Apesar de todo o esforço em prol de uma língua internacional artificial, até o momento a sensação é de relativo fracasso. Praticamente nenhum país adotou o ensino obrigatório de uma língua artificial, a comunidade científica continua a se comunicar em inglês, e as línguas mais difundidas internacionalmente continuam a ser as de países política ou economicamente dominantes, como inglês, francês, espanhol, russo e chinês. Nem mesmo organismos supranacionais como a ONU e a União Europeia, onde reina uma babel de línguas, se mostraram até agora inclinados a adotar uma língua artificial.
BIZZOCCH, A. Línguas de laboratório. Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br.
Acesso em: 19 ago. 2011 (adaptado).
O esperanto, inventado no século XIX, é a língua artificial mais difundida atualmente. Entretanto, como o texto sugere, o desequilíbrio atual de poder entre os países impõe a:
A) busca de nova língua global.
B) recuperação das línguas mortas.
C) adoção de uma língua unificada.
D) valorização das línguas nacionais.
E) supremacia de algumas línguas naturais.

✍ Resolução Em Texto
📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- Sociolinguística (Relação entre língua e sociedade)
- Geopolítica e Globalização
- Hegemonia Cultural
🎯 Tema/Objetivo Geral: Compreensão dos fatores de poder que determinam a predominância de uma língua no cenário internacional.
🎯 Nível da Questão: Médio – A questão exige que o aluno vá além da superfície (a ideia de uma língua universal “justa”) e compreenda a dinâmica de poder que rege a comunicação global. A resposta não está na lógica, mas na geopolítica.
✅ Gabarito: E – A alternativa está correta, pois o texto argumenta que o poder político e econômico de certas nações impõe a dominância (supremacia) de suas línguas naturais no cenário internacional.
📖 Resolução Passo a Passo
🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
Transcrição Essencial 📌
“…o desequilíbrio atual de poder entre os países impõe a:”
O que está sendo pedido? 📌
A questão quer que a gente identifique qual é a consequência, no campo das línguas, causada pelo fato de existirem países muito mais poderosos (econômica e politicamente) do que outros.
Objetivo Cristalino 📌
Nosso objetivo é conectar a ideia de “desequilíbrio de poder” com o fenômeno linguístico descrito no texto (o fracasso das línguas artificiais e o sucesso de outras) para encontrar a alternativa que descreve esse resultado.
Pergunta de Atenção ✔
Por que a maioria das escolas no mundo ensina inglês e não esperanto, que foi criado para ser mais fácil e neutro? A resposta para essa pergunta é o coração da questão.
📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
| Termo/Conceito | Explicação Simples e Direta | Exemplo do Cotidiano (Analogia) |
| Língua Artificial (ou planejada) | Uma língua que não surgiu naturalmente em uma comunidade, mas foi inventada por uma pessoa ou grupo com um objetivo específico (como o Esperanto, criado para ser uma língua universal neutra). | É como construir um carro em laboratório, peça por peça, seguindo um projeto, em vez de um cavalo que evoluiu naturalmente ao longo de milhões de anos. |
| Língua Natural | Uma língua que evoluiu organicamente ao longo de séculos de uso por uma comunidade de falantes, como o português, o inglês, o chinês, etc. | É o próprio cavalo da analogia, que se adaptou e mudou com o tempo de forma espontânea. |
| Hegemonia Cultural/Linguística | É a dominação de uma cultura ou língua sobre as outras, não pela força militar, mas pela sua influência e prestígio. A cultura dominante passa a ser vista como “padrão” ou “universal”. | O fato de que filmes de Hollywood são assistidos no mundo todo e definem tendências de moda, música e comportamento é um exemplo de hegemonia cultural americana. |
| Poder Suave (Soft Power) | Conceito da geopolítica. É a capacidade de um país de influenciar outros através de sua cultura, valores e políticas, em vez de usar a força militar (“Hard Power”). A língua de um país é uma de suas principais ferramentas de “Poder Suave”. | O K-Pop e os doramas (séries coreanas) aumentam o interesse mundial pela Coreia do Sul e pela língua coreana. Isso é o “Poder Suave” coreano em ação. |
📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
Contextualização Simplificada 📌
Imagine que as línguas do mundo estão competindo em uma corrida. O esperanto é um corredor projetado em laboratório para ser o mais justo e eficiente. No entanto, o inglês, o chinês e o francês não estão correndo sozinhos; eles têm “patrocinadores” gigantescos (a economia dos EUA, o governo da China, a diplomacia da França). O texto diz que, por causa desses patrocinadores poderosos, os corredores “naturais” sempre ganham, e a corrida nunca é justa. A questão é: qual o nome que damos a esse resultado, onde alguns poucos corredores dominam completamente a pista?
