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Questão 76 caderno azul ENEM 2010 comum Dia 1

Investigadores das Universidades de Oxford e da Califórnia desenvolveram uma variedade de Aedes aegypti geneticamente modificada que é candidata para uso na busca de redução na transmissão do vírus da dengue. Nessa nova variedade de mosquito, as fêmeas não conseguem voar devido à interrupção do desenvolvimento do músculo das asas. A modificação genética introduzida é um gene dominante condicional, isso é, o gene tem expressão dominante (basta apenas uma cópia do alelo) e este só atua nas fêmeas. 

FU, G. et al. Female-specific flightless phenotype for mosquito control. PNAS 107 (10): 4550-4554, 2010.

Prevê-se, porém, que a utilização dessa variedade de Aedes aegypti demore ainda anos para ser implementada, pois há demanda de muitos estudos com relação ao impacto ambiental.

A liberação de machos de Aedes aegypti dessa variedade geneticamente modificada reduziria o número de casos de dengue em uma determinada região porque 

A) diminuiria o sucesso reprodutivo desses machos transgênicos.

B) restringiria a área geográfica de voo dessa espécie de mosquito. 

C) dificultaria a contaminação e reprodução do vetor natural da doença.

D) tornaria o mosquito menos resistente ao agente etiológico da doença.

E) dificultaria a obtenção de alimentos pelos machos geneticamente modificados.

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Genética (Conceitos de Gene Dominante, Alelos)
  • Biotecnologia (Transgenia / Organismos Geneticamente Modificados – OGM)
  • Ecologia de Populações (Controle Biológico de Vetores)
  • Biologia do Vetor (Aedes aegypti – ciclo reprodutivo e transmissão de doenças)

Tema/Objetivo Geral:
Analisar uma estratégia de controle populacional de um vetor de doença (mosquito da dengue) por meio de manipulação genética.

Nível da Questão
Médio – A questão é de nível médio porque exige a interpretação de um cenário biotecnológico complexo. O aluno precisa conectar conceitos de genética (gene dominante condicional), biologia do mosquito (só a fêmea pica) e ecologia (impacto na população) para deduzir o mecanismo de funcionamento da estratégia, que não é imediatamente óbvio.

Gabarito
C) – A alternativa está correta pois o mecanismo de ação da tecnologia é justamente interromper o ciclo de vida da prole. As fêmeas da geração seguinte, ao serem incapazes de voar, não conseguem se alimentar de sangue (necessário para os ovos) nem encontrar parceiros, dificultando ou impedindo a reprodução e, assim, controlando a população do vetor.


🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

1.1 Transcrição Essencial
“A liberação de machos de Aedes aegypti dessa variedade geneticamente modificada reduziria o número de casos de dengue em uma determinada região porque…”

1.2 O que está sendo pedido?
A questão pede para explicarmos o mecanismo exato pelo qual a soltura desses machos transgênicos leva à diminuição da dengue. Precisamos identificar o ponto-chave da estratégia.

1.3 Objetivo Cristalino
Nosso objetivo é traçar a cadeia de eventos: o que acontece quando o macho modificado cruza com uma fêmea normal? Qual o efeito disso na prole? E como esse efeito na prole impacta a população total de mosquitos e a transmissão da doença?

1.4 Pergunta de Atenção
Você se perguntou por que liberam justamente os machos, e não as fêmeas? Lembrar quem pica e transmite a doença é fundamental para entender a estratégia!


📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

2.1 Definições e Fórmulas / explicação de termos
Para entender o problema, vamos esclarecer alguns conceitos:

  • Organismo Geneticamente Modificado (OGM) ou Transgênico: É um ser vivo que teve seu material genético (DNA) alterado pela introdução de um ou mais genes de outra espécie. No caso, os mosquitos receberam um gene “defeituoso” artificial.
  • Gene Dominante: É uma versão de um gene que manifesta sua característica mesmo que o indivíduo tenha apenas uma cópia dele. Se um indivíduo herda esse gene do pai ou da mãe, a característica aparecerá.
  • Vetor: Em saúde, é o organismo (geralmente um inseto) que transmite um agente infeccioso (vírus, bactéria) de uma pessoa para outra. O Aedes aegypti é o vetor do vírus da dengue.
  • Ciclo de Vida do Aedes aegypti: É crucial saber que apenas a fêmea pica. Ela precisa do sangue para maturar seus ovos. O macho se alimenta de seiva de plantas e néctar. Portanto, o macho não transmite a dengue. A estratégia de liberar machos é segura, pois eles não picam.

📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

3.1 Contextualização Simplificada
Vamos simplificar a estratégia: cientistas criaram um “super-macho” do Aedes aegypti. Ele é normal em tudo, exceto por carregar um “presente genético envenenado” para suas filhas. Quando ele acasala com uma fêmea comum na natureza, suas filhas nascem com um defeito que as impede de voar. A pergunta é: como isso ajuda a combater a dengue?

