I, too
I, too, sing America.
I am the darker brother.
They send me to eat in the kitchen
When company comes,
But I laugh,
And eat well,
And grow strong.
Tomorrow,
l’ll be at the table
When company comes.
Nobody’ll dare
Say to me,
“Eat in the kitchen,”
Then.
Besides,
They’ll see how beautiful I am
And be ashamed
I, too, am America.
HUGHES, L. In: RAMPERSAD, A.; ROESSEL, D. (Ed.) The collected poems of Langston
Hughes. New York: Knopf, 1994.
Langston Hughes foi um poeta negro americano que viveu no século XX e escreveu I, too em 1932. No poema, a personagem descreve uma prática racista que provoca nela um sentimento de
A) coragem, pela superação.
B) vergonha, pelo retraimento.
C) compreensão, pela aceitação.
D) superioridade, pela arrogância.
E) resignação, pela submissão.

✍ Resolução Em Texto
📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- Interpretação de Texto Poético
- Literatura Norte-Americana (Contexto do Renascimento do Harlem)
- Análise do Eu Lírico
🎯 Tema/Objetivo Geral: Identificar o sentimento do eu lírico diante de uma situação de opressão racial, analisando sua reação presente e sua perspectiva de futuro.
🎯 Nível da Questão: Médio – A questão pode induzir ao erro quem foca apenas na ação racista descrita (“mandam comer na cozinha”), levando a conclusões de submissão. O nível médio se dá pela necessidade de interpretar a reação do eu lírico (“Mas eu rio”) e sua projeção de futuro como o elemento central que define o sentimento.
✅ Gabarito: A – A alternativa está correta pois o eu lírico não se deixa abater pela segregação; ao contrário, ele reage com riso e fortalecimento, demonstrando uma superação que se traduz em coragem para reivindicar seu lugar no futuro.
📖 Resolução Passo a Passo
🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
📌 Transcrição Essencial
“No poema, a personagem descreve uma prática racista que provoca nela um sentimento de…”
📌 O que está sendo pedido?
A questão nos pede para identificar qual é a emoção ou o estado de espírito principal do eu lírico ao vivenciar e refletir sobre um ato de racismo.
📌 Objetivo Cristalino
Nosso objetivo é analisar as palavras e ações do eu lírico no poema para definir qual dos sentimentos listados (coragem, vergonha, compreensão, superioridade ou resignação) melhor descreve sua atitude.
✔ Pergunta de Atenção
Você já percebeu que, diante de uma injustiça, a nossa reação pode ser mais poderosa do que a própria injustiça? É exatamente a natureza dessa reação que precisamos desvendar no poema.
📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
| Conceito | Explicação Simples | Exemplo na Questão |
| Eu Lírico | É a “voz” que fala no poema, a perspectiva que expressa sentimentos e ideias. É importante não confundir o eu lírico diretamente com o autor (Langston Hughes), embora suas experiências possam inspirá-lo. | No poema, o eu lírico é “o irmão mais escuro” (“the darker brother”) que narra sua experiência de segregação. |
| Metáfora | Figura de linguagem que cria uma comparação implícita, usando uma palavra ou ideia para representar outra. | “Comer na cozinha” é uma metáfora para a segregação, a exclusão social e a marginalização. “Estar na mesa” (“be at the table”) é a metáfora para a igualdade, aceitação e plenos direitos. |
| Contexto (Renascimento do Harlem) | Movimento cultural e artístico liderado por afro-americanos nos anos 1920 e 1930. A arte (poesia, música, etc.) era uma forma de afirmar a identidade negra, denunciar o racismo e expressar orgulho e esperança. | O poema de Hughes, escrito em 1932, é um exemplo perfeito desse movimento, usando a arte para expressar resistência e uma visão de futuro igualitário. |
📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
📌 Contextualização Simplificada
Vamos “traduzir” o poema: a voz poética, um homem negro, afirma seu pertencimento à América. Ele descreve como é segregado (“mandam-me comer na cozinha”) quando há visitas. No entanto, em vez de se sentir diminuído, sua reação é de desafio e autovalorização: ele ri, se alimenta bem e se fortalece. Ele então projeta um futuro próximo (“Amanhã”) em que sua posição será outra: ele estará na mesa, e ninguém ousará segregá-lo. Sua presença e beleza serão tão evidentes que causarão vergonha em seus opressores. O poema termina reforçando sua identidade: “Eu também sou a América”.
