua Geral não era idêntica em todo o território.Pense no português do Brasil e o de Portugal: são a mesma língua, mas com variedades regionais.
Cristianização/CatequizaçãoÉ o processo de ensinar e converter pessoas ao cristianismo. No Brasil colonial, os missionários (como os jesuítas) se dedicaram a catequizar os indígenas, muitas vezes aprendendo suas línguas para isso.Um professor ensinando um novo conteúdo aos alunos.
Contato LinguísticoAcontece quando pessoas que falam línguas diferentes interagem frequentemente. Isso pode levar a palavras de uma língua entrando na outra, ou até mesmo ao surgimento de novas línguas, como a Língua Geral.Quando um estrangeiro aprende expressões e gírias locais de um país que está visitando.
Distribuição EspacialRefere-se a como algo (como povos, línguas, recursos) está organizado ou espalhado em uma área geográfica.Onde as diferentes lojas de um shopping estão localizadas, por exemplo.

📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

Contextualização Simplificada
O texto nos leva para o Brasil dos primeiros séculos de colonização. Os portugueses estavam chegando, querendo explorar tudo e, claro, impor sua religião e usar a mão de obra indígena. Para se comunicar com os índios e convertê-los, os missionários aprenderam as línguas nativas. Dessa mistura e da necessidade de comunicação, nasceu a Língua Geral, que era tão importante que quase todo mundo falava, mais do que o próprio português. Mas o interessante é que essa Língua Geral não era uma só: ela se dividiu em duas versões, uma no sul (abanheenga) e outra no norte (nheengatu). A pergunta é: o que fez essa língua surgir e, principalmente, ter essas duas versões separadas por região?

Estratégia Geral
Vamos focar no trecho que menciona as “duas variedades” da Língua Geral e suas localizações (“ao sul” e “ao norte”). A existência dessa divisão geográfica sugere fortemente que o ambiente linguístico pré-existente nas diferentes regiões foi o fator condicionante para essa diferenciação, e é isso que vamos buscar nas alternativas.


🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio

Vamos analisar as informações do texto passo a passo para entender o que condicionou a formação e as variedades da Língua Geral:

  • Passo a Passo Detalhado
  • O texto inicia explicando o cenário colonial: portugueses buscam ocupar e explorar, e querem cristianizar os índios e usá-los como força de trabalho. Isso cria a necessidade de comunicação.
  • Para a catequização, os missionários aprendiam os idiomas dos nativos. Isso mostra que o processo de formação da Língua Geral partiu de um contato direto e profundo com as línguas indígenas.
  • O resultado desse contato e influência mútua foi a formação de uma língua geral. Até aqui, entendemos como a língua geral surgiu.
  • Agora, vem a parte crucial para a pergunta sobre as variedades: a Língua Geral foi “desdobrada em duas variedades: o abanheenga, ao sul, e o nheengatu, ao norte”.
  • A menção explícita a “ao sul” e “ao norte” como as áreas de cada variedade é a pista mais forte. Se uma língua se divide em versões regionais, isso geralmente acontece porque as influências linguísticas originais (as línguas indígenas faladas naquelas regiões) já possuíam características distintas.
  • Os portugueses chegaram a um território que já era vasto e habitado por inúmeros povos indígenas, cada um com suas próprias línguas e dialetos, distribuídos geograficamente. É lógico inferir que a Língua Geral, ao se formar em diferentes áreas do Brasil, incorporaria traços das línguas indígenas predominantes em cada uma dessas regiões. Assim, a distribuição espacial das línguas indígenas, que já existia antes da colonização, funcionou como o principal condicionante para que a Língua Geral se manifestasse em variedades regionais.

O raciocínio nos leva a crer que a organização geográfica original das línguas indígenas foi essencial para a diferenciação regional da Língua Geral. Com essa compreensão, esperamos encontrar uma alternativa que relacione a formação das variedades da Língua Geral à distribuição espacial das línguas nativas.


✅ Passo 5: Análise das Alternativas

  • (🔴) Alternativa A: “pelo interesse dos indígenas em aprender a religião dos portugueses.” O texto menciona o interesse dos portugueses em cristianizar, e os missionários aprenderam as línguas nativas para isso. Não há evidência de que o interesse dos indígenas em aprender a religião tenha sido o principal condicionante para a formação e variedades da língua geral. Foi mais um resultado da estratégia missionária.
  • (🔴) Alternativa B: “pelo interesse dos portugueses em aprimorar o saber linguístico dos índios.” O texto afirma que os missionários aprendiam os idiomas dos nativos para catequizá-los. O objetivo era usar as línguas indígenas para a evangelização, e não “aprimorar” o conhecimento linguístico dos índios.
  • (🔴) Alternativa C: “pela percepção dos indígenas de que as suas línguas precisavam aperfeiçoar-se.” O texto não sugere que os indígenas tinham essa percepção. A Língua Geral surgiu da necessidade de comunicação e do contato, não de uma autocrítica indígena sobre suas próprias línguas.
  • (🔴) Alternativa D: “pelo interesse unilateral dos indígenas em aprender uma nova língua com os portugueses.” O texto descreve um processo de influência mútua e destaca o esforço dos missionários portugueses em aprender as línguas nativas. Portanto, não foi um interesse unilateral dos indígenas, mas uma interação complexa.
  • (🟢) Alternativa E: “pela distribuição espacial das línguas indígenas, que era anterior à chegada dos portugueses.” Esta é a alternativa correta. O texto menciona claramente que a Língua Geral se desdobrou em duas variedades: abanheenga “ao sul” e nheengatu “ao norte”. Essa distinção geográfica regional é o principal indício de que a organização e distribuição das diferentes línguas indígenas no território, que já existia antes da chegada dos portugueses, condicionaram como a Língua Geral se formou e se diferenciou em cada região.

🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

Resumo do Raciocínio
A Língua Geral no Brasil colonial surgiu do intenso contato entre portugueses e indígenas. A sua divisão em variedades regionais, como abanheenga no sul e nheengatu no norte, reflete diretamente a distribuição geográfica pré-existente das diversas línguas indígenas no território antes da colonização.

Gabarito Reafirmado
A alternativa correta é a E, que aponta que a formação desse idioma e suas variedades foi condicionada “pela distribuição espacial das línguas indígenas, que era anterior à chegada dos portugueses.”

Resumo Final para Revisão 🔍
Sempre preste atenção a detalhes geográficos (como “ao sul” e “ao norte”) em questões de história ou linguística, pois eles geralmente indicam fatores condicionantes relacionados à organização preexistente do território ou dos povos!

Encontrou algum erro?

Clique no botão abaixo e reporte para os nossos corretores.