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Questão 044, caderno azul do ENEM 2012 ppl Caderno Branco

Questão 044 – ENEM PPL 2012 (Caderno BRANCO) -

A figura representada por Charles Chaplin critica o modelo de produção do início do século XX, nos Estados Unidos da América, que se espalhou por diversos países e setores da economia e teve como resultado:

A) a subordinação do trabalhador à máquina, levando o homem a desenvolver um trabalho repetitivo.

B) a ampliação da capacidade criativa e da polivalência funcional para cada homem em seu posto de trabalho.

C) a organização do trabalho que possibilitou ao trabalhador o controle sobre a mecanização do processo de produção.

D) o rápido declínio do absenteísmo, o grande aumento da produção conjugado com a diminuição das áreas de estoque.

E) as novas técnicas de produção que provocaram ganhos de produtividade, repassados aos trabalhadores como forma de eliminar as greves.

Resolução em texto

Resolução Em Texto

Olá! Vamos decifrar juntos essa questão clássica do ENEM que usa o genial filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, para discutir as transformações no mundo do trabalho. É uma ótima oportunidade para conectar cinema, história e sociologia.

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Sociologia do Trabalho (Fordismo, Alienação)
  • História (Segunda Revolução Industrial, Linha de Montagem)
  • Interpretação de Linguagem Visual (Cenas de Filme)

Tema/Objetivo Geral: A crítica à alienação e à exploração do trabalhador no modelo de produção fordista.

Nível da Questão: Fácil.

  • Detalhe: A questão é considerada fácil porque a imagem de Chaplin sendo “engolido” pelas engrenagens ou realizando movimentos repetitivos na linha de montagem é um dos ícones culturais mais conhecidos da crítica ao trabalho industrial. A alternativa correta descreve de forma direta e precisa a mensagem central do filme.

Gabarito: A

  • A alternativa está correta porque as cenas do filme “Tempos Modernos” satirizam de forma brilhante o modelo fordista de produção, no qual o trabalhador perde sua autonomia e se torna uma mera extensão da máquina, executando tarefas simples e repetitivas em um ritmo ditado pela linha de montagem.

Resolução Passo a Passo


🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

1.1 Transcrição Essencial
“A figura representada por Charles Chaplin critica o modelo de produção […] e teve como resultado:”

1.2 O que está sendo pedido?
A questão pede para identificarmos qual foi a principal consequência para o trabalhador do modelo de produção industrial criticado por Chaplin.

1.3 Objetivo Cristalino
Nossa missão é analisar as duas cenas do filme, entender qual é a crítica que Chaplin está fazendo e encontrar a alternativa que melhor descreve o resultado dessa crítica para o ser humano no trabalho.

1.4 Pergunta de Atenção
Na primeira imagem, Chaplin está literalmente sendo “engolido” pelas engrenagens. O que essa imagem tão forte simboliza sobre a relação entre o homem e a máquina naquele modelo de trabalho?


📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

2.1 Definições e explicação de termos
Para entender a fundo a crítica de Chaplin, precisamos conhecer o modelo que ele está satirizando: o Fordismo.

  • Fordismo: É o modelo de produção em massa desenvolvido por Henry Ford no início do século XX. Suas principais características são:
    1. Linha de Montagem: Uma esteira rolante leva o produto de um trabalhador ao outro. Cada operário fica parado, realizando uma única tarefa, pequena e específica, de forma repetitiva.
    2. Ritmo Controlado pela Máquina: A velocidade da esteira dita o ritmo do trabalho, e não mais a habilidade ou a vontade do trabalhador.
    3. Especialização Extrema: O trabalhador não precisa conhecer todo o processo de produção, apenas a sua minúscula etapa.
    4. Padronização: Todos os produtos são idênticos para baratear o custo e aumentar a velocidade da produção.
  • Alienação (Conceito de Karl Marx): A consequência humana desse processo. O trabalhador se torna “alienado” porque:
    • Perde o controle sobre o ritmo do trabalho: Ele é controlado pela máquina.
    • Perde o conhecimento do processo total: Ele só conhece sua pequena parte e não se vê como o criador do produto final.
    • O trabalho se torna mecânico e sem sentido: A repetição exaustiva de uma única tarefa tira a criatividade e o prazer do trabalho. O trabalhador se sente apenas uma peça na engrenagem.

📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

3.1 Contextualização Simplificada
Imagine uma fábrica onde sua única função é apertar o mesmo parafuso o dia inteiro, o mais rápido que a esteira permitir. Chaplin, em seu filme, mostra de forma cômica e trágica o que isso faz com uma pessoa: ela se torna quase um robô, repetindo o movimento mesmo depois de sair da fábrica. A primeira imagem, com ele dentro das engrenagens, é a metáfora perfeita: o homem não controla mais a máquina; a máquina o controla e o “devora”.

