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Questão 14, caderno azul do ENEM 2014

Uma norma só deve pretender validez quando todos os que possam ser concernidos por ela cheguem (ou possam chegar), enquanto participantes de um discurso prático, a um acordo quanto à validade dessa norma.

HABERMAS, J. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.

Segundo Habermas, a validez de uma norma deve ser estabelecida pelo(a)

A) liberdade humana, que consagra a vontade.

B) razão comunicativa, que requer um consenso.

C) conhecimento filosófico, que expressa a verdade.

D) técnica científica, que aumenta o poder do homem.

E) poder político, que se concentra no sistema partidário.

Resolução em texto

Matérias Necessárias: Filosofia Política; Ética e Filosofia Moral; Teoria Habermasiana do Agir Comunicativo.

Nível da Questão: Médio.

Gabarito: B.

Objetivo Geral: Demonstrar que, para Habermas, normas só são válidas se alcançarem consenso por meio da razão comunicativa.


Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

1.1 📌 Transcrição Essencial

“Uma norma só deve pretender validez quando todos os que possam ser concernidos por ela cheguem (ou possam chegar), enquanto participantes de um discurso prático, a um acordo quanto à validade dessa norma.”

1.2 📌 O que está sendo pedido?
Identificar qual princípio, segundo Habermas, justifica que uma norma seja considerada válida.

1.3 📌 Objetivo Cristalino
Demonstrar que Habermas defende a ideia de que a validade de uma norma depende de consenso alcançado por meio de um processo comunicativo entre todos os afetados pela norma.

1.4 ✔ Pergunta de Atenção
Você lembra que, para Habermas, não basta que uma norma seja tecnicamente correta ou fruto de poder político—ela só se legitima se a comunidade afetada puder concordar, num diálogo livre e racional?


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

2.1 📌 Definições e Fórmulas

  • Discurso Prático: Segundo Habermas, situação em que participantes interagem usando a linguagem para discutirem normas de convivência, buscando entendê-las e aceitá-las racionalmente.
  • Razão Comunicativa: Modalidade de razão focada no entendimento mútuo, não na simples lógica instrumental. Exige livre participação, argumentação e sinceridade entre todos os envolvidos.
  • Consenso: Acordo genuíno entre participantes do discurso, alcançado quando todos consideram válida a norma discutida, sem coerção ou dominação.

2.2 ❓✔ Armadilha Clássica

  • Dúvida Frequente: “Será que Habermas está falando de opinião pessoal ou de conhecimento filosófico abstrato?”
  • Resposta: Não. A armadilha seria confundir “razoar” com “pensar individualmente”. Habermas não quer que uma autoridade filosófica diga “é verdade”, mas que todos no diálogo cheguem a um entendimento mútuo (consenso). Por isso, não se trata de conhecimento filosófico isolado, mas de uma prática comunicativa coletiva.

Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

3.1 📌 Contextualização Simplificada
Habermas afirma que uma norma se torna legítima somente se todas as pessoas afetadas puderem conversar livremente (sem pressões) e concordar com aquela regra. Ou seja, não basta apenas impor de cima; é preciso discutir abertamente até todos aceitarem.

3.2 📌 Estratégia Geral

  1. Identificar, nas alternativas, qual ressalta a importância do consenso obtido por meio de diálogo (razão comunicativa).
  2. Eliminar opções que se refiram a liberdade individual isolada, conhecimento abstrato, poder político ou técnica científica, pois Habermas coloca a comunicação racional como fundamento.

Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio e Cálculos

4.1 📌 Passo a Passo Detalhado

  1. Norma e validez (texto de Habermas):
    • “Todos os que possam ser concernidos” devem participar de um “discurso prático”.
    • Atingir o “acordo quanto à validade” significa que, na prática, a norma só vale se for fruto desse diálogo.
  2. Comparar com cada conceito nas alternativas:
    • Liberdade humana (alternativa A) refere-se à vontade individual, mas Habermas enfatiza a dimensão coletiva do diálogo, não apenas a liberdade de cada sujeito.
    • Razão comunicativa (alternativa B) investiga a prática do entendimento mútuo e do consenso, exatamente o que Habermas descreve.
    • Conhecimento filosófico (alternativa C) fala de verdade abstrata, mas Habermas quer a deliberação concreta entre os participantes.
    • Técnica científica (alternativa D) aponta ao domínio tecnológico, mas Habermas opõe-se a que norma se baseie apenas em eficiência; o critério é a comunicação racional.
    • Poder político (alternativa E) remete ao sistema partidário e à imposição, mas Habermas rejeita a legitimidade baseada apenas em força ou autoridade; ele pede consenso no discurso.

4.2 📌 Verificação Intermediária

  • O texto original menciona “discurso prático” e “acordo”, o que remete diretamente à noção de razão comunicativa.
  • Confirme que nenhuma das outras alternativas abrange a ideia de diálogo livre entre todos os afetados.

Passo 5: Análise das Alternativas

5.1 Listagem das Alternativas
A) liberdade humana, que consagra a vontade.
B) razão comunicativa, que requer um consenso.
C) conhecimento filosófico, que expressa a verdade.
D) técnica científica, que aumenta o poder do homem.
E) poder político, que se concentra no sistema partidário.

5.2 Justificativa Individual

  • A) ❌
    – Focar apenas na liberdade individual ignora a exigência de participação coletiva no discurso prático. Não basta a vontade isolada; é preciso um processo comunicativo.
  • B) ✅
    – A razão comunicativa pressupõe que normas só sejam válidas se resultado de consenso alcançado em diálogo aberto e igualitário. Corresponde exatamente a Habermas.
  • C) ❌
    – Conhecimento filosófico pode apontar verdades, mas não substitui o consenso prático: Habermas quer que a norma seja aceita por todos no processo dialógico, não apenas validada por filósofos.
  • D) ❌
    – Técnica científica busca eficiência ou controle, mas não garante legitimidade normativas, que, em Habermas, vêm do acordo racional, não do poder técnico.
  • E) ❌
    – Poder político tende a impor regras via autoridade ou votação institucional, mas Habermas exige uma deliberação discursiva igualitária, não mera imposição partidária.

Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

6.1 📌 Resumo do Raciocínio
Habermas sustenta que a validade de uma norma só se dá se todos os afetados participarem de um discurso prático e chegarem a um consenso por meio da razão comunicativa.

6.2 📌 Gabarito Reafirmado
Alternativa correta: B) razão comunicativa, que requer um consenso.

6.3 🔍 Resumo Final para Revisão
Em Habermas, normas legítimas nascem do diálogo aberto entre todos os envolvidos. Por isso, a razão comunicativa — diálogo livre e consenso coletivo — é o critério fundamental de validade.

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