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Questão 64 caderno branco (3) ENEM 2014 PPL

Estranha neve:
espuma, espuma apenas
que o vento espalha, bolha em baile no ar,
vinda do Tietê alvoroçado ao abrir de comportas,
espuma de dodecilbenzeno irredutível,
emergindo das águas profanadas do rio-bandeirante,
hoje rio-despejo
de mil imundícies do progresso.

Nesse poema, o autor faz referência à

a) disseminação de doenças nas áreas atingidas por inundações.

b) contaminação do lençol freático pela eliminação de lixo nos rios.

c) ocorrência de enchente causada pela impermeabilização dos solos.

d) presença de detergentes sintéticos como agentes poluentes de águas.

e) destruição de fauna e flora pela contaminação de bacias hidrográficas.

📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Interpretação de Texto
  • Literatura (Análise de Poesia e Figuras de Linguagem)
  • Química Ambiental / Geografia Ambiental (Poluição Hídrica por Detergentes)

🎯 Tema/Objetivo Geral: Interpretação de um poema de denúncia ambiental, conectando a linguagem poética a um problema químico e geográfico específico.

🎯 Nível da Questão: Fácil. A questão é considerada fácil porque o poema, apesar de usar uma metáfora inicial (“estranha neve”), entrega a resposta de forma explícita ao nomear o composto químico “dodecilbenzeno”. Isso torna a identificação do agente poluidor direta, sem necessidade de inferências complexas

✅ Gabarito: D) presença de detergentes sintéticos como agentes poluentes de águas. Esta alternativa está correta pois o poema menciona diretamente o “dodecilbenzeno”, um componente chave de detergentes sintéticos, como a origem da “espuma” no rio.


🔷 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

1.1 Transcrição Essencial 📌
“Nesse poema, o autor faz referência à:”

1.2 O que está sendo pedido?📌
A questão pede para que identifiquemos qual é o problema ambiental específico que o poema está descrevendo e criticando.

1.3 Objetivo Cristalino 📌
Nosso objetivo é decodificar a linguagem poética e as pistas técnicas do texto para encontrar, nas alternativas, a descrição correta do fenômeno de poluição apresentado.

1.4 Pergunta de Atenção ✔
Você notou que o poeta deu uma pista química gigante ao citar o “dodecilbenzeno”? Saber (ou suspeitar) o que é esse composto praticamente resolve a questão!


🔷 Passo 2: Explicação de Conceitos Necessários

2.1 Definições e Fórmulas / explicação de termos📌
Vamos entender os termos cruciais do poema para não ter dúvidas:

  • Espuma: No contexto de rios poluídos, a espuma é um aglomerado de bolhas que se forma na superfície da água. Ela geralmente indica a presença de substâncias tensoativas.

Exemplo do cotidiano: É o mesmo princípio da espuma que você faz ao lavar a louça com detergente ou as mãos com sabonete. A agitação da água (no poema, causada pelas “comportas”) cria a espuma.

  • Dodecilbenzeno Sulfonato de Sódio: O poema cita “dodecilbenzeno irredutível”. Este é um parente próximo do dodecilbenzeno sulfonato de sódio, a principal matéria-prima para a fabricação de detergentes sintéticos (de lavar louça, lavar roupa, etc.). A palavra “irredutível” (ou não-biodegradável) é uma crítica poderosa, pois significa que a natureza tem muita dificuldade para decompor essa substância, fazendo com que ela se acumule nos rios.
  • Rio-bandeirante vs. Rio-despejo: Esta é uma figura de linguagem (antítese) que contrasta o passado histórico e desbravador do Rio Tietê (associado aos bandeirantes) com seu presente degradado, servindo como um local de descarte para a poluição gerada pelo “progresso”.

🔷 Passo 3: Tradução e Interpretação de Texto

3.1 Contextualização Simplificada 📌
De forma bem direta, o poema está dizendo: “Aquilo que parece neve flutuando no Rio Tietê não é neve. É uma espuma nojenta, feita de detergente que não se desfaz na natureza. Essa espuma aparece quando a água é agitada pelas comportas, revelando o quanto esse rio, que já foi tão importante, hoje virou um lixão líquido da cidade.”

