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Questão 128, caderno cinza do ENEM PPL 2013

O cordelista por ele mesmo

Aos doze anos eu era
forte, esperto e nutrido.
Vinha do Sítio de Piroca
muito alegre e divertido
vender cestos e balaios
que eu mesmo havia tecido.

Passava o dia na feira
e à tarde regressava
levando umas panelas
que minha mãe comprava
e bebendo água salgada
nas cacimbas onde passava.

BORGES, J. F. Dicionário dos sonhos e outras histórias de cordel. Porto Alegre: LP&M, 2003 (fragmento).

Literatura de cordel é uma criação popular em verso, cuja linguagem privilegia, tematicamente, histórias de cunho regional, lendas, fatos ocorridos para firmar certas crenças e ações destacadas nas sociedades locais. A respeito do uso das formas variantes da linguagem no Brasil, o verso do fragmento que permite reconhecer uma região brasileira é:

A) “muito alegre e divertido”.

B) “Passava o dia na feira”.

C) “levando umas panelas”.

D) “que minha mãe comprava”.

E) “nas cacimbas onde passava”.

Resolução em Texto

📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Literatura Brasileira (especificamente Literatura de Cordel)
  • Variação Linguística (foco em variação regional/diatópica)
  • Interpretação de Texto Poético

🎯 Tema/Objetivo Geral: Identificar marcadores linguísticos regionais (regionalismos) em um texto literário para reconhecer sua origem geográfica.

📊 Nível da Questão: Fácil. A questão é direta e se resolve com o reconhecimento de um vocábulo regional muito característico (“cacimba”). Não são necessárias interpretações complexas ou conhecimentos literários profundos, apenas a associação entre a palavra e a região Nordeste, o berço do cordel.

Gabarito: E) “nas cacimbas onde passava”.
A alternativa está correta porque a palavra “cacimba” é um regionalismo, um termo usado predominantemente na região Nordeste do Brasil para se referir a um poço de água raso, o que denuncia a origem do eu lírico.


🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

📜 Transcrição Essencial
A parte do enunciado que nos guia é: “…o verso do fragmento que permite reconhecer uma região brasileira é”.

🤔 O que está sendo pedido?
A questão nos pede para agir como um detetive linguístico: temos que ler o poema e encontrar a pista, ou seja, a palavra ou expressão que “entrega” de qual parte do Brasil o autor está falando.

🎯 Objetivo Cristalino
Nosso objetivo é localizar um regionalismo – uma palavra típica de um lugar específico – dentro dos versos do cordel e, assim, identificar a alternativa que contém essa marca regional.

💡 Você sabe que a literatura de cordel é super ligada ao Nordeste? Essa informação já nos dá uma pista gigante sobre o tipo de palavra que estamos procurando, né?


🗣️ Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

📖 Definições dos Termos
Para resolver esta questão sem tropeços, precisamos ter clareza sobre alguns conceitos:

  • Literatura de Cordel: É uma manifestação literária popular, tradicionalmente impressa em folhetos baratos que eram expostos para venda pendurados em cordas ou barbantes (daí o nome “cordel”). Tem uma ligação cultural fortíssima com o Nordeste brasileiro e aborda temas do cotidiano, lendas, críticas sociais e aventuras de heróis locais.
  • Variação Linguística (Regional): É o modo como a língua portuguesa varia de um lugar para o outro no Brasil. A mesma coisa pode ter nomes diferentes dependendo da região.
    • Exemplo do dia a dia: O que no Sudeste é aipim, no Nordeste é macaxeira e no Sul é mandioca. Todas essas palavras são regionalismos.
  • Cacimba: Este é o termo-chave. Cacimba é uma palavra muito usada no Nordeste para designar um poço cavado na terra, geralmente em leitos de rios secos, para se obter água. É um regionalismo clássico.

📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

🗣️ Contextualização Simplificada
O poema é um retrato da infância do cordelista. Ele conta que era um menino esperto, que trabalhava na feira vendendo cestos e, na volta para casa, matava a sede bebendo água pelo caminho. A nossa missão é encontrar, no jeito que ele descreve essa cena, a “impressão digital” da sua região de origem.

🗺️ Estratégia Geral
O plano é ler cada um dos versos oferecidos nas alternativas e analisar seu vocabulário. Vamos procurar por uma palavra que não seja de uso comum em todo o Brasil, uma palavra que soe “diferente” e que possamos associar a uma área geográfica específica, especialmente ao Nordeste.


🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio e Análise

🔢 Passo a Passo Detalhado
Vamos analisar o fragmento e as palavras usadas:

  • O eu lírico descreve uma rotina que envolve “sítio”, “feira”, “cestos”, “balaios” e “panelas”. Essas palavras, embora retratem um cenário rural, são de uso corrente em todo o Brasil. Elas criam a atmosfera, mas não definem a região.
  • O ponto de virada está no final: “bebendo água salgada / nas cacimbas onde passava”. A palavra “cacimba” se destaca. Enquanto a maioria dos brasileiros usaria “poço”, “mina” ou “fonte”, o uso de “cacimba” é muito específico.

✔️ Verificação Intermediária
Confrontando o vocabulário, “cacimba” é a única palavra que não pertence ao léxico padrão nacional. Ela é o nosso marcador regional. As outras palavras constroem um cenário rural que poderia existir em várias partes do país.

⚠️ Possível armadilha
A principal armadilha é confundir tema com marca linguística. Um aluno poderia pensar que a menção à “feira” (alternativa B) já indica o Nordeste, pois as feiras nordestinas são culturalmente muito famosas. No entanto, a palavra “feira” é universal no Brasil. A questão pede um elemento da linguagem, um vocábulo específico, e não apenas um elemento cultural. Foco na palavra, não só na imagem!

Fechamento e expectativa
Nossa análise aponta diretamente para o verso que contém a palavra “cacimbas” como a única pista linguística conclusiva. Portanto, esperamos que a alternativa correta seja exatamente essa.


✅ Passo 5: Análise das Alternativas

🔴 A) “muito alegre e divertido”
Errada. São adjetivos de uso comum em qualquer variante do português brasileiro. Não há nenhuma marca regional aqui.

🟡 B) “Passava o dia na feira”
Parcialmente correta/Confusa. Esta é a alternativa que mais pode gerar dúvidas. O tema “feira” é culturalmente muito forte no Nordeste. Porém, a palavra “feira” em si é utilizada em todo o Brasil. A alternativa aponta para um elemento cultural, mas não para uma marca linguística regional, que é o que o enunciado pede.

🔴 C) “levando umas panelas”
Errada. A palavra “panela” é padrão e não possui nenhuma conotação regional específica neste contexto.

🔴 D) “que minha mãe comprava”
Errada. Este é um trecho com estrutura e vocabulário padrão da língua portuguesa, sem qualquer regionalismo.

🟢 E) “nas cacimbas onde passava”
Correta! Esta é a resposta. A palavra “cacimba” é um regionalismo típico do Nordeste brasileiro, funcionando como a “assinatura” geográfica que o enunciado nos pede para encontrar.


🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

📜 Resumo do Raciocínio
A resolução se baseou na identificação de um regionalismo no poema. Analisamos o vocabulário de cada alternativa e concluímos que apenas a palavra “cacimba” constitui uma marca linguística específica de uma região do Brasil (o Nordeste), cumprindo exatamente o que o comando da questão solicitava.

🏁 Gabarito Reafirmado
A resposta correta é a Alternativa E, pois o uso da palavra “cacimba” permite reconhecer a origem nordestina do eu lírico.

🔑 Resumo Final para Revisão
Lembre-se: Para identificar regiões pela língua, procure palavras únicas! Termos como “feira” podem ser universais, mas “cacimba”, “macaxeira” ou “jerimum” são as verdadeiras “assinaturas” de uma região.

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