Até quando?
Não adianta olhar pro céu
Com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer
E muita greve, você pode, você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão
Virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus
Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer
GABRIEL, O PENSADOR. Seja você mesmo (mas não seja sempre o mesmo). Rio de Janeiro: Sony Music, 2001 (fragmento).
As escolhas linguísticas feitas pelo autor conferem ao texto
A) caráter atual, pelo uso de linguagem própria da internet
B) cunho apelativo, pela predominância de imagens metafóricas.
C) tom de diálogo, pela recorrência de gírias
D) espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial
E) originalidade, pela concisão da linguagem.

✍️ Resolução Em Texto
🎯 Tema/Objetivo Geral:
Análise da linguagem coloquial e do efeito de sentido produzido pelo estilo discursivo em texto musical com crítica social.
📚 Necessárias para a Solução da Questão:
Interpretação de texto, linguagem coloquial, análise de estilo, crítica social na música, identificação de função da linguagem.
🎯 Nível da Questão:
Fácil
✅ Gabarito:
D) espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial.
📖 Resolução Passo a Passo
🔎 Passo 1: Análise do Comando e Objetivo
➡️ O que o comando quer?
A questão solicita a identificação do efeito de sentido provocado pelas escolhas linguísticas feitas no trecho da canção. Ou seja, ela quer saber como o modo de escrever contribui para a construção do tom e da mensagem.
➡️ Objetivo Cristalino da questão:
Entender como a linguagem utilizada gera um tom específico no texto — nesse caso, de crítica, proximidade com o interlocutor e espontaneidade.
❓Possíveis Armadilhas:
- Confundir espontaneidade com informalidade da internet (que envolve abreviações, emojis, etc.).
- Supor que o uso de metáforas seja o elemento dominante, quando o destaque está na linguagem falada.
📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
Linguagem coloquial é aquela usada na oralidade cotidiana: próxima da fala comum, com construções mais simples, gírias ou frases diretas. É o oposto da linguagem formal, típica da norma-padrão.
Espontaneidade decorre do uso de expressões informais que criam a sensação de naturalidade e proximidade, como em conversas do dia a dia.
Estilo discursivo do rap: música popular urbana com crítica social, geralmente com linguagem acessível e engajada.
Função apelativa da linguagem: embora presente no texto, não é predominante como na publicidade; aqui, o foco está mais no tom espontâneo e direto que convoca à reflexão e ação.
📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto
A letra da música evoca um tom de urgência e protesto:
“Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer”
“Não adianta olhar pro chão / virar a cara pra não ver”
Essas frases são imperativas, mas ditas de maneira informal, o que aproxima o artista do público. A escolha de palavras como “se liga aí”, “você pode, você deve” mostra que o cantor não usa linguagem rebuscada ou técnica — ele fala como alguém da rua, do povo, o que caracteriza uma linguagem colada à oralidade.
Não há formalidade, e sim um diálogo direto, informal, espontâneo e com ritmo de fala cotidiana, típico do rap.
✅ Passo 4: Análise das Alternativas e Resolução
A) caráter atual, pelo uso de linguagem própria da internet. 🔴
Erro: o texto não usa termos típicos da internet como “vc”, “LOL”, emojis ou abreviações.
Como estaria certa: se o texto apresentasse marcas explícitas da escrita digital, o que não ocorre aqui.
B) cunho apelativo, pela predominância de imagens metafóricas. 🟡
Erro parcial: há apelo ao leitor (imperativos como “levanta aí”), mas não há predominância de metáforas. A linguagem é mais direta do que figurada.
Como estaria certa: se dissesse “cunho apelativo, pela predominância de construções imperativas e diretas”.
C) tom de diálogo, pela recorrência de gírias. 🟡
Erro parcial: o tom é de conversa, sim, mas não há presença marcante de gírias (como “mano”, “véi”, “tá ligado?”). O que há é linguagem informal, não gírias propriamente ditas.
Como estaria certa: se dissesse “tom de diálogo pela linguagem informal e direta”.
D) espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial. 🟢
Correta: o estilo direto, simples e natural da fala cotidiana traz o efeito de espontaneidade. O autor se dirige ao ouvinte com frases que soam naturais, incentivando reflexão e ação, sem filtros formais.
E) originalidade, pela concisão da linguagem. 🔴
Erro: o texto não tem como característica principal a concisão. Ele tem repetições, desenvolve ideias e utiliza frases completas.
Como estaria certa: se o estilo fosse marcado por frases curtas, enxutas e objetivas, o que não é o caso.
🏆 Passo 5: Conclusão e Justificativa Final
A linguagem utilizada por Gabriel, O Pensador, aproxima-se da fala cotidiana e confere ao texto espontaneidade, ou seja, uma sensação de que o discurso flui naturalmente, como em um papo direto com o ouvinte. Isso se dá pelo uso da linguagem coloquial, marcada por frases simples, estrutura informal e estilo direto — elementos típicos do rap de protesto. Por isso, a alternativa D é a única que reflete com precisão o efeito construído no texto.