3.2 Estratégia Geral 📌
A estratégia é simples: vamos conectar as pistas visuais (“espuma”) e químicas (“dodecilbenzeno”) do poema para identificar a fonte da poluição. A alternativa que mencionar essa fonte específica será a correta.


🔷 Passo 4: Desenvolvimento de Raciocínio

4.1 Passo a Passo Detalhado 📌
Este problema não envolve cálculos, mas um raciocínio lógico:

  1. Identificação do Fenômeno: O poema descreve uma “espuma”.
  2. Identificação da Causa Química: O texto afirma que é uma “espuma de dodecilbenzeno”.
  3. Conexão com a Realidade: O dodecilbenzeno é o principal componente de detergentes.
  4. Conclusão: Portanto, o poema está descrevendo a poluição do rio por detergentes, que se manifesta visualmente como uma densa camada de espuma.

4.2 Verificação Intermediária 📌
Nosso raciocínio está sólido. A ligação entre a espuma visível e o composto químico nomeado aponta diretamente para a poluição por produtos de limpeza sintéticos.

4.3 Possível armadilha ❓/ ✔
Você pode ter se confundido com a alternativa E (“destruição de fauna e flora”), porque a poluição por detergentes de fato causa isso. No entanto, essa é uma consequência geral da poluição. O poema é muito mais específico: ele descreve o agente causador (o dodecilbenzeno) e sua manifestação visual (a espuma). A questão pede a que o autor faz referência, e a referência direta é ao poluente em si.

4.4 Fechamento e expectativa 📌
Com base na análise textual, esperamos encontrar uma alternativa que fale explicitamente sobre a poluição da água por detergentes.


🔷 Passo 5: Análise das Alternativas

5.1 Listagem das Alternativas
a) disseminação de doenças nas áreas atingidas por inundações.
b) contaminação do lençol freático pela eliminação de lixo nos rios.
c) ocorrência de enchente causada pela impermeabilização dos solos.
d) presença de detergentes sintéticos como agentes poluentes de águas.
e) destruição de fauna e flora pela contaminação de bacias hidrográficas.

5.2 Justificativa Individual

🔴 A) disseminação de doenças nas áreas atingidas por inundações: Incorreta. O poema não menciona doenças, bactérias ou patógenos. O foco é na poluição química, não biológica. Também não fala de inundações.

🔴 B) contaminação do lençol freático pela eliminação de lixo nos rios: Incorreta. O poema descreve a poluição da água superficial do rio. Não há nenhuma menção ao lençol freático (água subterrânea).

🔴 C) ocorrência de enchente causada pela impermeabilização dos solos: Incorreta. O texto fala em “abrir de comportas”, que é uma operação de controle de fluxo de água, e não descreve uma enchente ou suas causas (como a impermeabilização do solo).

🟢 D) presença de detergentes sintéticos como agentes poluentes de águas: Correta. É a descrição perfeita do que o poema aborda. A “espuma” é o sintoma e o “dodecilbenzeno” é o diagnóstico, apontando diretamente para os detergentes.

🔴 E) destruição de fauna e flora pela contaminação de bacias hidrográficas: Incorreta. Embora a poluição por detergentes cause isso, o poema não foca nesse efeito. Ele se concentra na descrição do poluente em si. A alternativa D é mais direta e precisa sobre o tema central do texto.


🔷 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

6.1 Resumo do Raciocínio 📌
A leitura atenta do poema revela que o autor utiliza a metáfora da “estranha neve” para descrever a espuma gerada pelo “dodecilbenzeno”, um componente de detergentes, denunciando a poluição química do rio Tietê.

6.2 Gabarito Reafirmado 📌
A resposta correta é a Alternativa D, que identifica com precisão o agente poluidor descrito no poema.

6.3 Resumo Final para Revisão 🔍
🧼 Em poemas ou textos sobre meio ambiente, fique atento às pistas! “Espuma” em um rio quase sempre significa poluição por detergente. Se o texto ainda mencionar um nome químico, a resposta fica ainda mais clara.

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