3.2 Estratégia Geral
Nosso plano será seguir a lógica da vida dos mosquitos:

  1. Analisar o que acontece após o cruzamento do macho transgênico com uma fêmea selvagem.
  2. Entender as consequências para as filhas que herdam o gene defeituoso.
  3. Conectar essas consequências com a capacidade da população de mosquitos de se manter e transmitir a doença.

🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio e Cálculos

4.1 Passo a Passo Detalhado
Vamos seguir a cadeia de eventos:

  1. O Cruzamento: Um macho transgênico (que carrega o gene dominante para “não voar em fêmeas”) cruza com uma fêmea normal (selvagem).
  2. A Prole (os filhos): Pela genética, como o gene é dominante, aproximadamente metade dos descendentes (machos e fêmeas) herdará o gene.
  3. O Efeito na Prole:
    • Os filhos machos que herdam o gene não são afetados. Eles nascem normais, voam e podem passar o gene para a próxima geração.
    • As filhas fêmeas que herdam o gene são as afetadas: elas não conseguem voar.
  4. Consequências para as Fêmeas que não voam:
    • Elas não podem procurar alimento (picar humanos para obter sangue).
    • Sem sangue, elas não conseguem maturar seus ovos.
    • Elas não podem procurar um parceiro para acasalar.
    • Elas não podem voar para locais adequados (com água parada) para botar ovos, mesmo que os tivessem.
  5. Impacto na População: Essencialmente, uma grande parte da nova geração de fêmeas é eliminada do ciclo reprodutivo. Menos fêmeas se reproduzindo significa uma queda drástica no número de mosquitos na geração seguinte.

Conclusão: A estratégia funciona quebrando o ciclo de vida e dificultando a reprodução da população do mosquito vetor.

4.2 Verificação Intermediária
O alvo da tecnologia não são os machos liberados, mas sim a prole deles, especificamente as fêmeas. É uma forma de controle de natalidade genético.

4.3 Possível armadilha
A principal armadilha é pensar que a modificação afeta os machos que são liberados. A alternativa A, por exemplo, sugere isso. O texto é claro: os machos são normais, o problema é “herdado” pelas filhas. Outra armadilha é pensar que o macho modificado não consegue se alimentar (Alternativa E), mas o macho não pica, e a modificação não afeta sua alimentação.

4.4 Fechamento e expectativa
Estamos procurando uma alternativa que explique que o problema central é a interrupção do ciclo de vida ou da reprodução da população de mosquitos, causada pela inviabilidade das fêmeas da geração seguinte.


✅ Passo 5: Análise das Alternativas

5.1 Listagem das Alternativas
A) diminuiria o sucesso reprodutivo desses machos transgênicos.
B) restringiria a área geográfica de voo dessa espécie de mosquito.
C) dificultaria a contaminação e reprodução do vetor natural da doença.
D) tornaria o mosquito menos resistente ao agente etiológico da doença.
E) dificultaria a obtenção de alimentos pelos machos geneticamente modificados.

5.2 Justificativa Individual

  • A) 🔴 Errada. O exato oposto é necessário. Para a estratégia funcionar, os machos transgênicos precisam ter alto sucesso reprodutivo, competindo com os machos normais para espalhar o gene modificado.
  • B) 🔴 Errada. Os machos transgênicos voam normalmente e podem se espalhar. A restrição de voo ocorre apenas nas fêmeas da próxima geração, o que não restringe a área geográfica da espécie, mas sim diminui sua população local.
  • C) 🟢 Correta. Esta alternativa descreve perfeitamente o resultado. Ao gerar fêmeas que não podem voar (e, portanto, não podem picar ou se reproduzir), a estratégia dificulta a reprodução do vetor. Menos vetores se reproduzindo leva a menos mosquitos para se contaminar e transmitir a dengue.
  • D) 🔴 Errada. O texto não menciona nada sobre a resistência do mosquito ao vírus da dengue. A modificação genética afeta o músculo da asa, não o sistema imunológico do mosquito.
  • E) 🔴 Errada. Os machos se alimentam de néctar e seiva, e a modificação genética não os afeta. Eles se alimentam normalmente.

🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

6.1 Resumo do Raciocínio
A estratégia funciona introduzindo machos transgênicos que passam um gene dominante para sua prole. Esse gene impede que as fêmeas da geração seguinte voem, o que as torna incapazes de se alimentar de sangue e de se reproduzir, quebrando o ciclo de vida do vetor.

6.2 Gabarito Reafirmado
A alternativa correta é a C, pois a principal consequência da liberação dos machos transgênicos é dificultar a reprodução do mosquito vetor, levando à redução de sua população.

6.3 Resumo Final para Revisão 🔍
Lembre-se: a estratégia não é matar o mosquito de hoje, mas sim impedir que a fêmea de amanhã possa voar, picar e ter filhos. É um controle de natalidade genético.

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