Questão 95, caderno azul do ENEM 2014 – espanhol

El robo

Para los niños

anchos espacios tiene el día

y las horas

son calles despejadas

abiertas avenidas.

A nosotros, se estrecha

el tiempo de tal modo

que todo está apretado y oprimido.

Se atropellan los tiempos

Casi no da lugar un día a otro.

No bien ha amanecido

cae la luz a pique

en veloz mediodía

y apenas la contemplas

huye en atardeceres

hacia pozos de sombra.

Dice una voz:

entre vueltas y vueltas

se me fue el día.

Algún ladrón

oculto roba mi vida.

MAIA, C. Obra poética. Montevidéu: Rebecalinke, 2010.

O poema El robo, de Circe Maia, poetisa uruguaia contemporânea, trata do(a)

a) problema do abandono de crianças nas ruas.

b) excesso de trabalho na sociedade atual.

c) angústia provocada pela fugacidade do tempo.

d) violência nos grandes centros urbanos.

e) repressão dos sentimentos e da liberdade.

Resolução em texto

Matérias Necessárias: Leitura e interpretação poética; Figuras de linguagem (personificação do tempo, metáfora); Reflexão sobre o cotidiano moderno.

Nível da Questão: Médio

Gabarito: C

Objetivo Geral: compreender como o poema expressa a sensação de tempo fugaz e roubado pela velocidade da vida contemporânea.


Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

📌 1.1 Transcrição Essencial
“Algún ladrón oculto roba mi vida.”

📌 1.2 O que está sendo pedido?
Identificar o tema central do poema — qual “roubo” silencioso o eu-lírico descreve.

📌 1.3 Objetivo Cristalino
Demonstrar que o poema trata da angústia diante do tempo que passa rápido demais, como se alguém ou algo tomasse os nossos dias.

✔ 1.4 Pergunta de Atenção
Você já sentiu que o dia voou e, antes de perceber, todo o prazo tinha passado? Essa sensação é o “ladrão” do poema.


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

📌 2.1 Definições e Conceitos

  • Personificação do tempo: o dia e as horas são ruas e avenidas que se estreitam, o tempo se “aperta”.
  • Metáfora do ladrão: o “ladrão oculto” não é uma pessoa, mas sim o próprio ritmo acelerado do cotidiano, que “rouba” nossos momentos.
  • Estrutura temporal do poema: contraste entre a amplitude do tempo infantil e a opressão temporal do adulto.

❓✔ 2.2 Possível armadilha
Não confundir “ladrão” com violência literal (D) ou abandono infantil (A): aqui, quem “rouba” não é bandido na rua, mas o tempo que nos escapa.


Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

📌 3.1 Contextualização Simplificada
A poeta compara o dia das crianças — cheio de ruas largas e tempo de sobra — ao dia dos adultos, apertado e fugidio. E acaba dizendo: “um ladrão invisível está levando minha vida” — é o tempo que desaparece.

📌 3.2 Estratégia Geral
Relacionar cada alternativa com a imagem dominante do poema (tempo comprimido, fuga rápida da luz) e escolher aquela que fala de “fugacidade do tempo”.


Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio e Exemplos

📌 4.1 Passo a Passo Detalhado

  1. Versos iniciais: crianças veem o dia como “ruas livres, avenidas abertas” — tempo abundante.
  2. Versos centrais: “a nós, se estrecha o tempo… cai a luz a pique… apenas a contemplas, ela já foge”.
  3. Conclusão: “Algún ladrón oculto roba mi vida” — o “ladrão” é a própria rapidez da passagem do tempo, não há pausa para saborear o dia.

Exemplo prático:
Você já acordou animado numa segunda-feira e, quando percebe, é sexta à tarde? Esse “piscar de olhos” cotidiano é exatamente o que a poeta denuncia.


Passo 5: Análise das Alternativas

A) problema do abandono de crianças nas ruas — ❌, o foco não é social ou literal, e sim temporal.
B) excesso de trabalho na sociedade atual — ❌, embora o ritmo acelerado às vezes seja causado pelo trabalho, o poema não menciona tarefas ou emprego.
C) angústia provocada pela fugacidade do tempo — ✅, capta a metáfora do “ladrão oculta” do tempo.
D) violência nos grandes centros urbanos — ❌, não há referência a crimes reais ou locais urbanos perigosos.
E) repressão dos sentimentos e da liberdade — ❌, o tema é temporal, não emocional ou político.


Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

📌 6.1 Resumo do Raciocínio
Circe Maia constrói a imagem de um dia infantil espaçoso que, na vida adulta, vira um corredor apertado em que o tempo voa — é esse “ladrão invisível” que nos rouba a vida.

📌 6.2 Gabarito Reafirmado
C) angústia provocada pela fugacidade do tempo.

🔍 6.3 Resumo Final para Revisão
Sempre que um poeta fala em “ladrão oculta” ou “vida roubada”, pense em tempo fugaz e na urgência de desacelerar para não deixar a vida escapar.

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