
A charge ironiza a política desenvolvimentista do governo Juscelino Kubitschek, ao:
A) evidenciar que o incremento da malha viária diminuiu as desigualdades regionais do país.
B) destacar que a modernização das indústrias dinamizou a produção de alimentos para o mercado interno.
C) enfatizar que o crescimento econômico implicou aumento das contradições socioespaciais.
D) ressaltar que o investimento no setor de bens duráveis incrementou os salários de trabalhadores.
E) mostrar que a ocupação de regiões interioranas abriu frentes de trabalho para a população local.

Resolução em Texto
📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão: História do Brasil – República; Economia e Política do Governo JK; Cultura e crítica social
📝 Tema/Objetivo Geral: Analisar a crítica às desigualdades sociais durante o processo de modernização no governo Juscelino Kubitschek
📊 Nível da Questão: Médio — exige leitura de imagem e articulação entre desenvolvimento econômico e crítica social
🎯 Gabarito: C
Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
📌 A questão apresenta uma charge que contrapõe o discurso desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek (JK) com a figura do Jeca Tatu, símbolo do homem pobre do campo, faminto e excluído.
🧠 O que está sendo pedido? Identificar a crítica expressa na charge em relação ao projeto desenvolvimentista de JK, o chamado Plano de Metas.
🎯 Objetivo cristalino: Compreender que a imagem ironiza o contraste entre o crescimento industrial e a permanência da fome e miséria entre os brasileiros pobres.
👁 Se o Brasil estava se modernizando com automóveis, estradas e gasolina… por que o Jeca ainda está pedindo feijão?
Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
🚗 O Plano de Metas (1956–1961), de JK, tinha como slogan “cinquenta anos em cinco” e focava em áreas como indústria, transporte e energia.
💸 Grande parte dos investimentos foi direcionada para a instalação de multinacionais, ampliação da malha rodoviária e estímulo ao setor automobilístico — com pouco foco nas questões sociais, como combate à fome e melhoria das condições de vida da população pobre.
🌾 A figura do Jeca Tatu, criada por Monteiro Lobato, representa o homem do campo pobre, doente e marginalizado, símbolo das mazelas sociais brasileiras — especialmente em contraposição aos avanços técnicos urbanos.
⚠️ A charge evidencia uma contradição: enquanto o país exibe progresso tecnológico, parte da população ainda sofre com necessidades básicas.
Passo 3: Interpretação do Texto e Desenvolvimento do Raciocínio
🗣️ JK, na charge, se gaba dos feitos industriais e rodoviários de seu governo: automóveis, estradas e gasolina brasileiros. Mas o Jeca responde com ironia e necessidade: “Um prato de feijão brasileiro, seu dotô!”, denunciando a ausência de progresso social real.
💬 A crítica, portanto, está em mostrar que o desenvolvimento econômico não atingiu igualmente todas as camadas da sociedade — e que a modernização beneficiava principalmente setores urbanos e industriais, deixando os mais pobres à margem.
📉 Isso reflete o que chamamos de crescimento com exclusão, ou seja, uma economia que cresce sem redistribuir benefícios.
Passo 4: Análise das Alternativas e Resolução
A) Evidenciar que o incremento da malha viária diminuiu as desigualdades regionais do país.
❌ Errada. A charge não mostra diminuição de desigualdades, mas sim a persistência da miséria.
B) Destacar que a modernização das indústrias dinamizou a produção de alimentos para o mercado interno.
❌ Incorreta. Pelo contrário: a fala do Jeca mostra falta de acesso a alimentos básicos, como o feijão.
C) Enfatizar que o crescimento econômico implicou aumento das contradições socioespaciais.
✅ Correta. A charge mostra como o progresso urbano-industrial coexistia com fome e pobreza rural, reforçando as contradições do desenvolvimento brasileiro.
D) Ressaltar que o investimento no setor de bens duráveis incrementou os salários de trabalhadores.
❌ Errada. Não há qualquer menção a salários ou melhora de vida dos trabalhadores.
E) Mostrar que a ocupação de regiões interioranas abriu frentes de trabalho para a população local.
❌ Incorreta. A imagem do Jeca faminto desmente qualquer melhoria no interior.
Passo 5: Conclusão e Justificativa Final
📌 A charge evidencia que, apesar do discurso otimista sobre progresso técnico e industrial, o Brasil de JK ainda era marcado por profundas desigualdades sociais e regionais. O desenvolvimento favoreceu setores urbanos e industriais, enquanto parte da população seguia marginalizada e sem acesso ao básico.
✅ Por isso, a alternativa correta é a letra C.
🔍 Resumo Final:
A charge ironiza o projeto de JK ao mostrar que o progresso técnico e industrial não eliminou a fome e a miséria. O contraste entre o discurso oficial e a realidade do povo denuncia o crescimento econômico sem equidade social, ou seja, o aumento das contradições socioespaciais — alternativa C.