O movimento operário ofereceu uma nova resposta ao grito do homem miserável no princípio do século XIX.A resposta foi a consciência de classe e a ambição de classe. Os pobres então se organizavam em uma classe específica, a classe operária, diferente da classe dos patrões (ou capitalistas). A Revolução Francesa lhes deu confiança; a Revolução Industrial trouxe a necessidade da mobilização permanente.
HOBSBAWM, E. J. A era das revoluções. São Paulo: Paz e Terra, 1977.
No texto, analisa-se o impacto das Revoluções Francesa e Industrial para a organização da classe operária. Enquanto a “confiança” dada pela Revolução Francesa era originária do significado da vitória revolucionária sobre as classes dominantes, a “necessidade da mobilização permanente”, trazida pela Revolução Industrial, decorria da compreensão de que
A) a competitividade do trabalho industrial exigia um permanente esforço de qualificação para o enfrentamento do desemprego.
B) a completa transformação da economia capitalista seria fundamental para a emancipação dos operários.
C) a introdução das máquinas no processo produtivo diminuía as possibilidades de ganho material para os operários.
D) o progresso tecnológico geraria a distribuição de riquezas para aqueles que estivessem adaptados aos novos tempos industriais.
E) a melhoria das condições de vida dos operários seria conquistada com as manifestações coletivas em favor dos direitos trabalhistas.

✍ Resolução Em Texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
História (Idade Contemporânea, Revolução Industrial, Revolução Francesa), Sociologia (Movimento Operário, Consciência de Classe), Interpretação Textual.
Tema/Objetivo Geral:
Analisar as contribuições das Revoluções Francesa e Industrial para a formação e a necessidade de mobilização da classe operária no século XIX.
Nível da Questão
Médio. A questão exige uma leitura atenta do texto para diferenciar os impactos específicos de cada Revolução na classe operária e inferir a razão da “mobilização permanente” a partir do contexto histórico apresentado por Hobsbawm. As alternativas podem gerar confusão se não houver clareza sobre o significado de “emancipação” e “transformação” no contexto operário da época.
Gabarito
A alternativa correta é a B. A necessidade de mobilização permanente, após a Revolução Industrial, decorria da percepção de que apenas uma transformação radical da economia capitalista, que gerava a miséria operária, poderia levar à verdadeira emancipação da classe trabalhadora.
Resolução Passo a Passo
🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
Transcrição Essencial
“a “necessidade da mobilização permanente”, trazida pela Revolução Industrial, decorria da compreensão de que”
O que está sendo pedido?
O comando nos pede para explicar a razão pela qual a Revolução Industrial gerou uma “necessidade da mobilização permanente” para a classe operária, com base na compreensão dessa classe sobre sua situação.
Objetivo Cristalino
Identificar a causa fundamental que impulsionou a classe operária a manter-se constantemente organizada e em luta, como consequência direta das transformações trazidas pela Revolução Industrial, buscando sua emancipação.
Pergunta de Atenção
Você se lembra que a Revolução Industrial, embora trouxesse avanços, também gerou péssimas condições de trabalho e vida para os operários, criando a “miséria” mencionada no texto? Pense no que eles buscavam para mudar essa situação!
📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessário
| Termo/Conceito | Classificação | Explicação Simples e Fácil de Entender | Exemplo do Cotidiano |
| Movimento Operário | Sociologia/História | É o conjunto de ações e organizações (sindicatos, partidos) criadas pelos trabalhadores para lutar por melhores condições de vida e trabalho, e por seus direitos. | As greves de trabalhadores em fábricas, a criação de sindicatos ou de partidos políticos de esquerda são exemplos do movimento operário. |
| Grito do Homem Miserável | Expressão/Contexto Histórico | Refere-se à condição de extrema pobreza, exploração e sofrimento vivida pelos trabalhadores, especialmente no início da Revolução Industrial, com jornadas exaustivas e salários baixos. | A imagem de famílias inteiras vivendo em cortiços insalubres, trabalhando 14 horas por dia em fábricas escuras e sem segurança, era o “grito” da época. |
| Século XIX | Período Histórico | O período que abrange os anos de 1801 a 1900. É o século de consolidação da Revolução Industrial e da ascensão das ideologias socialistas. | A época das grandes fábricas a vapor, do crescimento das cidades e também do surgimento das primeiras lutas organizadas dos trabalhadores. |
| Consciência de Classe | Sociologia/História | É a percepção dos trabalhadores de que pertencem a um grupo social com interesses e problemas comuns, diferentes e, muitas vezes, opostos aos da classe dominante (os patrões). | Quando os trabalhadores se dão conta de que não estão sozinhos em suas dificuldades e que, unidos, têm mais força para reivindicar. |
| Ambição de Classe | Sociologia/História | O desejo da classe operária de melhorar sua condição social, econômica e política, buscando não apenas melhores salários, mas também maior poder e voz na sociedade. | O objetivo dos operários de ter uma vida digna, com direitos, voz nas decisões e talvez até uma sociedade mais justa, não apenas um salário um pouco melhor. |
📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
Contextualização Simplificada
O texto nos explica que, no século XIX, os trabalhadores (operários) se organizaram para lutar contra a miséria. A Revolução Francesa lhes deu a certeza de que era possível vencer os poderosos (“confiança”). Já a Revolução Industrial, com suas fábricas e exploração, mostrou que eles precisavam estar sempre “mobilizados permanentemente”. A pergunta quer saber: por que a Revolução Industrial criou essa necessidade de estar sempre em luta, do ponto de vista dos operários?
Estratégia Geral
Vamos analisar a natureza da “necessidade da mobilização permanente” no contexto das condições de trabalho e vida geradas pela Revolução Industrial e o que a classe operária buscava para superar essa situação de exploração. O texto associa a mobilização à “consciência de classe e a ambição de classe”, buscando uma resposta que vá além de melhorias pontuais.
🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
O texto afirma que o movimento operário surgiu como uma “nova resposta ao grito do homem miserável no princípio do século XIX”. Essa resposta foi a “consciência de classe e a ambição de classe”, que levou os pobres a se organizarem. A Revolução Francesa deu-lhes “confiança” (a crença de que era possível derrubar as classes dominantes). O foco da questão é a Revolução Industrial, que trouxe a “necessidade da mobilização permanente”.
- Impacto da Revolução Industrial: A Revolução Industrial, embora trouxesse novas formas de produção, também gerou condições de trabalho e vida extremamente precárias para os operários: longas jornadas, baixos salários, insalubridade, desemprego constante e a desumanização do trabalho na fábrica. Essa “miséria” não era um problema isolado, mas sim parte inerente do novo sistema econômico em consolidação, o capitalismo.
- A “Necessidade da Mobilização Permanente”: Diante de um sistema que, estruturalmente, gerava exploração e miséria, a classe operária percebeu que pequenas melhorias pontuais (como um pequeno aumento salarial ou uma jornada um pouco menor) não resolveriam o problema de fundo. A exploração era sistêmica, impulsionada pela própria lógica capitalista (lucro, competitividade).
- Ambição de Classe: O texto menciona a “ambição de classe”. Essa ambição ia além de meros ajustes. Ela buscava uma mudança mais profunda, uma emancipação dos operários da sua condição de explorados. Para isso, era necessário confrontar a estrutura que gerava a exploração.
- Conexão com a Alternativa B: A alternativa B afirma que a necessidade de mobilização permanente decorria da “compreensão de que a completa transformação da economia capitalista seria fundamental para a emancipação dos operários.” Esta frase resume perfeitamente a lógica: as condições miseráveis eram produto do sistema capitalista; para alcançar a “emancipação” (libertação real, fim da miséria e exploração), não bastava remendar, era preciso transformar completamente o sistema. A mobilização tinha que ser permanente porque a luta era contra a própria essência do sistema.
