15% off para você conhecer a Plataforma Assaad

Didática mágica, resultados garantidos. Aproveite mais de 15% de desconto na Plataforma Assaad e garanta sua aprovação em Medicina ainda em 2025.

Questão 121, caderno azul do ENEM 2010

O presidente Lula assinou, em 29 de setembro de 2008, decreto sobre o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. As novas regras afetam principalmente o uso dos acentos agudo e circunflexo, do trema e do hífen. Longe de um consenso, muita polêmica tem-se levantado em Macau e nos oito países de língua portuguesa: Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor leste.

Comparando as diferentes opiniões sobre a validade de se estabelecer o acordo para fins de unificação, o argumento que, em grande parte, foge a essa discussão é:

A) “A Academia (Brasileira de Letras) encara essa aprovação como um marco histórico. Inscreve-se, finalmente, a Língua Portuguesa no rol daquelas que conseguiram beneficiar-se há mais tempo da unificação de seu sistema de grafar, numa demonstração de consciência da política do idioma e de maturidade na defesa, difusão e ilustração da língua da Lusofonia.” SANDRONI, C. Presidente da ABL. Disponível em: http://academia.org.br. Acesso em: 10 nov. 2008.    

B) “Acordo ortográfico? Não, obrigado. Sou contra. Visceralmente contra. Filosoficamente contra. Linguisticamente contra. Eu gosto do “c” do “actor” e o “p” de “cepticismo”. Representa um patrimônio, uma pegada etimológica que faz parte de uma identidade cultural. A pluralidade é um valor que deve ser estudado e respeitado. Aceitar essa aberração significa apenas que a irmandade entre Portugal e o Brasil continua a ser a irmandade do atraso.” COUTINHO, J. P. Folha de São Paulo, Ilustrada. 28 set. 2008, E1 (adaptado).    

C) “Há um conjunto de necessidades políticas e econômicas com vista à internacionalização do português como identidade e marca econômica. É possível que o (Femando) Pessoa, como produto de exportação, valha mais do que a PT (Portugal Telecom). Tem um valor econômico único.” RIBEIRO, J. A. P. Ministro da Cultura de Portugal. Disponível em: http://ultimahora.publico.clix.pt. Acesso em: 10 nov. 2008.    

D) “É um acto cívico batermo-nos contra o Acordo Ortográfico.” “O acordo não leva a unidade nenhuma.” “Não se pode aplicar na ordem interna um instrumento que não está aceita internacionalmente” e nem assegura “a defesa da língua como patrimônio, como prevê a Constituição nos artigos 9º e 68º.” MOURA, V. G. Escritor e euro deputado. Disponível em: www.mundoportugues.org. Acesso em: 10 nov. 2008.    

E) “Se é para ter uma lusofonia, o conceito [unificação da língua] deve ser mais abrangente e temos de estar em paridade. Unidade não significa que temos que andar todos ao mesmo passo. Não é necessário que nos tornemos homogêneos. Até porque o que enriquece a língua portuguesa são as diversas literaturas e formas de utilização.” RODRIGUES, M. H. Presidente do Instituto Português do Oriente, sediado em Macau. Disponível em: http://taichungpou.blogspot.com. Acesso em: 10. nov. 2008 (adaptado).   

Resolução em Texto

📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Interpretação de Texto
  • Análise de Discurso e Argumentação
  • Língua Portuguesa (Contexto do Acordo Ortográfico)

🎯 Tema/Objetivo Geral: Identificar, entre diferentes argumentos sobre o Novo Acordo Ortográfico, aquele que se desvia do foco principal da discussão (a unificação da escrita e suas implicações culturais/linguísticas).

📊 Nível da Questão: Médio a Difícil.
Por quê? A questão exige uma leitura crítica e a capacidade de discernir a nuance de cada argumento. Todos os textos falam sobre a língua portuguesa em um contexto internacional. A dificuldade está em perceber que, enquanto quatro alternativas discutem a validade e as consequências do Acordo Ortográfico em si, uma delas usa a “internacionalização da língua” para justificar algo diferente, tangenciando o tema principal da unificação da escrita.

✅ Gabarito: Alternativa C.
Resumo: As alternativas A, B, D e E debatem diretamente os méritos e deméritos do Acordo Ortográfico como ferramenta de unificação. A alternativa C, embora mencione a “internacionalização do português”, foca no valor econômico da língua como um “produto de exportação” (usando Fernando Pessoa como exemplo), sem se aprofundar na validade ou nos problemas do acordo em si.


Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

Transcrição Essencial 📌
“Comparando as diferentes opiniões sobre a validade de se estabelecer o acordo para fins de unificação, o argumento que, em grande parte, foge a essa discussão é…”

O que está sendo pedido?
A questão nos pede para ler cinco opiniões sobre o Acordo Ortográfico e encontrar qual delas não está realmente discutindo se o acordo é bom ou ruim para a unificação da língua, mas sim abordando um tema paralelo.

Objetivo Cristalino 💎
Nosso objetivo é identificar o “ponto fora da curva”. Quatro argumentos estarão focados no debate central: “O Acordo Ortográfico é uma boa ou má ideia para unificar a língua?”. O quinto argumento estará usando o contexto da unificação para falar de outra coisa.

🧠 Pergunta de Atenção: Imagine um debate sobre construir uma nova ponte para unir duas cidades. Quatro pessoas discutem se a ponte vai ser forte o suficiente, se vai respeitar a arquitetura local ou se vai realmente facilitar o trânsito. A quinta pessoa diz: “Essa ponte vai aumentar o valor dos imóveis!”. A quinta pessoa fugiu do debate central sobre a validade da ponte como estrutura de união e focou em uma consequência econômica, certo? A lógica aqui é a mesma.