3.2 Estratégia Geral
A estratégia é conectar a linguagem visual das cenas com os conceitos sociológicos:

  1. Analisar a Imagem 1: O que significa ser “engolido” pelas engrenagens?
  2. Analisar a Imagem 2: O que a linha de montagem e o movimento repetitivo de Chaplin representam?
  3. Sintetizar a crítica: a desumanização do trabalho.
  4. Procurar a alternativa que descreve essa desumanização.

🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio e Análise das Imagens

4.1 Passo a Passo Detalhado

  • Análise da Imagem 1 (As Engrenagens): Esta imagem é uma metáfora poderosa. Ela mostra a subordinação do homem à máquina. O trabalhador, Carlitos, não está no comando; ele é apenas mais uma peça, pequena e frágil, dentro de um sistema mecânico gigante e impessoal que o domina.
  • Análise da Imagem 2 (A Linha de Montagem): Esta cena mostra a prática do fordismo. Carlitos realiza uma tarefa específica (apertar porcas) de forma frenética e repetitiva, tentando acompanhar o ritmo da esteira. Seus movimentos são mecânicos, quase como os de um autômato.
  • Síntese da Crítica: Juntas, as imagens criticam um sistema de produção que transforma o ser humano em um apêndice da máquina, tirando sua autonomia, criatividade e humanidade, forçando-o a um trabalho repetitivo e alienante.

4.2 Verificação Intermediária
A alternativa A fala exatamente sobre a “subordinação do trabalhador à máquina” e o “trabalho repetitivo”, o que se encaixa perfeitamente na nossa análise.

4.3 Possível armadilha
A principal armadilha seria a alternativa E. Ela menciona “ganhos de produtividade”, o que é verdade no fordismo, mas a segunda parte, “repassados aos trabalhadores como forma de eliminar as greves”, é uma visão incompleta e otimista. Embora Ford tenha aumentado os salários (o “Five-Dollar Day”), o objetivo principal era diminuir a altíssima rotatividade de funcionários e criar um mercado consumidor para seus próprios carros, e não “eliminar as greves” de forma harmoniosa. Além disso, o foco da crítica de Chaplin não é o salário, mas a condição do trabalho.

4.4 Fechamento e expectativa
Concluímos que a crítica de Chaplin é focada na desumanização do trabalho fordista. Esperamos encontrar uma alternativa que descreva a subordinação do homem à máquina e a natureza repetitiva das tarefas.


✅ Passo 5: Análise das Alternativas

5.1 Listagem das Alternativas
A) a subordinação do trabalhador à máquina, levando o homem a desenvolver um trabalho repetitivo.
B) a ampliação da capacidade criativa e da polivalência funcional para cada homem em seu posto de trabalho.
C) a organização do trabalho que possibilitou ao trabalhador o controle sobre a mecanização do processo de produção.
D) o rápido declínio do absenteísmo, o grande aumento da produção conjugado com a diminuição das áreas de estoque.
E) as novas técnicas de produção que provocaram ganhos de produtividade, repassados aos trabalhadores como forma de eliminar as greves.

5.2 Justificativa Individual

  • A) (🟢) Correta. Descreve com precisão a essência da crítica de Chaplin e do modelo fordista: o trabalhador perde o controle e é submetido ao ritmo da máquina, realizando uma tarefa repetitiva e alienante.
  • B) (🔴) Incorreta. Esta alternativa descreve características do Toyotismo (pós-fordismo), um modelo de produção posterior que valoriza a polivalência e a criatividade. O fordismo fazia o exato oposto.
  • C) (🔴) Incorreta. O fordismo tirou o controle do trabalhador sobre o processo, que passou a ser ditado pela gerência científica e pela velocidade da linha de montagem.
  • D) (🔴) Incorreta. A “diminuição das áreas de estoque” é uma característica do Toyotismo (“just-in-time”), não do Fordismo, que produzia em massa para estocar.
  • E) (🔴) Incorreta. Como visto na armadilha, o foco da crítica de Chaplin é a alienação no trabalho, e não as questões salariais.

🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

6.1 Resumo do Raciocínio
As cenas do filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, são uma sátira contundente ao modelo de produção fordista, predominante no início do século XX. A crítica central é a forma como esse sistema desumaniza o trabalhador, submetendo-o ao ritmo incessante da linha de montagem e reduzindo sua atividade a uma tarefa mecânica e repetitiva, o que leva a um profundo processo de alienação.

6.2 Gabarito Reafirmado
A resposta correta é a alternativa A.

6.3 Resumo Final para Revisão 🔍
Lembre-se da diferença fundamental entre os modelos de produção:

  • Fordismo: Linha de montagem, tarefas repetitivas, grandes estoques, trabalhador especializado em uma única coisa. Crítica: Alienação.
  • Toyotismo: Células de produção, “just-in-time”, zero estoque, trabalhador polivalente (sabe fazer várias coisas).

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