Estratégia Geral 📌
Vamos analisar o argumento central do texto: o poder (político/econômico) é o fator decisivo para a difusão de uma língua. Vamos descartar as alternativas que propõem soluções ideais ou que ignoram essa dinâmica de poder e focar naquela que descreve o resultado real dessa competição desigual.
🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
Passo a Passo Detalhado 📌
- O Ideal vs. O Real: O ideal por trás de uma língua artificial como o esperanto é a neutralidade e a igualdade. Ninguém teria vantagem.
- A Realidade do Poder: O texto mostra que o mundo real não funciona com base nesse ideal. Ele funciona com base no poder. A pergunta que as pessoas fazem (consciente ou inconscientemente) não é “Qual a língua mais justa?”, mas sim “Qual língua me dará acesso a mais oportunidades, conhecimento e cultura?”.
- Língua como Ferramenta de Poder: As línguas dos países dominantes (inglês, francês, chinês, etc.) são as que oferecem acesso à ciência de ponta, ao mercado financeiro global, à maior produção cultural (filmes, música) e a empregos em multinacionais. Elas funcionam como “moedas” de alto valor no mercado global.
- A Consequência Inevitável: Esse “alto valor”, dado pelo poder, leva à supremacia dessas poucas línguas naturais. Elas não são dominantes porque são intrinsecamente “melhores”, mas porque são as línguas dos atores mais poderosos do cenário mundial. O desequilíbrio de poder entre os países gera um desequilíbrio de valor entre as línguas.
Possível armadilha ❓/ ✔
A armadilha é pensar de forma idealista. Você pode pensar: “Mas uma língua artificial seria a solução mais lógica para a comunicação global!”. A lógica e a justiça, no entanto, não são os fatores que movem a geopolítica linguística. O fator decisivo é a utilidade percebida, e essa utilidade é um reflexo direto do poder. A escolha de uma língua internacional é uma decisão pragmática, não filosófica.
Fechamento e expectativa
Nosso raciocínio nos leva a procurar a alternativa que descreve um cenário de dominação, onde poucas línguas se impõem sobre as outras devido a fatores externos de poder, e não por suas qualidades internas.
✅ Passo 5: Análise das Alternativas
Listagem das Alternativas
A) busca de nova língua global.
B) recuperação das línguas mortas.
C) adoção de uma língua unificada.
D) valorização das línguas nacionais.
E) supremacia de algumas línguas naturais.
Justificativa Individual
- 🔴 (A) Incorreta. O texto argumenta o contrário: a busca por uma nova língua global (artificial) tem fracassado. O que se observa é a consolidação de uma língua já existente (o inglês) como língua franca.
- 🔴 (B) Incorreta. A recuperação de línguas mortas é um processo cultural e identitário importante, mas não tem relação com o problema da comunicação internacional de massa discutido no texto.
- 🔴 (C) Incorreta. O texto mostra que não há um movimento para uma língua “unificada” e aceita por todos. O que existe é uma “babel de línguas” na ONU e a dominação de uma língua sobre as outras na prática.
- 🔴 (D) Incorreta. Embora a valorização da própria língua nacional seja importante, o “desequilíbrio de poder” no cenário internacional não impõe a valorização de todas as línguas nacionais, mas sim a dominação de algumas.
- 🟢 (E) Correta. Esta alternativa descreve perfeitamente a situação. O poder dos países dominantes impõe a supremacia (dominação, hegemonia) de algumas (e não todas) línguas naturais, como o inglês, o chinês e o francês, como as mais importantes na comunicação global.
🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
Resumo do Raciocínio 📌
A escolha de uma língua para comunicação internacional não é um processo neutro ou lógico, mas sim um reflexo direto das relações de poder globais. O poderio econômico, político e cultural de certas nações confere às suas línguas um status de superioridade prática, levando à sua supremacia no cenário mundial em detrimento de alternativas mais neutras.
Gabarito Reafirmado 📌
A alternativa correta é a E, pois o desequilíbrio de poder resulta na supremacia de algumas línguas naturais.
Resumo Final para Revisão 🔍
Lembre-se desta regra da geopolítica: a língua segue o poder. Onde o poder econômico e cultural vai, a língua vai atrás.