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdo Necessários

Definição de Termos 🔖

  • Acordo Ortográfico: Um tratado internacional com o objetivo de criar uma única ortografia oficial para a língua portuguesa, a ser usada por todos os países lusófonos. A ideia é padronizar a escrita para facilitar a comunicação, o intercâmbio cultural e a circulação de publicações.
  • Discussão Central: A polêmica em torno do acordo gira em torno de questões como:
    • Pró-acordo: Defende que a unificação fortalece a língua no cenário mundial, facilita negócios e o ensino.
    • Contra-acordo: Argumenta que a unificação apaga identidades culturais, desrespeita a evolução natural da língua em cada país (pluralidade) e impõe uma padronização artificial.

Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

Contextualização Simplificada 💬
Estamos lendo o “feed” de uma rede social onde cinco especialistas comentam sobre o Acordo Ortográfico. Nossa tarefa é encontrar o comentário que é quase um “off-topic”. Quatro deles estão brigando diretamente sobre as regras do acordo (“eu amo!”, “eu odeio!”, “isso é bom para a união!”, “isso destrói nossa identidade!”). O quinto comentário, no entanto, olha para a situação e diz algo como: “O importante é que, com a língua mais famosa, vamos poder vender mais livros do Fernando Pessoa e ganhar dinheiro”. Esse último comentário não está discutindo a validade do acordo, mas sim o potencial econômico da língua.

Estratégia Geral 🗺️
Vamos ler cada alternativa e nos perguntar: “Este autor está defendendo ou atacando o Acordo Ortográfico e a ideia de unificação?”. Se a resposta for sim, ele está dentro do debate. Se a resposta for “ele está falando de outra coisa, usando o acordo como pretexto”, então encontramos nosso argumento “fujão”.


Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio

Passo a Passo Detalhado 👣

  • Análise da Alternativa A: O presidente da ABL celebra a aprovação como um “marco histórico” para a “unificação de seu sistema de grafar”. Posição: A favor do acordo e da unificação. Está 100% dentro do debate.
  • Análise da Alternativa B: O autor se declara “visceralmente contra” o acordo. Defende a pluralidade e critica a perda da “identidade cultural”. Posição: Contra o acordo e a unificação. Está 100% dentro do debate.
  • Análise da Alternativa C: O ministro fala de “necessidades políticas e econômicas” e do “valor econômico” do português, citando Fernando Pessoa como um “produto de exportação”. Ele não emite um juízo de valor sobre o acordo ser bom ou ruim para a escrita; ele apenas aponta que a internacionalização da língua (um objetivo do acordo) tem um viés econômico. Posição: Foco no potencial econômico da língua, não no mérito da unificação ortográfica. Este é um forte candidato a ser o argumento que foge da discussão.
  • Análise da Alternativa D: O autor se posiciona claramente: “batermo-nos contra o Acordo Ortográfico”. Critica a falta de unidade e a legalidade do instrumento. Posição: Contra o acordo e a unificação. Está 100% dentro do debate.
  • Análise da Alternativa E: A autora defende que “unidade não significa […] homogeneidade” e que a riqueza da língua está na diversidade. É uma crítica sutil à ideia de unificação forçada proposta pelo acordo. Posição: Contra a unificação nos moldes do acordo. Está 100% dentro do debate.

Fechamento e Expectativa
A análise mostra que A, B, D e E estão engajados diretamente no debate sobre a validade da unificação via Acordo Ortográfico. A alternativa C, por outro lado, desvia o foco para o aspecto puramente econômico, tangenciando o cerne da questão.


Passo 5: Análise das Alternativas

A) (🔴) Argumento direto: Defende abertamente a unificação como um marco histórico. Participa centralmente da discussão.

B) (🔴) Argumento direto: Ataca visceralmente o acordo e a unificação, defendendo a pluralidade e a identidade cultural. Participa centralmente da discussão.

C) (🟢) Argumento que foge da discussão: O foco não é a validade do acordo, mas o valor econômico da língua como um produto. Ele fala sobre a consequência da internacionalização (ganho econômico) sem debater se o meio (o acordo) é bom ou ruim linguisticamente.

D) (🔴) Argumento direto: Critica frontalmente o acordo, questionando sua eficácia e legalidade para promover a unidade. Participa centralmente da discussão.

E) (🔴) Argumento direto: Questiona o conceito de unificação do acordo, defendendo que a unidade não precisa de homogeneidade e valorizando a diversidade. Participa centralmente da discussão.


Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

Resumo do Raciocínio 📝
A questão pedia para identificar o argumento que se desviava do debate principal sobre a validade do Acordo Ortográfico como instrumento de unificação. Enquanto quatro das cinco opiniões se posicionam claramente a favor ou contra a unificação e suas implicações culturais e linguísticas, o argumento da alternativa C muda o foco para o potencial econômico da internacionalização da língua portuguesa, tratando-a como um “produto de exportação”. Este enfoque econômico foge à discussão central sobre os méritos e deméritos do acordo em si.

Gabarito Reafirmado 🏅
A alternativa correta é a C.

Resumo Final para Revisão 🔍
Ao analisar argumentos, sempre se pergunte: “Qual é a tese central do autor?”. Quatro autores defendiam uma tese sobre o acordo. O quinto defendia uma tese sobre o valor econômico da língua. Identificar essa diferença na tese central é a chave para resolver a questão.

Encontrou algum erro?

Clique no botão abaixo e reporte para os nossos corretores.