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Questão 106, caderno azul do ENEM 2014

eu acho um fato interessante… né… foi como meu pai e minha mãe vieram se conhecer… né… que… minha mãe morava no Piauí com toda família… né… meu… meu avô… materno no caso… era maquinista… ele sofreu um acidente… infelizmente morreu… minha mãe tinha cinco anos… né… e o irmão mais velho dela… meu padrinho…tinha dezessete e ele foi obrigado a trabalhar… foi trabalhar no banco… e… ele foi… o banco… no caso… estava…com um número de funcionários cheio e ele teve que ir para outro local e pediu transferência prum local mais perto de Parnaíba que era a cidade onde eles moravam e por engano o… o… escrivão entendeu Paraíba… né…e meu… e minha família veio parar em Mossoró que era exatamente o local mais perto onde tinha vaga pra funcionário do Banco do Brasil e:: ela foi parar na rua do meu pai… né… e começaram a se conhecer… namoraram onze anos… né… pararam algum tempo… brigaram… é lógico… porque todo relacionamento tem uma briga… né…e eu achei esse fato muito interessante porque foi uma coincidência incrível… né… como vieram a se conhecer… namoraram e hoje… e até hoje estão juntos… dezessete anos de casados…

CUNHA, M. A. F. (Org.) . Corpus discurso & gramática: a língua falada e escrita na cidade do Natal. Natal: EdUFRN, 1998.

Na transcrição de fala, há um breve relato de experiência pessoal, no qual se observa a frequente repetição de “né”. Essa repetição é um(a):

A) índice de baixa escolaridade do falante

B) estratégia típica de manutenção da interação oral.

C) marca de conexão lógica entre conteúdos na fala.

D) manifestação característica da fala regional nordestina.

E) recurso enfatizador da informação mais relevante da narrativa.

Resolução em texto

Matérias Necessárias: Linguística (Análise da Oralidade), Interpretação de Texto, Pragmática.

Nível da Questão: Fácil

Gabarito: B

Objetivo Geral: Reconhecer, em uma transcrição da fala espontânea, o uso de elementos de manutenção da interação oral.


Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

📌 1.1 Transcrição Essencial:
“Na transcrição de fala, há um breve relato de experiência pessoal, no qual se observa a frequente repetição de ‘né’. Essa repetição é um(a):”

📌 1.2 O que está sendo pedido?
É preciso identificar a função do termo “né” no contexto da fala, ou seja, para que serve essa expressão nesse tipo de narrativa.

📌 1.3 Objetivo Cristalino:
Vamos analisar o motivo do uso do “né” em tantas falas do cotidiano: manter a conversa viva, envolver o interlocutor e garantir a interação.

1.4 Pergunta de Atenção:
Você já percebeu que, ao contar uma história, muitas pessoas vão colocando um “né” no final das frases? Isso é só hábito, sinal de dúvida, ou tem uma função na conversa?


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

📌 2.1 Definições e Conceitos:

  • Marcadores conversacionais: Palavras como “né”, “tá”, “entendeu?”, “certo?” aparecem frequentemente na fala e servem para manter o contato com o ouvinte.
  • Função fática: Na comunicação, é quando o foco está em garantir que o canal entre quem fala e quem ouve está ativo (é tipo: “Você está comigo? Está entendendo?”).

❓✔ 2.2 Possível armadilha:
Cuidado para não confundir o uso do “né” com erro, regionalismo ou tentativa de enfatizar uma informação! Ele serve para manter o ouvinte “na linha”, conectado à conversa.


Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

📌 3.1 Contextualização Simplificada:
A pessoa está contando uma história da família e vai usando o “né” várias vezes, mas não porque está com dúvida ou para marcar uma informação, mas para garantir que quem escuta está acompanhando a narrativa, quase como um convite à participação: “não é mesmo?”, “você entende o que estou dizendo?”.

📌 3.2 Estratégia Geral:
Vamos analisar cada alternativa, focando no papel interacional do “né”.


Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio e Cálculos

📌 4.1 Passo a Passo Detalhado:

  • O “né” aparece em várias frases, nunca alterando o sentido do enunciado.
  • Serve para não “deixar a conversa cair”, como quem checa: “tá comigo?”, “acompanhou?”, “estamos juntos?”.
  • É natural na oralidade, e não um erro de português ou marca de baixo estudo.

📌 4.2 Verificação Intermediária:
Se você já ouviu alguém contar uma história e repetir “né” diversas vezes, já percebeu que a intenção é manter a pessoa do outro lado atenta e participativa.


Passo 5: Análise das Alternativas

  • A) índice de baixa escolaridade do falante
    ❌ Errado! Qualquer pessoa pode usar “né” na fala, independente da escolaridade.
  • B) estratégia típica de manutenção da interação oral.
    ✅ Certíssimo! O “né” é um recurso fático, típico da oralidade, usado para envolver e manter o ouvinte na conversa.
  • C) marca de conexão lógica entre conteúdos na fala.
    ❌ Não faz ligação lógica de ideias, só de interação.
  • D) manifestação característica da fala regional nordestina.
    ❌ Não! O “né” está presente em falas do Brasil todo.
  • E) recurso enfatizador da informação mais relevante da narrativa.
    ❌ O “né” não destaca uma informação importante, só reforça o contato.

Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

📌 6.1 Resumo do Raciocínio:
O “né” é um marcador típico da fala informal, usado para manter o contato com o ouvinte durante a narrativa e garantir a participação do outro.

📌 6.2 Gabarito Reafirmado:
Alternativa correta: B) estratégia típica de manutenção da interação oral.

🔍 6.3 Resumo Final para Revisão:
Quando ouvir ou ler repetição de “né” em falas espontâneas, lembre: é sinal de que o falante está preocupado em manter o ouvinte envolvido, não de erro ou de dúvida!

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