Desde 2002, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tem registrado certos bens imateriais como patrimônio cultural do país. Entre as manifestações que já ganharam esse status está o ofício das baianas do acarajé. Enfatize-se: o ofício das baianas, não a receita do acarajé. Quando uma baiana prepara o acarajé, há uma série de códigos imperceptíveis para quem olha de fora. A cor da roupa, a amarra dos panos e os adereços mudam de acordo com o santo e com a hierarquia dela no candomblé. O Iphan conta que, registrando o ofício, “esse e outros mundos ligados ao preparo do acarajé podem ser descortinados”.
KAZ, R. A diferença entre o acarajé e o sanduíche de Bauru.
Revista de História da Biblioteca Nacional, n. 13, out. 2006 (adaptado).
De acordo com o autor, o Iphan evidencia a necessidade de se protegerem certas manifestações históricas para que continuem existindo, destacando-se nesse caso a
A) mistura de tradições africanas, indígenas e portuguesas no preparo do alimento por parte das cozinheiras baianas.
B) relação com o sagrado no ato de preparar o alimento, sobressaindo-se o uso de símbolos e insígnias pelas cozinheiras.
C) utilização de certos ingredientes que se mostram cada vez mais raros de encontrar, com as mudanças nos hábitos alimentares.
D) necessidade de preservação dos locais tradicionais de preparo do acarajé, ameaçados com as transformações urbanas no país.
E) importância de se treinarem as cozinheiras baianas a fim de resgatar o modo tradicional de preparo do acarajé, que remonta à escravidão.

Resolução em Texto
🎯 Tema/Objetivo Geral:
Analisar o conceito de patrimônio cultural imaterial e sua relação com práticas tradicionais, compreendendo o reconhecimento oficial do ofício das baianas do acarajé como manifestação cultural a ser preservada.
📚 Necessárias para a Solução da Questão:
- Interpretação de texto
- Conceito de patrimônio cultural imaterial
- Relação entre cultura e religiosidade
- Identificação de elementos simbólicos nas práticas culturais
🎯 Nível da Questão:
Médio
✅ Gabarito:
B) relação com o sagrado no ato de preparar o alimento, sobressaindo-se o uso de símbolos e insígnias pelas cozinheiras
📖 Resolução Passo a Passo
🔎 Passo 1: Análise do Comando e Objetivo
O comando solicita a identificação do aspecto que o Iphan buscou proteger ao reconhecer o ofício das baianas do acarajé como patrimônio cultural imaterial.
➡️ O que o comando quer?
Quer que o estudante reconheça, no texto, qual é o elemento central que justifica o reconhecimento patrimonial: não a receita do acarajé em si, mas o ofício e, sobretudo, sua relação com o sagrado.
➡️ Objetivo Cristalino da questão:
Entender que o foco está nos códigos e símbolos religiosos presentes na prática das baianas, que envolvem vestimentas, rituais e ligação com o candomblé, configurando-se como um bem imaterial a ser preservado.
❓ Dúvida Comum:
Muitos podem pensar que o patrimônio está relacionado à culinária ou à preservação de ingredientes, mas a questão destaca claramente o caráter simbólico, ritualístico e religioso do ofício.
📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e conteúdos Necessários
| Conceito | Explicação |
|---|---|
| Patrimônio cultural imaterial | Abrange práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que as comunidades reconhecem como parte de sua herança cultural. |
| Ofício tradicional | Mais do que uma técnica ou receita, envolve modos de fazer associados a valores culturais e identitários. |
| Relação com o sagrado | Envolve símbolos, vestimentas, rituais e práticas que remetem a tradições religiosas, como o candomblé, no caso das baianas do acarajé. |
| Registro pelo Iphan | Ato de proteção que garante a continuidade e a valorização de manifestações culturais representativas da identidade nacional. |
📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto
O texto destaca que:
- O Iphan registrou o ofício das baianas, e não a receita.
- Esse ofício envolve “uma série de códigos imperceptíveis”, como a cor da roupa, a amarração dos panos e os adereços, todos relacionados ao santo e à hierarquia no candomblé.
- O Iphan afirma que, ao registrar o ofício, é possível “descortinar” esses mundos ligados ao preparo do acarajé.
Interpretação geral:
O reconhecimento visa proteger o significado cultural e religioso que transcende o simples preparo de um alimento. O ato de fazer acarajé é impregnado de símbolos e práticas religiosas, constituindo um patrimônio imaterial relacionado à identidade afro-brasileira e à religiosidade.
✅ Passo 4: Análise das Alternativas (ou Argumentos) e Resolução
A) mistura de tradições africanas, indígenas e portuguesas no preparo do alimento por parte das cozinheiras baianas 🔴
Errado. Embora a culinária brasileira seja, de fato, marcada por essa mistura de tradições, o texto não aborda isso. O foco está na prática ritualística, não na fusão de tradições culinárias.
Ficaria certa se a questão perguntasse sobre a origem da culinária baiana de modo geral.
B) relação com o sagrado no ato de preparar o alimento, sobressaindo-se o uso de símbolos e insígnias pelas cozinheiras 🟢
Correta. O texto enfatiza a importância da religiosidade, destacando que a cor da roupa, a amarração e os adereços mudam conforme a relação da baiana com o candomblé. A preservação busca justamente valorizar essa dimensão simbólica e espiritual.
C) utilização de certos ingredientes que se mostram cada vez mais raros de encontrar, com as mudanças nos hábitos alimentares 🔴
Errado. O texto não menciona a escassez de ingredientes nem mudanças nos hábitos alimentares.
Ficaria certa se a questão tratasse da proteção de saberes culinários ameaçados pela globalização ou mudanças de mercado.
D) necessidade de preservação dos locais tradicionais de preparo do acarajé, ameaçados com as transformações urbanas no país 🔴
Errado. O texto não fala sobre locais ou espaços físicos, mas sobre o ofício e seus aspectos imateriais e simbólicos.
Ficaria certa se a questão fosse sobre a preservação de pontos culturais ou arquitetônicos relacionados ao preparo do acarajé.
E) importância de se treinarem as cozinheiras baianas a fim de resgatar o modo tradicional de preparo do acarajé, que remonta à escravidão 🔴
Errado. O texto não fala de necessidade de treinamento ou resgate, mas de reconhecimento e preservação de um saber que ainda está vivo e ativo.
Ficaria certa se a questão tratasse de um ofício em risco de desaparecer e que necessitasse de ações de capacitação ou resgate.
🏆 Passo 5: Conclusão e Justificativa Final
O reconhecimento do ofício das baianas do acarajé pelo Iphan como patrimônio cultural imaterial visa garantir a continuidade e valorização de uma prática que transcende o âmbito culinário. Ela expressa uma relação profunda com o sagrado, evidenciada pelos símbolos e códigos religiosos que permeiam o ato de preparo.