Questão 132, caderno cinza (13) do ENEM PPL 2015

O primeiro contato dos suruís com o homem branco foi em 1969. A população indígena foi dizimada por doenças e matanças, mas, recentemente, voltou a crescer. Soa contraditório, mas a mesma modernidade que quase dizimou os suruís nos tempos do primeiro contato promete salvar a cultura e preservar o território desse povo. Em 2007, o líder Almir Suruí, de 37 anos, fechou uma parceria inédita e levou a tecnologia às tribos. Os índios passaram a valorizar a história dos anciãos. E a resguardar, em vídeos e fotos on-line, as tradições da aldeia. Ainda se valeram de smartphones e GPS para delimitar suas terras e identificar os dematamentos ilegais. 

RIBEIRO, A. Não temos o direito de ficar isolados. Época, n. 718, 20 fev. 2012 (adaptado).

Considerando-se as características históricas da relação entre índios e não índios, a suposta contradição observada na relação entre suruís e recursos da modernidade justifica-se porque os índios:

A) aderiram à tecnologia atual como forma de assimilar a cultura do homem branco. 

B) fizeram uso do GPS para identificar áreas propícias às novas plantações. 

C) usaram recursos tecnológicos para registrar a cultura do seu povo. 

D) fecharam parceria para denunciar as vidas perdidas por doenças e matanças. 

E) resguardaram as tradições da aldeia à custa do isolamento provocado pela tecnologia moderna.

Resolução em Texto

📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
Interpretação de texto, História indígena, Relação entre tradição e tecnologia.

📝 Tema/Objetivo Geral:
Analisar o uso da tecnologia por povos indígenas como estratégia de preservação cultural e territorial.

📊 Nível da Questão:
Médio, pois exige compreender uma aparente contradição histórica e interpretar a ação indígena no contexto contemporâneo.

🎯 Gabarito:
C


Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

📌 O enunciado traz um trecho que destaca a contradição entre a modernidade, que quase destruiu os suruís, e a mesma modernidade, que agora ajuda a preservar sua cultura. Em seguida, pergunta: “a suposta contradição observada […] justifica-se porque os índios…”

🔍 O que está sendo pedido?
Identificar como os suruís transformaram uma ameaça (modernidade/tecnologia) em uma ferramenta de resistência e preservação cultural.

🎯 Objetivo cristalino:
Entender que os suruís se apropriaram da tecnologia não para assimilar a cultura do outro, mas para proteger a sua própria cultura e território.

🧐 Você percebeu que a mesma tecnologia que foi um risco virou agora uma aliada da cultura suruí?


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

🌐 Historicamente, a relação entre povos indígenas e a modernidade ocidental foi marcada por:

  • Violência física e cultural: doenças, massacres, imposição de costumes externos;
  • Ameaça à identidade e ao território: desmatamentos, expulsão das terras, silenciamento das línguas.

📲 No entanto, hoje, muitos povos indígenas revertem essa lógica ao usar a tecnologia como arma de preservação e resistência, como:

  • Registrar e divulgar línguas e tradições orais;
  • Monitorar e denunciar desmatamentos;
  • Mapear terras com GPS e georreferenciamento;
  • Participar de redes sociais e espaços de fala pública.

💭 Dúvida comum:
“Mas ao usar tecnologia, eles não estariam perdendo suas tradições?”
❌ Não! O uso de tecnologia não anula a tradição — pode, ao contrário, fortalecê-la e registrá-la para as próximas gerações.


Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto

📌 O texto afirma que, em 2007, o líder Almir Suruí firmou uma parceria inédita que levou tecnologia às tribos. Isso permitiu que os índios:

  • Registrassem sua cultura em vídeos e fotos on-line;
  • Valorizassem a história dos anciãos;
  • Usassem GPS para delimitar suas terras e combater o desmatamento.

📌 A “suposta contradição” se dissolve quando percebemos que a tecnologia deixou de ser um vetor de destruição e passou a ser uma ferramenta de proteção cultural e territorial.

📣 Pergunta de atenção:
Você consegue perceber que os suruís usaram a tecnologia a seu favor, e não para se ocidentalizar?


Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio

🧠 O raciocínio da questão se baseia em resignificação: algo que antes ameaçou um povo (tecnologia moderna) agora é usado como arma de resistência.

✔ O uso da tecnologia não tem como fim a assimilação cultural, mas a autonomia e o fortalecimento identitário.

🌳 Registrar tradições em vídeo e mapear terras com GPS são formas contemporâneas de preservar o que antes era oral e vulnerável à perda.


Passo 5: Análise das Alternativas (ou Argumentos) e Resolução

A) aderiram à tecnologia atual como forma de assimilar a cultura do homem branco.
❌ Errada. O objetivo não é assimilação, mas sim preservação cultural própria.

B) fizeram uso do GPS para identificar áreas propícias às novas plantações.
❌ Errada. O GPS foi utilizado para proteger o território e denunciar desmatamentos, não para agricultura.

C) usaram recursos tecnológicos para registrar a cultura do seu povo.
✅ Correta! Essa é exatamente a ação descrita no texto: registrar tradições, valorizar anciãos e proteger o território.

D) fecharam parceria para denunciar as vidas perdidas por doenças e matanças.
❌ Errada. O foco da parceria foi presente e futuro, não rememorar tragédias passadas.

E) resguardaram as tradições da aldeia à custa do isolamento provocado pela tecnologia moderna.
❌ Errada. O texto diz o oposto: não há isolamento, há engajamento tecnológico com fins culturais e ambientais.


Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

📌 A aparente contradição entre tradição indígena e tecnologia moderna se dissolve quando percebemos que os suruís não foram passivos diante da modernidade: eles se apropriaram dela estrategicamente, para proteger sua cultura e território.

✅ Por isso, a alternativa C é a correta: os recursos tecnológicos foram usados para registrar e valorizar a cultura tradicional suruí, mostrando que tradição e inovação podem caminhar juntas.

🔍 Resumo Final:
A tecnologia que um dia ameaçou a existência dos suruís hoje fortalece sua identidade, sua memória e suas terras. Ao usarem vídeos, fotos, smartphones e GPS, os suruís reinventaram a modernidade como ferramenta de resistência cultural. Por isso, a resposta certa é C.

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