Uma norma só deve pretender validez quando todos os que possam ser concernidos por ela cheguem (ou possam chegar), enquanto participantes de um discurso prático, a um acordo quanto à validade dessa norma.
HABERMAS, J. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.
Segundo Habermas, a validez de uma norma deve ser estabelecida pelo(a)
A) liberdade humana, que consagra a vontade.
B) razão comunicativa, que requer um consenso.
C) conhecimento filosófico, que expressa a verdade.
D) técnica científica, que aumenta o poder do homem.
E) poder político, que se concentra no sistema partidário.

Resolução em texto
Matérias Necessárias: Filosofia Política; Ética e Filosofia Moral; Teoria Habermasiana do Agir Comunicativo.
Nível da Questão: Médio.
Gabarito: B.
Objetivo Geral: Demonstrar que, para Habermas, normas só são válidas se alcançarem consenso por meio da razão comunicativa.
Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
1.1 📌 Transcrição Essencial
“Uma norma só deve pretender validez quando todos os que possam ser concernidos por ela cheguem (ou possam chegar), enquanto participantes de um discurso prático, a um acordo quanto à validade dessa norma.”
1.2 📌 O que está sendo pedido?
Identificar qual princípio, segundo Habermas, justifica que uma norma seja considerada válida.
1.3 📌 Objetivo Cristalino
Demonstrar que Habermas defende a ideia de que a validade de uma norma depende de consenso alcançado por meio de um processo comunicativo entre todos os afetados pela norma.
1.4 ✔ Pergunta de Atenção
Você lembra que, para Habermas, não basta que uma norma seja tecnicamente correta ou fruto de poder político—ela só se legitima se a comunidade afetada puder concordar, num diálogo livre e racional?
Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
2.1 📌 Definições e Fórmulas
- Discurso Prático: Segundo Habermas, situação em que participantes interagem usando a linguagem para discutirem normas de convivência, buscando entendê-las e aceitá-las racionalmente.
- Razão Comunicativa: Modalidade de razão focada no entendimento mútuo, não na simples lógica instrumental. Exige livre participação, argumentação e sinceridade entre todos os envolvidos.
- Consenso: Acordo genuíno entre participantes do discurso, alcançado quando todos consideram válida a norma discutida, sem coerção ou dominação.
2.2 ❓✔ Armadilha Clássica
- Dúvida Frequente: “Será que Habermas está falando de opinião pessoal ou de conhecimento filosófico abstrato?”
- Resposta: Não. A armadilha seria confundir “razoar” com “pensar individualmente”. Habermas não quer que uma autoridade filosófica diga “é verdade”, mas que todos no diálogo cheguem a um entendimento mútuo (consenso). Por isso, não se trata de conhecimento filosófico isolado, mas de uma prática comunicativa coletiva.
Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
3.1 📌 Contextualização Simplificada
Habermas afirma que uma norma se torna legítima somente se todas as pessoas afetadas puderem conversar livremente (sem pressões) e concordar com aquela regra. Ou seja, não basta apenas impor de cima; é preciso discutir abertamente até todos aceitarem.
3.2 📌 Estratégia Geral
- Identificar, nas alternativas, qual ressalta a importância do consenso obtido por meio de diálogo (razão comunicativa).
- Eliminar opções que se refiram a liberdade individual isolada, conhecimento abstrato, poder político ou técnica científica, pois Habermas coloca a comunicação racional como fundamento.
Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio e Cálculos
4.1 📌 Passo a Passo Detalhado
- Norma e validez (texto de Habermas):
- “Todos os que possam ser concernidos” devem participar de um “discurso prático”.
- Atingir o “acordo quanto à validade” significa que, na prática, a norma só vale se for fruto desse diálogo.
- Comparar com cada conceito nas alternativas:
- Liberdade humana (alternativa A) refere-se à vontade individual, mas Habermas enfatiza a dimensão coletiva do diálogo, não apenas a liberdade de cada sujeito.
- Razão comunicativa (alternativa B) investiga a prática do entendimento mútuo e do consenso, exatamente o que Habermas descreve.
- Conhecimento filosófico (alternativa C) fala de verdade abstrata, mas Habermas quer a deliberação concreta entre os participantes.
- Técnica científica (alternativa D) aponta ao domínio tecnológico, mas Habermas opõe-se a que norma se baseie apenas em eficiência; o critério é a comunicação racional.
- Poder político (alternativa E) remete ao sistema partidário e à imposição, mas Habermas rejeita a legitimidade baseada apenas em força ou autoridade; ele pede consenso no discurso.
4.2 📌 Verificação Intermediária
- O texto original menciona “discurso prático” e “acordo”, o que remete diretamente à noção de razão comunicativa.
- Confirme que nenhuma das outras alternativas abrange a ideia de diálogo livre entre todos os afetados.
Passo 5: Análise das Alternativas
5.1 Listagem das Alternativas
A) liberdade humana, que consagra a vontade.
B) razão comunicativa, que requer um consenso.
C) conhecimento filosófico, que expressa a verdade.
D) técnica científica, que aumenta o poder do homem.
E) poder político, que se concentra no sistema partidário.
5.2 Justificativa Individual
- A) ❌
– Focar apenas na liberdade individual ignora a exigência de participação coletiva no discurso prático. Não basta a vontade isolada; é preciso um processo comunicativo. - B) ✅
– A razão comunicativa pressupõe que normas só sejam válidas se resultado de consenso alcançado em diálogo aberto e igualitário. Corresponde exatamente a Habermas. - C) ❌
– Conhecimento filosófico pode apontar verdades, mas não substitui o consenso prático: Habermas quer que a norma seja aceita por todos no processo dialógico, não apenas validada por filósofos. - D) ❌
– Técnica científica busca eficiência ou controle, mas não garante legitimidade normativas, que, em Habermas, vêm do acordo racional, não do poder técnico. - E) ❌
– Poder político tende a impor regras via autoridade ou votação institucional, mas Habermas exige uma deliberação discursiva igualitária, não mera imposição partidária.
Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
6.1 📌 Resumo do Raciocínio
Habermas sustenta que a validade de uma norma só se dá se todos os afetados participarem de um discurso prático e chegarem a um consenso por meio da razão comunicativa.
6.2 📌 Gabarito Reafirmado
Alternativa correta: B) razão comunicativa, que requer um consenso.
6.3 🔍 Resumo Final para Revisão
Em Habermas, normas legítimas nascem do diálogo aberto entre todos os envolvidos. Por isso, a razão comunicativa — diálogo livre e consenso coletivo — é o critério fundamental de validade.