A antiga Cidade Livre foi idealizada por Bernardo Sayão, em 1956, para ser um centro comercial e recreativo para os trabalhadores de Brasília. Ganhou esse nome porque lá era permitido não só residir como também negociar, com isenção de tributação. A perspectiva era de que a cidade desaparecesse com a inauguração de Brasília. Com isso, os lotes não foram vendidos, mas emprestados em forma de comodato àqueles interessados em estabelecer residência ou comércio. A partir de 1960, os contratos de comodato foram cancelados e os comerciantes, transferidos para a Asa Norte. Os terrenos desocupados foram invadidos por famílias de baixa renda. Em 1961, o governo, pressionado pelo movimento popular, cria oficialmente a cidade com o nome de Núcleo Bandeirante.
CARDOSO, H. H. P. Narrativas de um candango em Brasília. Revista Brasileira de História, n. 47, 2004 (adaptado).
Essa dinâmica expõe uma forma de desigualdade social comum nas cidades brasileiras associada à dificuldade de ter acesso
A) às áreas com lazer gratuito.
B) ao mercado imobiliário formal.
C) ao transporte público eficiente.
D) aos reservatórios com água potável.
E) ao emprego com carteira assinada

Resolução em texto
📘 Matérias Necessárias para a Solução da Questão: Geografia urbana, Sociologia, Análise histórica de urbanização no Brasil.
📔 Nível da Questão: Médio.
✅ Gabarito: B) ao mercado imobiliário formal.
🎯 Tema/Objetivo Geral: Analisar como dinâmicas históricas de urbanização revelam desigualdades sociais no acesso a bens e serviços urbanos.
🔷 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
📌 Retomando o comando:
O enunciado pede para identificar qual dificuldade de acesso, evidenciada pela história da Cidade Livre/Núcleo Bandeirante, revela uma desigualdade social típica das cidades brasileiras.
📌 Explicação detalhada do que é pedido:
Quer entender qual aspecto social (habitação, transporte, trabalho, lazer, água) ficou mais comprometido no processo de formação desse espaço urbano.
📌 Palavras-chave importantes:
- Dificuldade de acesso
- Desigualdade social
- Mercado imobiliário formal
📌 Objetivo claro:
Detectar que a maior dificuldade enfrentada pelas famílias foi ter acesso a terrenos ou imóveis legais, mostrando um problema no acesso ao mercado imobiliário formal.
📌 Dica Geral:
Sempre que uma questão mencionar invasão de terras, ocupações espontâneas ou irregularidade de moradia, pense em problemas no acesso formal à terra ou à habitação. Isso é um padrão recorrente em provas!
📣 Elemento de Esclarecimento:
Você entendeu isso?
➡️ Se sim, você percebeu que o foco aqui não é emprego, nem lazer, nem transporte: é a luta pela moradia regularizada.
➡️ Vamos aprofundar isso no próximo passo!
🔷 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
📌 Mercado Imobiliário Formal:
Refere-se ao acesso legalizado a imóveis, com compra, venda ou aluguel feitos dentro da lei, com registro oficial. No Brasil, famílias pobres muitas vezes não conseguem participar desse mercado, seja por falta de dinheiro, seja por burocracias.
📌 Ocupações e Irregularidades Urbanas:
Quando a população não consegue entrar no mercado formal, surge a ocupação irregular de terrenos públicos ou privados, criando favelas ou loteamentos clandestinos.
📌 Cidades Planejadas e Exclusão:
Brasília foi planejada para atender prioritariamente a servidores e classes médias; trabalhadores pobres, sem acesso a imóveis legais, foram empurrados para áreas periféricas ou improvisadas, como o Núcleo Bandeirante.
🔷 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto
📌 Análise do Contexto:
- A Cidade Livre era temporária e não vendia lotes — apenas cedia-os em comodato (empréstimo gratuito).
- Quando os contratos acabaram, quem tinha dinheiro se mudou para regiões planejadas; quem não tinha ficou, invadindo terrenos.
- Isso revela quem pôde pagar para se integrar à cidade formal… e quem não pôde.
📌 Frases-chave do texto:
- “os contratos de comodato foram cancelados”
- “os terrenos desocupados foram invadidos por famílias de baixa renda”
Essas frases mostram nitidamente a exclusão dos mais pobres do mercado regular de imóveis.
📌 Relação com o conteúdo linguístico:
Essa exclusão se dá por um processo socioeconômico de marginalização urbana, onde a habitação formal não é acessível a todos.
🔷 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
📌 Resumo do raciocínio até aqui:
- Em cidades planejadas (como Brasília), o mercado de habitação é caro e formalizado.
- Famílias pobres sem condições de pagar por imóveis formais acabam ocupando terrenos de forma irregular.
- O texto ilustra claramente essa dificuldade de acesso à moradia regularizada.
- Portanto, o problema apontado não é falta de transporte, nem de lazer, nem de emprego — é dificuldade de participar do mercado imobiliário formal.
✔ Importante reforço:
Essa lógica não é exclusiva de Brasília! É uma característica comum em muitas cidades brasileiras: crescimento urbano acompanhado por segregação socioespacial.
🔷 Passo 5: Análise das Alternativas (ou Argumentos) e Resolução
📌 Reescrita e Análise de Cada Alternativa:
❌ A) às áreas com lazer gratuito:
O texto não fala de lazer, nem da ausência de áreas recreativas. Foge do foco principal.
❌ C) ao transporte público eficiente:
Não há menção a dificuldades de mobilidade ou transporte no enunciado.
❌ D) aos reservatórios com água potável:
O texto também não menciona falta de água como problema principal.
❌ E) ao emprego com carteira assinada:
O desafio abordado não é o trabalho formal, mas a moradia formal.
✅ B) ao mercado imobiliário formal:
Correta! O texto fala da dificuldade de garantir um espaço legal para morar após o cancelamento dos comodatos, levando famílias pobres à ocupação irregular.
🔷 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
📌 Conclusão:
O processo descrito no texto evidencia que, com o encerramento dos contratos de comodato, as famílias de baixa renda não conseguiram acessar o mercado imobiliário formal, levando à ocupação irregular dos terrenos.
✅ Alternativa correta: B) ao mercado imobiliário formal.
📌 🔍 Resumo Final:
Esta questão explora um problema social clássico do Brasil: a dificuldade de acesso legal à moradia para a população de baixa renda, que muitas vezes é forçada a ocupar áreas de forma irregular.