15% off para você conhecer a Plataforma Assaad

Didática mágica, resultados garantidos. Aproveite mais de 15% de desconto na Plataforma Assaad e garanta sua aprovação em Medicina ainda em 2025.

Questão 131, caderno cinza do ENEM 2012 PPL

A rua

Bem sei que, muitas vezes,
O único remédio
É adiar tudo. É adiar a sede, a fome, a viagem,
A dívida, o divertimento,
O pedido de emprego, ou a própria alegria.
A esperança é também uma forma
De contínuo adiamento.
Sei que é preciso prestigiar a esperança,
Numa sala de espera.
Mas sei também que espera significa luta e não, apenas,
Esperança sentada.
Não abdicação diante da vida.

A esperança
Nunca é a forma burguesa, sentada e tranquila da espera.
Nunca é figura de mulher
Do quadro antigo.
Sentada, dando milho aos pombos.

RICARDO, C. Disponível em: www.revista.agulha.nom.br. Acesso em: 2 jan. 2012.

O poema de Cassiano Ricardo insere-se no Modernismo brasileiro. O autor metaforiza a crença do sujeito lírico numa relação entre o homem e seu tempo marcada por:

A) um olhar de resignação perante as dificuldades materiais e psicológicas da vida.

B) uma ideia de que a esperança do povo brasileiro está vinculada ao sofrimento e às privações.

C) uma posição em que louva a esperança passiva para que ocorram mudanças sociais.

D) um estado de inércia e de melancolia motivado pelo tempo passado “numa sala de espera”.

E) uma atitude de perseverança e coragem no contexto de estagnação histórica e social.

Resolução em Texto

 Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Literatura Brasileira (Modernismo – 2ª ou 3ª Geração)
  • Interpretação de Texto Poético
  • Figuras de Linguagem (Metáfora)

 Tema/Objetivo Geral: Análise de um poema para interpretar o conceito de “esperança” defendido pelo eu lírico e sua relação com a ação social.

 Nível da Questão: Médio.

  • Por quê? O poema trabalha com uma redefinição de um conceito abstrato (“esperança”), contrapondo duas visões: a passiva e a ativa. É preciso acompanhar o raciocínio do eu lírico para entender qual das duas visões ele defende, o que exige uma leitura atenta e a capacidade de interpretar as metáforas (“esperança sentada”).

 Gabarito: Alternativa E.

  • Resumo: O poema constrói uma oposição entre a esperança como “adiamento” (espera passiva) e a esperança como “luta” (espera ativa). O eu lírico, ao final, rejeita a primeira (“Nunca é a forma burguesa, sentada”) e defende a segunda. Essa “esperança-luta” é uma atitude de coragem e perseverança necessária para enfrentar um contexto de estagnação e dificuldades.

Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

Transcrição Essencial
“O autor metaforiza a crença do sujeito lírico numa relação entre o homem e seu tempo marcada por…”

O que está sendo pedido?
A questão pede para identificarmos qual é a atitude ou crença que o eu lírico defende em relação à esperança e à vida, especialmente considerando um tempo de dificuldades.

Objetivo Cristalino 🎯
Nosso objetivo é entender a tese central do poema. O eu lírico está defendendo a resignação e a espera passiva, ou ele está defendendo a luta e a ação, mesmo em tempos difíceis?

🧠 O poema define dois tipos de esperança. Uma é a “esperança sentada”, a outra é “luta”. Qual delas o eu lírico aprova e qual ele rejeita? A resposta a essa pergunta é o coração do poema.


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdo Necessários

Definição de Termos 🔖

  • Modernismo (Pós-30): O poeta Cassiano Ricardo, embora tenha participado da primeira fase do Modernismo, é frequentemente associado a fases posteriores. A poesia modernista pós-1930 (Geração de 30 e 45) muitas vezes incorpora uma forte consciência social e política, refletindo sobre os dilemas do homem no mundo contemporâneo, a luta contra a opressão e a necessidade de engajamento.
  • Metáfora da Esperança: O poema não trata a esperança como um simples sentimento, mas a transforma em uma metáfora para duas posturas diferentes diante da vida:
    1. Esperança Passiva (“Esperança Sentada”): É a esperança como mera espera, como “adiamento”. É descrita como “burguesa, sentada e tranquila”, associada a uma imagem de inércia (“dando milho aos pombos”). O eu lírico rejeita essa visão.
    2. Esperança Ativa (“Luta”): O eu lírico redefine a palavra: “Mas sei também que espera significa luta e não, apenas, / Esperança sentada. / Não abdicação diante da vida.” Esta é a esperança que ele defende: uma espera que é ativa, perseverante e corajosa, que não desiste de agir mesmo em um contexto de estagnação.

Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

Contextualização Simplificada 💬
O poeta começa dizendo: “Eu sei, às vezes a gente tem que adiar tudo, deixar pra depois. A própria esperança é um tipo de adiamento.” Até aqui, parece um poema sobre resignação. Mas aí vem a virada: “Mas espera aí! Esperar não é ficar parado de braços cruzados! Esperar é lutar! Esperança de verdade não é essa esperança de madame, sentada no banco da praça dando milho aos pombos. Esperança é ação!” A questão quer saber: qual alternativa resume essa ideia de “esperança é ação”?

Estratégia Geral

  1. Identificar as duas visões de “esperança” apresentadas no poema.
  2. Perceber qual delas o eu lírico critica e qual ele defende.
  3. Conectar a visão defendida (esperança = luta) ao cenário de dificuldades implícito no poema.

Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio

Passo a Passo Detalhado

  1. O Reconhecimento da Realidade: O poema começa reconhecendo a dureza da vida, onde muitas vezes é preciso “adiar tudo” (“a sede, a fome, a viagem”). A esperança, nesse primeiro momento, é vista como parte desse adiamento.
  2. A Redefinição Crítica: O eu lírico introduz um “Mas” que muda todo o sentido do poema: “Mas sei também que espera significa luta“. Ele se opõe à ideia de uma espera passiva.
  3. A Negação da Passividade: Ele reforça essa ideia com negações fortes: “não, apenas, / Esperança sentada. / Não abdicação diante da vida.” Ele está combatendo a resignação.
  4. A Crítica à “Esperança Burguesa”: Na última estrofe, ele associa a esperança passiva a uma imagem de acomodação e alienação: “forma burguesa, sentada e tranquila”, “figura de mulher / Do quadro antigo. / Sentada, dando milho aos pombos”.
  5. A Tese Final: Por exclusão, a esperança que o eu lírico defende é o oposto disso: é ativa, inquieta, corajosa e perseverante. É a atitude de quem continua lutando mesmo quando o cenário é de “estagnação”, onde é preciso ficar em uma “sala de espera”.

Possível armadilha 🚨
A alternativa A) um olhar de resignação é a principal armadilha. Ela se baseia apenas na primeira parte do poema (“adiar tudo”) e ignora completamente a virada argumentativa que ocorre a partir do “Mas sei também…”. É uma leitura parcial e, portanto, incorreta.

Fechamento e expectativa
Procuramos a alternativa que descreva a atitude de lutar e persistir mesmo em um contexto adverso.


Passo 5: Análise das Alternativas

🟡 A) um olhar de resignação perante as dificuldades materiais e psicológicas da vida.
A que mais confunde. Incorreta. Descreve a atitude que o poema critica e rejeita, e não a que ele defende.

🔴 B) uma ideia de que a esperança do povo brasileiro está vinculada ao sofrimento e às privações.
Incorreta. O poema não diz que a esperança depende do sofrimento, mas que a esperança-luta é a resposta ao sofrimento e à estagnação.

🔴 C) uma posição em que louva a esperança passiva para que ocorram mudanças sociais.
Incorreta. O texto faz o exato oposto: critica e desqualifica a esperança passiva (“burguesa, sentada”).

🔴 D) um estado de inércia e de melancolia motivado pelo tempo passado “numa sala de espera”.
Incorreta. Novamente, descreve o estado que o eu lírico combate. A “sala de espera” é o cenário, mas a atitude defendida para se estar nela é a de luta, não a de inércia.

🟢 E) uma atitude de perseverança e coragem no contexto de estagnação histórica e social.
Correta. Descreve perfeitamente a tese do poema. A “esperança” defendida é a “luta”, que implica em perseverança e coragem. O cenário de “adiamento” e de “sala de espera” pode ser metaforizado como um contexto de estagnação histórica e social, no qual a ação se faz ainda mais necessária.


Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

Resumo do Raciocínio
O poema de Cassiano Ricardo estabelece uma distinção crucial entre duas formas de esperança. Ele rejeita a esperança passiva, associada à resignação e à inércia (“esperança sentada”), e defende uma esperança ativa, que ele define como “luta” e “não abdicação”. Essa postura reflete uma atitude de perseverança e coragem, que se torna necessária para enfrentar um contexto de dificuldades e estagnação, no qual é preciso saber esperar sem deixar de agir.

Gabarito Reafirmado 🏅
A alternativa correta é a E.

Resumo Final para Revisão
Lembre-se do verbo “esperançar”, popularizado por Paulo Freire, que tem a mesma lógica do poema: não é “esperar”, é “ir atrás, não desistir”. O poema de Cassiano Ricardo é uma defesa do esperançar em vez do simples esperar.

[nav_alfabetica_posts]

Encontrou algum erro?

Clique no botão abaixo e reporte para os nossos corretores.