Questão 22, caderno branco (09) do ENEM PPL 2015

Se os nossos adversários, que admitem a existência de uma natureza não criada por Deus, o Sumo Bem, quisessem admitir que essas considerações estão certas, deixariam de proferir tantas blasfêmias, como a de atribuir a Deus tanto a autoria dos bens quanto dos males. Pois sendo Ele fonte suprema da Bondade, nunca poderia ter criado aquilo que é contrário à sua natureza.

AGOSTINHO. A natureza do Bem. Rio de Janeiro: Sétimo Selo, 2005 (adaptado).

Para Agostinho, não se deve atribuir a Deus a origem do mal porque

A) o surgimento do mal é anterior à existência de Deus.

B) o mal, enquanto princípio ontológico, independe de Deus.

C) Deus apenas transforma a matéria, que é, por natureza, má.

D) por ser bom, Deus não pode criar o que lhe é oposto, o mal.

E) Deus se limita a administrar a dialética existente entre o bem e o mal.

📝 Resolução em Texto

📚 Matérias Necessárias para a Solução

  • Filosofia Medieval
  • Patrística
  • Teodiceia (explicação do mal no mundo)

🎯 Tema/Objetivo: Identificar a explicação de Santo Agostinho sobre por que não se pode atribuir a Deus a criação do mal.

🎚️ Nível da Questão: Médio

✅ Gabarito: ✔️ D) por ser bom, Deus não pode criar o que lhe é oposto, o mal.


Resolução Passo a Passo

🔍 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

Comando da questão:
“Para Agostinho, não se deve atribuir a Deus a origem do mal porque…”

🎯 O que a banca quer?: Que o aluno identifique a explicação teológica e filosófica dada por Santo Agostinho sobre a origem do mal.

💡 Objetivo Cristalino: Reconhecer que, segundo Agostinho, Deus é absolutamente bom e, por isso, não pode criar o mal.

❓ Pergunta de Atenção: Por que, para Agostinho, Deus não pode ser o criador do mal?

⚠️ Dúvida Comum: Pensar que o mal é uma força independente criada por Deus ou que seja uma substância autônoma, quando, para Agostinho, é ausência de bem, não uma entidade real.


🗂️ Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários (em tabela)

🏷️ Conceito 📖 Explicação Didática
Deus como Sumo Bem Para Agostinho, Deus é a perfeição e fonte de todo o bem, sendo incapaz de produzir o mal.
Teodiceia Reflexão filosófica sobre a origem do mal e a justificativa da bondade divina diante da existência do mal.
Mal como ausência do bem (privação) O mal não existe como uma coisa criada, mas como falta ou privação de bem nas criaturas.
Criação divina Deus criou tudo que existe como bom; o mal surge da liberdade do ser humano e da corrupção de sua vontade.
Livre-arbítrio Fundamental para Agostinho: o ser humano, dotado de liberdade, pode escolher se afastar do bem, gerando o mal.

🧩 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto

Frases-chave:

  • “Deus, o Sumo Bem” → Deus é absolutamente bom.
  • “nunca poderia ter criado aquilo que é contrário à sua natureza” → Deus não cria o mal, pois seria contraditório com sua essência.

Interpretação:
O texto busca reforçar que Deus, sendo essencialmente bom, não pode criar o mal, pois este seria o oposto de sua natureza. Portanto, o mal não deve ser visto como uma criação divina, mas como uma consequência da liberdade humana ou uma privação do bem.


🗃️ Passo 4: Análise das Alternativas e Resolução

❌ (A) o surgimento do mal é anterior à existência de Deus

Errada.
Por quê? → Para Agostinho, Deus é eterno e causa de todas as coisas boas. O mal não existia antes Dele.
Como poderia ser correta? → Se Agostinho defendesse um dualismo, com um mal eterno, o que ele rejeita.

❌ (B) o mal, enquanto princípio ontológico, independe de Deus

Errada.
Por quê? → Agostinho não considera o mal um “princípio ontológico” independente, mas uma privação de bem.
Como poderia ser correta? → Se fosse a filosofia maniqueísta, que vê o mal como um princípio tão real quanto o bem.

❌ (C) Deus apenas transforma a matéria, que é, por natureza, má

Errada.
Por quê? → Agostinho rejeita essa ideia: para ele, a matéria criada por Deus é boa. O mal não é inerente à matéria.
Como poderia ser correta? → Se fosse associada à filosofia neoplatônica ou gnóstica, que depreciavam a matéria.

✅ (D) por ser bom, Deus não pode criar o que lhe é oposto, o mal

Correta!
Por quê? → Esta é a essência da resposta de Agostinho: Deus, como Sumo Bem, não cria o mal, que é o oposto da sua natureza.

❌ (E) Deus se limita a administrar a dialética existente entre o bem e o mal

Errada.
Por quê? → Para Agostinho, não há uma dialética real entre bem e mal. O mal não é um “princípio” rival, mas uma ausência.
Como poderia ser correta? → Se fosse baseada em uma filosofia dualista, que Agostinho explicitamente combate.


🏁 Passo 5: Conclusão e Justificativa Final

A chave da filosofia de Santo Agostinho sobre o mal é a afirmação de que Deus, sendo perfeitamente bom, não poderia criar o mal, pois seria um ato contra sua própria essência.

Assim, a alternativa D expressa corretamente essa ideia, ao indicar que Deus, por ser bom, não pode criar aquilo que lhe é oposto.

As demais alternativas incorrem em erros comuns, como confundir o mal como substância ou como entidade independente, ideias que Agostinho rejeita veementemente.

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