Questão 07, caderno branco (9) do ENEM PPL 2016

Os escravos tornam-se propriedade nossa seja em virtude da lei civil, seja da lei comum dos povos; em virtude da lei civil, se qualquer pessoa de mais de vinte anos permitir a venda de si própria com a finalidade de lucrar conservando uma parte do preço da compra; e em virtude da lei comum dos povos, são nossos escravos aqueles que foram capturados na guerra e aqueles que são filhos de nossas escravas.

CARDOSO, C. F. Trabalho compulsório na Antiguidade. São Paulo: Graal, 2003.

A obra Institutas, do jurista Aelius Marcianus (século III d.C.), instrui sobre a escravidão na Roma antiga. No direito e na sociedade romana desse período, os escravos compunham uma

A) mão de obra especializada protegida pela lei.

B) força de trabalho sem a presença de ex-cidadãos.

C) categoria de trabalhadores oriundos dos mesmos povos.

D) condição legal independente da origem étnica do indivíduo.

E) comunidade criada a partir do estabelecimento das leis escritas.

Resolução Em Texto

Tema/Objetivo: Identificar como a escravidão era caracterizada legalmente e socialmente em Roma, com foco em sua definição como uma condição jurídica e não étnica.

📚 Matérias Necessárias para a Solução

  • História Antiga
  • Escravidão na Roma Antiga
  • Direito Romano
  • Sociedade e Cidadania na Antiguidade

🎯 Nível da Questão: Médio

✅ Gabarito: Letra D.


Resolução Passo a Passo

📖 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

O comando da questão solicita que o(a) candidato(a) interprete a posição dos escravos na sociedade romana a partir do conteúdo de um trecho das Institutas de Aelius Marcianus.
🔍 Palavras-chave do enunciado e do texto:

  • “propriedade nossa” → denota posse legal
  • “lei civil” e “lei comum dos povos” → indicam formas jurídicas diferentes de escravização
  • “capturados na guerra” e “filhos de nossas escravas” → indicam diversidade de origem

📖 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

📚 Escravidão na Roma Antiga:

  • Era uma instituição legalizada, regulada pelo direito romano.
  • Os escravos não possuíam direitos civis ou políticos; eram considerados propriedade.
  • A origem do escravo não importava: podia ser romano, estrangeiro, ou filho de escrava.
  • Duas fontes principais de escravização:
    • Jus gentium (direito dos povos): prisioneiros de guerra.
    • Jus civile (direito civil): indivíduos que se vendiam voluntariamente ou filhos de escravas.

⚖️ Importante: A escravidão romana não era baseada em critérios raciais, mas jurídicos.


📖 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto

💬 Trecho-chave do texto:

  • “os escravos tornam-se propriedade nossa […] em virtude da lei civil […] ou da lei comum dos povos.”
  • Mostra duas formas jurídicas distintas de se tornar escravo.
  • “capturados na guerra” e “filhos de nossas escravas” → reforçam a multiplicidade de origens, sem menção a etnia ou raça.

🔍 Interpretação: O texto evidencia que a escravidão era uma condição jurídica que podia atingir indivíduos de diferentes origens, com base em leis reconhecidas pelo Estado romano.


📖 Passo 4: Análise das Alternativas e Resolução

A) mão de obra especializada protegida pela lei
🔴 Errada: Escravos não eram protegidos por leis no sentido de terem garantias jurídicas. Eram considerados propriedades, com poucas ou nenhuma proteção legal.
✔️ Correção possível: “mão de obra especializada utilizada sem direitos jurídicos assegurados.”

B) força de trabalho sem a presença de ex-cidadãos
🔴 Errada: Em Roma, era possível um cidadão perder a liberdade e tornar-se escravo. A escravidão não excluía ex-cidadãos.
✔️ Correção possível: “com presença eventual de ex-cidadãos que perderam sua liberdade.”

C) categoria de trabalhadores oriundos dos mesmos povos
🔴 Errada: O texto indica a origem diversa dos escravos (guerra, filhos de escrava, venda pessoal), o que contradiz a ideia de uniformidade étnica ou cultural.
✔️ Correção possível: “oriundos de diferentes povos e origens.”

D) condição legal independente da origem étnica do indivíduo
🟢 Correta: Reflete exatamente o que é dito no texto e no direito romano. A escravidão era uma condição jurídica, aplicável a qualquer pessoa, sem vínculo com sua etnia.

E) comunidade criada a partir do estabelecimento das leis escritas
🔴 Errada: Escravos não formavam uma “comunidade” jurídica autônoma. Eram propriedades individuais e não sujeitos de direito coletivo.
✔️ Correção possível: “grupo submetido à condição jurídica de propriedade sem autonomia comunitária.”


🏆 Passo 5: Conclusão e Justificativa Final

A questão exigia a compreensão de como o direito romano estruturava a escravidão. Com base no texto e nos conhecimentos históricos, entende-se que a escravidão era uma condição legal, derivada de leis e práticas sociais, e não determinada pela origem étnica.
✅ Assim, a alternativa D se destaca por capturar com precisão essa lógica jurídica e social da Roma Antiga.

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