📌 Estratégia Geral
Nossa estratégia será analisar o poema em três momentos:
- A descrição da injustiça.
- A reação do eu lírico a essa injustiça.
- A projeção de um futuro diferente.
O sentimento principal será revelado pela combinação da reação e da projeção futura.
🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
📌 Passo a Passo Detalhado
- A Injustiça: O poema começa descrevendo a prática racista de ser enviado para a cozinha (“They send me to eat in the kitchen”). Este é o ato de opressão.
- A Reação Desafiadora: A palavra “Mas” (“But”) marca uma virada crucial. A reação não é de tristeza ou submissão. Pelo contrário: “But I laugh, / And eat well, / And grow strong.” (Mas eu rio, / E como bem, / E fico mais forte).
- Rir é um ato de resistência que nega ao opressor o poder de causar dor.
- Comer bem e ficar forte não é um ato de conformismo, mas de preparação. Ele está se fortalecendo para a luta que virá.
- A Visão de Futuro: O eu lírico não apenas sonha, ele declara o que vai acontecer: “Tomorrow, / l’ll be at the table” (Amanhã, / estarei na mesa). Isso não é um pedido, é uma afirmação. A confiança é tamanha que ele prevê a reação dos outros: “They’ll see how beautiful I am / And be ashamed” (Eles verão como sou belo / E ficarão envergonhados).
❓/✔ Possível armadilha
A armadilha aqui é a alternativa E) resignação, pela submissão. Um leitor apressado poderia pensar que, ao ir para a cozinha sem confronto físico imediato, o personagem está se resignando. Porém, a sua atitude interna (rir, se fortalecer) e sua projeção de futuro mostram exatamente o contrário. A submissão é passiva; a atitude dele é ativamente resiliente.
📌 Fechamento e expectativa
O raciocínio nos mostra um personagem que transforma uma experiência humilhante em combustível para o futuro. Ele não é uma vítima passiva, mas um agente de sua própria libertação. Portanto, esperamos encontrar uma alternativa que capture essa ideia de força, esperança e superação.
✅ Passo 5: Análise das Alternativas
📌 Listagem das Alternativas
A) coragem, pela superação.
B) vergonha, pelo retraimento.
C) compreensão, pela aceitação.
D) superioridade, pela arrogância.
E) resignação, pela submissão.
📌 Justificativa Individual
- 🟢 (A) Correto. O sentimento é de coragem porque ele não se deixa abater e tem a certeza de um futuro melhor. Essa coragem vem da superação da humilhação, transformando-a em força (“grow strong”).
- 🔴 (B) Incorreto. O poema afirma que os outros (“They”) é que sentirão vergonha no futuro. O eu lírico demonstra orgulho (“how beautiful I am”), não retraimento.
- 🔴 (C) Incorreto. Ele não demonstra “compreensão” ou “aceitação” da prática racista. Pelo contrário, ele a condena implicitamente e prevê seu fim.
- 🔴 (D) Incorreto. A afirmação “how beautiful I am” não é um ato de arrogância, mas de autoafirmação e recuperação da dignidade negada pelo racismo. É orgulho, não superioridade sobre os outros.
- 🔴 (E) Incorreto. Como visto na análise, esta é a principal armadilha. A resignação implica em desistência e aceitação passiva, enquanto o eu lírico mostra resistência ativa (“I laugh”) e esperança combativa (“Tomorrow, I’ll be at the table”).
🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
📌 Resumo do Raciocínio
A análise do poema revela que o eu lírico, ao invés de se submeter à segregação, reage com uma força interior que o impulsiona a superar a humilhação e a lutar por um futuro de igualdade, o que caracteriza um ato de coragem.
📌 Gabarito Reafirmado
O gabarito é a alternativa A, que descreve perfeitamente o sentimento de coragem nascido da superação da adversidade.
🔍 Resumo Final para Revisão
Ao interpretar um poema sobre injustiça, não se prenda apenas ao ato opressor. Busque sempre a resposta do eu lírico: é nela que reside o verdadeiro sentimento e a mensagem central do texto.