Verificação Intermediária
A Revolução Industrial criou um sistema de exploração contínua. Para os operários, combater essa exploração não era apenas sobre pequenas melhorias, mas sobre uma mudança fundamental no próprio sistema, o que exigia uma luta constante.
Possível armadilha
Uma armadilha comum seria focar apenas em aspectos pontuais da luta operária, como a “qualificação para o enfrentamento do desemprego” (Alternativa A) ou as “manifestações coletivas em favor dos direitos trabalhistas” (Alternativa E). Embora essas ações fizessem parte da mobilização, o texto, ao mencionar “ambição de classe” e o impacto sistêmico da Revolução Industrial, sugere que a compreensão dos operários era mais profunda: a luta era pela “emancipação”, o que implica uma mudança estrutural, não apenas ajustes. A Alternativa C pode parecer plausível ao focar nas máquinas, mas a questão vai além do simples “ganho material” e se aprofunda na “emancipação”. A Alternativa D sugere uma visão otimista do progresso tecnológico que não se alinha com a “miséria” descrita no texto.
Fechamento e expectativa
O raciocínio indica que a mobilização permanente era vista como necessária para uma mudança de fundo, ou seja, uma transformação da estrutura econômica que causava a miséria operária. A alternativa que reflete essa busca por uma transformação completa do sistema é a mais coerente.
✅ Passo 5: Análise das Alternativas
(🔴) Alternativa A: Esta alternativa está incorreta. Embora o desemprego fosse uma realidade, a “necessidade da mobilização permanente” para a classe operária, segundo o texto de Hobsbawm, não se limitava a um “esforço de qualificação” individual. A luta era coletiva e visava a mudanças estruturais, não apenas à adaptação individual ao mercado de trabalho.
(🟢) Alternativa B: Esta alternativa está correta. O texto indica que os operários desenvolveram “consciência de classe e ambição de classe”. Dada a miséria e exploração impostas pela Revolução Industrial, a compreensão de que a “completa transformação da economia capitalista” era “fundamental para a emancipação dos operários” justifica a “mobilização permanente”. Ou seja, a luta não era por pequenos ganhos, mas por uma mudança radical do sistema que os oprimia.
(🔴) Alternativa C: Esta alternativa está incorreta. A introdução das máquinas de fato diminuía as possibilidades de ganho e gerava desemprego, mas a “necessidade de mobilização permanente” era uma resposta mais abrangente a todo o sistema de exploração e à busca por “emancipação”, e não apenas ao aspecto pontual da perda de ganho material imediato. A emancipação é um objetivo mais profundo.
(🔴) Alternativa D: Esta alternativa está incorreta. O texto de Hobsbawm, ao descrever o “grito do homem miserável”, não sugere que os operários acreditavam que o “progresso tecnológico geraria a distribuição de riquezas” automaticamente. Pelo contrário, a mobilização permanente indica uma luta contra um sistema que concentrava riquezas e gerava miséria.
(🔴) Alternativa E: Esta alternativa está incorreta. Embora a “melhoria das condições de vida” e os “direitos trabalhistas” fossem objetivos das manifestações, a “necessidade da mobilização permanente” decorria de uma compreensão mais radical, de que era preciso uma “completa transformação da economia capitalista” para a verdadeira “emancipação”, e não apenas de vitórias pontuais em termos de direitos.
🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
Resumo do Raciocínio
A “necessidade da mobilização permanente” da classe operária, impulsionada pela Revolução Industrial, surgiu da compreensão de que sua miséria e exploração eram estruturais. Para alcançar a verdadeira emancipação, era preciso ir além de reivindicações pontuais e lutar pela transformação completa do sistema econômico capitalista.
Gabarito Reafirmado
A alternativa correta é a B.
Resumo Final para Revisão 🔍
Lembre-se que o movimento operário do século XIX, diante da miséria industrial, buscava não só melhorias, mas uma emancipação que só viria com a transformação do sistema!